Às vésperas da convenção do União Brasil, marcada para a próxima quinta-feira (30), em Cuiabá, o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, afirmou que o cenário ideal seria um acordo entre os dois grupos que disputam o comando do projeto eleitoral de 2026.
Essa convenção que vai ser realizada no dia 30 não é uma convenção que é boa para ninguém. O ideal seria, sim, chegar a um consenso
Ao MidiaNews, ele disse que a disputa interna entre os defensores da candidatura do senador Jayme Campos (União) e os aliados do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) desgasta todos os envolvidos.
“O sonho de todos é a gente manter o grupo unido. Essa convenção que vai ser realizada no dia 30 não é uma convenção que é boa para ninguém. Para nenhum dos grupos que vão disputar. O ideal seria, sim, uma conversa desses grupos e chegar a uma decisão de consenso”, disse.
Na entrevista, Carvalho também reafirmou o compromisso do grupo político do entorno do ex-governador Mauro Mendes (União) com a pré-candidatura de Pivetta, lamentou a saída de antigos aliados, como o PL do senador e pré-candidato ao Governo Wellington Fagundes, atribuindo o afastamento a interesses políticos e falou sobre a mudança de perfil do atual governador, que, segundo ele, não faltará a nenhum dos debates eleitorais.
Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):
MidiaNews – O senhor é um dos entusiastas da reeleição do governador Otaviano.
Mauro Carvalho – Muito. Desde o início.
MidiaNews – O que que ele tem que os adversários não têm? O que o credencia a esse cargo?
Victor Ostetti/MidiaNews
O chefe da Casa Civil Mauro Carvalho, que destacou perfil “humanizado” do governador Pivetta
Mauro Carvalho – Vou citar um exemplo que escutei hoje num evento sobre o que é Otaviano Pivetta. Nós estávamos na Assembleia apresentando um projeto de lei na presidência, soubemos naquele momento que estava tendo uma audiência pública com os servidores do Samu.
Algumas pessoas aconselharam o governador: “É melhor o senhor sair pelo fundo, tem o pessoal ali”… E ele falou: “não, eu quero ir lá”. E foi.
Todos falaram que ele seria vaiado, mas não foi vaiado. Todo mundo respeitou a fala dele e ele escutou a fala dos servidores. Dez dias depois marcou uma audiência no Palácio, foi e resolveu a situação.
O governador tem uma sensibilidade… Ele sempre se coloca no lugar do próximo, e isso faz uma diferença muito grande, porque ele sente a dor do próximo, sente a necessidade de cada um.
Veja a atitude com relação à água de Varzea Grande. A água é um problema de quantos anos? Essa falta de dignidade das pessoas que escolheram Varzea Grande para morar. Uma senhora, há uns dois meses, procurou ele num evento público, e falou: “Governador, pelo amor de Deus, eu não tenho água para o meu filho e para a minha filha”. Isso comoveu ele. Ele começou a entender a fundo, fez algumas visitas no DAE, e formalizou a “Aliança pela Água” da Várzea Grande.
Essa sensibilidade dele tem feito muita diferença no governo, com ele se colocando e sentindo a dor do próximo. Esse é o papel do gestor público.
MidiaNews – O senhor citou esse episódio do Samu, mas essa abertura de mão que ele possa ter dado após uma conversa com os servidores ou com determinada classe política, não pode colocá-lo como um administrador sem pulso firme?
A partir do momento que assumiu a cadeira de governador, as pessoas começaram a ter oportunidade de conhecer quem é o Pivetta, um ser humano extraordinário
Mauro Carvalho – De forma nenhuma. Quem convive com o Otaviano Pivetta todos os dias vê o tanto que esse homem é humanizado. A diferença é essa. O Otaviano fica o dia inteiro motivando e incentivando as pessoas que estão ao seu lado, os servidores. O tempo todo agradecendo pelo o que a pessoa está fazendo. Ele tem esse espírito de gratidão muito grande.
