O juiz da 7ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT), Jean Garcia de Freitas Bezerra, autorizou a Polícia Judiciária Civil (PJC) a utilizar um Honda/HR-V 2021 (uma SUV produzida pela montadora japonesa), um Chevrolet Cruze 2014 e um Toyota Corolla 2015. Os veículos foram apreendidos durante a Operação Tarântula, da PJC, que desmantelou uma organização criminosa envolvida em roubos, desmanche e “revenda” de automóveis na fronteira entre o Brasil e a Bolívia.
Conforme os autos, cada um dos veículos pertence a três alvos diferentes da operação “Tarântula”, deflagrada no dia 1º de setembro de 2022. A SUV da Honda é de Gustavo de Andrade Borges, proprietário da Guga Autopeças, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Ele é apontado como líder da organização criminosa, utilizando seu estabelecimento comercial como um “desmanche”. As investigações revelaram que ele movimentou R$ 11 milhões entre os anos de 2017 e 2022.
O processo também revela que o Chevrolet Cruze foi apreendido com Lucas Gomes da Silva, conhecido como “Alemão”, envolvido em roubos de residências de condomínios de luxo na região metropolitana de Cuiabá – inclusive cooptando adolescentes para os crimes.
Já o Toyota Corolla estava em posse de Neivison Oliveira Araújo, que seria beneficiário de transações bancárias que indicam a prática de lavagem de dinheiro, além de ser suspeito de também cooptar adolescentes para um roubo no condomínio de luxo “Florais da Mata”, em Várzea Grande.
Em decisão do último dia 13 de dezembro, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra concordou que a utilização dos veículos seria “melhor” do que deixá-los num pátio.
“Manter os veículos no pátio de uma unidade policial, sujeitos às intempéries climáticas e depreciação natural pelo decurso do tempo, sem qualquer utilização ou destinação cautelar, afigura-se avesso aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mormente se levarmos consideração que referidos bens serão empregados nas atividades de investigação e combate ao crime organizado”, analisou o magistrado.
OPERAÇÃO TARÂNTULA
A Operação Tarântula foi deflagrada pela Polícia Civil no dia 1º de setembro de 2022, e cumpriu mandados contra o furto de carros em condomínios de luxo. A lista, que tem 23 alvos, contém nomes de pessoas físicas e de empresas, entre elas, lojas de peças automotivas e de revenda de usados. As ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Lucas do Rio Verde, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda.
As investigações identificaram a existência de cinco células distintas com atuações bem definidas dentro da organização criminosa. A primeira célula ficava responsável pelos diversos furtos qualificados no período noturno em condomínio em Cuiabá e Várzea Grande.
A segunda célula era voltada aos desmanches ilegais, sendo constatado que o grupo realizou diversas ações criminosas envolvendo veículos de luxo e caminhões. O objetivo seria abastecer o mercado ilegal de venda de peças usadas na região metropolitana e no interior do Estado. Conforme a PJC, as outras células atuavam na adulteração de placas de veículos, vendas on-line e na divisa entre Brasil e Bolívia, bem como lavagem de dinheiro.
FONTE: Folha Max
