Candidato a prefeito de Cuiabá pela segunda vez, o deputado federal Abílio Brunini (PL) criticou o comportamento de políticos e eleitores durante campanhas eleitorais.
Tem muito eleitor que vende votos, que troca princípios por negociações que não são lícitas. [….] Se existem políticos corruptos é porque boa parte dos eleitores também é.
“Tem muito eleitor que vende votos, que troca princípios por negociações que não são lícitas. [….] Se existem políticos corruptos é porque boa parte dos eleitores também é. Isso é ciclo”, afirmou.
Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, Abílio elencou as principais propostas para saúde, infraestrutura e transporte público. Adiantou que quer a médica Lúcia Helena Barboza Sampaio para chefiar a saúde municipal, caso eleito.
Abílio ainda garantiu que seu espectro político, à direita, não atrapalhará a destinação de recursos por parte do Governo Lula (PT) à Capital.
“É furado esse discurso, porque as minhas emendas são pagas, porque são impositivas e a gente mandou. Muitas dessas coisas são conversas para falar que tem que se aproximar do Lula ou deixar de se aproximar. Não tem nada disso”, garantiu.
Essa é a primeira entrevista com os candidatos a prefeito de Cuiabá realizada pelo MidiaNews na campanha de 2024.
Confira os principais trechos da entrevista:
MidiaNews – O senhor é deputado federal e está no meio de seu primeiro mandato. Por que quer ser prefeito de Cuiabá?
Abílio Brunini – Por que os times jogam Campeonato Brasileiro todos os anos? Porque eles querem ganhar e querem fazer a história deles. Eu sou candidato a prefeito em 2024, fui candidato a prefeito em 2020 e fui candidato a deputado. Não se trata de disputar depois de uma derrota, é depois de uma vitória, porque a minha vitória foi em 2022.
Tive minha primeira vitória em 2016 para vereador, fui muito bem votado. Se tivesse ido para vereador em 2020, teria sido também bem votado, porque a população gostou do nosso trabalho. Exemplo esse é que a gente foi em primeiro lugar para o segundo turno e agora em 2022 a gente também teve uma vitória para deputado federal, sendo o segundo mais votado.
Isso prova que nosso trabalho, mesmo que muitos não gostem, principalmente da classe política, é apoiado pela população. Então, temos o porquê de estar aqui.
MidiaNews – Mas especialmente para o Executivo, o que lhe move nesse sentido?
Abílio Brunini – O desejo de mudança vem da cidade, não é apenas meu. Eu tenho esse desejo, mas vejo a cidade tendo também.
Como todo mundo sabe, sou da fiscalização, sempre fui de ir na UPA, de ir ao posto de saúde, nas escolas, nos espaços públicos ver como estão funcionando. E chega um momento que você fala “algo tem que acontecer”. Não pode ser desse jeito, não podemos aceitar que continue desse jeito.
Você ir em uma UPA e depois de quatro anos, desde 2020 quando fui candidato, e ela continua com o mesmo problema, faltando médicos, remédios… As pessoas pegam oito horas de fila e continuam sofrendo com a falta de atendimento. Você vai nos bairros e continuam os mesmos problemas de infraestrutura, buraco para todo lado.
Eles não têm vergonha de fazer uma operação tapa-buraco, deveria ser uma manutenção constante de vias públicas.
Quando você percebe que o problema nunca será solucionado só com a fiscalização, vê que o único caminho é ir para linha de frente e buscar a administração para resolver os problemas da cidade.
É uma reinvindicação da população, é um desejo do povo que a gente faça uma mudança na cidade e eu tenho fé que temos um time muito bom, temos uma equipe muito boa de pessoas qualificadas que podem nos ajudar a resgatar a cidade.
MidiaNews – Quem por exemplo?
Victor Ostetti/MidiaNews
O deputado federal Abílio Brunini, que quer pediatra como secretária municipal de Saúde
Abílio Brunini – Na Saúde, a gente tem a doutora Lúcia Helena, que é médica pediatra, foi servidora da Prefeitura, atende crianças. O nosso projeto com ela sempre foi ela ser secretária de Saúde, uma das coisas que já falo antecipadamente.
