sábado, agosto 30, 2025

“Abordagem direta e sem julgamento é crucial para a prevenção”

A cada ano, cerca de 14 mil pessoas cometem suicídio no Brasil. Considerado um grave problema de saúde pública, o tema ganha projeção no Setembro Amarelo, mês dedicado ao debate, conscientização e combate ao estigma. 

 

Às vezes, a pessoa mascara muito, não deixa isso transparecer, porque hoje em dia a gente precisa produzir, precisa trabalhar e vai tentando fingir que aquilo não está tomando conta

Segundo a médica psiquiatra Andréa Fetter Torraca, o risco mais extremo da depressão não tratada é a ideação suicida, um fenômeno complexo que frequentemente surge de forma silenciosa.

 

Ela alerta que minimizar sinais e manifestações eventuais sobre o suicídio é um erro perigoso, assim como acreditar no mito de que “quem fala não faz”. Natural de Campo Grande (MS) e formada na UFMS, Fetter defende a necessidade de uma abordagem direta, mas acolhedora.

 

“Alguns pacientes falam: ‘Eu quero morrer, não sei para que estou vivendo’, ‘minha vida não vale de nada’. São coisas sutis que, às vezes, a gente mesmo fala em um momento, mas tem que observar o paciente. Os familiares, as pessoas ao redor, têm muito receio de perguntar ou preferem ignorar. Então tem que saber acolher, não pode ter vergonha de perguntar: ‘Você realmente tem intenção de morrer?’. ‘O que está acontecendo?'”, afirma.

 

“Uma pessoa que fala isso, na grande maioria das vezes, faz um pedido de ajuda. É como uma criança que está com febre, tosse, e não deve ser negligenciada”, afirma.

 

Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, a médica falou sobre suicídio, depressão, tratamentos e a importância dos cuidados sobre a saúde mental.

  

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

 

 

MidiaNews – A depressão é frequentemente confundida com tristeza. Do ponto de vista psiquiátrico, quais são os sintomas ou sinais fundamentais que diferenciam a doença dessa reação digamos, comum, emocional do ser humano? 

 

Andrea Fetter – A tristeza é um sentimento inato de todo ser humano. Emoções como raiva, tristeza, a alegria, existem em determinados momentos e a tristeza faz parte do nosso dia a dia, das emoções. Quando ela passa a ser anormal? Quando ocorre na maior parte do tempo do dia da pessoa. Passa mais que duas semanas, alterando também outras pulsões instintivas da pessoa, que é o sono, o apetite, a capacidade de concentração.

 

Então, a depressão não é tristeza em si, mas a tristeza pode estar fazendo parte de um transtorno depressivo. Tem depressões que não têm tristeza, por exemplo.

 

MidiaNews – Do ponto de vista neurológico, como a depressão altera a química, a estrutura e o funcionamento do cérebro de uma pessoa?

 

Andrea Fetter – Temos inúmeras hipóteses de como a neuroquímica, como os hormônios cerebrais, se alteram. Então a função em si, tanto da parte cognitiva como afetiva, é alterada. Temos a teoria das monaminoxidases, que é a alteração do nível de serotonina, noradrenalina, dopamina.

 

Temos alterações funcionais da área de região pré-frontal do cérebro, de região de hipocampo, hipotálamo, que até a parte de ressonância funcional, às vezes, consegue ligar alterações anatômicas e funcionais com os sintomas depressivos. Então, é toda uma alteração muito mais dinâmica do que simplesmente de neurotransmissores.

 

MidiaNews – Quais são os primeiros sinais sintomáticos, muitas vezes sutis, de que a depressão está naquela pessoa? E como familiares e amigos podem aprender a identificar esses primeiros sintomas?

 

Andrea Fetter – Isso é muito relativo, porque faz parte do ser humano não estar bem um dia ou outro. Nós flutuamos, o humor é muito flutuante. É o tempo que determina.Há quanto tempo ela está sentindo isso? É, principalmente, na sensação de satisfação, de prazer, que fica muito reduzida. As coisas que davam prazer, como sair, passear, estar com pessoas, começam a perder um pouco o sentido. E junto vêm as alterações no sono, que pode começar a perder o sono ou dormir demais. Tem ainda a perda de apetite ou excesso de apetite, problemas com foco, concentração e irritabilidade.

