sexta-feira, agosto 29, 2025

Homem que agrediu enfermeiras na pandemia preso pela PF

 

O bolsonarista Renan Silva Sena, ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, Família e Direito Humanos (MMFDH), é um dos presos na primeira fase da operação Lesa Pátria, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (20), e que mira financiadores e participantes de atos terroristas ocorridos em Brasília, em 8 de janeiro.

O nome da Renan já tinha aparecido em maio de 2020, quando ele agrediu duas enfermeiras durante um ato defendendo o isolamento social na capital, no início da pandemia de Covid-19. Além disso, o bolsonarista já foi investigado por calúnia contra autoridades, como o governador do DF afastado, Ibaneis Rocha (MDB) (veja detalhes abaixo).

 

A operação desta sexta foi ordenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu oito mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As ordens são cumpridas no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, e Mato Grosso do Sul.

Na casa de Renan, a PF apreendeu R$ 22 mil em dinheiro. Nas redes sociais, ele publicou um vídeo, em 6 de janeiro, incitando atos bolsonaristas. “Temos uma grande ação esse fim de semana, uma grande manifestação”, disse na gravação.

“E não vamos recuar. Não vamos recuar. Tamo junto aí, vem pra cá, vem pra Brasília você também. Nós vamos fazer história. Nós vamos deixar um legado para nossas famílias, vamos deixar um legado para novas gerações”, continuou.

Agressão à enfermeiras

A manifestação dos profissionais de saúde em que as agressões ocorreram foi na manhã do feriado do Dia do Trabalhador (1º). O ato, segundo os organizadores, “era para reforçar a necessidade da população cumprir o isolamento social” e prestar homenagem aos 55 enfermeiros, técnicos e auxiliares que tinham perdido a vida para a doença até então.

Usando jaleco e máscaras, os manifestantes seguravam cruzes em referência aos mortos e erguiam cartazes com frases como “enfermagem em luto pelos profissionais vítimas da Covid-19. Fique em casa”.

Por volta das 9h30, um homem vestido de verde e amarelo – que depois foi identificado como Renan Sena – começou a filmar. Na camisa, ele estampava os dizeres “meu partido é o Brasil” e atacava os participantes.

Outras duas pessoas foram identificadas por participar das agressões: o empresário goiano Gustavo Gayer Machado de Araújo e a empresária Marluce de Carvalho Oliveira.

Renan era funcionário da empresa pela G4F Soluções Corporativas Ltda. Ele começou a trabalhar no Ministério da Mulher, Família e Direito Humanos em fevereiro de 2020, durante a gestão da então ministra e atual senadora eleita Damares Alves (Republicanos).

Segundo a própria empresa que o contratou, “no final de março, ele foi afastado para trabalhar em sistema de home office, por ser grupo de risco para o coronavírus, e em abril parou de atender as chamadas do ministério”. Ele foi desligado do cargo no dia 4 de maio de 2020, após o episódio de agressão às enfermeiras.

Calúnia contra autoridades

Renan Silva Sena também chegou a ser detido pela Polícia Civil (PCDF), em junho de 2020, por injúria e difamação, depois de divulgar um vídeo com ofensas aos presidentes da Câmara e do Senado Federal, a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governador Ibaneis Rocha (MDB). Na época, ele foi liberado após assinar um termo de comparecimento em juízo.

Para o delegado responsável pelo caso, Giancarlos Zualini, Sena ainda era suspeito de narrar um vídeo em que manifestantes lançavam fogos contra o STF. O presidente do Supremo na época, ministro Dias Toffoli, apresentou representação contra ele à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, “por ataques e ameaças à Instituição deste Supremo Tribunal Federal e ao Estado Democrático de Direito”.

Renan também participava constantemente de manifestações a favor de Bolsonaro e publicava vídeos desses momentos em suas redes sociais. Na época, ele afirmava ser “ameaçado” por órgãos de segurança, viver em uma “ditadura comunista” e chamava autoridades de “bandidos”.

Operação Lesa Pátria

A operação Lesa Pátria, deflagrada nesta sexta-feira, mira financiadores e participantes de atos terroristas ocorridos em Brasília, em 8 de janeiro. Até o início da tarde, cinco alvos tinham sido presos (veja perfis dos detidos). São eles:

Ramiro Alves Da Rocha Cruz Junior, conhecido como Ramiro dos Caminhoneiros;

Randolfo Antonio Dias

Renan Silva Sena

Soraia Bacciotti

Quinto detido não identificado

Os alvos são investigados pelos seguintes crimes:

abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

golpe de Estado;

dano qualificado;

associação criminosa;

incitação ao crime;

destruição;

deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

Veja quantos mandados são cumpridos por unidade da federação:

Distrito Federal: 5 de busca e apreensão e 2 prisões

Goiás: 1 busca e apreensão

São Paulo: 7 busca e apreensão e 3 prisões

Rio de Janeiro: 1 busca e apreensão e 1 prisão

Minas Gerais: 1 busca e apreensão e 1 prisão

Mato Grosso do Sul: 1 busca e apreensão e 1 prisão

Segundo a corporação, as investigações continuam. A Polícia Federal pede para que, caso alguém tenha informações sobre pessoas que participaram, financiaram ou fomentaram os ataques do último dia 8, encaminhe a identificação para o e-mail denuncia8janeiro@pf.gov.br.

FONTE: Folha Max

comando

DESTAQUES

RelacionadoPostagens