O senador e candidato ao governo do Estado, Wellington Fagundes (PL), buscou neutralizar os ataques da ala bolsonarista, que frequentemente tem atribuído a ele a pecha de “melancia”. O termo é usado para insinuar que um agente é “verde por fora” (conservador), mas “vermelho por dentro” (alinhado à esquerda) por conta de seu histórico com figuras como a ex-presidente Dilma Rousseff.
Ao rebater a acusação, Fagundes aposta na defesa do municipalismo e na retórica do trabalho contínuo acima das disputas partidárias. O senador faz questão de confrontar o histórico de seus opositores, como o atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), destacando que atua sem discriminação política.
“Quem me elegeu como adversário trabalhou por dois municípios. Eu trabalhei pelos 142 municípios, agora criou mais um. Vou colocar recurso e vou trabalhar como governador pelos 142 municípios. Assim fiz e vou fazer. Eu sou um municipalista convicto e eu não vou discriminar qual prefeito de qual partido ele é’, afirmou em coletiva na terça-feira (25).
Para afastar as suspeitas sobre sua firmeza ideológica, o parlamentar resgatou sua trajetória de votações estratégicas no Congresso Nacional e sustentou que a entrega de resultados deve se sobrepor aos embates de siglas.
“Tenho todos os meus mandatos, convivi com todos os presidentes. Começou com o Collor de Mello, aí participei do impeachment da Dilma e votei favorável, porque naquele momento eles não tinham mais condições políticas de governar. Então trabalhei por todos para trazer para Mato Grosso benefício. Eu não olho por partidário depois de eleito”, esclareceu.
O senador também aproveita a fala para reafirmar sua coerência partidária e celebrar a consolidação da sigla ao lado da maior liderança da direita no país. Fazendo questão de pontuar que construiu sua carreira desde o início no mesmo partido e exaltando sua contribuição para a ida do ex-presidente Jair Bolsonaro ao PL.
“Todos os meus mandatos foram pelo PL, todos os mandatos. Ajudei a construir esse partido. […] Que bom a força do PL quando vem o Bolsonaro, porque o Bolsonaro fez com que o PL se transformasse no maior partido do Brasil. Temos hoje mais de 100 deputados e agora queremos eleger a maioria do Senado para que realmente a gente possa promover liberdade”, pontuou.
Com essa estratégia, Fagundes busca se apresentar ao eleitorado mato-grossense como um gestor testado e intimista, tentando transformar o histórico vermelho que seus opositores usam para atacá-lo em uma prova de capacidade de articulação política e lealdade partidária aos verdes.
FONTE: Folha Max
