domingo, agosto 2, 2026

Medeiros: “Governo Lula tem uma simbiose com o crime organizado”

Medeiros: "Governo Lula tem uma simbiose com o crime organizado"

O pré-candidato ao Senado do PL e uma das principais vozes de oposição ao presidente Lula (PT), o deputado federal José Medeiros disse que a gestão petista tem uma “simbiose” com o crime organizado.

 

O governo Lula tem uma simbiose com o crime organizado. Até falamos que o PT é o partido dos traficantes

Para ele, a sigla protege os criminosos e é chamado como o “partido dos traficantes”.

  

“O governo Lula tem uma simbiose com o crime organizado. Até falamos que o PT é o partido dos traficantes. Por quê? Porque é no PT que eles encontram guarda-chuva contra endurecimento de penas”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.

 

Segundo o parlamentar, os petistas pouco fizeram contra o avanço do “poder paralelo” e por isso, hoje, a Justiça Eleitoral tem temido a interferência de traficantes no processo eleitoral. 

 

Na entrevista, Medeiros, ainda fala sobre alianças eleitorais para o seu projeto de Senado, descarta qualquer tipo de comoposição com o MDB da deputada Janaina Riva e diz que o PL não terá aliança para o segundo voto de senador.

 

Ele também defendeu a necessidade de o PL e aliados terem maioria no Senado a partir de 2027 para avançar em propostas de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

 

MidiaNews – O que o governo Lula fez para melhorar a segurança pública e combater o crime organizado?

 

José Medeiros – Na verdade, o governo Lula tem uma simbiose com o crime organizado. Até falamos que o PT é o partido dos traficantes. Por quê? Porque é no PT que eles encontram guarda-chuva, que encontram guarda-chuvas contra o endurecimento de penas.

 

Por exemplo, foi preso um chefe do PCC no Rio de Janeiro e estava lá um daqueles advogados que defendeu a Dilma na comissão de impeachment, um advogado do PT. Eles pagaram uma ONG e a ONG contratou esse advogado, mais de um milhão de reais, para entrar no STF contra um projeto que nós estamos votando lá, que regulamentava essa questão de visita íntima. 

 

E eles entraram com ação e o advogado era de quem? Do PT. A ONG era ligada a quem? Ao PT. Eles chegam lá com o discursinho de direitos humanos e vão utilizando dessas artimanhas e encontra a guarida no Partido dos Trabalhadores. Essa que é a grande verdade.

 

E se não bastasse isso, vimos um caso em que o atual ministro Flávio Dino, então ministro da Justiça, entrou na favela da Maré quase só com dois ou três seguranças. Cara, eu participei muitas vezes de operações e também conversando com vários colegas que tiveram ali naqueles morros do Rio. Ali você não entra se não for fortemente armado, não entra se não for com o carro totalmente blindado. Há poucos dias deram um tiro, abateram um helicóptero lá e o piloto acabou morrendo depois de uns dias com um tiro de fuzil na cabeça.

  

Então, há no mínimo uma boa relação e se você me pergunta, respondendo objetivamente, o que o Lula fez de combate ao crime, digo que não fez nada, não fez nada.

 

Bolsonaro, assim que entrou, no dia 1º de janeiro, os chefes de facções já estavam todos ilhados, foram para Lins, local incerto, não sabido. A família demorou uns dois ou três meses para descobrir onde o caboclo estava e cortou as ligações deles.

   

MidiaNews – Que tipo de critério é necessário para enfrentar o crime organizado em Mato Grosso? Qual é a sua proposta como parlamentar do Congresso?

 

José Medeiros – Não tem que ter visita íntima, tem que ser no padrão do RDD, aquele padrão que o Arcanjo passou 15 anos. Tem que ser esse padrão aqui, que é o Regime Disciplinar Diferenciado, não tem que ter bandidinho ficando famoso não. Dizem que esse Sandro Louco virou uma personalidade. Não pode romantizar, a partir do momento que foi condenado, foi provado, o preso tem que ficar totalmente incomunicável.

