sexta-feira, março 28, 2025

Delegado do Gaeco cita Pablo Escobar ao criticar “caridade” de facções à população | RDNEWS

O delegado Hércules Batista, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), citou o narcotraficante colombiano Pablo Escobar como exemplo da ação de organizações criminosas que supostamente ajudam a população, distribuindo cestas básicas e outros itens, em troca do silêncio diante dos crimes praticados, o que acaba atrapalhando as investigações policiais. 

A menção a Escobar se deu após relatos de moradores do bairro Nova Conquista que lamentaram a morte de Gilmar Machado da Costa e Fabio Junior Batista Pires, vulgo “Farrame”, ambos integrantes do Comando Vermelho. Eles morreram em confronto durante a Operação Acqua Ilicita, deflagrada pelo Gaeco nesta quinta-feira (20). Os faccionados ajudavam a comunidade por meio da distribuição de cestas básicas.

Kethlyn Moraes/Rdnews

Hércules Batista, delegado do Gaeco

Para Hércules, a população tem uma “falsa percepção desse tipo de situação”. Segundo ele, a operação em questão identificou que os moradores pagavam R$ 2 a mais do valor de venda pela água potável, em prol do enriquecimento da facção, entretanto há casos que a situação é pior.

“Teve um estado em que a fornecedora de internet fechou devido às facções que estavam tentando dominar essas empresas de internet. Teve gente que ficou sem acesso, tendo que pagar o dobro [do valor] da internet [originalmente]”, declarou Hércules. 

Reprodução

Fabio Junior Batista Pires, vulgo Farrame; e Gilmar Machado da Costa

Nod etalhe, Fabio Junior Batista Pires, vulgo Farrame, e Gilmar Machado da Costa: ambos morreram durante confronto

O delegado citou ainda que moradores e comerciantes que vivem na mesma região dominada por organizações criminosas acabam denunciando aos faccionados furtos ou outros crimes sofridos, o que leva ao conhecido “tribunal do crime”.

“Isso é perigoso. Eu vou denunciar porque fulano fez um furto. E eles [faccionados] vão lá dar o salve nessa pessoa que fez o furto, sem nenhum contraditório. E se ela não fez? E se o cara não bateu no marido e tomou um salve? O Estado está aí para dar proteção. Se cometeu um crime, leva a julgamento, é feita a denúncia, ele tem todo o direito de se defender, pode ser condenado ou inocentado. Mas a partir do momento que a população lamenta um tipo de situação dessa [morte de faccionados], é perigoso”, disparou Hércules.

FONTE: RDNEWS

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