João Vieira/A Gazeta
O megaprodutor agrícola e ex-governador, Blairo Maggi (PP), acredita que queda do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não teve participação decisiva da diplomacia do Brasil, mas sim, dos impactos na inflação de alimentos que passou a ser sentida pelos americanos nos últimos meses, desde a sanção que entrou em vigor em agosto deste ano. A queda ocorreu em 21 de novembro.
“A inflação lá, de fato, pegou. Pegou e pegou na alimentação. Onde o Brasil fornece bastante coisa para eles e essa solução de uma redução da tarifa eu não creio que Trump fez para agradar o Brasil, não”, disse o ex-governador em entrevista à imprensa.
Inicialmente, as tarifas haviam sido impostas pelo presidente Donald Trump sob alegação de que estaria tendo déficit na balança comercial com o Brasil – versão desmentida – e a inclusão da resistência ao processo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que à época, estava prestes à ser julgado no inquérito da trama golpista, que terminou com o “capitão” condenado a 27 anos de prisão, mesmo sob tentativa de interferência.
O governo brasileiro se aproximou de Trump depois do próprio americano demonstrar receptividade ao dizer, durante discurso em evento da ONU, que havia ‘pintado uma química’ com Lula e que certamente sentariam para dialogar. As conversas avançaram em banho-maria até a redução das sobretaxas. Na avaliação Blairo, que esteve nos últimos dias em solo americano, a população estava sofrendo com a alta dos alimentos, aumentando a pressão sobre Trump, que teria o deixado sem saídas, a não ser a reavaliação.
“Ele fez para poder agradar a população interna dele que está com a inflação bastante alta. Acho que é o jogo do mercado. O mercado é soberano, ele se ajusta sozinho. Não adianta botar decretos contraditórios aquilo que o mercado vai normalmente […] Não desmerecendo absolutamente ninguém. A diplomacia tem que entrar em campo a todo momento que se faz necessário. Agora, eu não tenho dúvida nenhuma de que a deficiência ou alta dos preços que aconteceram nos EUA fez com que o governo americano olhasse para esse negócio”, disse.
Mato Grosso não foi afetado gravemente pelo tarifaço, pois tem como maior parceiro comercial a China, responsável por 46% do total exportado entre janeiro e junho deste ano, segundos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
FONTE: RDNEWS