 

As penitenciárias viraram uma central de crime, você recebe um telefonema hoje, está o sujeito lá com a voz: estou com sua filha aqui.

 

Aliás, eu estava no Senado, alguém comprou um carro aqui em Cuiabá no meu nome. De dentro da penitenciária essa pessoa tinha comprado o carro. Então as penitenciárias não podem ser um hotel, jamais.

 

E, acima de tudo, uma legislação sem dar brecha, porque quando o juiz quer corromper a interpretação da lei, se tiver uma brecha, é o oásis.

Não pode romantizar, a partir do momento que foi condenado, foi provado, o preso tem que ficar lá totalmente incomunicável

 

MidiaNews – Um tema que tem sido muito discutido pela Justiça Eleitoral é uma eventual pressão do crime organizado e das facções nas eleições deste ano. O senhor teme isso?

 

José Medeiros – Eu nunca olhei por esse lado. Eu sempre trabalhei na polícia. Você geralmente sempre precifica essas coisas. As facções já viraram realidade, inclusive, na política brasileira. Boa parte do Congresso trabalha para elas, se não diretamente, indiretamente, porque defende os interesses delas.

 

E o que acontece? Na campanha do Cláudio em Rondonópolis, a gente ia fazendo caminhada e os comerciantes estavam recebendo SMS do pessoal falando: olha, aqui já temos candidato e quem não for apoiar o nosso candidato, já diz aqui para a gente passar para o disciplina. Isso aí é totalmente normal.

 

MidiaNews – Deputado, mas isso não desequilibra o processo eleitoral? O que fazer?

 

José Medeiros – Isso desequilibra o processo. Na eleição de 2020, lá em Sinop, por exemplo, tinham bairros que o nosso candidato não podia entrar. As pessoas diziam: aqui só entra fulano de tal.

 

Então, isso já está na política brasileira. A diferença é que nós, do PL, não normalizamos isso e queremos um Senado, uma Câmara e um Governo que peite esse pessoal. Porque hoje eles estão na Faria Lima, estão nos partidos políticos, estão nas Câmaras de Vereadores, estão enfiados e presentes nas Assembleias Estaduais.

 

Aqui em Mato Grosso, a Polícia Civil foi recebida a bala numa operação para combater facções em um município. Deram um tiro no peito de um delegado, que estava de colete e escapou, mas a situação hoje é essa.

 

Isso é um boato. Câmara de município tal, tem fulana do comando tal. Parece que tem pessoa que sente até orgulho de ser isso.

 

Eu, por exemplo, tenho um projeto que praticamente dobra penas de faccionado. Por que isso? Se a pessoa quer viver a vida do crime, tudo bem. Quer viver a vida do crime numa facção, então tem que pagar um pedágio a mais. Se no crime normal a pena é 15 anos, tem que ser para faccionado 30 anos.

 

 

MidiaNews – O senhor acredita que está faltando leis mais duras para punir o crime organizado, com mais rigor?

 

José Medeiros – Está faltando. Está faltando também a sensação de punição. A gente sente que não há. Hoje, a pessoa mata, corta o pescoço de uma criança de três meses. Agora mesmo eu vi um vídeo do Otoni de Paula, que já foi um aliado nosso e bandeou-se para o outro lado, que nem a Soraya Thronicke, defendendo que com os Estados Unidos declarando facções como organizações terroristas é um crime contra a soberania brasileira. 

 

Na favela há ataques praticamente cotidianamente. Famílias são detonadas. A menina completa 14 anos, o chefe da boca já olha e fala: essa é minha. E ai do pai se falar alguma coisa.

 

O terror está dentro da favela, o terror está em todo lugar. Então, precisa tomar de volta o Estado para o cidadão, que de fato é o dono dele e que paga o imposto. Estamos falando de crime organizado, de segurança, que é um dos grandes problemas do Brasil e de Mato Grosso.

