O investigador da Polícia Civil aposentado, Ricardo de Souza Pessoa, de 62 anos, foi indiciado pelo feminicídio da ex-esposa Noeli Simsen, de 50 anos. O crime aconteceu no dia 28 de setembro, no hotel de propriedade da vítima no bairro Cidade Nova, em Cáceres (a 220 km de Cuiabá). O inquérito policial detalha um histórico prolongado de violência doméstica, que teria levado a mulher a cogitar trocar de nome e romper laços para escapar do ex-marido.
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No detalhe, a vitima Noeli Simsen e o suspeito Ricardo de Souza Pessoa
Em depoimento à Polícia Civil, uma testemunha próxima do casal afirmou que os traços possessivos e o ciúme excessivo do policial já eram evidentes por volta de 2010, época em que ela e o investigado atuavam na Delegacia da Mulher de Cáceres. Ela relatou que a vítima vivia sob vigilância rigorosa e precisava atender a chamadas de vídeo para provar sua localização e com quem estava.
Conforme a testemunha, Noeli evitava pedir o divórcio por temer as constantes ameaças de morte do policial, e costumava justificar os frequentes hematomas que apresentava como meros acidentes domésticos.
O relato também aponta que a vítima chegou a fugir de casa ao menos três vezes, mas retornava sempre que era encontrada pelo investigador, que jurava mudar de conduta. Os retornos, no entanto, também eram forçados por intimidações e ameaças diretas contra ela e seus parentes.
De acordo com ela, o nível de coação era tamanho que Noeli planejava romper totalmente com o passado, trocar de nome e reformular suas redes sociais na tentativa desesperada de não ser encontrada pelo agressor. Em um último contato, em 15 de junho de 2026, Noeli desabafou com a testemunha e garantiu que não reataria o casamento, afirmando ter convicção de que seria assassinada pelo policial caso decidisse voltar.
Cronologia
Na véspera do crime, em 27 de setembro, a vítima informou a uma amiga que retornaria a Cáceres no dia seguinte para resolver pendências administrativas no hotel de sua propriedade. Na ocasião, a testemunha demonstrou preocupação com a segurança de Noeli, questionando se não seria arriscado voltar à cidade diante do comportamento de Ricardo.
Em resposta, a vítima ponderou que quatro meses já haviam se passado desde o término e acreditava que o ex-marido finalmente aceitara o fim da relação. Naquela mesma noite, às 23h08, a vítima enviou um link de um aplicativo para que a amiga pudesse acompanhar seus passos em tempo real. No dia seguinte, a testemunha entrou no grupo de monitoramento “família”, criado com pessoas de confiança da vítima.
Na manhã do dia 28, Ricardo ligou duas vezes para o hotel, às 8h20 e às 9h10. Segundo o relato de uma funcionária, o investigador sabia que a vítima estaria no estabelecimento e mandou a recepção avisá-la para não desligar as câmeras de monitoramento, afirmando que apareceria no local caso isso acontecesse.
Noeli chegou ao hotel às 10h17 e cuidou de afazeres administrativos até às 13h30, momento em que foi para um dos quartos repousar. A funcionária relatou que a vítima tentava demonstrar calma, mas deixava transparecer nervosismo diante das ligações feitas por Ricardo.
Entre às 13h30 e às 13h40, o investigador apareceu no hotel e foi até o quarto de Noeli. Ao chegar ao local, ele bateu na janela e na porta, para que ela permitisse sua entrada. Assim que a porta foi aberta, Ricardo invadiu o quarto e disparou contra a vítima.
Após o crime, Ricardo deixou o hotel. As forças de segurança foram acionadas e deram início às buscas para localizá-lo quando, entre às 13h50 e às 13h55, o investigado compareceu à Delegacia Regional de Cáceres, confessou a autoria do assassinato e entregou a arma de fogo.
O inquérito foi remetido ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que avaliará o oferecimento de denúncia à Justiça e a adoção de outras medidas legais cabíveis.
Annie Souza/Rdnews
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FONTE: RDNEWS
