O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) não esconde a preferência pela reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) no pleito que ocorre em outubro. Ele, no entanto, disse que não fará qualquer movimento que contrarie o projeto eleitoral do próprio partido, que tem o senador Wellington Fagundes (PL) como pré-candidato ao Palácio Paiaguás.
Falei para ele que o ideal era que fizéssemos uma composição do PL, de maneira que o PL fosse o vice
Em entrevista ao MidiaNews, Abilio citou a relação de amizade e a parceria política e administrativa construída com Pivetta para desejar a reeleição. Para ele, o ideal era que a sigla bolsonarista indicasse o vice do atual gestor. “Eu torço pela reeleição dele e já deixei isso claro”, afirmou.
“Falei para ele que o ideal era que fizéssemos uma composição do PL, de maneira que o PL fosse o vice. Seria o ideal para mim”, disse ao descartar que tenha sugerido o nome de sua esposa, a vereadora Samantha Iris (PL).
Apesar da preferência, Abilio ressaltou que faz uma distinção entre posicionamento político e declaração de voto. “Está claro: não vamos posicionar contra o PL. […] Eu não vou, de maneira nenhuma, construir algum tipo de posicionamento que faça um desmerecimento ao projeto do PL em Mato Grosso e a nível nacional”, disse.
Ainda na entrevista, Abilio disse ser alvo de “ataques” de membros da Assembleia Legislativa, falou sobre sua relação com os vereadores de Cuiabá e fez um balanço sobre um ano e meio da sua gestão.
Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):
MidiaNews – O senhor já disse que deve manter uma certa neutralidade na eleição para o Governo. Como está sua relação com os pré-candidatos?

Há uma diferença entre posicionamento e declaração de voto. Precisa-se deixar bem claro
Abilio Brunini – Há uma diferença entre posicionamento e declaração de voto. Precisa-se deixar bem claro. Meu posicionamento é claro. A declaração de voto, que muitos esperam, que não é. Está claro: não vamos posicionar contra o PL.
Eu estou entre os dez principais influencers políticos do país nas redes sociais. E isso me traz uma certa responsabilidade. Imagina o prefeito de uma capital se posicionando contra a candidatura do seu próprio partido no Estado. Qual a ressonância disso a nível nacional? Não farei esse tipo de posicionamento. Eu tenho responsabilidades com o meu partido. Sou muito grato ao meu partido, a tudo que foi construído via ele.
E eu não vou, de maneira nenhuma, construir algum tipo de posicionamento que faça um desmerecimento ao projeto do PL em Mato Grosso e a nível nacional. A minha preocupação quanto a isso me dá responsabilidades que tenho que tomar cuidado.
Ao mesmo tempo, eu demonstro claramente a minha relação com Otaviano Pivetta. A minha amizade de longa data, desde 2020. As relações de trabalho que a gente tem feito. As construções políticas que temos feito entre a Prefeitura de Cuiabá e o Governo do Estado. Aquilo que a gente tem conquistado de melhoria para o município. Os projetos e convênios que são assinados.
Agora, eu não faço declaração de voto. E assim resguardo o meu partido político e resguardo a minha posição de prefeito.
Tenho feito meus posicionamentos de forma clara. Meu candidato a presidente da República, todos sabem. É o Flávio Bolsonaro. José Medeiros é o meu candidato ao Senado do Estado de Mato Grosso e defendo muito a candidatura dele. E defendo a Samantha como pré-candidata a deputada estadual.
As pré-candidaturas a federal, e outras, a gente está em conversas, está em construção. Mas, de maneira nenhuma, me omito.
Victor Ostetti/MidiaNews