 

MidiaNews – O senhor já disse uma vez que o senador Wellington Fagundes não deveria ser candidato ao Governo do Estado. Como está essa situação? 

 

José Medeiros – Na verdade, tivemos uma reunião. Porque o grupo do União Brasil, o Republicanos, já há algum tempo vem caminhando junto com o grupo do presidente Jair Bolsonaro. E havia essa expectativa também, de nesta eleição agora e há uma afinidade, mas política é circunstância.

 

Acabamos fazendo a maioria das prefeituras, isso trouxe uma robustez bastante forte para o partido e o senador Wellington se apresentou. Óbvio que ele está no meio do mandato. Quando eu disse que ele não deveria ser candidato, quis na verdade dizer assim: olha, ele está com o mandato seguro.

E ficou descartado, e na frente do senador Wellington, de uma coligação aqui em Mato Grosso com o MDB

 

MidiaNews – Esse impasse e a situação dele com o senhor já foi superado?

 

 José Medeiros – A gente foi chamado lá em Brasília e o presidente Valdemar disse que não abre mão [da candidatura de Wellington], porque ele acha que isso enfraqueceria a chapa de deputado federal. Bateu o martelo e disse o seguinte: a discussão é livre, mas a unicidade de ação é obrigatória. Então a gente discutiu, colocou opinião e, nessa reunião, ele bateu o martelo em duas coisas.

 

Uma, o PL lança candidato ao Governo, que é o Wellington. E ficou descartado, e na frente do senador Wellington, de uma coligação aqui em Mato Grosso com o MDB.

 

MidiaNews – Isso está realmente pacificado, não tem como alterar qualquer decisão em outro sentido, do PL apoiar o MDB em Mato Grosso?

 

José Medeiros – Pacificado, não, não tem. Isso é a palavra do Valdemar. Ele descartou isso. Não vai ter, sob nenhuma hipótese, qualquer possibilidade de aliança com o MDB.

 

MidiaNews – O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, explicou por que não deve ter aliança ou composição com o MDB no Estado?

 

José Medeiros – Ele tem uma preocupação muito grande com os prefeitos, porque todos esses prefeitos enfrentaram o MDB e o MDB tem plano político para 2028. Então, isso enfraqueceria a candidatura do Senado, enfraqueceria a candidatura de governador, enfraqueceria projetos futuros. Então é por todo esse combo. 

 

 

MidiaNews – E teve alguma pressão de grupo político do Wellington quando o senhor disse que ele não deveria ser candidato?

 

José Medeiros – Não, pressão zero. É que, na verdade, quando falei aquilo, havia ali uma coisa que estava sendo tratada de vir o MDB… E, obviamente, que ali tem um componente que a gente tem que respeitar, é um componente familiar [Janaina Riva e Wellington são nora e sogro], mas naquele momento é que a gente achava que a candidatura de senador estava sendo colocada para escanteio.

 

E esse não é um projeto meu, fui chamado para isso, lá em casa mesmo, minha esposa cansou de insistir: olha, você está com a candidatura de deputado federal bem mais tranquila. E eu fui chamado para esse projeto, tive coragem de ir, mas não posso vir para uma missão e depois ser colocado de lado.

  

MidiaNews – O pré-candidato a deputado federal, Thiago Boava, já disse que o ex-presidente Bolsonaro sinalizou o apoio de parte do PL ao ex-governador Mauro Mendes na chapa de Senado. O senhor também concorda com essa ideia?

 

José Medeiros – Na verdade, fiquei combinado, nessa reunião que teve lá em Brasília com o presidente Valdemar, que ia cuidar da candidatura de Senado e que não ia dizer mais nada sobre a candidatura de governador. Então, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

 

De fato, não vamos posicionar, porque ele deixou bem claro: olha, aqui quem vai tratar desse assunto vai ser eu, Flávio, Ananias e o Wellington, que é o candidato. Assim como na sua candidatura ao Senado, você é quem vai definir as coisas, que vai tratar.