Isso, em nenhum momento, demonstra qualquer tipo de fraqueza, muito pelo contrário. Mostra uma liderança muito grande dele e as pessoas têm se surpreendido com o Otaviano. Porque quando ele estava como vice-governador, sempre se colocou na posição de vice, como coadjuvante. Sempre respeitou muito a gestão do governador Mauro Mendes. Ele nunca tomou uma decisão sem antes consultar o governador Mauro Mendes. Foi um excelente vice.
A partir do momento que assumiu a cadeira de governador, as pessoas começaram a ter oportunidade de conhecer quem é o Pivetta. E nessa oportunidade viram um ser humano extraordinário, com uma sensibilidade muito grande, de entender realmente a necessidade de cada região, de cada município. Ele é um municipalista. Ele foi três vezes prefeito de Lucas do Rio Verde, que tem um dos maiores IDHs do Brasil. Esse cuidado que ele tem com o próximo é o que tem feito a diferença na sua gestão.
MidiaNews – A gestão Mauro ficou muito marcada pelo ritmo das obras e de entregas. Acha que o Pivetta, se reeleito, vai continuar nesse mesmo ritmo ou o Estado pode chegar numa estagnação?
Mauro Carvalho – Primeiro que todas essas quebras de paradigmas, como a BR-163 e a BR-174, e em várias outras coisas, o Pivetta sempre esteve junto com o Mauro. Ele participou de todas essas decisões e de toda a construção para chegar nas soluções que estamos vivendo hoje. O ritmo dele é tão acelerado quanto o do Mauro Mendes. Ele não para. A verdade é essa. O Otaviano não para.
Ele vem dando uma continuidade ao governo Mauro Mendes e, além dessa continuidade, tem feito muito mais coisas que é realmente aquilo que sempre sonhou fazer. O que a gente fala muito pra ele é: Otaviano, daqui a pouco começa uma campanha eleitoral, então a gestão e a máquina andam…
Mas ele não consegue [parar]. Ele vibra com isso daqui. A vida dele é a gestão do Governo do Estado. Ele é um entusiasta disso daqui, motivado, a vida dele é isso. É onde ele se sente feliz, fazendo o que ele está fazendo. Você não tem a dúvida nenhuma que nesse pouco tempo que está aqui e com a sua reeleição vai continuar e vai fazer melhor ainda.
Victor Ostetti/MidiaNews
“Pivetta vem dando uma continuidade ao governo Mauro Mendes”, diz secretário chefe da Casa Civil
MidiaNews – Esses impedimentos eleitorais não têm feito com que ele coloque o pé no freio?
Mauro Carvalho – Ele continua fazendo a gestão do Estado, em todos os pilares que temos, seja na segurança, na infraestrutura, na educação, na área social do governo, meio ambiente, agricultura familiar…
Todos os dias, tem feito muitas ações dentro do governo que diz respeito à eficiência, à produtividade. É incansável. Na realidade, ele e Mauro Mendes são duas pessoas incansáveis. Essa é a realidade.
MidiaNews – Desde que foi anunciado como pré-candidato, pesquisas apontaram que os mato-grossenses não conhecerem o Pivetta. Acha que ele já está conseguindo chegar ao eleitor?
Mauro Carvalho – A timidez do Pivetta é muito forte. E essa timidez, muitas vezes, é confundida com arrogância, com prepotência. Isso é natural em qualquer pessoa tímida. Ela chega em um ambiente, ela tem dificuldade para cumprimentar as pessoas, que dizem: “Esse cara é um metido, prepotente”. Mas ele tem vencido essa timidez todos os dias.
Você pode acompanhar nos eventos públicos, o Pivetta tem se comportado de uma forma muito diferente do que era antes. Ele tem feito um esforço muito grande para vencer essa timidez. E essa proximidade que está tendo, a oportunidade hoje de estar mais próximo da população…
E tenho certeza absoluta que cada vez mais ele se tornará conhecido. Isso que você colocou, em todas as pesquisas principalmente feitas por outros institutos, adversários, mostrava o desconhecimento sobre o Pivetta. Esse é o grande desafio dele, se tornar realmente conhecido. E as pessoas quando conhecem o Pivetta, votam no Pivetta. Esse é o grande trabalho que ele tem feito.
