O desembargador Gilberto Giraldelli, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), deu um ultimato à defesa de Renildo Silva Rios, o “Sniper”, apontado como um dos fundadores e o “vice-presidente” do Comando Vermelho no Estado. O magistrado determinou que os advogados apresentem as razões do recurso de apelação ou comprovem que deixaram o caso.
Se isso não acontecer e não houver justificativa, eles poderão ser comunicados à OAB para responder administrativamente. A decisão foi publicada nesta terça-feira (1º) e faz parte de uma ação penal que tramita desde 2018.
No despacho, Giraldelli foi direto ao advertir a defesa.”Intime-se o apelante Renildo, por intermédio de seus defensores constituídos, para apresentar as razões de apelação ou comprovar eventual renúncia ou revogação do mandato, devendo os d. advogados ficarem desde já advertidos de que, não o fazendo no prazo legal e não apresentando qualquer justificativa, poderão ser penalizados com as providências previstas no art. 265 do CPP quanto à comunicação da indesejada conduta à subseção da OAB para as sanções administrativas cabíveis”, traz despacho.
Em abril, a Primeira Câmara Criminal do TJMT manteve suspensa a decisão que havia autorizado a progressão dele do regime fechado para o semiaberto. Condenado a 76 anos de prisão por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa, Renildo teve o benefício barrado após recurso do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
O órgão sustentou que investigações recentes apontam que ele continua exercendo papel estratégico dentro do Comando Vermelho, participando até de decisões da facção de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE). Durante o julgamento, o desembargador Marcos Machado afirmou que havia elementos indicando a permanência da influência de “Sniper” na organização criminosa e chamou atenção para a quantidade de atendimentos jurídicos recebidos pelo preso.
Segundo ele, entre janeiro e agosto de 2025 foram registradas 175 visitas de advogados na unidade prisional. “Há registro entre 28 de janeiro de 2025 a 8 de agosto de 2025 do atendimento de 175 visitas de advogados para ele. O que teoricamente gera uma hipótese de servir a um expediente de, no mínimo, comunicação externa. Isso aqui mereceria uma apuração séria. A linha tênue entre a advocacia criminal e advocacia criminosa”, citou.
No mesmo julgamento, o desembargador Orlando Perri fez críticas aos relatórios de inteligência da Polícia Penal, dizendo que eles, por si só, não podem ser tratados como prova e que alguns trechos seriam reproduções de outros documentos. Mesmo com as ressalvas, Perri acompanhou o voto de Marcos Machado para manter “Sniper” no regime fechado.
O magistrado também levantou dúvidas sobre a entrada de celulares no Raio 8 da PCE, ala de segurança máxima onde Renildo cumpre pena, e afirmou existir um “mercado negro” dentro do sistema prisional, defendendo a instalação de bloqueadores de sinal nos presídios.
FONTE: Folha Max





