sábado, agosto 15, 2026

Gisela: Vou representar mulheres, servidores e invisibilizados

Gisela: Vou representar mulheres, servidores e invisibilizados

A suplente de deputada federal Gisela Simona (União) afirmou que o convite do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para ela ser candidata a vice-governadora na chapa à reeleição dele foi resultado da história política e trajetória como servidora pública do Estado. 

 

Quando recebi esse convite, senti o peso de aceitar, mas ao mesmo tempo de representar as mulheres

Ela revelou ao MidiaNews os bastidores do convite que foi feito pelo governador no mesmo dia do anúncio, na terça-feira (11), e disse ter aceitado de imediato. 

 

“Quando recebi esse convite, senti o peso de aceitar, mas ao mesmo tempo de representar as mulheres mato-grossenses, o serviço público mato-grossense, as pessoas que muitas vezes são invisibilizadas na sociedade”, afirmou. 

 

Gisela disse que sua trajetória, desde a atuação no Procon até a passagem pela Câmara dos Deputados, ajudou a construir uma identidade política ligada à defesa de direitos dos consumidores e à cobrança por resultados. 

 

Na entrevista, ela ainda contou como um “puxão de tapete” do então governador Pedro Taques (PSB) fez com que ela entrasse para a política eletiva e que ainda tem o sonho de ser eleita à Câmara Federal.

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria): 

 

MidiaNews – Qual foi o seu sentimento que teve quando o governador Otaviano Pivetta a convidou para ser candidata a vice na chapa dele?

 

Gisela Simona – Um sentimento de grande responsabilidade, porque, afinal de contas, dentro da minha luta, seja a Gisela do Procon, seja os 33 meses de mandato em Brasília que me credenciaram como deputada federal, as eleições que já participei, a gente sabe a importância que é participar de uma majoritária. E junto comigo,vem o que represento, as pautas que defendo. 

 

Quando recebi esse convite, senti esse peso de aceitar, mas ao mesmo tempo de representar as mulheres mato-grossense, de representar o serviço público mato-grossense, aquelas pessoas que muitas vezes são invisibilizadas na sociedade, mas que estão no dia-a-dia precisando de políticas públicas. Foi um sentimento de alegria, de gratidão, mas de muita responsabilidade.

 

venho mantendo a coerência de fazer a política do jeito certo, de fazer essa conquista do voto com trabalho, com resultados

MidiaNews – A escolha é um reconhecimento a sua história, enquanto servidora pública, enquanto mulher, que veio também do ensino público?

 

Gisela Simona – Isso. É um traço dessa minha trajetória. Ao longo do período de envolvimento com política, que é de 2018 para cá, que foi a primeira vez que entrei para disputar um cargo eletivo, venho mantendo a coerência de fazer a política do jeito certo, de fazer essa conquista do voto com trabalho, com resultados.

 

As pessoas acabam se identificando muito com tudo isso. Acredito que é isso que fez com que nascesse a possibilidade desee convite para estar como candidata a vice-governadora.

 

MidiaNews – E a senhora na chapa pode representar, para as mulheres que anseiam ter um crescimento pessoal e profissional, um reconhecimento social, não é?

 

Gisela Simona – Nós somos 54% do eleitorado mato-grossense e mais de 50% no Brasil são mulheres. E mulheres que, a cada ano, são maioria no mercado de trabalho, mulheres que têm sofrido muitos desafios de ser mãe solo, de ter que buscar a sobrevivência da família com o suor do trabalho. Aquilo que era muito comum da mulher dentro de casa, hoje ela está em casa, está fora do trabalho, com dupla, tripla jornada.

 

Nós temos um quadro de violência contra a mulher, não só em Mato Grosso, mas em todo o Brasil, muito grande. Ou seja, as mulheres também têm entendido que participar de espaços de poder importante é necessário para que a gente tenha políticas públicas que acolham demandas que são próprias do nosso dia a dia. 

