sábado, setembro 12, 2026

Flávia: “Vamos sofrer; não vou resolver problema de 40 anos em 1”

Flávia: “Vamos sofrer; não vou resolver problema de 40 anos

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), rebateu as críticas sobre a piora no sistema de distribuição de água em sua gestão, comparada com a anterior. Ela afirmou que o desabastecimento é um problema histórico, mas que está tentando resolver.

Nós vamos sofrer. Eu peguei o DAE sucateado, peguei a Prefeitura sucateada, então o morador tem que ter paciência

 

Flávia disse que a Prefeitura e o DAE (Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande) estavam sucateados quando assumiu a gestão, em janeiro de 2025, e pediu paciência à população, pois o problema vem de décadas e não se resolve em um ano e meio de gestão.

 

“Nós vamos sofrer. Eu peguei o DAE sucateado, peguei a Prefeitura sucateada, então o morador tem que ter paciência. Não vou resolver um problema de 40 anos em um ano e meio. Mas estou tentando todos os dias da minha vida, 24 horas do meu dia”, disse em entrevista ao MidiaNews.

  

Na última semana, Flávia decretou situação de calamidade financeira e fiscal em toda a administração e também no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Segundo ela, a decisão foi motivada pelo bloqueio judicial de R$ 19 milhões nas contas do município, atingindo recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

 

Na entrevista, Flávia cita o cenário atual das contas do município, a descoberta de uma nova dívida de R$ 36 milhões com a Receita Federal e uma dívida total de R$ 2 bilhões herdadas do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB). A prefeita também fez críticas ao presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), ao presidente do PL, Ananias Filho, e a deputada Janaina Riva. 

 

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

 

MidiaNews – Quando a senhora foi eleita, Várzea Grande tinha dois grandes gargalos: o abastecimento de água e as contas públicas. Acredita que esses ainda são os dois maiores problemas da cidade? Conseguiu avançar em algo?

 

Flávia Moretti – Ainda são meus maiores gargalos. O município sucateado com dívidas, não conseguindo ter uma arrecadação própria robusta para poder fazer investimento, dependendo de recursos externos, e também a questão da água, que avançamos em duas frentes de trabalho. 

 

Se for somar, acredito que o município e o DAE devem em torno de R$ 2 bilhões

 

Uma é de fazer o novo modelo de gestão de saneamento, que hoje já está em estudo com um diagnóstico que a FIPE está fazendo desde o ano passado.

 

E a outra frente é arrumar vazamentos e aumentar a rede de distribuição da água, mas dentro da capacidade financeira do DAE e dentro dos recursos que a gente está indo buscar junto ao Governo de Estado e Governo Federal. 

 

Então, estamos avançando, não estamos parados. Mas resolvemos? Não resolvemos. 

 

Resolvemos os problemas financeiros do município? Não resolvemos. Essa semana, me deparei com uma dívida de R$ 36 milhões na Receita Federal de gestões passadas, que a gente nem apurou ainda, que tenho que pagar ou parcelar. E para parcelar, eu tenho que pedir autorização na Câmara. Será que eu vou ter essa autorização? Senão vou estar com uma certidão mínima negativa. Aí não consigo receber recurso. 

 

Os problemas financeiros de Várzea Grande, as heranças que herdamos, são imensos. Porém a gente está enfrentando, buscando soluções e caminhando.

 

MidiaNews – A senhora consegue estipular um valor da dívida que resta para pagar?

 

Flávia Moretti – Olha, se você for pensar em precatório, eu tenho R$ 1 bilhão. 

 

Pago R$ 6 milhões ao mês e todo ano atualiza lá no Tribunal de Justiça. Tenho dívida de financiamentos que pago mais R$ 10 milhões por mês, que são financiamentos de 4, 5 anos de gestões passadas. E agora vem mais essa dívida da Receita Federal, que recentemente fui notificada. 

 

Se for somar, acredito que o município e o DAE devem em torno de R$ 2 bilhões. Não existe, você tem que trabalhar com aquilo que você consegue. Várzea Grande é uma cidade que não consegue sobreviver com o recurso próprio, precisa da ajuda de recursos externos, e é por isso que eu vou atrás.