Duvido os outros candidatos terem coragem de falar quem serão os outros secretários, mas eu falo antecipadamente. Pode pesquisar a vida dessa pessoa, você vai ver que é digna, decente, trabalhadora, tem uma história incrível para Cuiabá e que pode fazer muito pela saúde.
MidiaNews – O senhor é evangélico da Assembleia de Deus. É neto do pastor Sebastião Rodriguez. Que influência ele teve na sua vida?
Abílio Brunini – Se eu tivesse herdado 10% da oratória já estava muito bom. Meu avô é um legado fantástico, uma história de superação, de uma pessoa que veio de uma vida muito simples e que Deus o capacitou e deu todas as condições para que ele pudesse servir a obra de Deus até o último dia de sua vida.
Eu levo isso para minha vida como um exemplo de servir. A gente na igreja chama isso de chamado, mas acredito que seja uma vocação. O senhor Deus o capacitou, o vocacionou a servir e acho que colocou em mim também, mas cada um do seu jeito, cada um com seu propósito. O propósito dele era servir dentro da igreja, como pastor, servindo ao povo.
MidiaNews – Como se deu a decisão de disputar uma eleição pela primeira vez? Teve apoio da Assembleia de Deus?
Abílio Brunini – A Assembleia de Deus é parecida com várias outras igrejas, não se envolve em política, apesar de apanhar bastante por minha causa. Como sou neto do pastor, muitos atacam a igreja.
Porém, ela em 2020 não se envolveu na eleição, em 2022 não se envolveu na eleição e em 2024 não se envolverá. Há muito tempo a igreja não faz posicionamento político, de falar “esse é o candidato A, esse é o B”. Não. A igreja ora por todos, porque a bíblia os orienta a orar por todos. A
Em 2020 fui muito atacado e o pastor Silas, que era quem tinha recém assumido na ausência do meu avô, não fez posicionamento político partidário. Em 2022 também fui candidato e ele também não fez e em 2024 também não fará. Isso é normal.
MidiaNews – No seu plano de governo há a proposta de criação de Vilas de Saúde. Como isso funcionaria?
Abílio Brunini – Decidi colocar o nome de Vilas de Saúde em conceito a nossa Vila Real de Bom Jesus de Cuiabá. Mas esse conceito não é novo, já existe no planejamento do Ministério da Saúde, que é você levar algumas especialidades para as unidades básicas de saúde e agregar a elas esses atendimentos especiais. Então, você pode, dentro de uma unidade, colocar um consultório novo para algum atendimento de especialidade com planejamento e organização.
Por exemplo, as mulheres de um determinado bairro da cidade precisam de um atendimento especializado para alguma área da ginecologia, esse médico precisa estar lotado naquela unidade o tempo todo? Não. Porém, durante um período do mês, ele pode marcar as agendas ali, usar aquele consultório e atender aquela especialidade ali para descentralizar a central de especialidade médica.
Então, cria junto às unidades básicas de saúde um anexo de dois ou três consultórios que possam colocar serviços complementares ali de acordo com a demanda de cada lugar. Você mapeia as necessidades. Essas salas complementares hoje não existem.
MidiaNews – No plano de governo dos candidatos Lúdio e Botelho, por exemplo, é citado diversas vezes “busca de apoio do Governo Federal”. No seu plano, essa citação quase não acontece. Caso eleito, crê que terá dificuldade de buscar recursos e diálogo com o governo petista?

É importante colocar que quem mais está mandando recursos do Governo Federal para a Capital sou eu. É furado esse discurso
Abílio Brunini – É importante colocar que quem mais está mandando recursos do Governo Federal para a Capital sou eu. É furado esse discurso, porque as minhas emendas são pagas, porque são impositivas e a gente mandou. Muitas dessas coisas são conversas para falar que tem que se aproximar do Lula ou deixar de se aproximar. Não tem nada disso.