 

Então, eu falei, tudo bem.

Meu voto e do Galvan são muito colados, assim como do governador Mauro Mendes também

 

MidiaNews – Mas sobre o segundo voto da chapa ao Senado, membros do PL têm defendido apoio ao ex-governador Mauro Mendes. 

 

José Medeiros – Sim, tem esse grupo, assim como tem quem defende o [Antônio] Galvan. E assim como tem a cúpula do partido que defende a candidatura da Janaina, e está tudo certo.

 

O ex-presidente Jair Bolsonaro disse que ia lançar só um candidato, porque ele achava, na época, que a gente ia coligar com o Mauro. Mas como isso não foi possível, fica aberto, então, quem quer votar no Galvan, vai votar no Galvan, quem quer votar no Mauro, vai votar no Mauro.

 

MidiaNews – Como vai ficar a situação interna no partido daqueles que queiram aderir à candidatura da Janaina e do Mauro?

 

José Medeiros – Não, isso vai estar aberto, quando a gente lançou um candidato só, de fato, ficou aberto. A menos que amanhã ou depois, defina-se que vai coligar. Por exemplo, coligou com o Avante, aí vai ser com o Galvan, então, fica a indicação de voto no Galvan e no Medeiros.

  

MidiaNews – Não vai ter do PL nenhum tipo de pressão ou orientação do segundo voto ao Senado?

 

José Medeiros – Não. O segundo voto vai ficar em aberto.

 

MidiaNews – E essa definição, não corre o risco de acabar atraindo o inimigo e prejudicar a sua eleição, por exemplo?

 

José Medeiros – Não, porque todo mundo vai votar. São dois votos, a pessoa vai votar em mim e vai votar no outro.

 

MidiaNews – Assim como do outro lado, também, alguns candidatos concorrentes podem ter o segundo voto beneficiando o senhor. Tem essa leitura?

 

José Medeiros – Sim, a gente faz pesquisa qualitativa e vai acompanhando isso e tem os candidatos que fazem esse cruzamento. Por exemplo, meu voto e do Galvan são muito colados, assim como do governador Mauro Mendes também. Tem essa situação que na campanha com duas vagas é natural.

 

MidiaNews – Ainda sobre o MDB, isso já foi conversado com todas as lideranças? Todos estão convencidos? Ninguém vai tentar aproximar o MDB e a pré-candidatura da deputada Janaina?

 

José Medeiros – Não, não tem. A pessoa vai poder votar na Janaina, lógico, são duas vagas, mas a coligação não. Então, está vencida essa etapa. E a gente ia caçar uma confusão à toa com os nossos prefeitos.

 

 

MidiaNews – Mas o senador Flávio Bolsonaro conversou com o presidente Baleia Rossi do MDB e falou de uma aproximação. Isso já foi resolvido no partido?

 

José Medeiros – Ali era mais espuma de cachorro. Houve uma tentativa de diálogo, para ver se consolidava, mas não se consolidou.

 

MidiaNews – Nesse caso, o senhor tem boa relação com a deputada Janaina, não tem problema nenhum político com ela.

 

José Medeiros – Não, eu não tenho nada pessoal, zero. Obviamente, cada um está disputando, é uma adversária direta, mas não tenho problema pessoal.

 

MidiaNews – O senhor disse recentemente haver diversos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Quantos são?

 

José Medeiros – Deve ser uns cinco, teve contra o Barroso que já se foi, teve contra a Fachin. Tem inúmeros lá, deve ter uns doze pedidos, meu sozinho e, conjuntamente, com outros.

 

MidiaNews – Nessa questão da intromissão que vocês dizem do Judiciário na política, o STF está mais legislando, ou na realidade é o Congresso que está omisso? 