 

 

MidiaNews – A senhora disse ao MidiaNews em novembro de 2025 que planejava até maio de 2026, aniversário da cidade, ter concluído o processo de privatização do DAE. Estamos em julho, por que ainda não foi concluído?

 

Flávia Moretti – O primeiro momento foi o seguinte: falta de informação do DAE para a passar para a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O DAE não tinha as informações para a FIPE poder estruturar e no ano passado o gestor do DAE não estava facilitando o trabalho, tanto é que teve a necessidade de trocar o gestor. 

 

Eu não conseguia entrar no DAE para a pegar informações e concluir, fazer o fechamento do processo do diagnóstico, para chegar agora no Plano Municipal de Saneamento Básico.

 

Esses movimentos que queimam pneus estão sendo de um grupo de oposicionistas políticos, não de moradores

 

MidiaNews – Existe agora um novo prazo?

 

Flávia Moretti – Com esse atraso de seis meses, hoje a gente estende para o início do ano que vem. E terá uma audiência pública dia 12 de agosto, às 18h no Fiotão, sobre a nova gestão de saneamento básico de água e esgoto do município.

 

E posteriormente vai para Câmara e eu fico refém do presidente pautar, mas acredito que como a Câmara tem um representante no comitê desses estudos, que é o vereador Raul Curvo, o processo na Câmara seja o mais célere possível.

 

Não é a prefeita que tem pressa, é a população que tem pressa para resolver. Então, espero que o presidente da Casa [Wanderley Cerqueira] tramite com mais celeridade o processo.

 

MidiaNews – Recentemente, o governador Otaviano Pivetta admitiu a possibilidade de uma intervenção estadual no DAE. Acha que esse é o melhor caminho?

 

Flávia Moretti – Não sei se é intervenção, se é um pacto ou o que vai ser, sei que pedi recursos. Independente da nova forma de gerir o DAE e do que for decidido lá no final após o plano de saneamento básico aprovado na Câmara, tenho que levar água para as pessoas e não levo se não tiver recursos, investimentos de alta monta, não é pouca não.

 

Não é R$ 5 milhões ou 10 milhões que vai resolver, são investimentos de alto nível. Eu pedi ao Governo do Estado, desde o ano passado. Levantamos o número de investimento que precisa, o Governo sinalizou positivo. Seja intervenção, seja o que for, para a mim não tem prejuízo.

 

O meu maior prejuízo é a população sem água, então se o Governo vai me ajudar, seja com recurso, seja com equipe, seja com trabalho, para a mim é isso que é importante. Se é para a dar água para a população, assim será.

 

 

MidiaNews – Na região do bairro José Carlos Guimarães, os moradores fizeram um protesto queimando pneus na semana passada, pela falta de água. Qual está sendo a dificuldade ali naquela região?

 

Flávia Moretti – Esses movimentos que queimam pneus estão sendo de um grupo de oposicionistas políticos, não de moradores. Até porque o José Carlos Guimarães é abastecido com água, mas às vezes a gente tem problema da bomba da ETA do Pari, que quebra e não temos bomba reserva.

 

A população tem que entender que eu peguei o DAE desse jeito, sucateado. Eu preciso de investimento alto para comprar uma bomba que custa R$ 2 milhões para colocar de reserva, fazer uma nova captação do lado da captação antiga para tratamento, fazer os reservatórios…

 

Agora esses protestos que estão fazendo em vias, até alerto, porque é criminoso. É proibido colocar fogo numa rodovia, numa via pública e a polícia está investigando. Eu não quero deixar ninguém sem água, mas, às vezes, a gente não tem a capacidade para a entregar água naquele momento, mas no outro dia vai. 

 

MidiaNews – No protesto, os moradores disseram que estavam há dias sem água.

 

Flávia Moretti – Mas passa dias sem água sempre em Várzea Grande. Sempre teve falta de água de gente passar sete dias, dez dias sem. Não é de hoje, não é na minha gestão, muito pelo contrário. Tenho vídeos de vários moradores falando que melhorou muito o abastecimento daquela da região.

 

Nós vamos sofrer, eu peguei o DAE sucateado, peguei a Prefeitura sucateada, então o morador tem que ter paciência. Não vou resolver um problema de 40 anos em um ano e meio. Mas eu estou tentando todos os dias da minha vida, 24 horas do meu dia.