 

E na medida que a gente consegue uma representação feminina, estamos mostrando para todas que é importante, que podemos ocupar esse espaço, que temos competência técnica para isso e, claro, inspirar as nossas meninas e outras mulheres para que também venham para essa trincheira.

 

 

MidiaNews – A senhora poderia nos contar um pouco da sua história, especialmente na política eletiva?

 

Gisela Simona – Eu sou uma cuiabana, meu pai é cuiabano e mãe é várzea-grandense. E a política surge quando passo no concurso público dentro do Procon de Mato Grosso. Dentro do Procon, na época do governo Blairo Maggi, tive um convite da então primeira-dama, Terezinha Maggi, para assumir provisoriamente o Procon, e nisso foram gostando do meu trabalho, e eu fiquei. E foi o momento que eu acabei sendo a voz de muita gente.

 

Eu que nunca tinha sonhado em filiar em partido político, resolvi me filiar. Estava com sangue nos olhos na época

Eu acabei entendendo que muitos problemas que chegavam das relações de consumo tinham a ver com falta de informação: das empresas para com os consumidores e dos consumidores sem conhecer direito como funcionava cada serviço. Mas, no caminho, no percurso, acabei ferindo alguns interesses econômicos e políticos e na época do governador Pedro Taques, fez com que eu fosse exonerada de uma forma repentina, da noite para o dia, sem algum motivo justificável.

 

Esse fato me fez fazer um desabafo nas redes sociais que viralizou. Mais de 80 mil pessoas compartilharam uma publicação de Facebook, e me incentivaram a entrar para a política, diziam: “Você tem que ter o poder da caneta, continue lutando pelos nossos direitos”. E eu que nunca tinha sonhado em filiar em partido político, resolvi me filiar. Estava com sangue nos olhos na época, por conta de tudo que tinha acontecido. Me filiei e, para minha bela surpresa, tive 50.682 mil votos.

 

Não ganhei a eleição, mas fiquei como primeira suplente. Isso foi um ganho político muito grande. Descobri que, sem dinheiro, mas na luta, com proposta e com coragem, a gente pode participar desse movimento eleitoral. E foi assim que entrei para a política.

 

Quando isso aconteceu, a imprensa na época chamava de fenômeno de votos e a classe política dizia: “Ela é afilhada de quem?”. Não tinha ninguém, era a voz do povo realmente.

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Gisela Simona

Gisela Simona que destacou sucesso por meio do estudo e trabalho

E, na sequência, tentaram fazer um apagamento de mim. Eu que dava entrevistas do Procon, fazendo uma série de informações para o consumidor, me vetaram. Eu tinha coluna em alguns sites e tudo foi podado. A classe política assustou, não quis mais que eu aparecesse. Se eu não fosse concursada, acho que tinham me colocado para bater carimbo lá no almoxarifado do Procon. Mas, felizmente, o concurso público fez com que eu mantivesse na minha atividade jurídica e, depois, eu venho para a disputa prefeita de Cuiabá, porque entendi que era um momento importante para aquele apagamento não se concretizar e para que, de alguma forma, as pessoas pudessem conhecer mais os posicionamentos de Gisela.

 

Comecei uma campanha com 2% de intenção de voto e conseguimos concluir ela com mais de 20% de intenção de voto. A gente conquista boa parte da população cuiabana com os nossos posicionamentos, com a forma de a gente pensar e propostas que poderiam trazer soluções para Cuiabá. E, de novo, não ganho a eleição. Consegue ficar em terceiro lugar na disputa, mas deu a energia ou a expectativa necessária para a gente sonhar que era possível continuar. 

 

Participei da minha terceira eleição, de novo, não ganhei, fiquei primeira suplente pela União Brasil, mas, em razão do afastamento de Fábio Garcia, que assumiu a Casa Civil, tive a honra e oportunidade de assumir por 33 meses o mandato de deputada federal.

 

 

MidiaNews – E agora, candidata a vice da chapa com o Pivetta. Como foi a conversa com ele antes da escolha?

