sábado, novembro 29, 2025

O crescimento de startups mato-grossenses e os novos polos de inovação | RDNEWS

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Rodinei Crescêncio

O Mato Grosso está vivendo uma silenciosa, mas profunda, transformação econômica que ainda passa despercebida por parte da classe política tradicional. Enquanto as atenções permanecem voltadas aos velhos debates sobre infraestrutura, saúde e articulações eleitorais, um novo ecossistema começa a se consolidar longe dos holofotes: o das startups mato-grossenses e dos emergentes polos de inovação que vêm despontando em Cuiabá, Rondonópolis e Sinop.

Nos últimos cinco anos, o estado deixou de ser apenas o “celeiro do país” para começar a abrigar empresas de base tecnológica capazes de atrair investimentos, gerar empregos qualificados e inserir Mato Grosso numa cadeia de inovação antes restrita ao eixo Sul-Sudeste. E não se trata de um movimento isolado. É a resposta de uma nova geração de empreendedores, pesquisadores e investidores que enxergam no estado não só um mercado promissor, mas um laboratório vivo para soluções de logística, agro, energia e gestão pública.

O recém-fortalecido hub de Cuiabá já funciona como ponte entre investidores e jovens empreendedores

O fenômeno tem três motores centrais. O primeiro é o agro 4.0: tecnologias voltadas para monitoramento de lavouras, automação, clima e eficiência produtiva ganharam espaço em fazendas cada vez mais conectadas. Startups locais vêm oferecendo soluções que unem ciência de dados, satélites e sensores, reduzindo custos e aumentando a capacidade de previsão do produtor. Isso criou demanda e, com ela, uma cadeia de inovação sustentada.

O segundo motor é o surgimento de polos acadêmicos e hubs de empreendedorismo. A UFMT, o IFMT e centros privados passaram a estimular programas de incubação, hackathons e parcerias com o setor empresarial. O recém-fortalecido hub de Cuiabá já funciona como ponte entre investidores e jovens empreendedores. Em Sinop, o ambiente universitário e o dinamismo econômico da região impulsionam iniciativas voltadas para logística e alimentos. Já Rondonópolis se posiciona como referência na integração entre indústria, agronegócio e soluções tecnológicas.

O terceiro motor é político-econômico: o estado começa a compreender que diversificar sua matriz é questão de sobrevivência no longo prazo. Não basta produzir; é preciso inovar. O governo estadual e alguns municípios deram os primeiros passos, ainda tímidos, de incentivo fiscal e suporte institucional. Porém, falta um plano mais robusto, capaz de consolidar esses polos de inovação como política de Estado, e não como iniciativas isoladas de gestão.

Apesar dos avanços, há desafios. O capital de risco ainda é escasso, e muitos empreendedores acabam migrando para São Paulo para captar recursos. As conexões com o mercado internacional são frágeis. E a burocracia continua sendo um obstáculo crônico para quem quer empreender em tecnologia. Mesmo assim, o ecossistema está amadurecendo, e o que se vê hoje é mais consistente do que qualquer movimento anterior.

O fato é que Mato Grosso começa a revelar um ativo que não aparece no PIB do agro: inteligência humana. E talvez seja esse o motor que faltava para projetar o estado para além da sua vocação histórica. Se cultivar sua inovação como cultiva sua terra, o Mato Grosso não apenas produz: ele transforma.

Escrito com Sara Nadur Ribeiro

Maurício Munhoz Ferraz é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia

FONTE: RDNEWS

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