Quatro dos nove alvos da Operação Dark Route, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), foram capturados nesta terça-feira (25). O grupo integra a chamada “Tropa do Batman”, ligada ao contador do Comando Vermelho (CV), Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”. Um décimo envolvido já estava preso, enquanto os outros cinco integrantes, incluindo o próprio líder, continuam foragidos.
Josiel Raimundo Fernandes, vulgo “Xuxu” ou “Hane”; Edenison Luiz Moura de Melo, vulgo “Chorão” ou “Delícia”; César Augusto Ramalho; e Luis Fernando Silva Oliveira, vulgo “Frajola”, tiveram os mandados de prisão cumpridos durante a operação. Enquanto isso, Batman; Guilherme dos Santos da Silva, vulgo “Gordinho”; Jerremy Valério Araújo; Salomão Araújo dos Santos, vulgo “Sal da Várzea”; e Kayo Fernando Pereira da Cunha se encontram foragidos.
PJC-MT
Antes da deflagração, um integrante da “tropa” teve o mandado de prisão cumprido na última quinta-feira (20). Guilherme Moura da Silva, vulgo “Vasco”, apontado como um dos auxiliares da liderança, foi localizado e preso com o apoio da Polícia Civil no Rio de Janeiro, após deixar o Complexo do Alemão para frequentar uma academia.
Segundo a Polícia Civil, contra o grupo também foram expedidos três mandados de busca e apreensão e cinco sequestros de veículos de luxo. O núcleo é suspeito de atuar para garantir proteção a foragidos, manutenção de soldados armados, movimentação financeira, suporte logístico e ocultação patrimonial. Os mandados foram cumpridos em Várzea Grande e Rio de Janeiro (RJ).
Base operacional do RJ
A investigação aponta que o Rio de Janeiro não é utilizado pelos investigados apenas como esconderijo para os integrantes da facção criminosa. Os elementos reunidos indicam que a estrutura instalada no Estado fluminense funcionava como uma base de proteção, comando e articulação, concentrando foragidos da Justiça de Mato Grosso, integrantes da facção denominados “soldados armados” e pessoas responsáveis pelo suporte à liderança.
A base no Rio de Janeiro funcionava como um entreposto operacional, para onde iam foragidos e soldados e de onde eram mantidas conexões com as atividades desenvolvidas em Mato Grosso. Parte dos integrantes estava instalada no Complexo do Alemão.
Fuzis e estrutura armada
As investigações apontaram ainda que o grupo investigado possui capacidade bélica, sendo identificados integrantes portando e efetuando disparos com fuzis de uso restrito, além de registros relacionados à guarda e ao remanejamento de armas e munições.
Levantamentos feitos durante a investigação mostram soldados armados em território dominado pela facção e o manejo de fuzis com referências à facção criminosa e ao apelido da liderança investigada.
Criminoso foragido
O principal alvo da investigação é foragido da Justiça de Mato Grosso e permanece homiziado no Rio de Janeiro, não sendo localizado nesta fase da operação. Entretanto, com as investigações da Operação Dark Route, ele passa a contar com mais um mandado de prisão preventiva em aberto, decorrente dos novos fatos investigados.
A investigação mostra que sua fuga para o Rio de Janeiro não interrompeu sua atuação no crime. Segundo os elementos reunidos, a liderança continuou utilizando áreas dominadas pela facção como ponto de proteção e articulação, mantendo contato com operadores financeiros, soldados armados, familiares e interpostas pessoas.
Frota de luxo
A investigação identificou uma frota de veículos de luxo que circulava entre integrantes do grupo no eixo Rio de Janeiro–Mato Grosso, inclusive com automóveis formalmente registrados em nome de terceiros, embora utilizados por pessoas próximas à liderança.
Os veículos são apontados como instrumentos de deslocamento, logística, ostentação e ocultação patrimonial. A Justiça determinou o sequestro de cinco veículos: um Porsche Boxster GTS, duas BMWs, um Audi A3 e um Volkswagen T-Cross, com valor conjunto estimado em aproximadamente R$ 1,5 milhão.
O sequestro dos veículos integra a estratégia de descapitalização do grupo, buscando retirar não apenas os integrantes de circulação, mas também os bens utilizados para sustentar sua logística e demonstrar poder econômico.
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FONTE: RDNEWS