 

Agora, usar da água como politicagem… Porque esses movimentos são politicagem. É só para a causar transtorno e, em politicagem, Várzea Grande é campeã.

 

 

MidiaNews – Há quem diga que a situação agora está pior do que na gestão passada. O que a senhora tem a dizer?

 

Flávia Moretti – Eu acho que essa pessoa que diz isso não morava na gestão passada em Várzea Grande. Tem que perguntar quando se mudou para Várzea Grande.

 

MidiaNews – O presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira é o próximo na linha sucessória. A senhora crê que ele age para tentar derrubar a senhora para assumir a Prefeitura?

 

Flávia Moretti – Não acho, tenho certeza que ele sempre tentou desde o primeiro dia do mandato, desde quando ganhei a eleição. Porém até agora não conseguiu e se Deus quiser não conseguirá. 

 

Todas as ações dele são para isso, mas a gente está em um diálogo muito positivo com os demais vereadores, com a base, da qual eu também estou mostrando até para o próprio Wanderley que ele não precisa se sentir ameaçado quanto a minha pessoa, muito pelo contrário, estou ali para a fazer o meu papel de prefeita para a qual fui eleita.

 

Se eu mando lei é porque o Executivo precisa para fazer a gestão da Prefeitura, para o povo de Várzea Grande, agora se ele quiser continuar lutando contra o povo, fica brigando com o Executivo.

 

Ele não quer dialogar, já tentei de várias maneiras, mandar interlocutor, mandar vereador, mandar secretário, mandar deputado ligar para a ele, mandar governador ligar para a ele. Peço para a todo mundo ligar e falar com ele, peço até para a imprensa. Mas com ele não tem diálogo.

 

Aqueles “vereadorzinhos” dele lá ficam fazendo vídeozinho no TikTok querendo bater na gestão, mas trabalhar pela população não querem, votar em prol da população, que é orçamento, remanejamento de orçamento, criação de fundo, criação do acordo direto de precatório, criação de melhoria de tributação para o município, para melhorar a arrecadação do município, isso eles não querem.

 

Ele já falou isso várias vezes na Câmara Municipal, então hoje deixo bem claro que sou aberta ao diálogo, ele é presidente da Câmara e eu sou prefeita, ele tem que cumprir com o papel dele de Presidente da Câmara.

 

MidiaNews – Acredita que atualmente a base já tem votos para eleger Lucas Chapéu do Sol, seu aliado, na eleição da Mesa Diretora?

 

Flávia Moretti – A gente construiu uma base de apoio às votações dos meus projetos dentro da Câmara, mas o Lucas tem trabalhado e tem ampliado a base de voto dele.

 

Ele sempre tentou [me derrubar] desde o primeiro dia do mandato. Porém até agora não conseguiu

 

Acredito que no ano que vem a gente realmente tenha um outro presidente e vou conseguir trabalhar melhor nos dois últimos anos de gestão. Tenho fé nisso. 

 

MidiaNews – Acredita que na eleição da Mesa de Várzea Grande tenha alguma interferência externa?

 

Flávia Moretti – Por incrível que pareça, acho que Várzea Grande não tem isso. Na eleição do Wanderley teve algumas participações externas. Acho que um dos meus erros foi ter entregue para o Tião da Zaeli [ex-vice-prefeito] para fazer esse trabalho na Câmara. Ele não conseguiu entregar para a mim essa governabilidade.

 

Hoje a gente vê que as forças políticas externas dentro da Câmara, como deputados e senadores, não têm muito a ver não. É mais uma questão deles mesmo.  

 

O Wanderley não me aceita como prefeita, não aceita uma mulher no poder. Ele sempre queria conversar só com o Tião, não conversava comigo. Então para a mim é um cara extremamente machista e que não tem diálogo. 

 

Fico muito preocupada dele ainda se manter presidente. Vamos colocar que ele ganhe novamente a Câmara, vou conseguir avançar o município porque também tenho as minhas estratégias, mas vou deixar bem claro para a população que ele está lutando contra o povo.