MidiaNews – O senhor chegou a ser anunciado como um dos coordenadores da pré-campanha dele. E agora saiu outros nomes, como o ex-senador Cidinho Santos e o ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo. O que aconteceu?
Como vou desempenhar o papel de secretário da Casa Civil e coordenador-geral da campanha do Pivetta? Eu não sou super-homem
Mauro Carvalho – Eu não sou super-homem. Como vou desempenhar o papel de secretário da Casa Civil e coordenador-geral da campanha do Pivetta? Há um tempo, tivemos uma reunião e falei: “Pivetta, você tem que escolher. Eu vou fazer as duas coisas muito mal feitas. Não vou conseguir ser secretário da Casa Civil das oito da manhã às seis horas da tarde e depois ir para a campanha. Vou poder me dedicar muito pouco à campanha, mais no final de semana. E eu acho que uma campanha eleitoral temos que ter pessoas realmente dedicadas a ela vinte e quatro horas, sábado, domingo, feriado, porque é muito curta. Você tem que escolher o que você quer, porque tenho certeza absoluta que não vou fazer algo bem feito, porque não vou ter tempo para isso”.
Aí nessa reunião ele disse: “Então prefiro que você fique na Casa Civil, até porque vou ter que me ausentar muito, é importante a sua presença, você conhece toda a máquina, tem um relacionamento excelente com os poderes e com os secretários, fica melhor você ficar aqui”.
E aí na coordenação ficaram o Rogério Gallo, o Pascoal Santullo, o Cidinho Santos, Luiz Antônio Pagot, o Rodrigo Cyrineu que é o advogado. Tem um grupo grande. Mas eu, geralmente, quando saio daqui oito, nove horas da noite, vou lá na Casa 10 [sede do Republicanos] dar a minha contribuição. Não paro com relação a isso.
MidiaNews – E como estão as conversas para manter aquele mesmo grupo político de 2022 ao entorno da candidatura do Pivetta?
Mauro Carvalho – Esse é um grande esforço de todos nós. É muito difícil formar um grupo político. E mais difícil ainda é manter esse grupo unido. Porque todo mundo tem os seus interesses, todo mundo tem os seus projetos e isso tem que ser respeitado.
Mas, muitas vezes, o ego e a vaidade acaba atrapalhando essa união. Mas em todo momento, aqui dentro da Casa Civil, mesmo fora, a minha posição sempre foi de manter esse grupo coeso, unido. Você nunca me viu atacar ninguém que estava com a gente em 2022. Muito pelo contrário. O tempo todo tento sempre trazer essas pessoas junto. Ou nós junto com eles. Não importa. O que importa é a gente estar unido num projeto maior que se chama Estado de Mato Grosso. Mas na política nem sempre isso é possível.
MidiaNews – A gente fala do PL e do MDB, por exemplo, que estavam com vocês em 2022.
Mauro Carvalho – Exatamente. O PL saiu do grupo. Eu fui eleito como suplente do senador Wellington Fagundes. Ele no PL e eu no União Brasil. Mas estávamos num grupo. O Wellington tomou a iniciativa de sair do grupo. Não fomos nós que saímos dele.
Ninguém esperava. Todo mundo achava que íamos continuar em 2026 o mesmo grupo de 2022. O tempo todo trabalhamos para isso. Mas, infelizmente, em função de outros interesses, as pessoas acabam tomando um rumo diferente.
MidiaNews – Essa postura dele, então, surpreendeu vocês?
Mauro Carvalho – Não é que surpreendeu. Em nenhum momento, quando foi a reeleição do senador Wellington Fagundes, eu de primeiro suplente e a Rosana Martinelli de segunda, não se falava, em candidatura ao Governo, quatro anos depois. Em quem seria o candidato. O que a gente achava naquele momento? Que esse grupo ia se manter unido para 2026. Quem vai ser o candidato em 2026? Em 2022, ninguém sabia também.
