Ração Nutratta volta ao centro das atenções com relatos de cegueira em potros Fonte: https://agro.estadao.com.br/pecuaria/racao-nutratta-volta-ao-centro-das-atencoes-com-relatos-de-cegueira-em-potros


Após a morte de 284 cavalos, ração volta a ser investigada por possíveis doenças congênitas em potros; empresa não se pronunciou sobre o tema

Professor Fábio Mendonça, da UFRRPE, investiga se ração também provocou cegueira nos potros. Foto: Fábio Mendonça/Arquivo pessoal
A maior tragédia já registrada na equinocultura brasileira começa a revelar outros desdobramentos que vão além da morte de centenas de cavalos. Pesquisadores das universidades federais rurais de Pernambuco (UFRPE) e Rio de Janeiro (UFRRJ) vão dar início a uma investigação para apurar se a ingestão de ração da Nutratta Nutrição Animal Ltda,  contaminada pela planta crotalária, pode estar relacionada ao aumento dos casos de doenças congênitas em potros — como microftalmia (olhos menores que o normal) e cegueira. Contactados pelo Agro Estadão, o Ministério da Agricultura (Mapa) e o advogado que representa a empresa Nutratta não comentaram o assunto. 

Segundo a última atualização do Mapa, pelo menos 284 equinos morreram devido ao consumo de monocrotalina, um alcaloide pirrolizidínico altamente tóxico encontrado em plantas do gênero Crotalaria. A substância foi encontrada, no ano passado, em lotes da ração Foragge Horse, produzida pela Nutratta, após investigações conduzidas por laboratórios universitários em parceria com o Mapa.

Agora, um outro estudo vai se debruçar sobre casos envolvendo potros nascidos de animais que sobreviveram à intoxicação causada pela ração, entre fevereiro e abril de 2025. 

Professor Fábio Mendonça, da UFRRPE, investiga se ração também provocou cegueira nos potros. Foto: Fábio Mendonça/Arquivo pessoal

Nos últimos meses, criadores começaram a relatar no grupo de WhatsApp “Vítimas da Nutratta” o nascimento de potros com alterações congênitas, sobretudo nos olhos. Entre os casos observados, estão microftalmia e perda total da visão — levantando a hipótese de que a intoxicação das éguas, mesmo em níveis subclínicos, possa ter afetado o desenvolvimento fetal.

Fonte: https://agro.estadao.com.br/pecuaria/racao-nutratta-volta-ao-centro-das-atencoes-com-relatos-de-cegueira-em-potros

Produtores de diferentes Estados relataram a mesma situação. Filhotes cegos, nascidos de matrizes distintas, mas com algo em comum: o consumo da ração Nutratta no primeiro semestre do ano passado. O Agro Estadão conversou sobre o assunto com dois criadores e uma médica-veterinária, que não quis se identificar. 

A profissional, que atua em vários haras e centros de treinamento do interior paulista, conta que viu muitos animais morrerem após a ingestão do produto. “O que eu mais vi foi égua e potro morrendo. Ou amanhecendo morto, ou apresentando sinal neurológico… Morriam muito rápido. Vi animal sangrando pelos olhos, pela narina. E esses que vieram de forma aguda, nenhum a gente conseguiu salvar”, conta.

Segundo a veterinária, sete potros já nasceram cegos nas propriedades atendidas por ela. “Os animais que não apresentaram sintomas, mas que tiveram exames alterados, são esses que estão parindo agora e os potros estão vindo cegos”, explica. Os proprietários dos animais preferiram não dar entrevista.



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