 

José Medeiros – Existe um colégio de líderes que é onde se reúne todos os líderes de partido para definir a pauta. Hoje, ministros é quem definem a pauta, isso vai pôr, isso não vai pôr, vou mandar uma minuta, é desse jeito, esse projeto da dosimetria não passa…

 

Veja bem o nível de intromissão, o que foi definido e o que é que nós íamos votar a anistia. O projeto que ia era o meu e o do Major Vitor Hugo, eram os projetos que estavam lá, foram os primeiros, nós entramos com o pedido de anistia em 2022, nem tinha o 8 de janeiro ainda.

 

O que aconteceu? Eles vieram com uma conversa fiada que não poderia ser o do Medeiros, nem o do Major Vitor Hugo, porque somos do PL. Cara, isso já fere regimentalmente, totalmente.

Hoje, ministros [do STF] é quem definem a pauta, isso vai pôr, isso não vai pôr, vou mandar uma minuta, é desse jeito

 

MidiaNews – Há no caso o princípio cronológico da apreciação dos projetos.

 

José Medeiros – Exatamente. E fizeram? Não, então vamos pegar o do Marcelo Crivella, porque ele é neutro, existe isso na lei, mas tudo bem, colocaram o projeto do Marcelo Crivella. Depois, disseram que receberam um telefonema lá do ministro Alexandre Moraes, que disse que não aceitava.

 

MidiaNews – E quem que recebeu essa ligação sobre alteração de projeto em tramitação na Câmara dos Deputados?

 

José Medeiros – O presidente Hugo Mota, foi o que saiu na imprensa. Disseram que voltou até branco para a mesa da presidência. Não pode, não aceita. Já imaginou o nível de hipossuficiência, o nível de subserviência que está o legislativo. Então colocou o projeto da dosimetria.

 

A dosimetria foi aprovada. Eu falei nas minhas redes sociais, não espere, você que é parente, que venha algo daí, porque essa dosimetria, não estava falando nada de oito de janeiro de 2023.

 

A dosimetria está mudando o Código Penal, o Código de Processo Penal, para dizer, olha, agora vai ser assim o cálculo de pena e vai ter que ser analisado caso a caso, na velocidade da vida e sob conveniência do ministro Alexandre de Moraes.

 

E muita gente disse, ah, mas lá vai ser sorteio. Eu falei, espera para ver. Com quem caiu o primeiro pedido sobre o 8 de janeiro? Com Alexandre de Moraes. O que que ele fez? Suspendeu, falou, não, a dosimetria está suspensa. Então, esse é o nível de patifaria que está. Um país desse tamanho, não pode ficar à mercê desse tipo de coisa.

 

Então, quandoperguntam por que o Senado? Porque precisamos fazer a maioria lá e tirar o presidente. Não tem como deixar o Davi Alcolumbre, não tem como  permanecer Hugo Mota, porque eles, hoje, estão nesse consórcio que, infelizmente, levou o Brasil ao maior desequilíbrio da República.

 

Nunca houve o menor perigo de ruptura democrática. Nunca! Todas as vezes que a gente conversou com o ex-presidente  Bolsonaro, falou: não vou fazer nada contra a lei. Quando terminou a eleição, o pessoal falou: você vai aceitar isso, os caras manipularam o processo eleitoral, interferiram no processo eleitoral. Acha uma saída jurídica que nós vamos ver.

 

 

MidiaNews – E quem falou que teve manipulação e interferência no processo eleitoral em 2022?

 

José Medeiros – O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu uma saída jurídica e foi quando alguém pegou e falou: olha tem um problema das urnas. Ele falou para entrar na Justiça. Entrou, antes de qualquer coisa, o Alexandre de Moraes multou o partido em R$ 22 milhões, catou e pegou o fundo partidário, nem analisou o caso, sendo que todo mundo tem direito de petição.

 

Ele disse que era ataque às urnas, mas a própria lei diz que o candidato, o partido político, tem direito de contestar. Essa mesma contestação, o PSDB fez quando Aécio Neves perdeu para Dilma, pediu para verificar a questão das urnas. Dessa vez, ele não só puniu o partido, como puniu os técnicos que mostraram os problemas.