Não sabia se o Pivetta ia ser candidato. Não tinha essa bola de cristal para adivinhar o que iria acontecer em 2026. Mas o que a gente imaginava, sim, era que esse grupo iria se manter unido, inclusive em 2026. Infelizmente, isso não está acontecendo.
MidiaNews – Há uma crítica do seu grupo em relação ao Wellington, especialmente sobre o perfil legislador dele, dizendo que não tem perfil de Executivo. Por outro lado, Wellington tem dado alfinetadas sobre a vida pessoal de Pivetta. O senador disse que não precisa ter uma vice mulher, porque ele já tem uma esposa, enquanto o governador Otaviano é solteiro. Esse tipo de crítica também surpreende vocês?
Quantas mulheres foram nomeadas no governo? Esse equilíbrio é muito bom. A mulher realmente faz uma diferença muito grande na discussão pública
Mauro Carvalho – Eu acho que isso é até uma discriminação com a mulher, porque não justifica. Quantos governadores são casados e têm uma primeira-dama e o vice-governador é uma mulher? São vários. Não faz sentido. Só porque sou casado e tenho uma mulher, então não posso ter uma vice mulher? Não vejo dessa forma.
Pelo contrário, posso ser casado, tenho a minha mulher e vou ter uma vice que seja mulher. Não é o fato do Otaviano ser solteiro hoje que tem qualquer tipo de impacto.
Hoje tem um percentual mínimo de 30% de mulheres que você tem que ter em uma chapa de deputado federal, deputado estadual. A maior dificuldade de todos os partidos é cumprir esse percentual. Porque não existe mulheres que queiram entrar na política. É essa a dificuldade.
Quem me dera ter uma chapa com 50%, com 70% de mulheres, com 100% de mulheres. Mas a maior dificuldade de todos os partidos hoje é fazer com que as mulheres participem da política. Você vê, nós temos hoje uma Assembleia Legislativa com 24 deputados que foram eleitos em 2022, apenas uma mulher.
Vê o que o Otaviano Pivetta colocou a partir da sua posse em 31 de março. Quantas mulheres foram nomeadas no governo? Nós temos a primeira secretária de Segurança Pública na história de Mato Grosso, uma mulher, a coronel Susane Tamanho.
Esse equilíbrio é muito bom, é muito bom. A mulher realmente faz uma diferença muito grande na discussão pública.
MidiaNews – Mas essa alfinetada que Wellington deu não foi mais da questão da imagem que o Pivetta quer passar?
Mauro Carvalho – De forma nenhuma. Não tem imagem. São escolhas. A escolha é independente do sexo. Se é masculino, feminino, não depende disso. São escolhas que você tem que fazer. Eu tenho uma preferência para isso, tenho uma preferência para aquilo. E ele está no direito de fazer a sua escolha.
MidiaNews – Ele tem batido o pé e dito nas entrevistas que quer uma vice. O senhor há pouco falou que ele foi um excelente vice, que sabia o lugar dele. Vocês têm nomes de confiança para ocupar esse lugar?
Mauro Carvalho – São vários nomes que podem ser vices do Otaviano Pivetta. Vários nomes. Agora, essa decisão cabe a ele e tem que ser tomada nesses próximos dias. Lógico, a decisão é dele, mas deverá ser discutida com as pessoas que fazem parte do arco de alianças.
Tem várias pessoas que podem ser vices e têm capacidade para ser vices. Não é uma pessoa especial, fulano ou beltrano. Muito pelo contrário. Têm opções muito grandes de pessoas que poderiam ser vices do Otaviano Pivetta. Lógico, a preferência é dele, mas essa discussão deverá acontecer dentro do grupo político.