O prefeito Abilio Brunini defendeu composição entre PL e Republicanos, mas ponderou que na eleição estadual tem pouca influência dentro da sigla
MidiaNews – Essa parceria entre Cuiabá e a gestão Pivetta tem dado alguns resultados, vocês têm diversos projetos juntos. Não seria interessante a reeleição do Pivetta para Cuiabá?
Abilio Brunini – Eu torço pela reeleição dele e já deixei isso claro. Falei para ele que o ideal era que fizéssemos uma composição do PL com ele de maneira que o PL fosse o vice do Pivetta. Seria o ideal para mim.
MidiaNews – A sua esposa como vice?
Abilio Brunini – Não, não precisa ser minha esposa, não. O meu desejo é que ela seja deputada estadual. Inclusive, já tinha posicionado isso ao próprio Pivetta.
MidiaNews – Essa conversa que o senhor teve com o Pivetta sobre vice, chegou a defender algum nome?
Abilio Brunini – A escolha do vice é do próprio candidato. Eu não vou fazer isso. A minha vice foi eu que escolhi. E hoje pago o preço disso. A culpa é minha, mas eu que escolhi.
Eu acreditava que aquela pessoa que se tornou minha vice defendia os valores que eu acreditava. Infelizmente, acho que o maior enganado fui eu, porque acreditava que estava colocando uma pessoa de direita na Prefeitura e aos poucos essa pessoa foi revelando outros posicionamentos. Eu já vi ela dando entrevista contra o Bolsonaro, já vi ela defendendo Emanuel.
MidiaNews – Foi uma punhalada pelas costas?
Abilio Brunini – Eu não acredito que seja punhalada, nem nada. Mas foi, infelizmente, uma revelação que eu não gostaria de ter tido. Se ela tivesse dito isso antes de a gente fazer uma composição, não seria vice. Se eu soubesse, por exemplo, que ela era aliada da Janaina Riva antes dela se filiar ao Novo e ser candidata com a gente, ela não seria minha escolha.
MidiaNews – Uma matéria da Folha de São Paulo informou que uma construção nacional entre o Republicanos e a candidatura do Flávio Bolsonaro poderia haver e estava à mesa essa aliança com o Otaviano Pivetta.
Abilio Brunini – Eu já sondei isso no partido, não ouvi essa conversa lá. Eu vi isso na imprensa, mas no partido não vi essa conversa.
MidiaNews – E essa conversa do Wellington poder desistir da candidatura ao Governo?
Abilio Brunini – Também não ouvi isso. Nem dele, nem de ninguém próximo a ele.
MidiaNews – Hoje, guardado o cenário, essa aliança PL e Republicanos é possível?
Abilio Brunini – Na política, tudo é possível. Desde que o Mauro Mendes, às vésperas da convenção decidiu desistir da reeleição, tudo é possível. Na convenção, o Mauro chegou e falou que não seria candidato a prefeito e o grupo político dele teve que arrumar um candidato na última hora. Todas essas coisas são possíveis.
Vai depender do jogo político, vai depender do que eles desenharem. O importante é que eu não participo dessa discussão. Não tenho que me preocupar com isso.
Até porque não participo das reuniões do partido para escolher o candidato ao Governo, porque, como tenho um posicionamento muito ligado a um dos candidatos, posso acabar por relacionamento pessoal prejudicando qualquer aliança que eles tentem fazer num espectro político.