 

Gisela Simona – Não teve muita conversa. Desde que o Otaviano Pivetta acompanhou como vice-governador o Mauro Mendes, se destacou com muitos serviços que fez para o nosso governo de Estado. Mas em algumas pastas, como na educação, agricultura familiar, na infraestrutura, quando eu queria apresentar proposta ou saber do andamento, era com o Pivetta que eu conversava. Ele sempre teve essa porta aberta dentro do governo para a gente conversar sobre várias pautas.

 

Eu conheço o Pivetta de muitos anos dentro dessa caminhada no governo. Agora, quando ele assume o Governo do Estado, já com a proposta de ser candidato a governador, ele me conta dessa vontade de conhecer mais a Baixada Cuiabana, de poder interagir mais com o povo, e a gente combinou algumas pautas.

 

Tanto que, se a gente for buscar os registros, eu e o Pivetta fomos a alguns bairros de Cuiabá. E isso foram formas da gente também se aproximar. Mas, nunca houve uma conversa direta de dizer: “Você quer ser vice?”.

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Gisela Simona

Gisela Simona que disse que aceitou convite para ser vice imediatamente

MidiaNews – Então, entre convite e aceitação foi tudo no mesmo dia?

 

Gisela Simona – Tudo no mesmo dia. Havia essa aproximação. E era público e notório, que o Pivetta sempre se manifestava o interesse de ter uma vice mulher, de poder ser alguém da Baixada Cuiabana. Isso gerou muitas especulações, mas nunca, nunca mesmo, ele adiantou qualquer situação nesse sentido. A conversa só surgiu na data do anúncio.

 

MidiaNews – E como que foi essa conversa? Onde você estava? Ele ligou para a senhora?

 

Gisela Simona – A conversa foi após a renúncia do Fábio da vice. A gente se encontrou muito rapidamente e ele perguntou sobre o meu interesse e eu falei: “É possível, mas precisamos conversar”. Porque toda decisão difícil a gente quer dialogar mais, mas de pronto aceitei.

 

E, aí, depois já foi aquilo que todo mundo sabe um pouco: quando ele anunciou, em coletiva, que estava vindo uma mulher e tudo mais.

 

MidiaNews – E você fez alguma exigência? 

 

Gisela Simona – Não. Conversamos bastante sobre a pauta do servidor público. Eu disse da importância de ser servidora pública e poder ter um diálogo aberto do governo com os sindicatos,  de poder melhorar esse diálogo, o que ele concordou. A questão da pauta das mulheres, que já é uma prioridade hoje do governo Otaviano Pivetta e que a gente quer intensificar ainda mais.

 

Nós temos leis que são muito boas, que falam da rede de proteção às mulheres, da questão da necessidade de delegacia, de acolhimento da mulher, mas falta recurso, investimento. Desse contexto a gente conversou, houve uma concordância de imediato com essas propostas e é por isso que a gente está aqui hoje como candidata a vice.

 

MidiaNews – E, após a definição, conseguiu ficar tranquila?

 

Gisela Simona – Dormi leve. É como conversei com o Otaviano, se a gente está fazendo algo que a gente gosta, tem que ser leve. É claro que tive bastante trabalho para responder todas as mensagens que recebi. Felizmente, as abordagens que recebi via mensagem, têm sido muito positivas, inclusive dos servidores públicos, das mulheres.

 

Isso tem me dado essa leveza para entender que a gente está aqui nos apresentando, estamos aqui trazendo uma proposta para Mato Grosso, e é o povo que vai decidir. O público mato-grossense que está ligado à política conhece um pouco dessa Gisela candidata a vice, que é a mesma Gisela do Procon, é a Gisela que foi deputada por 33 meses, que tem mantido uma coerência de trabalho, que preza por valores importantes na vida política.

 

 

MidiaNews – Qual será o primeiro desafio da candidata Gisela como vice? 