 

MidiaNews – Quem a ajudou na governabilidade é o seu secretário de governo, Silvio Fidelis. Porém, ele é suspeito de superfaturamento em contratos e estava na gestão passada de Kalil Baracat. Mesmo com isso e com essa investigação e suspeitas, a senhora o manterá na gestão?

 

Flávia Moretti – A vinda do Silvio Fidelis, da outra gestão para a cá, foi quando eu precisava de um milagre para a ter uma base consolidada, para a montar a situação até da própria Mesa Diretora com o Lucas. E ele está fazendo isso com excelência. 

 

Acho que o trabalho do Silvio, nesse sentido, não pode ser discutido. Quanto à questão do processo dele no Ministério Público, no Tribunal de Contas, seja onde está correndo, a defesa dele foi feita por ele mesmo, o CPF dele, ele vai responder o que for.

 

Aquilo ali foi gestão passada, não é a minha gestão. Dentro da minha gestão, ele está numa Secretaria de Governo, onde o orçamento é praticamente apenas para o salário dos servidores e ele trabalha estritamente a política com os vereadores, com a Câmara Municipal e com as interlocuções institucionais, seja federal ou estadual. 

 

Não pretendo desligá-lo, a não ser que venha uma determinação da Justiça, mas mesmo assim tirar ele do cargo não é afastar ele do meu grupo político que hoje estamos formando. 

 

MidiaNews – Em abril circularam áudios que foram atribuídos à senhora com alguns xingamentos a vereadores e até aos várzea-grandenses. A senhora conhece a procedência desses áudios? Foram manipulados?

 

Flávia Moretti – Eu ouvi os áudios pela imprensa, mas nunca soube de perícia, nunca soube de nada, não são meus e não reconheço os áudios. Na verdade, esses áudios que foram soltos aí, que não reconheço, são para criar confusão.

 

Em um ano e meio, Ananias foi duas ou três vezes no meu gabinete. Para falar de crise política e com o vice

 

MidiaNews – O seu esposo, o empresário Carlos Alberto de Araújo, também apareceu em um vídeo contando cédulas de dinheiro. Em que situação foi aquilo? A senhora sabe?

 

Flávia Moretti – Meu marido, há muitos anos, uns 23 anos, vendeu um caminhão e ele contou dinheiro. Agora, não sei se foi dessa vez, porque a imagem está toda truncada e também não sei se foi montagem. Porque a gente não tem uma imagem pura para analisar.

 

Mas ele sempre tratou com dinheiro, teve loja de conveniência, contava dinheiro na loja. Ele teve loja de distribuição de água em Várzea Grande, isso é público e notório, também recebia dinheiro, então é isso.

 

MidiaNews – Então não é de agora?

 

Flávia Moretti – Não é. Se você é empresário, você conta dinheiro, ainda mais quando trabalha numa loja de conveniência ou uma empresa que distribui água. Se pega e conta dinheiro. 

 

Agora, acho que o TRE foi muito sensato em tudo isso, uma vez que não tem a imagem real. 

 

MidiaNews – Acha que ressuscitaram esse assunto com o intuito de prejudicá-la politicamente?

 

Flávia Moretti – Sim, claro. E também ninguém fala quem filmou, né? ‘Olha, eu quem filmei’. Quem é que denuncia? Ninguém fala quem filmou.

 

MidiaNews – O líder da senhora na Câmara, Bruno Rios, fez algumas críticas ao presidente do PL, Ananias Filho, falando que ele não está abrindo espaço para candidatos de Várzea Grande na disputa para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal. A senhora também acha isso?

 

Flávia Moretti – Sim, o PL não abriu esse espaço. Ele [Bruno] me falou que o presidente ligou depois que ele expôs, mas a princípio Várzea Grande só teria um candidato se fosse ‘fulano’.

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Flávia Moretti

A prefeita Flávia Moretti, que disparou críticas contra Ananias Filho e Rafael Ranalli

 

E aí como eu e ninguém dos vereadores apoiaria, ficou por isso mesmo, e parece que a pessoa também não tem mais interesse de ser candidato.

 

O PL, depois que o Tião renunciou, desconstituiu a diretoria do partido lá, hoje não tem diretório do PL em Várzea Grande. 