Se o PL quiser ser o governador? É decisão partidária, o PL faz o que quiser. A minha sugestão é aberta. O ideal seria a composição
Se me perguntarem a minha opinião, vou falar: o bom é compor. Seria bom compor como? Bom, acho que poderia compor com a vice do PL e ajudar a conduzir o Estado do jeito que está por mais quatro anos, que tem sido uma boa condução dos últimos oito anos.
Ah, mas e se o PL quiser ser o governador? É decisão partidária, o PL faz o que quiser. A minha sugestão é aberta. O ideal seria a composição.
MidiaNews – Há alguns ruídos na candidatura do Flávio Bolsonaro. Primeiro, a respeito do caso Vorcaro, agora um bate-boca público com a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro. Isso está enfraquecendo a candidatura dele? Ele vai conseguir se recuperar ?
Abilio Brunini – O primeiro turno é aprovação. O segundo turno é rejeição. O Lula tem 53% de rejeição. Não tem na história das eleições no Brasil um candidato com uma rejeição tão alta que consiga ser reeleito. Se ele conseguir, é um feito histórico.
O Flávio tem uma rejeição muito mais baixa do que a dele. E o Flávio tem uma aprovação equivalente. É uma eleição de voto a voto. O que a gente vê é que Estados que antes eram considerados pequenos, como o nosso, por exemplo, pode ter um papel muito significativo.
Porque se tiver 200 mil votos de diferença em Mato Grosso, ele interviu diretamente no processo eleitoral e trouxe resultado. Antes, as eleições, estavam vinculadas aos Estados maiores, como Minas Gerais, que era sempre um Estado decisivo, a Bahia. Só que hoje a gente vê o crescimento do Flávio no Nordeste. Significativamente.
E temos candidaturas no Nordeste que estão muito mais viáveis hoje do que estiveram no passado. E isso traz todas essas polêmicas e discussões e conflitos, e é natural. Mas acredito piamente que o segundo turno vai dar Flávio Bolsonaro. E o próprio cenário político que está demonstrando isso. Ah, mas e a discussão com a Michelle? Acho que essas são coisas passageiras, acontecem, daqui a pouco está superada e as coisas seguem adiante.
MidiaNews – Qual a sua avaliação desse um ano e meio à frente do Palácio Alencastro? A Prefeitura de Cuiabá já está como o senhor gostaria?
Victor Ostetti/MidiaNews

O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini admite que gestão “não está do jeito” que ele queria, mas citou avanços
Abilio Brunini – A Prefeitura não está do jeito que eu queria. Mas é bom fazer uma retrospectiva. Assumimos Cuiabá com R$ 2 bilhões de dívidas, com o salário do servidor atrasado, sem pagar o décimo terceiro. Tivemos que correr atrás para conseguir pagar o servidor, que estava há mais de 30 dias sem receber. Foi muito desafiador!
E o nosso grande desafio, hoje, é a parte econômica, colocar o caixa da Prefeitura em ordem. Muita gente tem memória curta. As pessoas não lembram que, em dezembro, o lixo não estava sendo coletado. Passaram o Natal e o Réveillon com o lixo empilhado em frente de casa. Tínhamos bocas de lobo quase todas entupidas e, por isso, tinha muita enchente. O salário do servidor atrasado, unidades de saúde com problemas de falta de medicamento. Ou seja, recebemos a gestão um caos e até hoje colhemos os desgastes da situação.
A gente montou uma equipe muito bem qualificada, que tem à frente Marcelo Bussiki [Economia], e tantos outros nomes competentes que acabaram dando um norte positivo para a gestão.
MidiaNews – O que, por exemplo?
Abilio Brunini – Em um ano e meio, o Centro Médico Infantil foi instalado, que sem ele a gente nem sabe como seria o atendimento das crianças durante as crises que a gente passou. Inauguramos dois CAPs. Fizemos a inauguração de unidades básicas de saúde e colocamos um novo modelo de parque infantil, como no Museu do Rio. Colocamos o Aquário Municipal gratuito.
A gente ainda fez vários eventos promovendo artistas locais, com lambadão, sertanejo. O aniversário de Cuiabá foi bem valorizado. Atividades do esporte. A gente reativou o “Bom de Bola, Bom de Escola”. Ainda investimos muito na educação, material didático, os uniformes, e café da manhã.
Colocamos o Parque das Águas de novo para funcionar, com a fonte. A Praça Santos Dumont a gente requalificou. Estamos requalificando a Praça Alencastro. Ou seja, fizemos muita coisa em um ano e meio. E a nossa grande conquista foi conseguir, ao mesmo tempo que fazia essas atividades, cortar despesas.
MidiaNews – E como está a sua relação com o servidor após um ano e meio de gestão?

