O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, na manhã desta sexta-feira (21), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao longo de 1 hora e 20 minutos de diálogo, descrito pelo Palácio do Planalto como de tom “amistoso e cordial”, Lula afirmou que as alegações norte-americanas para a recente imposição de tarifas contra produtos brasileiros são “infundadas”.
As novas barreiras comerciais haviam sido determinadas com base em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo norte-americano fundamentou as medidas em tópicos como desmatamento, combate à corrupção, funcionamento do PIX, mercado de etanol e supostas importações de produtos ligados a trabalho forçado. Esses pontos, conforme o Planalto, foram integralmente rebatidos pelo presidente brasileiro durante o telefonema.
Lula pontuou que as tarifas afetam negativamente a economia de ambos os países e ressaltou que a manutenção das negociações é o melhor caminho bilateral. Segundo o Planalto, Donald Trump concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais e sugeriu que as equipes técnicas dos dois governos voltem a se reunir o mais brevemente possível.
Crime organizado e segurança pública
Durante a ligação, segundo o governo, o presidente brasileiro reiterou o interesse do país em cooperar com Washington no enfrentamento ao crime organizado. Lula destacou a visão do governo brasileiro sobre as facções criminosas. E argumentou que, embora grupos criminosos imponham terror cotidiano às populações mais vulneráveis, não se confundem com organizações terroristas.
Segundo Lula, o Brasil já possui instrumentos legais para combatê-los sem a necessidade de classificações especiais.
O Planalto disse que o petista informou sobre a estratégia de estrangulamento financeiro das facções, que já gerou a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. E também citou, na conversa, o plano de converter 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima.
Lula mencionou ainda a aprovação da Lei Antifacção (que agiliza a apreensão de bens e passaportes) e a proposta de emenda à Constituição (PEC), em análise no Congresso, para ampliar a atuação da União na segurança pública em conjunto com os estados.
O petista citou também a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que integra autoridades policiais de todos os países da bacia amazônica. Em resposta, Trump manifestou disposição em fortalecer a cooperação e indicou que encarregará funcionários de alto escalão para avançar nas tratativas do setor.
FONTE: Folha Max