O Governo Federal é projeto, você monta um projeto, apresenta e se ele tiver viabilidade técnica cada ministério tem suas caixinhas de recursos que estão disponíveis para isso. E eu falo porque fiscalizo.
O Tarcísio, governador de São Paulo, é Bolsonaro, de direita e está recebendo os recursos do Governo Federal com tranquilidade. O Zema, Minas Gerais, também é de direita e está recebendo recursos do Governo Federal com tranquilidade. O Jorginho Melo, um dos mais duros, ele e o Caiado, estão recebendo os recursos também. E nenhum deles está puxando saco do Lula. Eles são de direita, tem o posicionamento deles e estão trabalhando.
Mas o que eles investiram? Em equipe técnica qualificada para montar projeto. Por exemplo, Cuiabá ainda que tenha Emanuelzinho como vice-líder do Lula está deixando de receber recursos do Governo Federal, porque não temos os projetos representados lá. O dinheiro está lá, apresente o projeto, fala onde vai implantar que consegue captar os recursos.
Então, o problema em relação ao Governo Federal não é uma relação política partidária, quem defende uma relação política partidária não está defendendo a cidade com o planejamento adequado.
O que defendo é que vamos ter os melhores projetos e os técnicos mais qualificados para criar projetos que consigam captar recursos do Governo Federal e do Governo do Estado. O que eles estão fazendo no plano de governo deles é falar que vão captar recursos por influência. Não é esse tipo de relacionamento que a cidade precisa. Não é porque é do partido do presidente que vai ter mais recurso. Isso é bobagem.
MidiaNews – Como analisa a atual situação de Cuiabá depois de quase oito anos de gestão de Emanuel Pinheiro? O quadro é grave? Já que o próximo prefeito herdará um rombo bilionário, de R$ 1,2 bilhão, segundo aponta o TCE-MT?
Abílio Brunini – A gente estava analisando os quadros e essa situação financeira de Cuiabá não é de agora. Em 2015, tivemos o maior recorde de despesa do município proporcional a receita. O município chegou a gastar 55% da sua receita naquele ano, era o penúltimo mandato do Mauro. Naquela época, o orçamento era menor do que hoje, mas a despesa também. Ai no último ano, o Mauro equilibrou as contas e caiu bem a despesa em relação à receita.
O Emanuel tem um caso diferente, que é a despesa vem crescente acima da receita. Chegou ao ponto que em 2020 e 2021, a despesa ultrapassou a receita. A cada R$ 100 que arrecadava, gastava R$ 105.
Hoje está em torno de R$ 1,7 bilhão a divida consolidada. Tem como resolver? Tem. Como? O primeiro passo é cortar despesas supérfluas, contratos superfaturados, parar essas operações da polícia deixando de roubar, deixando de fazer esquemas, deixando de ter pessoas erradas dentro da prefeitura.
Por exemplo, custou R$ 15 milhões um contrato de software que não foi usado, pagou R$ 8 milhões e ele não foi usado. Então foram R$ 8 milhões que nunca chegou a ser aplicado. Cada quilometro de asfalto custa R$ 1 milhão, dava para asfaltar 8 km de asfalto.
Recentemente, Emanuel falou que ia gastar R$ 15 milhões em tapa-buracos, você percebe que sempre são contratos altos, nunca contratos baixos.
Então, o que falo, cheguei até a ser radical, em seis meses a gente resolve o problema da Prefeitura. Seis meses de gestão. Por quê? Porque eu consigo visualizar através das nossas fiscalizações que a gente consegue economizar R$ 400 milhões por ano com muita facilidade, só acabando com contratos superfaturados.
MidiaNews – Quais problemas da Prefeitura o senhor conseguirá resolver? Saúde? Infraestrutura? Pagar fornecedor?

Sou contra esse empréstimo, acho que a prefeitura tem que ajustar as contas, melhorar a nota no Tesouro Nacional e conseguir recursos com melhores condições
Abílio Brunini – Só para se ter uma ideia, a Prefeitura está pedindo um empréstimo de R$ 139 milhões, não precisa, mas está pedindo sob justificativa de que quer terminar o Contorno Leste e o Mercado do Porto, mas no passado ela já tinha pedido um empréstimo para a mesma coisa. O dinheiro daquela época não foi aplicado da forma correta e agora querem mais para terminar uma coisa que já tinha dinheiro para isso.
