sábado, agosto 1, 2026

Carlinhos é condenado a 36 anos por matar ex e namorado dela

Defesa não quer algemas e uniforme de presidiário em Carlinhos

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra foi condenado a 36 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelos assassinatos da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, ocorridos em janeiro de 2023, em Cuiabá.

 

Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos foi julgado nesta sexta-feira (31), no Fórum de Cuiabá, em sessão presidida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal da Capital.

 

O júri popular começou por volta das 9h e terminou às 22h30.

 

Os jurados reconheceram Carlinhos como autor de dois homicídios qualificados, sendo o de Thays enquadrado como feminicídio. Com a condenação, ele permanecerá preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. 

 

Além do feminicídio, os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e do uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, uma vez que os disparos foram efetuados de surpresa com arma de fogo.

 

O crime ocorreu na noite de 18 de janeiro de 2023, em frente ao condomínio onde morava a mãe de Thays Machado, no Bairro Consil, em Cuiabá. 

 

Após os homicídios, o empresário deixou Cuiabá e foi preso em flagrante pela Polícia Civil em uma propriedade rural da família, localizada no município de Campo Verde.

 

Durante o interrogatório, Carlinhos afirmou que manteve um relacionamento de aproximadamente três anos e sete meses com Thays. Segundo ele, a relação era marcada por constantes términos e reconciliações, embora os dois continuassem mantendo contato após o fim do namoro.

 

Ainda durante o depoimento, o empresário afirmou que não há um único dia em que deixe de lamentar o crime.

 

“Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias”, declarou.

 

Os depoimentos 

 

Rodrigo Moura/TJMT

Juri Carlinhos Bezerra

Júri do empresário Carlos Bezerra, realizado nesta sexta-feira (31)

Ao longo do julgamento, prestaram depoimento o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel de Oliveira; o delegado que atuava em Campo Verde à época dos fatos, Philipe de Paula da Silva Pinho; a investigadora da Polícia Civil Luciene Benedita Taques; e a investigadora Lívia Cristina Silva Sales, responsável pela extração dos dados dos quatro celulares apreendidos durante a investigação.

 

Em depoimento, Marcel de Oliveira detalhou as diligências realizadas após o crime e afirmou que, depois da prisão de Carlinhos, os investigadores passaram a apurar como o empresário obtinha informações sobre a rotina e a localização de Thays.

 

Segundo o delegado, após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do acusado, a Polícia Civil encontrou um vasto conjunto de documentos que demonstrariam uma perseguição sistemática à vítima.

 

Entre os materiais apreendidos estavam impressões de conversas, anotações com informações sobre a localização de Thays, registros das pessoas com quem ela teria se encontrado, datas, horários, deslocamentos e observações sobre sua rotina e comportamento.

 

“Era uma perseguição sistemática de tudo o que a vítima fazia. Encontramos um farto material probatório”, afirmou o delegado.

 

Marcel de Oliveira também relatou que Thays havia sido perseguida por Carlinhos poucas horas antes do crime. Na ocasião, ela procurou atendimento na Central de Ocorrências da Prainha, onde foi atendida pela investigadora Luciene Benedita Taques, que estava de plantão.

 

Em depoimento, Luciene relatou que Thays e Willian compareceram à unidade policial durante a madrugada após perceberem que estavam sendo seguidos pelo empresário. Conforme a investigadora, Thays informou que já possuía um boletim de ocorrência registrado contra o ex-companheiro e solicitou uma análise telefônica, pois acreditava estar sendo monitorada.

 

Questionado sobre o episódio durante o interrogatório, Carlinhos negou que estivesse perseguindo Thays. Segundo ele, apenas queria verificar com quem a ex-companheira estava e entender “o motivo pelo qual ela havia terminado” o relacionamento.

 

Também ouvida durante o julgamento, a investigadora Lívia Cristina Silva Sales apresentou os resultados da perícia realizada nos quatro celulares apreendidos com o empresário.

 

Segundo a policial, entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data em que Thays Machado e Willian César Moreno foram assassinados, Carlinhos realizou mais de 900 ligações telefônicas para a ex-companheira, uma média superior a 50 chamadas por dia.

 

Imbróglio no júri

 

O processo contra o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra foi marcado por uma série de tentativas da defesa para adiar ou anular a realização do júri popular.

 

Inicialmente previsto para o dia 21 de julho, o julgamento foi suspenso após os advogados do réu abandonarem o plenário. Na ocasião, a defesa alegou a existência de um “arcabouço de problemas” no processo que comprometeria o direito de defesa.

 

Posteriormente, os advogados apresentaram um novo pedido para adiar a sessão e afastar a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira da condução do júri. O requerimento, no entanto, foi rejeitado pela Justiça, que manteve a magistrada à frente do caso, confirmou a realização do julgamento nesta sexta-feira (31) e preservou a prisão preventiva do acusado.

 

Momentos antes do início da nova sessão, a defesa voltou a pedir o adiamento do julgamento. O advogado Elson Marcelino da Silva alegou supostas irregularidades processuais, afirmou que o réu estava com sarna e chegou a solicitar a mudança do plenário onde ocorreu a sessão.

 

Todos os requerimentos foram rejeitados pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Ao indeferir os pedidos, a magistrada afirmou que o estado de saúde do acusado não comprometia sua participação no júri e que não havia qualquer cerceamento ao direito de defesa.

 

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FONTE: MIDIA NEWS

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