sábado, agosto 30, 2025

Abertura da Copa tem protesto por cerveja e debandada no intervalo

 

– Queremos cerveza! Queremos cerveza! Era um protesto, mas também uma comemoração. Quando Emer Valencia anotou o segundo gol da vitória do Equador sobre o Catar no jogo de abertura da Copa do Mundo de 2022, a torcida vestida de amarelo explodiu de alegria e também aproveitou para lembrar do que fazia falta naquele estádio. Quando o juiz italiano Daniele Orsati apitou o fim do primeiro tempo, o placar de 2 a 0 foi a senha para que muitos cataris deixassem o Al Bayt, estádio com capacidade para 60 mil pessoas erguido no meio do deserto ao custo de US$ 700 milhões (R$ 3,8 bilhões).

– Decepcionante. Claro que nós vamos nos outros jogos, mas esperávamos um pouco mais do time – resumiu Ahmed Almosleimei, que deixou o jogo ao lado do amigo Abdulaziz Al Asghar. Perto deles, um grupo de mulheres cataris também se dirigiam para a saída. Evitavam criticar o time ou o técnico, mas deram a entender que continuariam lá dentro se o placar fosse outro.

O jogo terminou sem cerveja, como começou, e sem comida no Al Bayt. No intervalo, já era possível notar que todo o estoque, tanto nas lojas para torcedores, quanto para a imprensa. Lá dentro, enquanto os locais deixavam o estádio em ritmo mais alto do que o visto no gramado, os equatorianos se divertiam como era possível – sem cerveja. Faltando poucos dias para começar a Copa, a família real do Catar decidiu que não haveria cerveja nem nos entornos dos estádios, como a própria Fifa havia documentado em seu site, num guia para torcedores.

copa catar

 

– Nós somos sul-americanos, para nós o estádio precisa ter uma cerveja. E cerveja com álcool – disse o torcedor Byron Espinoza, ao lado da mulher, Veronica Gallegos, enquanto enfrentavam uma pequena fila para comprar… Cerveja sem álcool.

Quem também abraçou o espírito “é o que temos” foi um grupo de amigos do Paraná, que está no Catar para acompanhar presencialmente a quarta Copa do Mundo seguida. Viajaram de São Paulo a Doha no mesmo voo que Galvão Bueno e foram direto do aeroporto para o estádio. 

– A gente estava que nem o Cléber Machado enquanto acompanhava o noticiário sobre a venda de cerveja na Copa: “Hoje sim, hoje sim, hoje não…” – riu Luis Felipe Guimarães, que viajou ao Catar junto com o irmão, Carlos, e com os amigos Luciano Sponchiado e Everson Mizzga. Eles também enfrentaram a fila para pagar R$ 45 em copos de meio litro de cerveja sem álcool.

Provocação aos chilenos

A torcida mais barulhenta do jogo de abertura também não deixou de lembrar do Chile, que tentou nos últimos meses derrubar o Equador da Coap do Mundo por causa de irregularidades nos documentos do jogador Byron Castillo.

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Os equatorianos não perdoaram os chilenos. Com um toque de homofobia. Começaram a pular e dizer que quem não salta é uma “bicha chilena”. Mas uma única coisa deixou os sul-americanos abalados, mesmo com a vitória: a falta de cerveja.

Frio

Além da falta de cerveja, muitos presentes ao Al Bayt também sentiram frio. A potência do ar-condicionado do estádio incomodou muita gente, sobretudo por causa do contraste com as altas temperaturas lá fora – o Al Bayt é o estádio mais distante do centro de Doha, e fica literalmente no meio do deserto.

A chegada ao estádio

O Al Bayt, com capacidade para 60 mil torcedores, demorou a encher. Mas esteve lotado na abertura da Copa do Mundo. Os fãs enfrentaram um pouco de trânsito na chegada ao estádio, que fica 40 quilômetros ao norte de Doha e é o mais afastado da capital do Catar.

Para chegar ao isolado Al Bayt, que é cercado pelo Deserto da Arábia, os torcedores sem acesso a um carro ou táxi usaram os ônibus da organização do Mundial, que saem de alguns pontos de Doha. O estádio é o único da Copa do Mundo sem uma estação de metrô para acesso.

A caminhada dos pontos de desembarque até o Al Bayt é um pouco longa. Mas o calor aliviou neste fim de semana no Catar, e o pequeno exercício não desanimou os fãs de vários lugares do mundo. Além de torcedores do Catar e Equador, mexicanos, argentinos, brasileiros, alemães, galeses, norte-americanos, ganeses, camaroneses e várias nacionalidades prestigiaram a abertura do Mundial.

Controle rígido na entrada

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A fiscalização é rígida. Todos os torcedores deveriam estar com o seu Hayya Card, uma espécie de visto criado para o Mundial. A entrada no perímetro do Al Bayt, e de todos os estádios na Copa do Mundo, só é feita após passagem por equipamentos de raio-x. Isso gerou algumas filas, mas não atrasou a entrada dos fãs.

O controle duro gerou alguns problemas. O ge registrou um torcedor equatoriano e um mexicano que foram barrados na entrada por portarem um tablet e um computador. Ambos se queixaram de que os itens não estavam na lista de proibições. Um iraniano teve sua máscara customizada com as cores da bandeira do seu país retida.

O torcedor mexicano, que levava o computador alegando que iria trabalhar, questionou os guardas no Al Bayt, e uma intensa discussão se iniciou. Os fiscais interpelaram quem tentou gravar a situação. Mochilas são revistadas, e qualquer tipo de bandeira é checada.

FONTE: Folha Max

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