O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) relatou nesta quarta-feira (12) uma abordagem policial que, segundo ele, ocorreu na noite de terça-feira (11), após o motorista que o levava para casa deixá-lo na região do Planalto Paulista, na zona sul da capital paulista.
Diogo Zacarias/MF
Diogo Zacarias/MF
De acordo com o relato de Haddad, o motorista percebeu a aproximação de uma viatura da Polícia Militar depois de deixar o candidato em sua residênica. Os policiais teriam projetado luzes sobre o veículo e, na sequência, acompanhado o carro por cerca de 40 minutos.
O motorista, segundo Haddad e seu advogado, Hélio Silveira, ficou assustado com a situação e decidiu parar em um hotel, onde poderia contar com câmeras de segurança e maior movimentação de pessoas. Ainda de acordo com o relato, ele teria questionado os policiais sobre o motivo da ação e ouvido a frase “vaza, vaza”.
Haddad afirmou que só tomou conhecimento do episódio na manhã desta quarta-feira. Segundo o candidato, o motorista ainda estava abalado com o ocorrido.
“Não foi uma abordagem padrão”, disse Haddad. Segundo ele, em uma abordagem convencional, os policiais solicitariam a parada do veículo, apresentariam a identificação e verificariam documentos. “Uma coisa é você pedir para o cara parar. […] Mas não foi isso”, narrou.
O candidato afirmou que, de acordo com o motorista, os policiais teriam permanecido próximos ao veículo, sem realizar uma abordagem formal.
“Foi sempre parelhar o carro, você ficar colado no carro, você estacionar e não sair para pedir documento, se apresentar. Não foi normal”, afirmou.
Haddad disse, porém, que não pretende fazer uma acusação contra os policiais sem que haja esclarecimentos sobre o episódio. O candidato afirmou que trabalha com a hipótese de um equívoco ou de uma situação relacionada ao trabalho policial.
“Eu estou pressupondo boa-fé. Pode ter sido uma abordagem por algum motivo, confundiram a placa do carro, estavam procurando um suspeito, qualquer coisa”, afirmou.
Segundo Haddad, o objetivo de comunicar o caso é obter esclarecimentos, já que a ação, pelo relato recebido, fugiu do procedimento que ele considera habitual.
“Eu não posso deixar de reportar o que aconteceu, porque é um cidadão como qu
alquer um de vocês que tem seus direitos e que não pode se sentir inseguro na sua cidade”, disse.
Advogado deve pedir informações
O advogado Hélio Silveira afirmou que pretende protocolar nesta quarta-feira pedidos de esclarecimento a autoridades do estado. A intenção, segundo ele, é saber quem determinou a ação, se houve alguma orientação específica para o acompanhamento do veículo e qual teria sido a motivação da abordagem.
“Vamos informar o governo de São Paulo, a Justiça, a Procuradoria. Vamos informar o que aconteceu e pedir as providências”, afirmou.
Silveira também disse que pretende solicitar imagens das câmeras que possam ter registrado a movimentação das viaturas e do veículo.
Segundo o advogado, o motorista relatou que a viatura se aproximou enquanto ele trafegava pela Avenida 23 de Maio, com as luzes acionadas. Na aproximação, ainda de acordo com o relato, as luzes teriam sido apagadas, o que aumentou a estranheza do motorista.
Ao chegar ao hotel, o motorista teria permanecido no local por segurança. Depois, teria saído para questionar os policiais sobre o que estava acontecendo. Segundo Silveira, a resposta teria sido: “Vaza daqui”.
O advogado classificou o episódio como “incomum” e disse que pretende aguardar as explicações das autoridades antes de tirar conclusões.
“Não vamos causar um pânico na sociedade. Vamos abordar, vamos querer saber o que aconteceu e aguardar a resposta. Mas causou estranheza”, finalizou.
Em nota à CNN Brasil, a SSP-SP (Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo) informou a realização da identificação das equipes que estiveram ou passaram pela região da casa do candidato para averiguação. Além disso, também foi informado que o titular da pasta, Osvaldo Nico Gonçalves, acionou Haddad para mais informações.
“A Secretaria da Segurança Pública determinou à Polícia Militar que fossem identificadas as equipes que estiveram ou passaram pela região no período informado para apurar as circunstâncias do episódio. O secretário da pasta, Osvaldo Nico Gonçalves, entrou em contato com o candidato Fernando Haddad em busca de informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada, a fim de contribuir na investigação. Qualquer possível desvio de conduta será devidamente apurado”, declarou.
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FONTE: RDNEWS
