quinta-feira, novembro 5, 2026

Em manifestação, estudantes pedem expulsão de envolvidos na “lista de estupráveis” | Rdnews

Em manifestação, estudantes pedem expulsão de envolvidos na "lista de

Em passeata realizada nesta sexta-feira (29), no campus Cuiabá da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), contra a misoginia, estudantes pediram pela expulsão dos dois estudantes dos cursos de Direito e Engenharia Civil, supostamente envolvidos na criação da lista de “estupráveis”.

Maryelle Campos/RD News

Para o estudante do curso de Matemática e coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Whilber Rafael, o ato surgiu a partir da necessidade de colocar um “ponto final” no machismo dentro da instituição, que, segundo ele, possui um longo histórico de assédio sexual sofrido por alunas, além do feminicídio de Solange Aparecida Sobrinho, que ocorreu em julho de 2025. 

“Nós estamos declarando um ponto final ao machismo na nossa universidade e queremos a punição desses criminosos. Nós estamos fazendo o movimento pela expulsão desses estudantes porque nós entendemos que eles não merecem estar na nossa universidade”, declarou Whilber durante o ato. 

A manifestação contou com a presença da reitora Marluce Aparecida Souza e Silva. Para ela, o ato representa uma resposta ao caso, mas também à sociedade no enfretamento à violência contra mulheres.

“Estamos aqui na mobilização na Universidade Federal de Mato Grosso contra a misoginia e contra todas as outras formas de violência. Estamos registrando episódios difíceis e que nós estamos fazendo um enfrentamento junto com os estudantes. Nós não permitiremos que a nossa universidade se torne palco de violência, misoginia, machismo, etarismo e todos aqueles sentimentos que tragam prejuízo e discriminação para as mulheres”, afirmou. 

Docentes de diferentes cursos também estiveram presentes e manifestaram apoio ao movimento dos estudantes, que pediu por mais segurança no campus. Para a professora Patrícia Nogueira, do curso de Nutrição, os dois alunos envolvidos na lista de estupráveis, devem ser punidos, como forma de exemplo para que não haja novos casos. 

Maryelle Campos/RD News

manifestação contra misoginia na UFMT

Conforme o vice-reitor, Silvano Macedo Galvão, os dois estudantes foram suspensos e o caso será analisado pela Comissão de Processo Disciplinar Estudantil, que deve deliberar em até 60 dias. Ambos poderão ser expulsos da universidade se o caso for classificado como “gravíssimo”. 

Segundo o professor do curso de Administração e dirigente da Fundação Uniselva, José Japonês, a UFMT tomou as providências que estavam ao seu alcance e agora é necessário aguardar a apuração do caso. “Afastamos os estudantes da aula. Agora é fazer a devida apuração para que quem for culpado possa ter a sua punição“, disse. 

Para a estudante do curso de Jornalismo, Nathaly Timote, uma das responsáveis por convocar a manifestação, a UFMT precisa atender a demanda que vem sendo solicitada pela comunidade estudantil. Segundo ela, o campus não é um lugar seguro para os próprios estudantes. 

Segundo ela, uma das estratégias que vem sendo adotadas pelos próprios alunos é andar em grupo para evitar situações de violência, já que mesmo com câmeras de segurança, como do Programa Vigia Mais MT, situações de assédio e perseguição ainda são comuns, sobretudo no período noturno. 

Relembre o caso

Conforme publicado pelo , o caso veio à tona após o Centro Acadêmico de Direito (Cadi) denunciar a circulação de mensagens em aplicativos nas quais estudantes planejavam a criação de uma lista classificando alunas ingressantes como “estupráveis”. Também foram identificadas declarações explícitas sobre a intenção de “molestar” colegas. 

O caso gerou revolta na comunidade acadêmica e externa e os dois estudantes foram suspensos preventivamente. Com a repercussão, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um procedimento administrativo para apurar possíveis crimes na criação da lista. 

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FONTE: RDNEWS

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