Denúncia registrada em Mato Grosso contribuiu para a abertura de um inquérito civil pelo Ministério Público Federal (MPF) que apura possíveis irregularidades no pagamento de benefícios previdenciários intermediados pela Crefisa S.A, cuja dona é a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, em todo o país. A medida foi formalizada por meio de portaria assinada pelo procurador da República Fabrício Caser, do Espírito Santo, e consta no diário do dia 10 de abril.
A investigação teve origem em denúncia apresentada por um servidor da Prefeitura de Colatina (ES), que atuava no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro Ayrton Senna. Segundo o relato, beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), especialmente idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social, estariam sendo direcionados a receber os valores exclusivamente por meio da Crefisa, sem alternativa de escolha.
Foi então que o MPF também incorporou ao procedimento uma notícia de fato oriunda da Procuradoria da República em Mato Grosso (PR-MT), que aponta situação semelhante, indicando que o problema pode ter abrangência nacional. Relatos indicam que, ao buscar acesso aos valores, muitos segurados acabam sendo induzidos a contratar empréstimos pessoais.
Como resultado, parte significativa dos benefícios já fica comprometida desde o primeiro pagamento, afetando diretamente a subsistência dessas pessoas. A situação acendeu alerta no MPF, que decidiu converter o procedimento preparatório em inquérito civil para aprofundar as investigações. O objetivo é apurar se há prática abusiva por parte da instituição financeira e eventual violação aos direitos dos beneficiários.
Informações técnicas do próprio INSS apontam que a Crefisa foi vencedora de pregão realizado em 2024 para operacionalizar o pagamento de benefícios. No entanto, diante das denúncias, a autarquia chegou a determinar a suspensão cautelar do contrato firmado com a empresa, que havia conquistado a maior parte dos lotes da licitação.
Mesmo após solicitação formal, o INSS ainda não apresentou integralmente os documentos requisitados pelo MPF, o que reforçou a necessidade de continuidade das diligências. O caso segue em apuração. “Considerando a necessidade de prosseguir diligenciando, bem como que já transcorreu o prazo de tramitação destes autos, Resolvo convertê-los em Inquérito Civil, com a seguinte ementa: “Apurar irregularidades no recebimento de benefícios previdenciários intermediados pela Crefisa S.A.”, determinou.
FONTE: Folha Max