A Prefeitura tem uma nota péssima no Tesouro Nacional e quando sua pontuação está baixa e você vai pegar um empréstimo e o juros é mais alto. Então, vai pegar um empréstimo com juros extremamente alto, com carências longas porque a Prefeitura gasta mal os recursos públicos.
Por isso, sou contra esse empréstimo, acho que a prefeitura tem que ajustar as contas, melhorar a nota no Tesouro Nacional e conseguir recursos com melhores condições. Quando se fala em ajustar a conta da prefeitura é em todos os setores, não dá para você pensar que o problema é em um lugar só, o problema está em todas as secretarias.
MidiaNews – O loteamento de Pastas também é um problema.
Abílio Brunini – Só para ter uma ideia, a Prefeitura de Cuiabá é loteada entre os partidos políticos. Tal partido cuida da Secretaria de Saúde, falavam que era do MDB, e tal secretaria era do PV, e loteavam os cargos.
Se a gente não conseguir cuidar das despesas por secretaria, por pastas, e enxergar a prefeitura como um todo, a gente não consegue reequilibrar as contas, porque só existem duas alternativas: você ajusta as contas ou vão cobrar mais caro, porque a prefeitura não quebra, órgão público repassa o problema para os outros.
MidiaNews – O senhor mencionou alguns contratos irregulares. Atribui esses contratos de Cuiabá a corrupção na gestão?
Abílio Brunini – Com certeza. A corrupção vem de longa data. É importante a gente lembrar que o Huark [Douglas, secretário de Saúde de Cuiabá entre março e dezembro de 2018 e alvo da Operação Sangria] estava na Empresa Cuiabana de Saúde antes do Emanuel assumir a prefeitura. O Huark vem dos governos Silval Barbosa, Blairo Maggi…
Quando presidi a CPI da Saúde, e denunciei o Huark com uma pressão gigante naquela época, demonstramos o primeiro escândalo de corrupção que resultou na Operação Sangria, eu fiquei animado. Disse: “Poxa, pegamos o esquema na saúde. Vencemos!”.
O que aconteceu? Saiu o cara, e em vez de corrigir, o sistema aproveitou o vazio e colocou outros caras. Aí, veio Milton Corrêa, outro, outro, outro… Precisamos enfrentar com coragem. Ou a gente corta esses escândalos e problemas, e fala com coragem sobre eles, ou as coisas não mudam.
MidiaNews – Se eleito o senhor vai colocar a sua digital na Saúde? Por que, às vezes, o que acontece é que o gestor deixa a Pasta por conta do secretário.
Abílio Brunini – Eu quero. Eu sou arquiteto urbanista, tenho planejamento para cidade toda, mas todo mundo sabe o quanto me importo com a Saúde Pública. E não me lembro, na história de Cuiabá, alguém que não é da área lutar tanto pela Saúde como tenho lutado.
O Lúdio é médico, mas não me lembro dele fiscalizar a UPA, dele cobrar toda essa situação. O Botelho está no terceiro mandato na Assembleia Legislativa e não me lembro dele fiscalizar. Então, se tem alguém que se importa com a Saúde Pública de Cuiabá esse alguém sou eu. Sempre lutei e vou continuar lutando.
MidiaNews – O senhor não tem medo da oposição?
Abílio Brunini – Eu aprendi a conviver com ela. O vereador que reclama do mau funcionamento se o secretário, prefeito ou governador estiver a fim de resolver, ele vai resolver e morrer o assunto do vereador. Lidar com a oposição é muito fácil.
MidiaNews – Mas você se acha fácil? O senhor tem uma postura agressiva nas redes sociais…
Abílio Brunini – Eu sou de boa. Você já viu algum vídeo meu batendo em alguém?
