sábado, novembro 7, 2026

De olho na grama no vizinho

De olho na grama no vizinho

Aagropecuária brasileira vem passando por uma série de transformações nos últimos anos. Uma quantidade enorme de tecnologia foi incorporada à atividade que conseguiu aumentar a produtividade por área e qualidade da carne e do leite que chegam às mesas dos consumidores. Mas se tem um problema que há anos atinge a atividade, compromete a renda do produtor e ainda provoca desequilíbrio ambiental é a degradação da pastagem.

Nos últimos 15 anos, a produção agropecuária brasileira passou por uma verdadeira revolução. Os campos estão cada vez mais produtivos e a rentabilidade dos negócios estão empurrando as lavouras para as áreas de pastagem, o que não é ruim. Pelo contrário, com a chegada da agricultura, o pecuarista consegue ampliar sua renda e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade dos pastos.

Mas ainda existe uma grande parcela que não consegue fazer investimento para melhorar os pastos. No Brasil mais de 50% das áreas de pastagens possuem um considerável nível de degradação, o que traz impacto direto para a produtividade. Segundo o projeto MapBiomas, do total das pastagens brasileiras em 2020, 38% apresentavam uma degradação intermediária e 14,3% uma degradação severa, isso representa uma área de mais de 79 milhões de hectares que estão prejudicadas por diversos fatores.

“ Atualmente já é possível, por meio de dados, estatísticas e modelos de cálculo, indicar as melhores práticas e soluções para a recuperação de pastagens, acompanhar a evolução do pasto, direcionar o manejo”.

Em números atualizados de 2021, segundo o LAPIG/UFG, o Brasil conta com 151 milhões de hectares de áreas de pastagens. Mato Grosso, que possui o maior rebanho comercial do país, tem mais de 20 milhões de hectares. Entre os anos de 2006 e 2008, as áreas de pastagem no Brasil e em Mato Grosso atingiram o ápice, mas de lá para cá, houve uma redução na área total, isso sem que houvesse queda de produção.

O crescimento da tecnologia voltada para o agro está vinculado ao nascimento do agro 4.0, que em resumo é a adoção de práticas e medidas de produção alinhadas com pesquisa e tecnologia que buscam mapear, automatizar e dar suporte ao produtor para tomar as suas decisões com bases em dados e sistemas computacionais.

Essas práticas aplicadas à realidade atual, podem vir a servir como uma solução para os problemas novos e antigos, como é o caso das pastagens degradadas. Atualmente já é possível, por meio de dados, estatísticas e modelos de cálculo, indicar as melhores práticas e soluções para a recuperação de pastagens, acompanhar a evolução do pasto, direcionar o manejo.

Além de melhorar os resultados porteira adentro, a recuperação dos pastos também é uma aposta para solucionar alguns entraves ambientais. Ao reformar um pasto, as emissões daquela área diminui, é possível aumentar a taxa de lotação, ou seja, número de animais por hectare, e ainda ceder áreas para agricultura.

Não é à toa que os planos de governos, nacionais e internacionais, estão de olho neste passivo com grande potencial econômico, ambiental e social. Recuperar pastagem é mais do que uma alternativa, é uma solução. Estão todos de olho na grama verde do Brasil.

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria & Comunicação

FONTE: SEMANA7

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