 

Então, ele começa a perceber que está destemperado, que tem alguma coisa errada, que pode ter relação com uma circunstância ou pode vir sem um motivo aparente. Pode vir devagarzinho, a pessoa acorda e parece que não funciona mais. Quando a pessoa só sente que não está bem, a gente chama, do ponto de vista mais simplista, de uma depressão leve. Na moderada é quando as pessoas começam a ficar apagadas, se isolar socialmente, aumentar a irritabilidade, perceber que não está dormindo, que não consegue trabalhar direito. São sintomas que só estando muito junto para perceber.

 

Da moderada para depressão grave, é a ideação suicida, que tanto pode ser passiva, que é quando a pessoa fala: “Se Deus me levasse seria melhor”. “Se um acidente acontecesse seria melhor”, mas não tem coragem de tirar a própria vida. E na ativa é quando a pessoa já busca formas para aliviar o sofrimento.

 

 

MidiaNews – Entrando na questão do suicídio, existe um perfil ou de pessoa com maior risco de cometer o suicídio? Quais fatores genéticos, psicológicos e sociais compõem essa vulnerabilidade?

 

Mulheres, às vezes, sentem mais a ideação suicida, mas cometem menos. Os homens têm mais força, são mais destemidos que as mulheres, então na população masculina é maior

Andrea Fetter – Temos alguns indícios. Sempre investigamos se tem algum familiar da parte hereditária, do pai, da mãe, que teve tentativa ou suicídio na família. Então, famílias que já tiveram suicídio, a gente sempre fica mais atenta, porque há probabilidade daquele paciente ter.

 

A depressão é um pouco mais grave nessas famílias, isso é bem genético. Mulheres, às vezes, sentem mais a ideação suicida, mas cometem menos. Os homens têm mais força, são mais destemidos que as mulheres, então na população masculina é maior.

 

Às vezes, quando o paciente tem uma família, tem filhos pequenos ou uma religiosidade muito intrínseca na vida dele, a dor é a mesma, a vontade de morrer é a mesma, mas a forma de lidar é diferente. Por exemplo: “Eu não posso me matar porque tem gente que depende de mim aqui”. Então, tem alguns fatores que predispõe. Uma depressão bipolar, por exemplo, é muito mais impulsiva, a tristeza é mais intensa.

 

MidiaNews – Como explica, clinicamente, os casos em que uma pessoa aparentemente está estável, mas comete o suicídio, surpreendendo todos à sua volta? Qual deve ser o sentimento dessa pessoa? Desespero, dor, angústia, medo? E isso é causado por questões químicas do cérebro?

 

 

Andrea Fetter – Sim, são questões químicas, mas que estão dentro de uma pessoa. Não podemos falar que é só bioquímica, porque é uma doença que antes de tudo está numa pessoa, com toda a sua história. Ocorre sim a ausência da vontade de viver, que é patológico. De 90% a 95% dos casos de suicídio são por depressão, são por transtornos mentais, mas a maioria é por depressão. Tem por esquizofrenia, por abuso de substâncias, mas a grande maioria é por depressão.

 

Então, às vezes, a pessoa mascara muito, não deixa isso transparecer, porque hoje em dia a gente precisa produzir, precisa trabalhar e vai tentando fingir que aquilo não está tomando conta. Tem casos que a pessoa acorda ruim já e não sabe o que é aquilo, não sabe que precisa procurar ajuda ou conversar com alguém, dizer que não está bem.

 

 

MidiaNews – E qual deve ser o sentimento dessa pessoa? Seria uma mistura de desespero, angustia, dor e sofrimento?

 

Andrea Fetter – Os pacientes que estão com idealização de suicídio, relatam que querem parar com aquele sofrimento. Alguns falam assim: “Eu só não faço porque não sei como vai ser lá no inferno, ou lá em outro lugar”. Ou: “Eu tenho medo de sofrer mais depois que morrer”. É isso que segura às vezes na parte religiosa, porque a sensação de fé, de achar que é amado por um ser superior, a depressão rouba do ser humano. Mas é essa sensação de querer parar de sofrer.

 

MidiaNews – A ideação suicida é um processo. Quais são os estágios ou sinais verbais e comportamentais diretos ou indiretos que indicam risco iminente?

 

Andrea Fetter –  Alguns pacientes falam: “Eu quero morrer, não sei para que estou vivendo”, “minha vida não vale de nada”. São coisas sutis que, às vezes, a gente mesmo fala em um momento, mas tem que observar o paciente. Os familiares, as pessoas ao redor, têm muito receio de perguntar ou preferem ignorar. Então tem que saber acolher, não pode ter vergonha de perguntar: “Você realmente tem intenção de morrer?”. “O que está acontecendo?”