Relação com servidor é de amor e ódio. Mas, faz parte. A gente não consegue agradar todo mundo
Abilio Brunini – É uma relação de amor e ódio. Mas, faz parte. A gente não consegue agradar todo mundo. Algumas decisões atendem uma categoria de profissionais e a gente não consegue atender todas ao mesmo tempo.
Quando a gente optou por atender primariamente as técnicas de desenvolvimento infantil, como professoras, melhorar o salário delas e deixar equivalente ao salário de um professor, a gente conseguiu atender essa pauta. Mas a gente não conseguiu atender a pauta do professor que também gostaria de ter uma reavaliação do plano carreira.
Nós ainda temos que atender professor, vigilante, técnicos, tem muitos. Mas a parte econômica do município tem que acompanhar essa evolução. A gente não pode sair aumentando despesas o tempo todo sem ter um equilíbrio econômico. A gente foca no que é mais precário e aos poucos vamos ajustando.
MidiaNews – O senhor ingressou na Justiça para questionar o quórum exigido para aprovação de determinados projetos na Câmara de Cuiabá. A decisão foi uma conversa com a presidente Paula? Como foi feito esse pedido?
Abilio Brunini – Sim, foi conversado com a presidente Paula, mas o nosso objetivo não é o que estão dizendo. Eles estão dizendo que a gente está fazendo isso por causa da eleição da Mesa Diretora. Não, não é por isso que a gente está fazendo.
A gente precisa aprovar o Plano Diretor, a Lei de Desocupação do Solo e temos que aprovar, inclusive, essa questão dos terrenos de 10m x 20m. E o Regimento Interno está assimétrico, ou seja, diferente da Constituição Federal e Estadual. Está dizendo que para aprovar projetos como estes seriam necessários dois terços.
Nós estamos pedindo que o quórum de aprovação desses projetos seja o mesmo quórum que a Lei Federal determina. E já tem decisões do Supremo Tribunal Federal, de outras prefeituras e Câmaras, que pediram esse reequilíbrio de quórum. E estamos dentro do nosso direito.
Victor Ostetti/MidiaNews

O prefeito Abilio diz que pedido judicial para mudança no quórum de votação não tem a ver com eleição da Mesa Diretora
Sobre o Regimento Interno, votação e tudo mais, isso cabe à Câmara. O que precisamos é que a Câmara vote os nossos projetos. O Plano Diretor que está sendo concluso, e está tendo as últimas discussões, é polêmico. Porque algumas pessoas não concordam, por exemplo, com o terreno de 10m x 20m, algumas pessoas querem que o terreno seja de 130 m² e a gente não concorda com isso. Nós temos a questão do limite do perímetro urbano, que a gente não quer ficar fazendo a expansão do perímetro para aproveitar melhor as áreas internas.
E essas discussões, principalmente por causa do período eleitoral, se acaloram. Você percebe determinados personagens que são pré-candidatos a deputado federal ou estadual indo até à Câmara, fazendo jogo político, tentando distorcer as narrativas para buscar, talvez, impedir que tenhamos o número de votos necessário para aprovar o projeto.
MidiaNews – Como isso ocorre?
Abilio Brunini – Se a gente tiver 17 votos em um projeto, mas a oposição tiver 10 votos, o projeto não é aprovado por um voto. Já se a gente seguir a simetria da lei federal, da Constituição Federal, e tiver 14, a gente aprova.
MidiaNews – Mas não é serviço do Executivo fazer essa argumentação e esse trabalho de convencimento também que o projeto que apresentou é importante?

Temos que convencer a maioria, que são 14 votos. A gente não tem que convencer quase toda a Câmara, o que é quase impossível.
Abilio Brunini – Sim, é serviço do Executivo. Acontece que temos que convencer a maioria, que são 14 votos. A gente não tem que convencer quase toda a Câmara, o que é quase impossível.
Imagina se o Lula tivesse que convencer dois terços do Congresso para conseguir aprovar seus projetos lá. Quase nada seria aprovado. Só o PL e a direita, por exemplo, tem mais de um terço do Congresso. Por isso que a Constituição Federal fala a maioria e não fala em dois terços. E estamos buscando esse reconhecimento.
MidiaNews – O senhor não crê que está interferindo diretamente no Legislativo?
Abilio Brunini – Eu estou fazendo o meu dever em defender o Poder Executivo. E o Executivo, o tempo todo, é ameaçado por diversas ações. A Câmara Municipal aprova inúmeros projetos inconstitucionais que geram custos para ao Executivo.
Eu veto esses projetos, por serem inconstitucional, e a Câmara derruba o veto e continua impondo ao Executivo. Então, essa disputa acontece naturalmente. Agora, não estamos invadindo a competência do Poder Legislativo. Estamos querendo que seja reconhecido aquilo que a legislação nos permite.
E quem vai votar se vai aprovar ou não os projetos é o Legislativo. A nossa discussão é a respeito do quórum necessário para aprovar. Imagina toda vez eu ter um desgaste para convencer dois terços. Não faz sentido.
MidiaNews – Os vereadores Dilemário e Baixinha, que são da base aliada do senhor, disseram que foram pegos de surpresa com ação na Justiça. Como está essa relação?