 

Gisela Simona – Primeiro tenho que aprender com o Pivetta a ser vice. No sentido de que o protagonista da história não sou eu, mas é o nosso candidato a governador. O Otaviano sempre foi uma pessoa bastante na dele, discreto, nunca quis falar ou aparecer mais que o Mauro Mendes. Ele é muito tranquilo.

 

Quero ser uma vice que contribui. Agora na campanha, estou me debruçando no plano de governo para ser apresentado, para poder colaborar efetivamente

E sempre estive em disputas em que eu tinha que aparecer muito, tenho que me policiar com isso. E entendendo sempre que é uma dupla. E isso eu disse: tenho projetos políticos futuros, há esse sonho de ser eleita deputada federal, sim, que a gente vai pensar lá na frente nisso.

 

E quero ser uma vice que trabalha muito. Quero ser uma vice que contribui. Agora na campanha, estou me debruçando no plano de governo para ser apresentado, para poder colaborar efetivamente. Estamos pensando em dividir agendas para conseguir cumprir em todo Mato Grosso. Sabemos que o Pivetta, pelo fato de estar no mandato como governador, tem uma agenda obrigatória ali dentro do palácio que ele não pode sair, mas Gisela vai estar 24 horas dedicada à eleição.

 

Eu gosto de rua, gosto de povo, gosto de gente. E vou estar conversando com todo mundo para apresentar esse projeto. A gente quer manter Mato Grosso crescendo, manter a prosperidade que Mato Grosso já conseguiu alcançar, mas fazendo com que cada mato-grossense sinta que faz parte desse progresso.

 

MidiaNews – Acredita nessa disparada dele nas pesquisas, agora especialmente nesse momento de campanha?

 

Gisela Simona – Eu acredito que sim. Talvez isso ainda não tenha acontecido, porque essa discrição dele, enquanto vice-governador, muitos mato-grossenses ainda não o conhecem. Na medida em que a gente tiver o programa na TV, ele podendo se apresentar, se manifestar mais, e as pessoas conhecerem o coração do Otaviano Pivetta, que é gigante, vai fazer total diferença no mato-grossense e a gente vai conseguir ver isso revelado nas pesquisas eleitorais.

 

MidiaNews – O governador tem muito essa imagem ligada ao setor produtivo, agronegócio e a senhora vem agregar à chapa esse perfil mais social, do servidor público.

 

Gisela Simona – Essa dupla veio para se completar. Dentro desse objetivo de alguém que conhece muito do que Mato Grosso precisa e tem competência para fazer gestão e continuar crescendo o nosso estado cada vez mais, com conhecimento na área administrativa e econômica. 

 

E por outro lado eu venho com a minha sensibilidade de alguém que já sentiu a dor de muita gente, que sabe na ponta o que cada um precisa para se sentir bem e entender que tem qualidade de vida para viver. Essa união tem tudo para dar certo, e é por isso que aceitei esse desafio, porque venho para agregar, para somar, para poder fazer com que realmente dê a liga que é necessária para a gente conseguir avançar.

 

 

MidiaNews – A senhora terá um papel de defesa das mulheres, minorias, as bandeiras populares?

 

Gisela Simona – Nós queremos trazer todo mundo para dentro. O período de campanha é muito rico também para ouvir o que o povo quer. Você não pode, em nenhum momento, deixar de ouvir os mais vulneráveis da nossa sociedade.

 

Nós queremos trazer todo mundo para dentro. O período de campanha é muito rico para ouvir o que o povo quer

Vamos ter a classe política, a classe empresarial, mas também as mães atípicas, por exemplo, o cidadão endividado. Nós precisamos discutir essa questão da geração de emprego e renda dentro do Estado, que casa muito com a meta do Governo que é fazer a industrialização.

 

A reforma tributária impõe aos estados que gerem recurso dentro do próprio território, ou seja, não é mais pela produção, mas é pelo consumo. Precisamos fazer com que essas indústrias venham para Mato Grosso, que isso atraia mais gente pra cá, para nosso Estado continuar prosperando e crescendo.

