Diferenciar para ocupar espaço: lições do posicionamento político e institucional | RDNEWS

Rodinei Crescêncio/Rdnews

No marketing, posicionamento é a arte de encontrar e ocupar um espaço único na mente do consumidor. Mais do que simplesmente “ser conhecido”, trata-se de ser lembrado da forma certa, por aquilo que se deseja representar. O mesmo raciocínio pode — e deve — ser aplicado à política e à comunicação institucional. Afinal, em um ambiente saturado de vozes e mensagens, quem não encontra uma forma de se diferenciar corre o risco de ser apenas mais um.

Philip Kotler define posicionamento como a construção de uma proposta clara de valor, sustentada na percepção. Na política, isso significa escolher conscientemente qual espaço deseja ocupar na mente do eleitor: o da confiança, da inovação, da experiência, da proximidade, da defesa de causas ou da capacidade de entregar resultados.

Mas como encontrar esse espaço? Podemos pensar em três dimensões complementares de diferenciação: funcionais, simbólicas e de experiência.

O desafio de quem comunica na política não é ser “tudo para todos”. É escolher conscientemente qual espaço deseja ocupar e sustentar esse posicionamento com coerência e consistência.

1. Diferenciação Funcional: resolver problemas concretos

É o caminho mais direto do posicionamento. Aqui, a diferenciação acontece ao oferecer soluções objetivas e benefícios claros.

Na política, isso se traduz em mostrar resultados: projetos aprovados, obras entregues, políticas públicas implementadas. O político que comunica de forma funcional conquista reconhecimento por sua capacidade de resolver problemas.

Exemplo prático: um prefeito que transforma a saúde municipal ao digitalizar atendimentos e reduzir filas de consultas. Sua marca passa a ser a eficiência na gestão.

2. Diferenciação Simbólica: conectar-se pela identidade

O aspecto simbólico vai além da entrega. É sobre identidade, valores, propósito. É quando o eleitor diz: “ele fala como eu, pensa como eu, representa o que acredito”.

Esse posicionamento mexe com o ego, com a sensação de pertencimento e identificação. Aqui, o político deixa de ser apenas um gestor e passa a ser símbolo de um grupo, de uma luta ou de uma causa.

Exemplo prático: líderes que se colocam como representantes de movimentos — seja da juventude, da educação, da agricultura familiar ou de valores conservadores. O voto, nesse caso, é também uma afirmação de identidade.

3. Diferenciação pela Experiência: gerar vivências memoráveis

Mais recente no campo político, mas cada vez mais relevante, é a diferenciação pela experiência. Não se trata apenas do que o político faz ou do que simboliza, mas de como faz sentir.

Campanhas, mandatos e até simples encontros podem ser transformados em experiências sensoriais e cognitivas. Um evento político bem pensado, uma interação digital inovadora, uma presença marcante em comunidades geram memórias que constroem vínculo.

Exemplo prático: quando um deputado cria um gabinete itinerante que percorre municípios com estrutura de serviços públicos, ele não apenas comunica proximidade — ele a materializa em experiência vivida pelos cidadãos.

Conclusão: escolher e sustentar um espaço

O desafio de quem comunica na política não é ser “tudo para todos”. É escolher conscientemente qual espaço deseja ocupar e sustentar esse posicionamento com coerência e consistência.

A diferenciação pode vir da eficiência na entrega, da força simbólica da identidade ou da experiência gerada junto às pessoas. O importante é que ela seja clara, repetida e reconhecida.

Em um ambiente político marcado pela abundância de mensagens, a diferenciação é o que transforma ruído em significado, presença em memória e discurso em poder real.

Mariana Bonjour é advogada e consultora política. Escreve com exclusividade para esta coluna às sextas-feiras

FONTE: RDNEWS

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