 

Então, esse tipo de coisa, tem que ter parlamentares, senadores que tenham coragem de chegar lá e falar assim: primeiro, vocês não podem abrir inquérito nenhum. Segundo, você não pode ser policial, juiz, promotor e vítima ao mesmo tempo. Essa aberração aí.

 

MidiaNews – O senhor citou as intromissões no Congresso e as pessoas que intrometem na pauta. Como é que são feitas essas intromissões? É através de empresários, de lobby, assessores de ministros do STF?

 

José Medeiros – Não. É uma ligação, a gente ouve, fala, fulano foi pressionado pelo ministro tal, o cara fala qye não vai aceitar isso, aí o Congresso pega e aprova, ele vai lá e anula.

 

Vamos lá, marco temporal, uma legislação que há tempo era necessária, porque a insegurança jurídica. Toda vez que o PT entra, eles resolvem demarcar reserva, onde dá na teia da turma do PT, eles demarcam reservas.

 

Aí regulamentamos isso, tudo certinho, foi lá, o ministro simplesmente falou: não vale. Hoje essa inseguração jurídica aí, dá-lhe reserva marcada pra tudo que dá.

 

Então, é através da anulação de leis votadas, por exemplo, parece haver um consórcio entre o PT, o PSOL e alguns ministros do STF. A gente aprova um negócio lá, eles entram na justiça, no outro dia, com uma semana, aliás, está derrubado. 

 

Parece haver um consórcio entre o PT, o PSOL e alguns ministros do STF. A gente aprova um negócio lá, eles entram na justiça, com uma semana está derrubado

 

MidiaNews – E qual seria o freio de arrumação ao STF, além de ter maioria no Congresso?

 

José Medeiros – Eu penso que é o seguinte, no momento que o Congresso mandar para rua, por exemplo, o Alexandre Moraes, os ministros vão pensar duas vezes em se meter em questões do Congresso. Manda o Alexandre para fora.

 

Se não melhorar, manda outro. Você está entendendo? Porque não pode ter uma corte ou pessoas na República que estejam acima da lei. O pau come em cima de político todo dia e vai pra cadeia. O senador vai pra cadeia, o deputado vai pra cadeia.

 

Agora, você nunca viu na história do Brasil um ministro do Supremo nem ser cassado. Será que todos esses anos, nesses trezentos e tantos anos de Brasil, não teve nenhum crime lá? Lógico que teve. Mas tem essa coisa de que eles podem. Não, não podem. 

 

MidiaNews – Qual é sua avaliação dessa questão do pedido que o Flávio Bolsonaro fez ao banqueiro Daniel Vorcaro de dinheiro para o filme do pai? Isso não coloca dúvidas na cabeça do eleitorado se o dinheiro foi realmente para o filme?

 

José Medeiros – Independente de para onde foi o dinheiro, o que digo é o seguinte: a relação do Flávio com o banco foi a mesma relação de milhares de clientes que esse banco tinha.

 

Eu não posso criminalizar as relações comerciais que pessoas fizeram com esse banco. Relação comercial, esse é um ponto. No caso do Flávio, o dinheiro, qual era a contrapartida daquilo?  Nós temos um filme, tem interesse em financiar? Tenho. Quero tanto de bilheteria do que der no filme. Pronto.

 

Você está entendendo? Crime zero, a própria Polícia Federal não vê disso um crime. Óbvio que, sob a lente do PT e da turma, eles vão querer jogar na mesma vala.

  

Nós não temos preocupação nenhuma em relação a isso. A única preocupação nossa é que a mídia e, infelizmente, elas pautam as outras, coloca como se houvesse uma coisa errada ali naquele contrato. Tinha nada de errado.

 

Eu, por exemplo, compro gasolina em vários postos. De vez em quando, fico sabendo que um posto de gasolina tal era da facção criminosa. Você comprava, abasteceu o seu carro num posto que depois descobre que é de uma facção, você é culpado por isso? 

 

 

 

FONTE: MIDIA NEWS

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