MidiaNews – Não sobre isso, mas colocar a câmera na cara dos servidores, um sorriso um pouco cínico, que irrita e tira o adversário do sério. Fazer uma provocação. O senhor não tem essa autocrítica?
Victor Ostetti/MidiaNews
Abílio: “Não faço autocrítica e sabe por quê? Estou sempre nas unidades de saúde e cansei de ver mãe com uma criança de colo na entrada da UPA”
Abílio Brunini – Não faço autocrítica e sabe por quê? Estou sempre nas unidades de saúde e cansei de ver mãe com uma criança de colo na entrada da UPA, sentada na calçada com o filho. E você vê a criança com fome, dificuldade, mais de oito horas esperando.
Cansei de ver os filhos ao lado dos pais de idade em cadeiras quebradas, aguardando atendimento na enfermaria por até três dias. Essas pessoas estão sofrendo e reclamam onde? Quem é que tem sido duro para lutar por elas?
MidiaNews – Essa crítica que o senhor atua politicamente fazendo “espetáculos nas redes”, então, não cola?
Abílio Brunini – Se não brigar com eles, vão dar atenção? Eu vou lá e mando um ofício: “Secretário, o senhor não trabalha direito e está faltando médico”. Isso vai resolver? Esses caras são malas. Malas. Eles sabem dos problemas, tem câmeras nas unidades, estão anestesiados com a dor dos outros, já não se importam!
Eu já fui falar com eles várias vezes. Eles abrem as câmeras lá e dizem: “Está lotado!”. Não tem como ser tão bonzinho com a dor dos outros? Eu tenho essa empatia, sinto isso, porque já vi. Quantas pessoas já vi morrer dentro de unidade de saúde, quantas pessoas já vi sofrer, padecer?
Uma vez fui na Policlínica do Verdão, que não existe mais, e tinha uma senhora que mexeu muito comigo. Ela ficou horas na recepção da UPA para ser atendida, cheguei e a atenderam e ela faleceu. Eu não precisaria chegar para ela ser atendida, poderiam ter atendido ela antes. Quem vai pagar isso?
MidiaNews – Muito se fala sobre o senhor ter um teto de votos, pois falaria apenas para a sua “bolha de direita”.
Abílio Brunini – Qual é o teto de votos? É o número de eleitores que têm em Cuiabá. A eleição só se resolve na urna. Nesse mesmo período eleitoral em 2020 eu estava em terceiro lugar nas pesquisas, Emanuel era o primeiro, Roberto França em segundo e eu em terceiro lugar.
Se essa pergunta fosse feita nesse período, em 2020, o teto de votos seria qual? Estar em terceiro lugar? E chegou no final do primeiro turno e eu ganhei em primeiro lugar. E no segundo perdi por 1% e as pessoas nem atribuem ao mérito de Emanuel, falam que eu que perdi para mim mesmo.
Então, qual o teto de votos? Fui o segundo deputado mais votado. E nenhuma das pesquisas mostrava que eu seria o segundo mais votado.
MidiaNews – Você não tem um levantamento e uma estratégia para furar essa bolha?
Abílio Brunini – O governador Mauro Mendes foi um dos governadores mais votados e a reeleição dele foi feita no primeiro turno. E reconheço: a avaliação do governador Mauro Mendes é muito boa, a gente ouve isso nas ruas. Só que ele teve uma rejeição de 23%.
Veja, ele venceu no primeiro turno, mas a rejeição está em 23%. Se você perguntar para o servidor público, pescadores, a rejeição é mais alta que isso.
MidiaNews – Mas pesquisa não é sobre nicho..
Abílio Brunini – Isso. Pesquisa reflete momento, localidade, qual o público.
MidiaNews – E sobre a sua rejeição?
Abílio Brunini – Nas pesquisas encomendadas tenho visto que a média está entre 20% e 25% de rejeição. Há uma variação natural. E quando a gente pega essas pesquisas, e estratifica para saber de onde vem a rejeição do Abílio, e maioria são eleitores do Lúdio, que são pessoas ligadas a ideologia da esquerda. E aí é difícil mesmo de converter voto. E boa parte são de servidores da Assembleia.
