Operação Cathedra Venalis, realizada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), que atingiu 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá nesta semana, colocou sob suspeita as movimentações financeiras do vereador Miguel Junior (Cidadania). O político é apontado como dono da chácara, localizada no Distrito da Guia na Capital, e que serviu para colocar em ‘quarentena’ os parlamentares aliados ao atual presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB).
A investigação apura suposto esquema de compra de votos e pagamento de ‘mensalinho’. O parlamentar movimentou mais de R$ 3,1 milhões em sua conta pessoal em apenas seis meses. De acordo com o relatório do Ministério Público, parte expressiva das transações do vereador chamou a atenção dos investigadores por sua incompatibilidade financeira.
Além disso, o documento destrinchou as operações da Centro de Especialidades Médicas de Várzea Grande (Cemed-VG), empresa de saúde ligada ao seu pai, o ex-vereador e médico Miguel Angel Claros Paz. O pai do parlamentar detém 72% da sociedade da clínica, enquanto o restante pertence a outro sócio. Contudo, embora não figure formalmente no contrato social, Miguel Junior atua legalmente como representante do negócio, com plenos poderes de movimentação.
Segundo o Gaeco, a Cemed-VG registrou movimentações financeiras globais que totalizaram R$ 2.623.917,56 , um montante ‘aproximadamente 10,8 vezes superior ao faturamento anual informado pela empresa, de R$ 242.649,55’. Os investigadores identificaram que os créditos da clínica vieram de repasses públicos e de institutos de saúde, incluindo pagamentos do Fundo Municipal de Saúde de Várzea Grande, de Acorizal e de entidades parceiras.
O relatório aponta ainda cruzamentos financeiros suspeitos entre a empresa médica e o núcleo familiar. Foram mapeados repasses de dezenas de milhares de reais da Cemed-VG diretamente para as contas do vereador e de seu pai, somando mais de R$ 260 mil em transferências cruzadas. Para o Ministério Público, o fluxo atípico de capital reforça a necessidade de aprofundar a apuração sobre o financiamento do grupo político investigado por extorsão, corrupção passiva e tentativa de controle institucional no município.
FONTE: Folha Max