 

Conseguir ter esse diálogo, ter essa abordagem, que nem sempre é fácil mas é importante. A gente perguntar: “Você sente vontade de morrer?”,” A vida perdeu sentido para você?”. E com muito respeito e sem fazer juízo de valor ou crítica, porque a maioria das vezes tem julgamentos do tipo: “Está faltando igreja”, “Você não tem fé’. A grande maioria dos amigos ou dos familiares de alguém que verbaliza isso, tenta negar ou acha que está ajudando falando assim com o paciente. Aí, ele sente mais culpado e se retrai. E isso aumenta as chances do suicídio.

 

 

MidiaNews – O mito de que “quem fala não faz” é extremamente perigoso. Qual a importância de levar a sério qualquer manifestação de ideia suicida?

 

Andrea Fetter – Uma pessoa que fala isso, a grande maioria das vezes, é um pedido de ajuda. Nós devemos encarar como um pedido de ajuda. É como uma criança que está com febre, tosse. Ela tem tosse, não deve ser negligenciado. Então, é essa abordagem que a gente tem que ter diante dessas pessoas.

 

Em alguns casos, pode ser chantagem? Pode. Mas por que que essa pessoa está falando isso? Que sofrimento ou que ganho secundário? Isso de “estou querendo chamar atenção” não é a grande maioria. A grande maioria, realmente, tem a intenção e precisa ser levada em conta. Uma pessoa que está falando isso, o que que está acontecendo com ela?

 

 

MidiaNews – Na prática, qual é a forma mais adequada de abordar um familiar ou um amigo, sobre quem temos suspeitas de pensamentos suicidas? O que podemos dizer e o que evitar dizer?

 

Andrea Fetter – Não ter receio de perguntar, não ter medo, porque parece um tabu a gente perguntar: “Você não tem mais vontade de viver?”. “Você quer morrer, está procurando uma forma de tirar a própria vida?”, “O que você tem sentido?” E não fazer juízo de valor, isso é importante, não ter crítica, não não ela ir à igreja, isso não é acolher. Chegou a ter ou escutou isso de um familiar, de um amigo, não pode deixar essa pessoa sozinha, deixar objetos em casa. Se mora num prédio, se tem arma de fogo, arma branca, pesticida, veneno em casa, medicação, ficar atento até esse paciente ser atendido por um psiquiatra.

 

Se estiver muito iminente, levar a um pronto atendimento, hoje em dia a maioria dos hospitais tem psiquiatra de sobreaviso. Se necessário, uma internação ou medicações e procedimentos que tiram a ideação, os sintomas depressivos. Com as medicações convencionais, demoram cerca de três a quatro semanas para iniciar o efeito. A gente tem condições de abreviar isso a maioria das vezes.

 

 

MidiaNews – Além da depressão, quais outras condições psiquiátricas, como, por exemplo, um transtorno de personalidade, borderline, abuso de substâncias, tem correlação com suicídio?

 

O vazio no paciente que tem o transtorno de personalidade borderline, é muito intenso, é muito maior do que em quem não tem. Então, ela é muito mais vulnerável a cometer suicídio

Andrea Fetter – O álcool, por exemplo, é depreciogênico, então, às vezes, chega um paciente alcoolista que está com sintomas depressivos. Primeiro, a gente faz a abstinência com medicação, internação e depois de um mês, às vezes, nem é necessário entrar com antidepressivo. A própria ausência do álcool já melhora os sintomas depressivos.

 

Também alguns tipos de drogas aumentam a incidência de depressão. No borderline, é tudo muito intenso, a raiva, a tristeza. O vazio no paciente que tem o transtorno de personalidade borderline, é muito intenso, é muito maior do que em quem não tem. Então, ela é muito mais vulnerável a cometer suicídio ou até autoagressividade.

 

MidiaNews – Isso entra também para pessoas autistas ou bipolares?

 

Andrea Fetter – Também. No espectro autista, eles tem muita sensibilidade, não conseguem interpretar o que estão sentindo. E hoje se vê muito o aumento da prevalência do TEA (transtorno do espectro autista) e também da bipolaridade, que é a mesma situação do borderline. Os sintomas depressivos na bipolaridade são muito mais intensos e mais difíceis de tratar. Então tem que ficar atento nessa população.

 

MidiaNews – O luto por suicídio é considerado o mais complexo. Quais são os desafios específicos enfrentados pelos familiares e amigos e que tipo de suporte é crucial para eles nesse momento?