MidiaNews – E isso não traria prejuízos eleitorais ao senhor? Em um possível segundo turno, acredita que vai converter esses votos?
Abílio Brunini – Tem muita coisa para acontecer até lá. Quem gosta de Cuiabá mesmo e ver nosso plano de governo, verá que nossas propostas são as melhores. E a gente não está nem propondo praia artificial na nossa cidade.
MidiaNews – O senhor tem o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu adversário Lúdio, do presidente Lula, o candidato Eduardo Botelho tem o apoio do governador Mauro Mendes. Quem leva vantagem perante o eleitor cuiabano?
Abílio Brunini – Estamos com uma candidatura de direita e três de esquerda. Essa é a realidade da nossa cidade. Temos o Botelho, que já disse que é fã do Lula, que já falou mal do Bolsonaro. E é o candidato do governador, que estava bajulando o Lula lá em Varzea Grande.
MidiaNews – É o presidente, deputado. Estamos falando de um chefe de Estado.
Abílio Brunini – É bajular, sim. Você vai no evento com Lula, assina os termos, mas não precisa puxar saco do cara.
MidiaNews – Se o senhor foi eleito prefeito, e o Lula vier a Cuiabá, o senhor não o recebe? Nem como autoridade de Estado?
Abílio Brunini – E vai adiantar o quê?
MidiaNews – Boas-vindas.
Abílio Brunini – Não tenho menor interesse de dar boas vindas a Lula em Cuiabá. Interesse nenhum. Se ele fizer por Cuiabá o que fez pelo Rio Grande do Sul estamos ferrados. Não fez nada. O que ele tem que fazer com a gente é cumprir com os critérios constitucionais, os repasses obrigatórios… E ele tem só mais dois anos de mandato, então não tenho preocupação com isso.
MidiaNews – Ele não se reelege?
Abílio Brunini – Se depender das pesquisas, que dizem que a rejeição dele é alta, os índices de aprovação dele nem no Nordeste estão bem, e a picanha ainda não chegou… Os preços só subiram, os impostos aumentaram, a comprinha na Shein foi pro pau…
Sem falar que ele está em uma idade bem avançada e tem cometido várias gafes que acredito que não colaboram. Ele está mais próximo do Joe Biden [presidente dos Estados Unidos, que desistiu da reeleição], do que de uma candidatura à reeleição.
MidiaNews – Voltando à questão do apoio.. O cuiabano, para o senhor, não vota na esquerda e é bolsonarista?
Abílio Brunini – Não. Acredito que o cuiabano é conservador. Defende a família, temos a cultura do trabalho. Cuiabá é conhecida como terra da oportunidade, quem vem para cá gosta de trabalhar.
E na nossa cidade, a gente percebe que essa cultura nunca deixará de ter um prefeito de esquerda. Um prefeito do PT que é improvável. O que ocorre é que a máquina funciona muito na nossa cidade. Tem muito eleitor que vende votos, que troca princípios por negociações que não são lícitas. Então, ainda há muita corrupção.
E se existe um prefeito corrupto é porque a maioria dos vereadores também é. Se existem políticos corruptos é porque boa parte dos eleitores também é. Isso é ciclo.
Alguém uma vez falou: Em Cuiabá não ganha quem tem as melhores propostas ou é o melhor candidato, ganha quem tem o melhor marqueteiro. Tanto é que o Mauro, tendo as melhores propostas, perdeu para Silval Barbosa [na eleição ao Governo em 2010]. Ele foi candidato três vezes para ganhar uma eleição.
MidiaNews – E supondo que o senhor chegue ao segundo turno, quem prefere encarar dos candidatos?
Abílio Brunini – Eu prefiro que acabe no primeiro turno.
MidiaNews – Acredita que isso pode acontecer?
Abílio Brunini – Acredito. Vai que alguns eleitores estão indo para urna e o ônibus estraga e falam: não vou votar no irmão do dono desse ônibus.