 

Aí, tentei buscar o partido [presidência do diretório] para mim, mas disseram que só vão decidir após as eleições. Eu fico muito triste com isso, porque sou a segunda maior mandatária de Mato Grosso em questão de município e o presidente do diretório vai esperar após a eleição estadual para a decidir o que vai fazer com o PL Municipal. 

  

MidiaNews – A senhora ainda não se decidiu se irá apoiar o senador Wellington Fagundes, pré-candidato de seu partido ao Governo?

 

Flávia Moretti – Estou esperando a convenção para decidir. Mas quero saber o que o PL vai fazer com a Flávia? Ela é só prefeita do PL?

 

Ouvi o vereador Rafael Ranalli falando: “Ah, existem candidatos que usaram o PL para serem eleitos”. Não, então o PL me usou para a ser prefeita. Porque agora que estou pedindo a presidência do meu partido dentro do município, tenho que esperar as eleições estaduais para o PL decidir? 

 

Esse discurso está incoerente. Eu já falei isso para o Ananias, para o Wellington. Somos partidários ou não somos? O outro [Tião] me abandonou, pulou do barco e eu fico sozinha no município. 

 

Se tem uma pessoa do PL que tem me ajudado chama-se Coronel Fernanda e vou dar tudo que puder para a eleição dela em Várzea Grande. Eu poderia ficar quieta, mas estão me atacando porque eu ‘usei o PL para ser eleita’, será que o PL não me usou para a ter uma prefeita? Vamos fazer o jogo inverso? Porque agora eu estou querendo ser a presidente do PL no meu município e o presidente está falando que vai esperar depois das eleições estaduais. 

 

O Ananias sabe quanto eu arrecado em Várzea Grande? Quais são as dívidas que pago para soltar a nota que ele falou de mim na imprensa? Ele não sabe. Ele deveria saber primeiro, como presidente do partido, me acompanhar de perto. Nunca foi. Foi duas vezes. Em um ano e meio, ele foi duas ou três vezes no meu gabinete. Para falar de crise política e com o vice.

 

MidiaNews – Recentemente, o Ananias também falou que tem a intenção de punir os filiados que não apoiarem a campanha do Wellington. Como vê essa postura?

 

Flávia Moretti – Eu não tenho nada contra o Wellington Fagundes. Eu gosto do senador. Ele me ajudou em Brasília, é um articulador muito bom em Brasília, me abriu portas que eu tenho muita gratidão. 

 

Mas dependo da convenção. Como o PL vai caminhar na convenção? Só isso. Aí depois disso vou decidir. Por isso que eu não vou insistir na fala, porque preciso saber do PL. Quer dizer, o Abílio fica em cima do muro e eu não posso ficar em cima do muro? Eu preciso e estou recebendo ajuda do governador também. Como recebi ajuda do Valdemar, do Wellington.

 

Wellington trouxe emenda, recursos, a bancada federal trouxe, e o governador agora também me ajudando, tanto o Mauro Mendes como o Pivetta. Eu não posso virar as costas. Se tem uma coisa que eu sou é grata a todos que me estenderam a mão.

 

 

MidiaNews – Três prefeitos do PL já falaram que vão apoiar o governador Otaviano Pivetta. Acredita que tem um racha hoje no PL?  

 

Flávia Moretti – Eu quero saber o compromisso dos candidatos, não só do Wellington, mas do Pivetta, da Natasha, do Marcelo Maluf, com Várzea Grande. 

 

E como gestora pública vou expor qual compromisso cada um assumiu e a população decide em quem vai votar. Agora, se tem um racha dentro do PL, aí não posso falar, porque eu não estou vivendo as conversas do partido.

 

Eu estou focada na gestão, não na eleição. O partido não tem interesse de saber como eu estou fazendo a minha gestão, de me ajudar, a verdade é essa.  

 

Eu era vice-presidente da diretoria do PL Municipal, da qual, a partir do momento que foi extinta, sou apenas filiada ao PL, como qualquer cidadão que é filiado. Não tenho nem voz, nem voto, não sou vogal, não participo de nada.

 

Só que sou prefeita da segunda maior cidade do estado, com quase 200 mil eleitores. Acho que eles estão esquecendo disso, né?

