domingo, novembro 1, 2026

Segurana do TCE barrou agente da PF; flagra diminuiu saques em banco | FOLHAMAX

Segurana do TCE barrou agente da PF; flagra diminuiu saques

 

Um policial federal que fazia o monitoramento de alvos dentro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) foi abordado por um segurança do órgão que o impediu de circular no prédio da Corte. A situação comprometeu o sigilo das apurações e provocou o encerramento de uma diligência.

O episódio, inclusive, provocou uma mudança na rotina dos grandes saques que eram realizados nas contas. As investigações da Polícia Federal aparvam um esquema de desvio de dinheiro do TCE que resultou na deflagração da Operação Tomada de Contas, na quinta-feira (29) e resultou na prisão do presidente da Corte, Sérgio Ricardo, juntamente com outros seis alvos.

De acordo com o relatório policial, uma equipe havia ido no dia 14 de outubro de 2025 à agência do Sicoob instalada no Tribunal. O intuito era verificar informações relativas a uma denúncia anônima sobre retiradas de dinheiro com a participação da chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, Roseli Loss, e do servidor Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do conselheiro.

Sem revelar o motivo de sua presença no local, os agentes se sentaram na sala de espera para observar a movimentação. De acordo com o relatório, um homem com características físicas semelhantes às de Adriangelo entrou na agência carregando uma bolsa preta, aparentemente vazia.

Pouco depois, Roseli também chegou ao local, cumprimentou o homem e se dirigindo aos caixas. Após a saída dela, o servidor também foi até o setor de atendimento e deixou a agência com a bolsa aparentemente cheia.

Um dos policiais tentou acompanhar o servidor, que utilizou um cartão funcional para passar pelas catracas e seguiu por um corredor de acesso aos demais prédios do complexo. Neste momento, no entanto, o policial, que estava ‘disfarçado’, foi barrado pela segurança interna.

Segundo a Polícia Federal, a abordagem “comprometeu o sigilo da equipe e motivou o encerramento imediato da diligência de campo”. O documento também destacou que a segurança do TCE havia identificado os policiais por conta de registros da participação dos agentes em um workshop realizado no prédio em 2016.

Para a Polícia Federal, essa identificação limitou a realização do trabalho de observação sem que a investigação fosse percebida. Posteriormente, ao cruzar a data da diligência com relatórios de inteligência financeira, os investigadores identificaram uma mudança no padrão das movimentações.

Até então, havia uma rotina de retiradas de grandes quantias de dinheiro em espécie. No próprio dia 14 de outubro, os registros apontaram um saque de R$ 490 mil em uma das contas de Sérgio Ricardo.

Segundo a Polícia Federal, a sequência de grandes saques foi interrompida após o episódio em que o agente foi barrado. Os relatórios analisados voltaram a registrar uma comunicação de saque de grande porte somente em 11 de maio de 2026, de R$ 100 mil, inferior aos montantes movimentados anteriormente.

O documento também mencionou dois provisionamentos de R$ 400 mil cada, feitos em janeiro de 2026, que não resultaram em comunicação de retirada. A mudança, de acordo com a Polícia Federal, não significou o fim de toda movimentação em dinheiro, já que o próprio relatório registrou pequenos saques após o episódio.

O que chamou a atenção dos investigadores foi a redução das grandes retiradas presenciais, acompanhada por transferências para diferentes destinatários e o acúmulo de recursos nas contas bancárias. Em uma comunicação referente ao período entre fevereiro a maio de 2026, duas contas de Sérgio Ricardo apresentavam saldos de aproximadamente R$ 1,93 milhão e R$ 1,3 milhão.

Na avaliação da Polícia Federal, os valores provenientes do TCE continuaram sendo recebidos em patamar elevado, enquanto a forma de movimentar os recursos teria sido alterada. “Entende-se, desse modo, que essa súbita paralisia no fluxo do dinheiro não decorre de mera coincidência, mas sim do provável estado de alerta em que entrou o conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida ao tomar ciência de que a estrutura logística montada dentro do próprio TCE, operada por sua chefe de gabinete, Roseli Loss, e pelo intermediário Adriangelo Barros Antunes, havia se tornado alvo de vigilância por parte da Polícia Federal”, aponta o relatório.

A OPERAÇÃO

A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Além das prisões, os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar foram afastados de suas funções. O conselheiro aposentado Valter Albano também foi atingido por medidas cautelares.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam indícios de que contratos administrativos do TCE-MT teriam sido suspensos como forma de pressionar fornecedores, enquanto determinados pagamentos recebiam tratamento diferenciado. A apuração também identificou suspeitas de movimentações financeiras atípicas, pagamentos realizados fora dos procedimentos regulares e sucessivos saques de grandes quantias em dinheiro.

Os investigadores apuram ainda a existência de uma suposta folha paralela de pagamentos, que teria sido utilizada para movimentar recursos destinados a conselheiros e servidores do órgão. Os fatos investigados podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

FONTE: Folha Max

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