O deputado Júlio Campos (União Brasil) cobrou a campanha na rua do candidato ao Governo Wellington Fagundes (PL), para enfrentar o governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) e os próprios prefeitos do PL que deixaram de apoiá-lo.
“O candidato Wellington tem que reagir. A campanha tem que ser colocada na rua. Independente se tem dinheiro ou não, se tem recurso ou não”, disse Júlio ao MidiaNews.
“Tem que convocar a militância, os seus apoiadores para ir para a rua, pedir o voto, lutar, para ele [Wellington] poder disputar uma eleição de igual para igual”, acrescentou.
A campanha tem que ser colocada na rua. Independente se tem dinheiro ou não, se tem recurso ou não
O deputado e seu irmão, o senador Jayme Campos, passaram a apoiar a candidatura de Wellington, após a convenção do União optar em julho em apoiar o governador.
Para o deputado, a diferença de estrutura entre os dois candidatos é um dos principais obstáculos para Wellington. Além de que com maior coligação e apoiadores, inclusive com o ex-governador Mauro Mendes (União), como principal cabo eleitoral, Pivetta tem maior poder de mobilização.
Bolsonarismo
O deputado sugeriu ainda que um contraponto à desvantagem dos prefeitos do PL que resolveram apoiar o adversário, é o voto bolsonarista e o perfil de direita do Estado de Mato Grosso.
Segundo o parlamentar, apesar das “sabotagens dos seus correligionários”, a identificação do eleitor mato-grossense com o ex-presidente Jair Bolsonaro continua firme.
“Até porque a força do 22 do Bolsonaro em Mato Grosso, ainda é muito forte”, afirmou. “O seu nome ainda continua bem na opinião pública”, completou.
Júlio diz que o governador dispõe da estrutura administrativa e logística do governo. A comparação foi usada pelo deputado para defender que a campanha do senador intensifique a mobilização política.
“É uma desigualdade, um jogo desigual muito grande”, disse.
O apoio dos gestores do PL dos três maiores municípios e eleitorado de Mato Grosso é um dos pontos de maior vantagem política de Pivetta contra Wellington.
O governador tem se aproximado do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini; de Várzea Grande, Flávia Moretti, e de Rondonópolis, Cláudio Ferreira. Os três comandam as maiores cidades de Mato Grosso e foram eleitos pelo partido de Wellington.
Votos em MT
Os resultados das últimas eleições presidenciais no Estado reforçam a importância do apoio dos prefeitos do PL para o governador Pivetta.
No segundo turno de 2018, Bolsonaro recebeu 1.085.824 votos em Mato Grosso, ou 66,42% dos votos válidos. Ele venceu em 122 dos 141 municípios.
Em 2022, mesmo derrotado nacionalmente por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro voltou a vencer com folga no Estado. Foram 1.216.730 votos, equivalentes a 65,08% dos válidos, contra 652.786 de Lula, que teve 34,92%.
O dado reforça a posição de Mato Grosso como um dos principais redutos eleitorais do bolsonarismo.
A situação cria uma equação diferente da observada nas eleições presidenciais. O eleitor que votou em Bolsonaro em 2018 e 2022 não necessariamente terá o mesmo comportamento em uma eleição estadual na qual dois candidatos disputam o mesmo campo ideológico.
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FONTE: MIDIA NEWS
