Pensar em comida ao longo do dia é normal. O problema começa quando esses pensamentos se tornam constantes, involuntários e difíceis de controlar, mesmo após as refeições. Conhecido como food noise, ou “barulho da comida”, o fenômeno vem ganhando atenção de especialistas por estar relacionado a alterações hormonais, metabólicas e emocionais que afetam diretamente a relação com a alimentação.
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Embora muitas pessoas associem o problema apenas à “falta de controle” ou à ansiedade, endocrinologistas alertam que o food noise pode ter origem biológica e impactar profundamente a qualidade de vida. Em alguns casos, os pensamentos sobre comida ocupam grande parte do dia, gerando sofrimento emocional, culpa e dificuldade para manter hábitos saudáveis.
O que é o food noise?
A endocrinologista Fabiana Mandel Cyrulnik, da Lilly, explica que o food noise é descrito na literatura científica como pensamentos persistentes sobre alimentação, mesmo sem fome física evidente.
“O food noise é uma das faces mais incompreendidas da obesidade, e uma das que mais geram vergonha em quem sofre”, afirma.
Segundo a especialista, o fenômeno está relacionado a mecanismos cerebrais que controlam fome, saciedade e recompensa alimentar. Hormônios como GLP-1, GIP, leptina e grelina participam diretamente desse processo e podem influenciar o desejo constante por comida.
A endocrinologista Carla Marys Adlung, que atende em Mogi das Cruzes, explica que o problema vai muito além da força de vontade. “O food noise refere-se a pensamentos persistentes, intrusivos e recorrentes sobre comida, mesmo quando não há fome física”, destaca.
Especialistas afirmam que o food noise costuma surgir a partir de uma combinação de fatores hormonais, metabólicos e emocionais. Alterações em hormônios ligados ao apetite podem fazer o cérebro permanecer em estado constante de “busca alimentar”.
Segundo Carla, hormônios como grelina, leptina e GLP-1 têm papel central nesse mecanismo. Quando existe desequilíbrio, a sensação de fome pode persistir mesmo após a alimentação adequada.
Além disso, privação de sono, estresse crônico e dietas extremamente restritivas também podem piorar o quadro. “O estresse prolongado ativa circuitos cerebrais de recompensa que aumentam a busca por alimentos calóricos e de conforto”, explica a endocrinologista.
Fabiana reforça que a obesidade precisa ser entendida como uma doença complexa e multifatorial. “Milhões de pessoas estão silenciosamente esgotadas por um cérebro que simplesmente não desliga”, afirma.
Quando buscar ajuda médica
Embora o food noise não seja considerado uma doença isolada, especialistas alertam que o sintoma merece atenção quando começa a gerar sofrimento emocional, perda de controle alimentar ou prejuízo à rotina.
Entre os sinais de alerta estão pensamentos constantes sobre comida ao longo do dia, sensação frequente de urgência para comer, episódios de compulsão alimentar, culpa intensa após refeições e ansiedade relacionada à alimentação.
Além disso, o fenômeno pode coexistir com compulsão alimentar, obesidade, ansiedade e outros transtornos emocionais. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar costuma ser fundamental.
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FONTE: RDNEWS







