Alcolumbre e Lula deixam ‘futricas’ para trs por reeleies | FOLHAMAX

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal, vivem um novo momento da relação após meses de abalos no contato entre os dois. O pano de fundo para a reaproximação passa pela dependência mútua por suas respectivas reeleições.

Enquanto Lula trabalha para tentar virar o jogo na disputa presidencial e vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, Alcolumbre já faz cálculos sobre as chances de conseguir se reeleger como presidente do Senado em fevereiro de 2027.

Atualmente, é por meio da reeleição petista que o chefe do Legislativo tem maior chances de conseguir se manter no cargo.

Como gesto ao presidente, Alcolumbre pautou e votou os dois turnos da proposta que coloca fim a escala de 6 dias de trabalho por apenas um de folga. Na mesma semana, o senador do Amapá aprovou os dois turnos e promulgou o texto, que era a principal bandeira de Lula na campanha deste ano.

Ao dar o trunfo de aprovar sua mais importante pauta dos últimos meses, o presidente do Senado selou sua aproximação com o petista e estancou a sangria causada pela rejeição da Casa a indicação do governo para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em abril, o mesmo Alcolumbre que deu a maior vitória para o governo nesta gestão com a aprovação do fim da 6×1, foi o responsável pela maior derrota do petista neste mandato.

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado para ser ministro do STF. Uma indicação presidencial não era rejeitada pelos senadores desde 1894.

Naquela época a relação do presidente do Senado com a oposição era melhor, e aliança rendeu a imposição da derrota com o governo. Com o passar dos meses, no entanto, a relação foi se deteriorando com nomes do PL fazendo críticas quase diárias a Alcolumbre, que se irritou com o movimento.

A tensão cresceu depois que novos escândalos foram revelados sobre o caso de fraude do banco Master. A oposição passou a cobrar e pressionar o chefe do Legislativo a abrir um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, ministro do STF. Alcolumbre, no entanto, não cedeu aos pedidos.

A reaproximação com Lula não se deu pelo desgaste com a oposição. Irritado com o presidente do Senado, o petista relutou em baixar a guarda e aceitar um encontro entre os dois. Um dos articuladores pela reaproximação de ambos foi o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), que atualmente trabalha na coordenação de campanha do petista.

No meio do caminho, ainda houve uma demora maior na reaproximação porque a base de Lula também passou a criticar Alcolumbre por “demorar” a pautar o fim da escala 6×1. O tema chegou ao Senado em maio e até agosto não havia andado.

Uma das vozes críticas foi a da deputada federal Erika Hilton (PSol-SP), que reverberava cobranças ao presidente do Congresso em atos públicos com movimentos sociais e sindicais, criando um ciclo de embates que impediam uma reaproximação.

No entanto, petistas experientes reforçaram a ofensiva pela aproximação até que em agosto os dois tiveram dois encontros. O primeiro, em 4 de agosto, se deu na casa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Depois, em 12 de agosto, Lula recebeu Alcolumbre no Palácio do Alvorada. Na ocasião, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-CE), participou do encontro.

Além da atuação de agentes políticos, o Planalto também emitiu sinais para a reaproximação. Logo depois dos primeiros encontros, a Petrobras descobriu indícios de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, estado do senador. Após a descoberta, Lula fez uma agenda no local com a presença de Alcolumbre, na primeira aparição dos dois juntos em meses.

Crise entre os dois foi citada por Lula em promulgação

Ciente do desgaste que passou com o presidente do Legislativo, Lula minimizou a disputa de forças durante o discurso de promulgação do fim da escala 6×1. O petista chamou desentendimentos de “futrica” e “bobagem”, apesar de dizer que, em certo momento, parecia que ele e Alcolumbre eram “dois inimigos”.

“Outro dia parecia que eu e vocês éramos dois inimigos. De vez em quando tem uma futrica colocando a inimizade entre o presidente da República, deputado, senador. Isso é uma bobagem”, disse.

O afastamento do PL que fez Alcolumbre recalcular rota

O avanço da 6×1 se deu a contragosto da oposição, com o grupo acusando o presidente do Senado de “atropelos” na discussão dessa PEC.

Com o resultado das urnas e uma bancada de 28 senadores em 2027, o PL ganhou força e entrou em briga frontal com o presidente do Senado pelo comando da Casa a partir do ano que vem.

O principal porta-voz do rompimento é o líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN). Ele é um dos cotados para concorrer contra Alcolumbre, além da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O presidente do Senado sabe que, se Flávio vencer, e ele não tiver apoio do Planalto para sua reeleição, suas chances são menores.

Marinho e Alcolumbre bateram-boca publicamente no plenário após o presidente adiar a votação de outra proposta prioritária para Lula, a PEC da Segurança, em que bolsonaristas pretendiam causar um constrangimento no governo após a vitória de Lula com a 6×1.

O senador e coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana (PT-CE), apresentou uma emenda para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos somente para crimes hediondos, a fim de se contrapor à sugestão da oposição, que defende a redução para até 14 anos nesses casos.

A posição, porém, não é consenso no governo, levando Alcolumbre a adiar a votação, o que o afastou ainda mais da oposição.

FONTE: Folha Max

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