Durante evento Agosto Lilás em Várzea Grande, ocorrido nesta sexta-feira (29), na Câmara Municipal, a deputada estadual Janaina Riva (MDB) usou um tom de indignação em sua fala diante de vereadores, lideranças e representantes de entidades de defesa da mulher, ao afirmar que Mato Grosso vive uma “verdadeira epidemia de matança de mulheres” e que o Estado caminha para bater novo recorde de feminicídios em 2025.
“Ontem à noite, nós perdemos mais uma mulher esfaqueada pelo ex-marido em Novo São Joaquim. Já são 37 vítimas só neste ano. Mato Grosso foi campeão em feminicídios em 2024 e agora vai repetir essa tragédia. Que vergonha para o Estado mais rico do país carregar o título de lugar que mais mata mulheres e crianças”, disse Janaina, que já defendeu prisão perpétua ou pena de morte para os autores desses crimes.
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A vítima Maquiane de Brito Arruda, de 28 anos, que era servidora da Prefeitura de Novo Santo Antônio, foi morta com múltiplas facadas. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, C.M.N., de 28 anos, que fugiu do local e é procurado pela polícia
A deputada destacou que, além das mortes, o feminicídio deixa marcas profundas em famílias. “Ontem foram mais duas crianças órfãs. Mato Grosso já soma quase 60 órfãos só neste ano. O pai vai preso, mas quem paga a conta é a criança que perde a mãe e a família inteira se desfaz”, afirmou.
Ela criticou ainda a falta de investimento do governo do Estado em políticas públicas para mulheres. Segundo a parlamentar, o orçamento de R$ 500 mil destinado em 2024 para o enfrentamento da violência sequer foi utilizado. “Esse dinheiro foi devolvido para outras despesas. Isso é um tapa na cara de todas nós mulheres. Um Estado que lidera os índices de feminicídio não pode ser tratado com descaso”, pontuou.
Janaina defendeu que a prevenção ao feminicídio precisa ser feita dentro das comunidades, com a participação de lideranças locais e fortalecimento do trabalho dos conselhos da mulher. Ela ressaltou que muitas vezes sinais claros de violência são ignorados.
“Precisamos agir antes que aconteça. Muitas vezes os vizinhos ouvem, mas acham que é só uma briga normal de casal. Em briga de marido e mulher a gente deve meter a colher sim. Em muitos casos, se tivessem denunciado, poderíamos ter evitado mais uma tragédia. A responsabilidade é coletiva. É possível interromper o ciclo de violência quando todos assumem seu papel”, disse.
Violência política de gênero
Além do feminicídio, a deputada também falou sobre violência política contra mulheres. Ela citou o episódio ocorrido em Pedra Preta, quando um vereador chamou a prefeita de “cachorra viciada”. “Através da Procuradoria da Mulher da ALMT vamos acionar o Ministério Público Federal e pedir a cassação do mandato dele. Precisamos mostrar que não aceitaremos mais esse tipo de agressão”, afirmou.
União além das diferenças
Janaina encerrou pedindo união entre mulheres de diferentes partidos e ideologias. “Podemos ter divergências políticas, mas todas nós somos mulheres. Geramos a vida, representamos metade da população e geramos a outra metade. Precisamos estar juntas para enfrentar essa realidade. E precisamos muito também dos homens nessa luta”, finalizou.
O evento em Várzea Grande reuniu autoridades locais e marcou o encerramento da campanha Agosto Lilás, dedicada à conscientização e ao combate à violência contra a mulher.
FONTE: RDNEWS