“Parem de nos matar”: Cármen Lúcia critica machismo durante visita à UFMT | Rdnews

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, criticou o machismo, a misoginia e a violência contra as mulheres no Brasil durante palestra realizada nesta terça-feira (13), na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Ao abordar a desigualdade de gênero, a magistrada afirmou que, apesar das garantias estabelecidas pela Constituição Federal, as mulheres continuam enfrentando preconceitos e violações de direitos.

“Uma sociedade que mata uma mulher a cada menos de seis horas por ser mulher é uma sociedade de desiguais”, declarou a ministra durante a conferência magna da Semana do Conhecimento, realizada no teatro da universidade.

Divulgação

Cármen Lúcia destacou que a igualdade entre homens e mulheres, prevista na Constituição de 1988, ainda não se concretizou, mesmo após 38 anos de sua promulgação. Para ela, o preconceito está presente nas diferentes esferas da sociedade brasileira.

“Apesar de termos uma Constituição que garante direitos iguais, nós não vivemos num mundo em que a igualação já se fez. […] Nós somos uma sociedade muito preconceituosa no Brasil, uma sociedade machista, uma sociedade em que a misoginia permeia todas as relações”, afirmou.

A ministra também chamou a atenção para as diferentes formas de violência enfrentadas pelas mulheres, que vão desde comportamentos discriminatórios até agressões físicas e assassinatos. Segundo ela, o problema compromete não apenas os direitos femininos, mas toda a sociedade.

“O preconceito passa pelo olhar, pela brincadeira de mau gosto e pela matança que nós temos. Eu, no início do ano, dizia para um grupo de mulheres melhor a gente avisar para os homens: ‘Parem de nos matar, porque aí nós resolvemos parar de morrer”, porque não param de matar a cada dia e com uma violência cada vez maior”, declarou.

Em outro momento, a magistrada ressaltou a contradição entre a participação feminina na sociedade e a efetivação dos direitos das mulheres. Conforme destacou, embora elas representem a maioria da população e do eleitorado brasileiro, ainda enfrentam obstáculos para ocupar espaços de poder e obter reconhecimento.

“Ao lado da violência física, da violência psicológica, da violência social, nós temos uma sociedade na qual nós mulheres continuamos a ser maioria da população, maioria do eleitorado, mas somos minoria em direitos efetivados e isso é ruim para todo mundo”, pontuou.

Desigualdade na ciência

Durante a palestra, intitulada “Ciência e Democracia: caminhos para a equidade”, Cármen Lúcia também abordou a desigualdade de gênero no ambiente acadêmico e científico. Para exemplificar o problema, citou mulheres que contribuíram para descobertas importantes, mas não receberam o mesmo reconhecimento concedido aos homens.

Entre os exemplos apresentados estão a cientista Marie Curie, vencedora de dois prêmios Nobel, e Rosalind Franklin, cujas pesquisas foram fundamentais para a compreensão da estrutura molecular do DNA.

A ministra mencionou ainda a cientista Jocelyn Bell, responsável pela descoberta dos pulsares, cujo trabalho não recebeu o reconhecimento do Nobel concedido a seu supervisor.

“Nós temos uma dezena de casos como este na ciência em que as mulheres tinham trabalhado, conseguido a duras penas, chegar aos mesmos espaços e não são reconhecidas”, afirmou.

Cármen Lúcia também lembrou a baixa representatividade feminina no comando das universidades brasileiras e citou um período em que apenas cinco mulheres ocupavam reitorias entre 71 instituições.

Para a ministra, ampliar o acesso ao conhecimento e combater as desigualdades são medidas fundamentais para o fortalecimento da democracia e a construção de uma sociedade mais justa.

Divulgação/Assessoria

Visita à UFMT

Cármen Lúcia participou da abertura da Semana do Conhecimento da UFMT, que reúne atividades de pesquisa, extensão e divulgação científica entre os dias 13 e 19 de outubro.

Durante a programação, a ministra também recebeu a comenda Ordem Universitária do Brasão da UFMT, concedida pela primeira vez desde sua criação, em 1995. A homenagem foi entregue pela reitora da instituição, Marluce Aparecida Souza e Silva.

Antes da palestra, a magistrada também defendeu o acesso ao conhecimento como um direito fundamental e instrumento de transformação social. A participação da ministra integra a programação da 17ª Mostra de Extensão da Graduação e da Pós-Graduação e do 34º Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica da universidade.

Entre na comunidade do Rdnews no WhatsApp e acompanhe as notícias em tempo real; Acesse

FONTE: RDNEWS

comando

Sair da versão mobile