 

MidiaNews – Mato Grosso ainda integra o ranking de estados que mais mata mulheres no País, uma referência nacional negativa. Como mudar isso?

 

Gisela Simona – Passa por execução de políticas públicas em que você tenha orçamento pra isso, porque quando se fala que na escola esse assunto precisa ser dialogado, é preciso ter pessoas preparadas para isso.

 

Os próprios professores precisam saber como lidar com jovens, com crianças, sobre esse tema. Precisamos que a mulher, num canal de denúncia, não só registre aquela ocorrência, mas que a encaminhe para onde solucionará a sua vida. E não adianta eu estar lá em Cotriguaçu e falar que a delegacia é em Cuiabá. Precisamos encurtar o caminho de onde a gente tem o acolhimento efetivo da mulher, e isso estamos falando de recurso.

 

Nem sempre podemos com inteligência fazer algo que às vezes é mais barato, mas que traz solução.

 

A gente está falando de trabalhar com recurso financeiro com inteligência, para levar esse acolhimento às mulheres. Se eu tiver uma burocracia que só funciona no horário comercial para mulher conseguir um recurso pra alugar um imóvel para ficar provisoriamente, isso pode ser muito tempo. Quem a acolhe? Onde é que ela fica? Onde é minha casa de apoio? Mato Grosso não tem a Casa da Mulher Brasileira ainda, do governo federal. São estruturas que precisamos fazer com que aconteça, e isso é recurso.

 

MidiaNews – A senhora concorda que essa questão passa por uma educação do homem? O Estado tem um programa, inclusive, que homens ensinam homens condenados por violência doméstica sobre machismo.

 

Gisela Simona – Esse programa é o Papo de Homem pra Homem, que é a Polícia Civil, mas já é em decorrência, inclusive, da Lei Maria da Penha, que prevê que aquele agressor que foi denunciado passe por essa capacitação. Mas isso é na fase adulta, quando já aconteceu a violência. Nós precisamos prevenir.

 

É por isso que falei da capacitação dos professores nas escolas, acredito que tem que vir para TV. Eu tive a oportunidade de fazer uma palestra nesse curso Papo de Homem pra Homem, quando estava na condição de deputada, fui dizer quais eram as leis do país que tratavam da violência contra a mulher e me recordo bem que um dos homens questionou: “Vocês políticos, quando querem, param tudo e colocam horário político e a gente tem que assistir. E uma informação como essa, do que eu posso ou não posso fazer, não aparece”.

 

Ele dizia que não sabia que ir no celular da mulher e ficar vendo o que ela recebeu ou deixou de receber de mensagem poderia ser um tipo de violência. E dizia: “Vocês têm que colocar na TV, no horário nobre, pra gente saber porque nós estamos aprendendo”.

 

Aquilo foi uma lição pra mim. Acredito que precisamos ver mecanismos preventivos para não só lamentar já o feminicídio, porque o feminicídio não começa com a facada, com o tiro.

  

MidiaNews – Teriam outras ações, outras soluções para serem feitas para tentar minimizar essa incapacidade do Estado de dar a resposta adequada depois que a mulher denuncia?

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Gisela Simona

A candidata a vice Gisela Simona que destaca importância de investimento de recursos no combate à violência contra a mulher

Gisela Simona – Precisam ser implantados alguns protocolos de atendimento. Às vezes, ser atendido por uma determinada pessoa, ela te dá o caminho certo e como fazer para conseguir a proteção. Com outra, as vítimas dizem: “mas não me falaram isso, eu não sabia”.

 

Na medida que a gente cria protocolos, é como se você criasse um passo a passo do que fazer com cada mulher que sofreu uma violência. É claro que deixamos sempre uma flexibilidade para que no caso concreto você possa aumentar ainda mais essa proteção.

 

A gente vem trazendo um pouco dessa bagagem, dessa experiência que a gente viu que é algo que, de novo, é uma realidade grave no nosso Estado, mas que também é grave em muitos locais do nosso país.