 

MidiaNews – A senhora levou essa questão para a direção nacional, para o Valdemar Costa Neto?

 

Flávia Moretti – Levei já há um tempo, mas acredito que a direção nacional hoje está focada nas eleições, não é momento. Se o estadual não resolveu, eu não vou levar para o PL nacional, uma vez que o foco nosso é eleger o Flávio Bolsonaro.

 

O partido não tem interesse de saber como eu estou fazendo a minha gestão, de me ajudar […]. Não tenho nem voz, nem voto, não sou vogal, não participo de nada

 

Para ele eu vou pregar plaquinha, adesivo, vou para a rua panfletar nos trevos, vou pedir voto, porque a gente precisa ter o Flávio à frente do nosso Brasil. 

 

MidiaNews – Acredita que tem alguma chance do senador Wellington Fagundes desistir da disputa?

 

Flávia Moretti – Eu acho que não. Ele está bem focado, já conversei com ele e ele não desiste. Eu não acredito na desistência do Wellington. 

 

MidiaNews – Uma das críticas feita pela senhora e por aliados é de que a deputada estadual Janaína Riva tem um discurso em defesa das mulheres, mas nunca disse nada sobre as atitudes do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, que é do MDB, mesmo partido dela. 

 

Flávia Moretti – É um silêncio mortal da Janaína que me dói. Porque eu já apoiei a Janaína para a deputada e a gente caminhou em várias frentes pró-mulher. E é um silêncio mortal que realmente me deixa um pouquinho [triste]. 

 

Poxa, esperava que ela poderia reverter esse momento entre mim e o Wanderley. E depois, eu vendo a foto dela no dia que ele ganhou a eleição, dentro da chácara com ele festejando por ter derrubado uma base que nós estávamos conduzindo, fiquei mais triste ainda, muito triste.

 

Não vou falar que é hipocrisia, mas são escolhas. Quando a mulher entra na política como entrei, não entrei porque eu tinha um pai político, diferente dela que já tinha um histórico na família. Despenquei na política e fui parar em Várzea Grande ainda.  

 

Eu estive com Janaína logo que ganhei a eleição, jantamos juntas, conversamos sobre eleição, sobre política e esperava que ela continuasse dando esse apoio para mim dentro da minha gestão, justamente por conta do presidente da Casa que é do MDB. 

 

Eu não vou deixar de falar que fiquei decepcionada, que é hipocrisia dela, mas decepcionada, porque quando a gente entra na política uma tem que dar as mãos à outra independente do partido.

 

MidiaNews – Na última semana, durante o aniversário do seu marido, a senhora apareceu em um vídeo dançando ao lado de um rival político, o deputado Júlio Campos. Não acha que isso pega mal diante do seu eleitorado que a elegeu com um discurso anti-Campos?

 

Flávia Moretti – O Júlio Campos, logo que ganhei a eleição, procurou o gabinete e o Carlos [marido dela]. Ele sempre teve uma boa relação com o meu marido, porque o meu marido era assessor de um vereador e ambos tinham sempre uma boa relação com o Júlio, não com o Jayme. 

 

O meu marido sempre teve uma boa relação com ele, não é de hoje, mas de respeito à pessoa. Quando assumi o mandato, ele veio dizendo: ‘Prefeita, eu quero te ajudar nisso, naquilo’ e inclusive mandou recursos para o município.

 

Outros deputados também foram convidados, mas não foram, até porque a gente decidiu fazer o aniversário em cima da hora e muitos já tinham agendas pelo Estado inteiro, afinal de contas a maioria está na pré-campanha. E Júlio foi.

 

Eu sou muito animada, sou a primeira a abrir a pista de dança e dançamos. É uma questão de respeito, não é uma amizade íntima, afinal de contas eu sou a prefeita e chamei alguns políticos que estão me ajudando na gestão do município. O Júlio é um deles, que também foi interlocutor de algumas conversas, inclusive com o próprio Wanderley.

 

Então não quer dizer que somos aliados políticos, somos aliados pela gestão para o povo. E acredito que a população de Várzea Grande entende isso.

 

Assista a íntegra da entrevista:

 

 

 

FONTE: MIDIA NEWS

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