Temos opções que poderiam ser vices do Otaviano Pivetta. Lógico, a preferência é dele, mas essa discussão deverá acontecer dentro do grupo político
MidiaNews – Um desses nomes é o da deputada Janaína Riva, que é pré-candidata ao Senado. Só que ela também se comportou como oposição ao governo de Mendes. O senhor acha que ela cabe dentro dessa chapa ou essa composição ficaria muito complicada?
Mauro Carvalho – Essa discussão, não gostaria aqui de colocar nomes de A, B, C ou D. Tem seis ou sete nomes que podem assumir a posição de vice junto com o Pivetta. Eu não queria declinar apenas um nome. Essa discussão vai ser feita num grupo. Vários nomes estão sendo colocados. E essa decisão vai ser dele, mas dentro de um grupo político.
MidiaNews – Um desses grupos é o do deputado Max Russi, que é presidente do Podemos, que apresentou quatro mulheres como possíveis vices do Pivetta. Ele, no entanto, tem também dialogado com o PL e MDB. Qual a contrapartida do seu grupo para ter apoio desse partido que promete ser um gigante nas eleições?
Mauro Carvalho – Nós temos que lembrar que o deputado Max Russi é presidente da Assembleia Legislativa. Ele conversa não é com o PL ou com o MDB, conversa com todos os partidos. Como presidente da Assembleia, tem todos os partidos ali dentro, ao lado dele. Faz parte da liturgia do cargo dele.
O que posso lhe garantir é que em todas as reuniões que fazemos no grupo político, ele está presente. E o partido do presidente Max, e a liderança do presidente Max, tem que ser, sim, respeitada. E esses nomes que ele está colocado, tem que ser respeitados, tem que ser discutido no grupo.
Ele tem legitimidade para isso, tem capacidade política para isso. Agora, essa discussão realmente deve acontecer antes das convenções.
MidiaNews – Os deputados Max Russi, Janaína Riva e Eduardo Botelho se reuniram e fizeram um pacto para que as decisões desses dois partidos fossem tomadas juntos no âmbito da eleição. O senhor teme a pressão dessas duas siglas, que são importantes no Estado?
Victor Ostetti/MidiaNews
O chefe da Casa Civil Mauro Carvalho que coloca em dúvida pacto de alinhamento eleitoral entre MDB e Podemos
Mauro Carvalho – O MDB é um partido que devemos todo o respeito, com o Podemos do Max, da mesma forma. Hoje, temos um alinhamento mais próximo com o Podemos do que com o MDB.
Mas tem pactos e pactos. Tem pactos que dão certo, tem pactos que não dão certo. Eu diria o seguinte: até o dia 30 [convenção do União Brasil], muitas reuniões e muitas conversas serão realizadas. Tem muita coisa que ainda pode ser alterada.
Então, muitas coisas vão acontecer até o dia 30 e até o dia 5 de agosto, que serão as convenções finais. Tudo isso, hoje, são conjecturas que podem dar certo ou podem não dar certo. São coisas que vamos viver nos próximos capítulos.
MidiaNews – O grupo político Mendes e Pivetta vai caminhar junto com o do senador Jayme Campos?
Mauro Carvalho – Esse seria um grande sonho, de a gente chegar realmente numa decisão que contemple todos. Eu tenho falado isso sempre.
O governador Mauro Mendes já há algum tempo, muito antes de qualquer pessoa falar que gostaria de ser candidato ao Governo do Estado, já tinha comentado que caso Otaviano Pivetta fosse candidato, ele iria apoiá-lo. Independente das candidaturas que foram lançadas depois dessa conversa.
O governador Mauro Mendes colocou essa situação do Pivetta muito tempo atrás. Antes de qualquer pessoa falar que era candidato. Agora, por que ele colocou essa fala? Porque tem uma história dos dois juntos. Começou em 2008. Depois, em 2010, um foi candidato a governador, outro foi a vice.
Não é uma história que formou no ano passado, ano retrasado. São sete anos e três meses que os dois conviveram juntos. Então, existia realmente um compromisso do ex-governador Mauro Mendes com Pivetta. E ele falou isso há muito tempo atrás. Antes de qualquer pessoa lançar sua candidatura.