 

Andrea Fetter – Em primeiro lugar o suporte social, estar sempre junto na comunidade, com amigos, com familiares, ter contato humano, físico, é o primeiro e é o mais curativo que tem. Se a pessoa tiver um suporte religioso, é importante. E a psicoterapia para conseguir passar essas fases do luto, porque no suicídio em específico vem muito mais culpa do que em outras situações: “Eu devia ter percebido, devia ter entendido”. Então é muito mais intensa essa sensação do que numa morte por uma doença terminal, em que você se prepara para a perda. 

 

 

MidiaNews – E qual a importância de viver o luto? Se permitir estar triste, chorar se necessário? Qual a importância de não esconder ou se forçar a estar firme?

 

Hoje em dia a gente está vivendo uma vida volátil: “Enterrou amanhã, já tenho que estar bem” E isso mata as emoções

Andrea Fetter – Hoje em dia a gente está vivendo uma vida volátil: “Enterrou amanhã, já tenho que estar bem” E isso mata as emoções. Precisa ter todo um tempo, como uma cirurgia que você faz, que tem o pós-operatório, que pode ser de 7, 14 dias até 6 meses, para aquilo ir cicatrizando devagarzinho. Não tem segredo. E se não tá cicatrizando bem, sozinho, procurar a psicoterapia para conseguir. Em alguns casos, o luto pode também vir com depressão.

 

Então além da psicoterapia, às vezes, em algum momento pode precisar de uma medicação, mas principalmente se você respeita as fases do luto, o processo ocorre de forma mais natural. Mas gente está querendo evitar sentir dor hoje em dia nessa sociedade fluida.

 

MidiaNews – Por que muitas vítimas da depressão, principalmente homens, preferem guardar a dor em silêncio e não procurar ajuda? Mesmo sabendo e tendo a consciência da importância do tratamento. É uma questão de estigma, de gênero ou da própria natureza da doença?

 

Andrea Fetter – A prevalência do sexo masculino para a depressão é menor do que da mulher, é dois para um, então cada duas mulheres com depressão tem um homem. Mas tem a questão mais cultural, que a mulher verbaliza as emoções, extravasa mais, fala mais que o homem. Ele aprendeu a ser durão, forte, não poder chorar, não demonstrar as emoções.

 

Hoje já está mudando um pouco, ainda bem, mas é um pouco mais difícil, a mulher consegue entrar em contato com as dores dela de uma forma melhor. O homem já tem bem mais dificuldade. Então, às vezes, ele nem sabe o que ele está sentindo. Ele sente, mas não consegue colocar na palavra a emoção.

 

 

MidiaNews – Como as redes sociais e a cultura digital atuam como uma faca de dois gumes, sendo um espaço tanto de pedido de ajuda, desabafo, quanto um ambiente potencializador de comparação, de bullying, do corpo perfeito?

 

A gente tem adoecido. Para se ter uma ideia, uma cada seis pessoas no Brasil tem tomado medicações psiquiátrica.

Andrea Fetter – A gente tem adoecido. Para se ter uma ideia, uma cada seis pessoas no Brasil tem tomado medicações psiquiátrica. O que está causando isso? Um aumento estrondoso dos transtornos mentais. O tempo de tela, até essa luz do celular, do computador, da televisão, tudo isso altera nossos neurotransmissores.

 

Antigamente não tinha essa luz, a noite era feita para dormir, o dia para trabalhar, então todo o ritmo da pessoa, com o ciclo sono e vigília, foi alterado. Isso aumenta muito a incidência dos transtornos mentais. 

 

MidiaNews – De acordo com a sua experiência, se a gente parar para pensar nos últimos cinco anos, teve realmente um aumento significativo de pessoas que estão adoecendo, com ansiedade, com depressão? O quanto isso cresceu no seu consultório?

 

Andrea Fetter – Cresceu a nível mundial. Principalmente após a época da pandemia, com aquela nuvem de morte pairando, muitos perderam familiares. Então, teve estresses externos muito importantes. Viver isolado dentro de casa, não poder socializar, não poder ir na igreja, não poder trabalhar… 

 

Tivemos esses fatores, mas também a gente não pode negligenciar que houve, isso é pouco falado, muita alteração na parte inflamatória. Inflamações também aumentam a incidência de depressão. Por exemplo, se a pessoa tem diabetes, ela tem muito mais chances de ter depressão do que quem não tem diabetes. Então, sim, a inflamação é um fator predisponente para depressão ou um fator agravante.

 

 

MidiaNews – Muitas pessoas temem os antidepressivos. Quais são os mitos e as verdades sobre os efeitos colaterais e o suposto risco de dependência do remédio?

