PF usou agentes disfarados no TCE e flagrou saques milionrios | FOLHAMAX

 

As imagens das câmeras de segurança de uma agência do Sicoob instalada dentro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) foram fundamentais para a Polícia Federal reunir provas das suspeitas de irregularidades investigadas na Operação Tomada de Contas. Cruzadas com extratos bancários, as gravações permitiram identificar participantes e reconstruir a dinâmica das retiradas de dinheiro e, em um dos episódios, até mesmo o conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, presidente da Corte de Contas, aparece acompanhando pessoalmente um saque de R$ 500 mil.

A transação em que Sérgio Ricardo foi flagrado ocorreu no dia 30 de setembro de 2025, na agência do Sicoob, com a participação da sua então chefe de gabinete, Roseli Loss, juntamente com o servidor Adriangelo Barros Antunes, que é ex-cunhado do conselheiro. De acordo com o relatório da Polícia Federal, o pedido de saque dos R$ 500 mil junto à instituição financeira tinha como motivo declarado a “utilização pessoal”.

Para analisar as movimentações, os investigadores examinaram 60 arquivos de vídeo, referentes ao período entre 1º de setembro a 19 de novembro de 2025. O trabalho da Polícia Federal combinou a observação das imagens por agentes com uma perícia que utilizou reconhecimento facial automatizado, a partir de fotografias de referência de 16 pessoas, análises que, mesmo com métodos diferentes, chegaram a resultados semelhantes.

As gravações permitiram identificar que os investigados adotavam um procedimento ‘padrão’ que consistia em Roseli realizar a operação no caixa, utilizando cartão magnético e digitando uma senha, enquanto Adriangelo aparecia na sequência para recolher o dinheiro. Os investigadores atribuem a ele a função de transportar os valores em espécie.

A conferência dos vídeos com os dados bancários identificou correlações entre as datas de dez episódios registrados pelas câmeras e saques nas contas de Sérgio Ricardo. Juntas, essas retiradas somaram R$ 3.520.600. O cruzamento destas informações permitiu associar as cenas às movimentações financeiras, inclusive a retirada acompanhada pelo conselheiro.

As câmeras também registraram Sérgio Ricardo em um atendimento na agência do Sicoob com Roseli no dia 2 de outubro de 2025. Segundo o relatório policial, o conselheiro digita uma senha, assina um comprovante e, aparentemente, passa por reconhecimento facial em um celular que estava com a servidora, o que, supostamente, seria a habilitação dela como procuradora das contas, registrada pelo banco poucos dias depois.

“Em termos gerais, a Informação de Polícia Judiciária descreve dez eventos de saques de valores em espécie, cuja dinâmica compreende a realização de uma operação bancária, no caixa, por Roseli Loss, o que é caracterizado pela utilização de um cartão magnético e digitação de senha, seguida, com frequência, do recolhimento do numerário por Adriangelo Barros Antunes, consubstanciando a função conhecida como cash courier. Destaca-se, uma vez mais, que Roseli Loss não possui relacionamento bancário com o Sicoob Integração, logo, o cartão empregado nas operações necessariamente corresponde a uma conta titularizada por terceiro, muito provavelmente pelo Conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida”, diz trecho do relatório.

Operação Tomada de Contas

A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Além das prisões, os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar foram afastados de suas funções. O conselheiro aposentado Valter Albano também foi atingido por medidas cautelares.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam indícios de que contratos administrativos do TCE-MT teriam sido suspensos como forma de pressionar fornecedores, enquanto determinados pagamentos recebiam tratamento diferenciado. A apuração também identificou suspeitas de movimentações financeiras atípicas, pagamentos realizados fora dos procedimentos regulares e sucessivos saques de grandes quantias em dinheiro.

Os investigadores apuram ainda a existência de uma suposta folha paralela de pagamentos, que teria sido utilizada para movimentar recursos destinados a conselheiros e servidores do órgão. Os fatos investigados podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

FONTE: Folha Max

comando

Sair da versão mobile