Então, todos já sabiam dentro do arco de alianças de 2022 que caso o Pivetta se lançasse candidato à reeleição, o governador Mauro Mendes iria apoiá-lo. Isso não foi surpresa para ninguém. Mendes não declarou apoio ao Otaviano Piveta seis meses atrás, não. E nessa época, se a gente for falar um ano atrás, nenhum dos candidatos que estão colocando seu nome hoje eram candidatos.
Agora, o sonho de todos é a gente manter o grupo unido. Essa convenção que vai ser realizada no dia 30 não é uma convenção que é boa para ninguém. Para nenhum dos grupos que vão disputar. O ideal seria, sim, uma conversa desses grupos e chegar a uma decisão de consenso. Isso seria ideal.
MidiaNews – O senhor fala que não é boa por quê?
Mauro Carvalho – É uma disputa grande. E outra coisa, uma disputa eleitoral, no calor das emoções é muito forte, muitas pessoas acabam falando o que não é para falar. Acabam ofendendo as pessoas que não é para serem ofendidas. Isso tinha que ser discutido antes desse calor que vai ser formado na convenção.
MidiaNews – Acredita que não tem conversa com o senador Jayme?
Mauro Carvalho – O governador Otaviano Pivetta tem conversado com o senador Jayme várias vezes. E o governador Mauro também teve uma conversa com ele.
Não chegam a alguma conclusão. Porque se tivesse chegado, as coisas já estariam sendo encaminhadas de forma diferente. Mas eu não desisto
MidiaNews – E qual é o impasse? Qual entrave?
Mauro Carvalho – Não chegam a alguma conclusão. Porque se tivesse chegado, as coisas já estariam sendo encaminhadas de forma diferente. Mas eu não desisto. Eu acho que até o dia da convenção ainda é possível manter esse grupo unido.
MidiaNews – O senhor é amigo há mais de 30 anos do ex-governador Mauro Mendes. Pela sua experiência e convivência com ele, acha que ele pode ceder ou vai mesmo haver essa disputa dentro da União Brasil?
Mauro Carvalho – Não acho isso possível. Por toda a história, por tudo que já aconteceu. Não acho isso possível.
Não é por conta do grupo, é por conta da fidelidade, da lealdade entre Mauro e Pivetta. Tem uma história. Como que faltando 10 dias para uma convenção, o Mauro vai chegar e dizer que o Pivetta não é mais o candidato dele? Não existe isso. Eu não acredito em nada nesse sentido, nada.
MidiaNews – Acha que o nome do Jayme sendo homologado, consegue seguir com essa pretensão? Ou na nacional isso pode se frustrar?
Mauro Carvalho – Existem muitas conjecturas com relação à federação, que ainda tem o PP. Porque estamos falando da convenção do União Brasil, aí tem a convenção do PP, aí tem a federação, aí tem os diretórios da executiva nacional, a federação nacional.
Dependendo do resultado do dia 30, tem outras coisas que vão se seguir. Realmente vai ter muitas conversas nesse sentido. Agora, saber o resultado é muito difícil.
MidiaNews – Mas se a candidatura do Jayme acontecer, tem essa análise de que pode ser uma eleição mais difícil para o Pivetta, posto que é um candidato que talvez tenha eleitores com perfil parecido?
Victor Ostetti/MidiaNews
“Toda eleição é difícil, não tem eleição fácil”, dispara chefe da Casa Civil
Mauro Carvalho – Toda eleição é difícil, não tem eleição fácil. Todo mundo fala, a eleição do Mauro em 2022 foi uma eleição muito fácil, foi eleito com quase 70%… Não foi fácil! Eu estava dentro da coordenação da campanha e ela teve muitos problemas. Toda eleição é um desafio muito grande, independente de quem seja candidato, não existe eleição por W.O.
