No próximo domingo 158 milhões de eleitores no Brasil poderão ir às urnas votar para presidente da República, governadores, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais. Na eleição de 2022, 32,9 milhões de eleitores deixaram de votar. Representou 20,9 por cento do total. Em 2022 o número total de eleitores no país foi de 156 milhões. Pouca diferença para esta eleição. Logo, se houver o mesmo percentual de faltosos, o percentual de faltosos pode variar muito pouco.
Na eleição de 2018, vencida por Jair Bolsonaro, os institutos de pesquisa detectaram uma forte corrente para derrotar o lulo-petismo. De fato, aconteceu, porque em maio daquele ano, Bolsonaro tinha 3 por cento de preferência do eleitorado. Não teve horário eleitoral gratuito porque o seu partido o PSL era insignificante. Mesmo assim venceu.
Os institutos de pesquisa detectaram agora no fim da campanha um sentimento de mudança na população. Corre-se o mesmo risco de 2018. Na realidade, os institutos captaram também um sentimento de indiferença da população em relação à eleição. Algo como desesperança generalizada. Que, aliás, aparece no ânimo da campanha nas ruas tanto para presidente da República como para governadores, senadores e deputados.
Li um arrigo de análise na semana passada que dizia: “os eleitores não acreditam mais na política como acreditavam em outras eleições. A capacidade de produzir escândalos tanto no governo como no STF fez nascer um sentimento de que nada vale a pena quando se trata de política”. É um péssimo sentimento para se levar para eleições gerais. O país está afundando muito depressa pra suportar esse sentimento de desesperança.
Esta eleição de 2026 talvez seja a mais emblemática desde 2002.
Há um caos à frente na economia, na política, na estrutura do Estado e o governo já não diz muita coisa aos cidadãos. Existem camadas de eleitores mais jovens que não vêem a política e o governo com bons olhos. Pura descrença. Pouco ânimo pra irem votar.
É fruto de uma longa construção política, partidária e governamental que exauriu o modelo de Estado no país. Antes, corrupção era um fato ocasional. Hoje é regra e não tem chance de mudar. Os poderes da República estão completamente disfuncionais e isolados cada um dentro da sua bolha de poder. O poder é o que importa.
Nos estados esse clima de desânimo e de desestruturação se repete. Já ninguém se comove com a campanha eleitoral e com o moimento político. Esta semana será de guerra final entre quem disputa. Os eleitores estão lembrando um velho ditado árabe: “enquanto os cães ladram a caravana passa!”.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.
FONTE: MIDIA NEWS