 

Hoje, Mato Grosso, por exemplo, já criou um portal que facilita a comunicação das redes de proteção para a mulher, para que ela tenha uma fonte para buscar essas informações. Às vezes, a gente não liga muito até acontecer algo com uma amiga ou com você mesma. 

  

MidiaNews – Mato Grosso é um estado bastante desigual aqui. Somos um estado do agronegócio, grandes produtores. Como fazer para essa prosperidade chegar de maneira perceptível À população de baixa renda e fazer com que essa desigualdade diminuída no nosso Estado? 

 

Gisela Simona – Nessa parte econômica, o fato de sermos o celeiro do Brasil e ter muita matéria-prima, a criação de indústrias em Mato Grosso, para que a gente possa agregar valor a essa matéria-prima, é algo que é muito importante, porque gera emprego e gera renda. 

 

Para que essa desigualdade diminua, nós precisamos oferecer oportunidades

Nós precisamos ter mais incentivo para a agricultura familiar. Mato Grosso tem terra boa para isso e precisamos incentivar muitos a ficarem no campo, a terem ali maneiras de poder vender o seu produto, de favorecer essa logística de alguma forma.

 

Nós temos o turismo, que é uma área que sabemos que muitos municípios poderiam viver muito bem do turismo hoje, mas falta um incentivo por parte disso para gerar emprego, para gerar renda. Para que essa desigualdade diminua, nós precisamos oferecer oportunidades.

 

E quando você tem oferta de bons trabalhos, de boas formas de geração de renda, você faz com que a sociedade, de alguma forma, cresça junto com o Estado.

 

MidiaNews – Nós somos reconhecidos no Estado como uma potência agropecuária e essa nossa potência tem que desaguar e aumentar a diversificação da produção. O caminho seria a industrialização, inovação e tecnologia?

 

Precisamos ser atrativos para quem é de fora vir aqui e investir no Estado, utilizar toda essa produção que a gente já tem e gerar renda

Gisela Simona – Eu não acho que há uma necessidade de diversificação do que a gente já tem. Mato Grosso, felizmente, tem despontado nos vários tipos de produção, de algodão, etanol, que hoje são áreas importantes de desenvolvimento do Estado. Mas vejo que a industrialização é o grande mote. 

 

Agora, existem alguns investimentos necessários e o governo está caminhando nesse sentido. Quando se fala em aumentar a indústria, existe o setor empresarial reclamando da questão da energia elétrica, que houve, um investimento do Estado nesse sentido já acordado, mas que falta vir à tona de execução. 

 

São caminhos que o Estado precisa fazer, precisamos ser atrativos para quem é de fora vir aqui e investir no Estado, utilizar toda essa produção que a gente já tem e gerar renda.

 

MidiaNews – O Estado já construiu vários hospitais, ampliou as algumas estruturas, e agora, qual o próximo desafio disso? É garantir o acesso ou melhorarar o atendimento?

 

Gisela Simona – As duas coisas andam juntos. Não podemos continuar com a quantidade de reclamações que temos, de pessoas querendo um leito de UTI, com as pessoas querendo que a fila ande para ela fazer essa cirurgia.

 

O estado já tem anunciado um aplicativo onde o cidadão consegue ver o seu lugar na fila, para entender que realmente está sendo priorizado aquilo que é mais grave, não porque A pediu, C pediu, ou D pediu. Quando se fala de acesso, acredito que é uma das formas do Estado conseguir resolver isso.

 

Com a criação dos novos hospitais o que se quer é que nenhum mato-grossense fique na fila ou, se ficar, que fique o menor tempo possível. E outro ponto é, uma vez sendo atendido, que realmente seja um atendimento de qualidade. A gente não vê tanta reclamação no tipo de atendimento, mas a gente vê muito nessa questão do acesso e essa transparência vai ajudar muito.