Se Jayme vai ser ou não candidato, se Wellington Fagundes, se Natasha Slhessarenko vão ser ou não candidatos… Toda eleição é difícil, toda eleição tem um desafio muito grande.
Você tem que se conectar com as pessoas, tem que mostrar para a população que realmente o seu projeto é melhor do que os dos adversários, é uma série de fatores que envolvem uma campanha política. E não tem esse negócio: “Estou na frente, estou ganhando”. Quantas pessoas vimos que saiu lá de baixo e ganhou a eleição?
Nós temos exemplos inclusive nacionais, então não dá para a gente prever qualquer coisa.
MidiaNews – E na sua análise, pode ter pela primeira vez uma eleição de dois turnos em Mato Grosso?
Mauro Carvalho – É possível uma eleição de dois turnos, mas acredito na vitória do Otaviano Pivetta. Eu tenho plena convicção que o Pivetta será reeleito.
Quantas pessoas vimos que saiu lá de baixo e ganhou a eleição?
MidiaNews – A disputa desse grupo político em apoiar o governador Otaviano Pivetta ou o senador Jayme Campos pode repetir o cenário da eleição de Cuiabá em 2024, quando houve a mesma divisão do grupo. Isso não coloca em risco a manutenção do poder desse grupo?
Mauro Carvalho – Não. Quando você fala de 2024, está se referindo a Eduardo Botelho e Fábio Garcia. Lembrando que o Botelho foi, naquele momento, escolhido pelo grupo político e o Fábio se tornou coordenador da campanha dele. Não teve divisão nenhuma em 2024. O grupo continuou unido em 2024. Todos estávamos juntos em 2024.
MidiaNews – Mas ele saiu em terceiro lugar e não disputou o segundo turno.
Mauro Carvalho – Toda eleição é difícil e é uma caixa de surpresa. Todas as pesquisas mostravam o Botelho em primeiro lugar. Não foi nem para o segundo turno. Todas as pesquisas mostravam um resultado muito diferente em Várzea Grande.
E as pesquisas é uma fotografia daquele momento. Ela não é uma realidade absoluta. O eleitor muitas vezes esconde o seu voto. Eleição é isso.
MidiaNews –Um dos problemas do governo estadual era a questão do VLT, que virou BRT. Admite que pode ser o “calcanhar de Aquiles” da campanha essa peleja?
Mauro Carvalho – Mais uns dias e vamos ter uma programação concreta de todo o andamento das obras, da compra dos ônibus e quando realmente vai ser implantado. Mas já passamos o pior.
Das intervenções que aconteceram em Cuiabá, já passamos o pior. Estamos caminhando para o finalmente. E o finalmente vai ser muito bom para a população mato-grossense.
Mais uns dias vamos ter uma programação concreta de todo o andamento das obras do BRT. Já passamos o pior
O governador Otaviano tem dito até de criar uma agência de mobilidade. Há 10 anos a velocidade média de um ônibus em Cuiabá era de 23 quilômetros por hora, e hoje é de 13. Isso significa o que? Se tenho uma velocidade menor, vou ter que ter mais ônibus nessa linha. Tendo mais ônibus nessa linha, vou estressar mais o trânsito na Capital. Se tenho uma demora muito grande para chegar ao meu destino, acabo não usando o ônibus, vou usar a minha moto, vou usar o carro.
Não é simplesmente o BRT que vai fazer a diferença em Cuiabá. Temos que ter um planejamento da região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande, de preferência para o transporte coletivo, para motivar as pessoas a usarem o transporte coletivo, deixar de usar a moto e deixar de usar o carro.
Por exemplo, Goiânia fez uma revolução no transporte coletivo. Revolução. Os semáforos de Goiânia, para você ter uma ideia, são conectados com as linhas de ônibus. O ônibus tem preferência. Ou seja, a tecnologia é tão grande que à medida que o ônibus vai se aproximando do semáforo, o semáforo também já vai conduzindo de forma a ele estar aberto na hora que chega o transporte.
