Padre executado pela ditadura em Mato Grosso tem certidão de óbito corrigida | RDNEWS

O Governo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), retificaram a certidão de óbito do padre João Bosco Penido Burnier, assassinado com um tiro na nuca, por um policial, em outubro de 1976, quando defendia duas mulheres que eram torturadas em uma delegacia de Ribeirão Cascalheira (a 749 km de Cuiabá), em plena ditadura militar (1964-1985).

Reprodução

Em 2010, a Comissão reconheceu que o sacerdote “morreu por causas não naturais em dependências policiais por ter participado ou ter sido acusado de participação em atividades políticas”. Mas nesta quinta-feira (28), retificou o documento, descrevendo como “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população, identificada como dissidente política por regime ditatorial”.

O policial que atirou no padre nunca foi processado porque o regime militar considerou o fato como um “acidente”. Conforme relatos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o bispo emérito de São Félix do Araguaia Dom Pedro Casaldáliga, que morreu em 2020, testemunhou o homicídio de Burnier.

Ambos chegaram à delegacia para defender as mulheres que eram torturadas, mas Burnier teve uma grande discussão com os policiais e ameaçou denunciá-los na Justiça antes de ser agredido, golpeado na cabeça com um revólver e assassinado com um tiro na nuca.

Casaldáliga relata em um de seus livros que, após a missa de sétimo dia pela morte do padre, a população de Ribeirão Cascalheira foi em procissão até a delegacia, arrombou as portas e as grades e libertou os presos. No local, foi construída posteriormente uma igreja, apesar da oposição da Polícia.

A solenidade de correção da certidão óbito do Padre Burnier ocorreu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), e incluiu o reconhecimento de outras 62 pessoas (clique e veja lista), vítimas da ditadura militar.

Origem de Burnier

Burnier é nascido em 11 de junho de 1917, natural da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O jesuíta, que se formou em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, onde foi ordenado padre em 1946, se destacou por sua atuação no país em defesa dos índios e foi um dos membros do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), organismo vinculado à CNBB. Nos últimos anos de vida, Burnier trabalhou como missionário em Diamantino (MT), onde cuidava de membros das etnias Bakairi e Xavante, cujas línguas ele conhecia e falava. (Com informações da Agência Brasil e CNBB)

FONTE: RDNEWS

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