 

E é claro que nós precisamos aperfeiçoar essa questão da qualidade, e falo desde o atendimento a procedimentos que sejam mais benéficos para a população. Quando você tem um hospital central hoje, que faz uma cirurgia por robótica, por exemplo, em que ele oferece menos risco à vida do paciente, e dá uma recuperação mais rápida para o paciente, isso é qualidade do atendimento. 

 

Nós precisamos melhorar cada vez mais isso para que todos os mato-grossenses que precisam de usar da saúde pública do SUS, sintam que o seu dinheiro está sendo bem aplicado.

 

A saúde é uma das prioridades para que não tenhamos mais a espera por leito de UTI, por uma internação

MidiaNews – O Governo Mauro Mendes e Otaviano Pivetta investiram e tiveram melhorias significativa em áreas estruturantes como a Saúde, Educação, infraestrtuura. Quais são os gargalos que a senhora vê como prioridade, caso vocês sejam eleitos?

 

Gisela Simona – A saúde é uma das prioridades para que não tenhamos mais a espera por leito de UTI, por uma internação, por uma cirurgia importante em que tempo faz diferença no tempo de vida dessa pessoa. 

 

O governo Otaviano e Mauro fizeram esse investimento na infraestrutura e agora nós precisamos fazer com que a execução disso tenha valido tudo a pena, ou seja, que a gente consiga que cada mato-grossense, independente do lugar que ele mora, ele consiga ser atendido e rápido, para resolver o seu problema de saúde com qualidade. Isso é uma prioridade.

 

Nós precisamos fazer, por exemplo, com que as mães tenham creche para colocar seus filhos. Hoje a mulher que não pode mais ficar dentro de casa, porque ela precisa de gerar renda e emprego, nós precisamos de vagas de creche.

 

MidiaNews – Mas a senhora defende que o Estado assuma isso? 

 

Nós precisamos cuidar de quem cuidou a vida inteira da gente

Gisela Simona – O Estado tem que ser um parceiro dos municípios, infelizmente os municípios com recurso próprio não vão dar conta. E, como mulher, sabendo que, na verdade, quem tem que renunciar a vida fora é a mãe para poder se cuidar das crianças, a gente precisa ter esse Estado ajudando nas creches.

 

Nós precisamos fazer com que hoje os idosos, que estão se tornando a maioria da nossa população, tenham um lugar para ficar. Mato Grosso é um Estado ainda que você conta no dedo de uma mão os lugares públicos de abrigo para idosos dentro do nosso Estado. E o idoso vai ser uma prioridade na gestão do Pivetta. Nós precisamos cuidar de quem cuidou a vida inteira da gente.

 

Hoje, pessoas com deficiência, os neurodivergentes, são uma faixa grandes de pessoas e que o Estado precisa de políticas públicas que atendam a essa demanda.

 

 

MidiaNews – A senhora assumiu como vice após a saída do deputado federal Fábio Garcia, que foi alvo da Polícia Federal na Operação Heritage. Qual a avaliação dessa operação, haverá um impacto eleitoral disso na campanha do Pivetta?

 

Gisela Simona – Uma operação não é boa nem para a vida de quem está envolvido e nem para um governo ou principalmente para uma campanha eleitoral. Não dá para avaliar impacto direto, porque não houve envolvimento do Otaviano nisso.

 

E, na verdade, houve medidas muito rápidas que partiram dos próprios investigados, para deixar as instituições encarregadas da investigação agir.

 

Eu vejo que houve de forma acertada por parte de quem foi citado na operação, ter tido essa iniciativa de se afastar para demonstrar a isenção desse governo na busca da verdade real. E, até como advogada digo, existe na nossa Constituição Federal o princípio da presunção da inocência. Não é porque é uma pessoa investigada que ele é culpada.

 

E o que a gente espera é que as instituições ajam e ajam rápido, porque são vidas envolvidas, são pessoas que têm uma conduta ilibada e que, muitas vezes, sofre esse tipo de ação e que lá na frente, você descobre que são inocentes, e isso prejudica a vida das pessoas.