Existe todo um estudo que o governo está fazendo para a gente ter a mobilidade e ter o transporte coletivo que sempre sonhamos e nunca tivemos.
MidiaNews – O senhor já conversou com o governador Otaviano Pivetta sobre se ele for reeleito, o senhor permanece na Casa Civil?
Mauro Carvalho – Eu nunca tive essa conversa.
MidiaNews – O senhor tem vontade?
Mauro Carvalho – Eu cumpro missão. Eu nem tinha essa expectativa de voltar para Casa Civil. Minha expectativa de voltar era zero. Até porque estava numa outra vibe, apesar de estar convivendo diariamente com o grupo político, mas estava exclusivamente na área empresarial e com a minha família.
Até porque eu também não tinha vontade de voltar. Então, fui surpreendido porque a primeira conversa que tive com o Otaviano foi para eu coordenar a campanha e depois, em dezembro, ele me chamou e falou, não, quero que você volte para Casa Civil. E não tem como falar não para o Pivetta e para o Mauro também.
Estou cumprindo a minha missão e espero cumprir ela melhor do que cumpri a primeira vez, mas na reeleição do Pivetta é um novo governo. E aí, ele tem toda a liberdade de falar com quem ele gostaria que continuasse na gestão nos próximos quatro anos e não.
MidiaNews – O governador comentou em uma coletiva de imprensa sobre o arquivamento de uma ação em que ele foi acusado de violência doméstica pela ex-mulher. A campanha dele está preparada para responder esse tipo de ataque, de acusação, de relembrar esse fato?
Ataques vão ter muitos. Agora, independente dos ataques Pivetta terá tranquilidade em responder
Mauro Carvalho – Ele teve a maior tranquilidade em responder essa questão quando foi abordada naquele momento. Ele tem total tranquilidade sobre isso. Ele só esqueceu de acrescentar uma coisa naquela resposta: quem absolveu ele foram mulheres. Tanto na área da promotoria, quanto na justiça. Não foram homens que julgaram Otaviano Pivetta. Foram mulheres que absolveram. Então, ele tem total tranquilidade contra isso.
Agora ataques na campanha eleitoral vão surgir. Fake news vão surgir várias. Acho que o grande desafio hoje do Tribunal Regional Eleitoral vai ser as fake news. Vai ser a inteligência artificial.
Ataques vão ter muitos. Agora, independente dos ataques que deverão acontecer durante a campanha, é a tranquilidade do Pivetta em responder esse fato. Ele tem a sua consciência tranquila e tem a absolvição ao lado dele. E a absorvição feita por mulheres. Ele não tem nenhum tipo de constrangimento com relação a isso.
Se os adversários dele estão pensando que vão atingi-lo durante o processo eleitoral com esse o fato, podem ficar tranquilo que isso não vai atingir. Arruma outra porque essa daí não vai dar certo.
MidiaNews – Esse perfil tímido do Pivetta pode ser sensível especialmente nos debates eleitorais. Ele já admitiu, inclusive, ter um “probleminha na comunicação”. Esse perfil vai permitir com que ele saia bem nos debates?
Mauro Carvalho – Ele vai ir a todos os debates. Até porque ele está muito preparado para debater Mato Grosso. Essa timidez do Pivetta acontece muito no ambiente social, no ambiente público mas ele tem vencido.
Eu tenho acompanhado o Pivetta em algumas viagens no interior, onde realmente tem um contato muito grande com a população. É outra pessoa na relação dele com as pessoas. Agora, eu nunca vi o Pivetta tímido numa entrevista. Muito pelo contrário. Vi ele sempre muito descontraído nas entrevistas que tem dado.
E é dessa forma que ele vai participar dos debates, sem nenhum tipo de problema. Se os adversários estão achando que o Pivetta vai correr de debate, podem tirar o cavalinho da chuva que isso não vai acontecer. Ele vai ser o primeiro a chegar, inclusive, em qualquer debate que for convidado.
Veja a íntegra da entrevista:
FONTE: MIDIA NEWS