MidiaNews – Se eleito, pretende fazer devassa nas contas e nos contratos da Gestão Emanuel? Como classifica esse estilo de política dele? É um modelo atrasado, calçado em corrupção?
Abílio Brunini – Ninguém rouba sozinho, ninguém faz nada errado sozinho. Não digo que está acontecendo, mas depois de 21 operações policiais na Prefeitura de Cuiabá alguma coisa não está bem.
Mas imagina o seguinte: você contratou uma empresa para vender medicamentos para a Prefeitura de Cuiabá para entregar mil unidades de medicamentos. Ela vai lá e entrega 100. A responsabilidade é da empresa, a responsabilidade é da prefeitura, mas a responsabilidade é do fiscal de contrato, que assinou o atestado dizendo que recebeu menos. Então, o problema é sistêmico. Há uma cadeia de pessoas responsáveis.
Precisamos apurar esse funcionamento, corrigir esse defeito e botar a Prefeitura em ordem.
Quando você ajusta as coisas, rompe o ciclo de corrupção e rompe com o processo de superfaturamento, desvios e descasos com o dinheiro público, você consegue fazer a máquina funcionar.
MidiaNews – E isso não tem nada a ver com servidor?
Abílio Brunini – Lógico que tem servidor junto e maioria que faz parte disso são comissionados e indicados políticos. O servidor efetivo é mais difícil fazer isso, porque ele teme tomar um PAD (Processo Administrativo), perder o concurso, muitas vezes é por isso que a prefeitura e outros órgãos não fazem concurso. Porque os concursados entram com a segurança de que conquistaram o direito de estar ali.
Ele estudou, lutou para estar ali, e às vezes é até desestimulado. Os servidores da Prefeitura de Cuiabá, e tem muitos bons, estão em processo de desanimo, de desmotivação.
MidiaNews – O jornalista Rafael Costa, assessor de imprensa do senhor, foi alvo de busca e apreensão e acusado de produzir fake news contra o deputado Eduardo Botelho em um jornal impresso. Como foi essa história?
Abílio Brunini – O Rafael não é meu assessor, ele é jornalista que trabalha como freelancer. Tenho um jornalista em Brasília e um aqui em Cuiabá. E precisava de alguém para conversar com a imprensa local.
Falei com Rafael, o contratei por serviço. Avaliei a escrita dele. Ele é muito bom, escreve muito bem. Ele não é lotado no meu gabinete, não é meu assessor. Mas do mesmo jeito que pedi para ele escrever e mandar textos, também já pedi para outros jornalistas escreverem textos.
Enfim, ele escreveu um jornal. Esse jornal é dele, ele assina. As matérias que estão no jornal não são fake news, são matérias que estão no Ministério Público.
O que o Rafael fez, pelo que vi, foi pegar essa matéria e publicar no veículo. O juiz entendeu que havia alguma distorção de entendimento, mas não era fake news. É que o pedido de Botelho à Justiça era sobre “pedido de não voto”. E no período anterior à eleição, você não pode falar para não votar no Botelho, só quando começa a campanha. E eles entenderam que aquele jornal que fazia uma imagem negativa do Botelho
Direito do juiz decidir o que quiser. Não tenho nada a ver com isso. Sobre o Rafael, continuo achando ele um bom jornalista. Eu até me surpreendi com o exagero de muitas notícias como foram colocadas.
MidiaNews – Durante boa parte da entrevista, o senhor tem focado nas críticas do candidato Botelho. É o candidato que o senhor mais teme nessa campanha?
Abílio Brunini – A gente fala muito do Botelho pela semelhança com o Emanuel. Na minha visão política, o Botelho e o Emanuel são a mesma coisa, não tem diferença. E eu sempre briguei com a gestão Emanuel.
Já o Lúdio, o critiquei e volto a criticar: ele não tem condições de ser prefeito de Cuiabá pelas ideias que representa. São ideias do PT, que é favorável ao aborto, e às pautas das quais não somos favoráveis. Agora, eu falar mal do Lúdio e do PT é chover no molhado, porque todos sabem que sou bolsonarista.
FONTE: MIDIA NEWS