 

Muitas pessoas que nunca iriam trabalhar, nunca iriam conseguir sair de casa, hoje conseguem por conta da medicação

Andrea Fetter – Tudo na vida por ser um remédio ou veneno, depende da forma como a gente usa. Tudo tem seu lado bom e lado ruim na vida. Então, as medicações em si mudaram a trajetória de muitas doenças, desde um antibiótico, medicação para tuberculose, para hanseníase, para depressão. Muitas pessoas que nunca iriam trabalhar, nunca iriam conseguir sair de casa, hoje conseguem por conta da medicação. Então, basicamente, tem transtornos mentais ou depressões, que a gente consegue fazer a retirada gradual e suspensão das medicações.

 

A medicina não é uma coisa engessada. Mas, assim, você teve o primeiro episódio depressivo ou de um transtorno ansioso, uma síndrome do pânico, uma ansiedade generalizada, que a gente trata em média oito meses a um ano e aí faz a retirada gradual. Nesses oito meses a um ano, a pessoa precisa fazer psicoterapia, mudança de estilo de vida, para conseguir regularizar os seus neurotransmissores e não necessitar mais da medicação.

 

Quem já teve um episódio depressivo ou ansioso na vida, ele tem 50% de chances a mais do que outros que nunca tiveram de ter o segundo episódio. Se teve o segundo episódio, o terceiro, no quarto, a gente já fala, se parar com a medicação, pode correr risco de voltar. Então, tem alguns casos que é como se o antidepressivo fosse como um óculos pra pessoa. Não é que você fica dependente de um óculos mas ele regula pra você conseguir enxergar melhor, sentir as coisas direito, como realmente são. Porque a depressão tira essa capacidade qualquer coisa, ‘ah, fulano não gosta de mim, eu sou feia, eu não consigo fazer nada, eu sou a pior pessoa do mundo’ os pensamentos pessimistas dominam. 

 

Mas tem diversos efeitos colaterais, infelizmente, principalmente no início, na primeira, segunda semana, como boca seca, tontura, diminui o apetite, sonolência ou falta de sono. A médio prazo, alguns podem aumentar peso, outros diminuem peso, alterar libido, porque toda medicação, não só a antidepressiva, age nesse neurotransmissor serotonina pode alterar a libido, que pra alguns que tem excesso, que tem compulsão sexual, é um santo remédio. Na consulta, a gente vai avaliando o que que pode ser menos prejudicial em termos de efeitos adversos e que vai ajudar mais o paciente.

 

MidiaNews- O que cada um de nós pode fazer no nosso ciclo social para contribuir genuinamente para a cultura de maior acolhimento, menor julgamento sobre a saúde mental? 

 

Andrea Fetter – Acho que o que a gente está fazendo agora aqui é esclarecer,  o preconceito e o tabu eles vem da desinformação. Então quanto mais a gente estudar, ler, conhecer, vamos poder ajudar mais nosso ciclo social. E às vezes só de estar presente, porque o mundo tá tão imerso que a gente esquece de olhar como é que o outro tá, a gente fica tão envolvido em outras, né, mas isso de poder estar presente sem julgamento.

 

Então quando um amigo que fala ‘se ele fizesse isso ele ia melhorar porque ele é preguiçoso’, ‘ele não tem força de vontade’, não faça isso. Só de você escutar, às vezes a escuta sem julgamento, a escuta com presença, ela é muito mais curativa do que você dar uma opinião. A maioria das pessoas às vezes não quer a opinião, ela só quer ser acolhida. E a gente não precisa de muita coisa para acolher, tem pessoas simples que eles ficam ali, você sente tão bem, né? Cinco, dez minutos, já fazem a diferença, tem pessoas que só acolhem e pronto, já ajuda muito.

 

Serviço

 

Emergência vital: Pronto-Socorro mais próximo.

 

Urgência psiquiátrica via SUS: UPAs Norte (Morada do Ouro) e Sul (Pascoal Ramos) têm sobreaviso especializado.

 

Urgência psiquiátrica via convênios e particular: Hospital Unimed, Hospital São Mateus e CREAP em Cuiabá ; Granjimmy em Chapada dos Guimarães.

 

Locais de atendimento públicos em Psiquiatria para consultas eletivas (não emergenciais): CAPS I, CAPS IV, CAPS II Jardim Paulista, CAPS AD Infanto-juvenil Jardim Europa, CAPS AD Adulto Bairro Boa Esperança, Policlínica do Coxipó, Policlínica do Planalto, Policlínica do Verdão.

 

Acolhimento emocional: CVV (ligue 188) funciona 24h.

 

Assista a entrevista completa:

 

 

 

FONTE: MIDIA NEWS

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