 

MidiaNews – Novamente: a senhora acredita que pode respingar algo na campanha do Pivetta?

 

Gisela Simona – Houve por parte do próprio grupo a iniciativa de confiar nas instituições, de poder deixar com que as investigações corram da forma como tem que ser, sem interferência. Isso é o que poderia fazer a gestão e foi feito. 

 

Avaliar se a população, na verdade, vai se impactar negativamente ou favoravelmente com isso, acredito que vai ser no decorrer da campanha que a gente vai conseguir fazer essa avaliação melhor.

 

MidiaNews – O governador disse crer na inocência dos aliados alvos da operação. A senhora tem ou conhece elementos suficientes da investigação para ter a mesma convicção que ele?

 

Gisela Simona – Eu não conheço o processo. Se eu falar que conheço, estou mentindo. Mas, conheço as pessoas envolvidas e acredito muito na presunção da inocência, não faço julgamento precipitado das pessoas e eu confio nas instituições.

 

MidiaNews – Certamente, essa operação vai servir de munição para a oposição durante a campanha. A senhora chegou a dizer que vocês vão se defender a altura. Qual deve ser a postura da chapa?

 

Gisela Simona – É muito importante dizer que o nosso objetivo é fazer uma campanha que seja propositiva, de apresentação de propostas, de soluções daqueles problemas que ainda não conseguimos resolver em Mato Grosso. E, na medida que surgirem as críticas, os ataques ou o que seja, a gente vai se defender. 

 

Agora, não dá para prever. Porque uma coisa é vir algo que é real, e você tem que dar explicações porque o povo tem que saber a verdade, ser o mais transparente possível. Hoje ninguém é bobo e ninguém se engana mais e, felizmente, temos aí as redes sociais que levam informação a todo tempo. 

 

Nesse sentido, acredito que vamos trabalhar sempre com a verdade, sempre com transparência. Se precisar acionar a Justiça Eleitoral para conter farsas ou inverdades que estejam sendo praticadas contra alguém do grupo, vamos agir. Mas, de novo: sempre pautado nisso, na verdade e na transparência, no respeito ao cidadão.

 

 

MidiaNews – Para encerrarmos: Se aquela Gisela que começou a trabalhar cedo e enfrentou dificuldades pudesse encontrar a Gisela de hoje, candidata a vice-governadora de Mato Grosso, o que acha que ela diria? 

 

Gisela Simona – Resgatando a minha infância, quando meu pai disse que eu teria que estudar muito, trabalhar muito para conseguir vencer na vida e tudo mais, acredito que aquela Gisela que ouviu isso ia dizer: “Que bom que você estudou, que bom que você trabalhou e que bom que hoje você está aqui e que consegue ser a voz de muita gente”.

 

Acho que ela não estaria muito triste comigo, não. Sempre que tive oportunidade na vida, sempre dei o meu melhor. E só aceitei esse desafio porque acredito que posso fazer muito para Mato Grosso.

 

A política é séria demais para a gente poder só viver de likes e gritos e lacração. A vida das pessoas é importante demais para a gente deixar de discutir problemas reais que a gente precisa. A política exige de nós resultados.

 

E o Pivetta tem o slogan do “fazimento”, que me conecta muito. A gente tem que fazer entrega. O povo paga imposto, paga caro demais, para a gente poder procurar uma saúde e não ter atendimento. A gente paga caro demais para ter uma escola e, muitas vezes, tem que pagar uma escola particular. E essa realidade está mudando em Mato Grosso. 

 

Hoje, a gente vê escolas públicas com mais qualidade que muitas privadas, isso é resultado. A gente quer continuar com que Mato Grosso continue crescendo, prosperando e que chegue em cada mato-grossense, não só alguns, é para todos.

 

Mato Grosso não pode parar. E é desse jeito que a gente vai caminhar e lutar para conseguir a confiança de todos.

 

Veja entrevista:

 

 

 

FONTE: MIDIA NEWS

comando

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