Não podemos deixar que a eleição da Mesa Diretora contamine a aprovação dos projetos da Prefeitura. Mesa Diretora é discussão deles. Projetos da Prefeitura é discussão nossa
Abilio Brunini – Minha relação com eles é boa. Realmente foram todos pegos de surpresa. Porque não conversamos com cada um, na individualidade, para tentar explicar essa situação. Estamos às vésperas de ter o fechamento do primeiro semestre na Câmara Municipal, tem a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] para votar e outros projetos, e com esse conflito político que está tendo, por causa da eleição de Mesa Diretora, a gente precisa se precaver.
Não podemos deixar que a eleição da Mesa Diretora contamine a aprovação dos projetos da Prefeitura. Mesa Diretora é discussão deles. Projetos da Prefeitura é discussão nossa. O interesse da Prefeitura tem que ser defendido.
MidiaNews – O senhor admite que pode ter um entrave entre o Executivo e o Legislativo por conta dessa ação?
Abilio Brunini – Entrave não, até porque nessa ação tivemos o apoio do Legislativo.
MidiaNews – Da presidente, mas não de todos.
Abilio Brunini – A Câmara é presidencialista. Ou seja, o presidente representa a Câmara e ela exerceu o seu poder. Num processo judicial, a Câmara se manifesta através da procuradoria. Ela não se manifesta através da individualidade de cada um dos vereadores, senão nunca haveria consenso.
MidiaNews – Caso essa ação não prospere, e a reeleição da Paula não aconteça, o Ilde Taques se posiciona como um candidato muito forte. Se ele for presidente da Câmara, o senhor teme que haja uma presidência e uma Câmara de oposição à sua gestão?
Abilio Brunini – Temer, não temo. O que vejo é membros da Assembleia Legislativa, tentando interferir nesse processo como um todo, por vários interesses políticos. E isso a gente já viu no passado, tem visto em Várzea Grande.
A eleição do presidente da Câmara de Várzea Grande teve a presença da deputada estadual Janaina Riva, que foi a uma reunião que antecedia a votação em uma chácara. E aqui eu percebo que há também uma participação muito forte dos deputados.
MidiaNews – O senhor fala do presidente do Podemos em Mato Grosso, deputado Max Russi?
Abilio Brunini – Eu não posso comprovar que seja o Max Russi, mas o partido principal que está assumindo essa posição de oposição em Cuiabá é o Podemos, que é o partido do Max. Hoje, quase todos os membros do Podemos, com exceção do Kássio Coelho, estão na oposição.
Victor Ostetti/MidiaNews

O prefeito Abilio Brunini, que sugere interferência de deputados no legislativo municipal
Ou seja, se o presidente da Assembleia e o presidente do Podemos, que é o Max Russi, não tivesse interesse em fazer oposição à Prefeitura, há de se estranhar a não conversa entre os membros desse partido, principalmente os cabos eleitorais dele, como Ilde Taques, Katiuscia Mantelli, e Sargento Joelson. Eles estão fazendo um papel praticamente de oposição no Legislativo, e somaram a outros vereadores de oposição.
E vejo também a deputada Janaina Riva, por exemplo, buscando uma relação com outros políticos, até minha vice-prefeita a Vânia Rosa, por exemplo. Eu percebo que existe uma influência do Legislativo estadual. Mas é natural, acho que faz parte da política, não tenho que condenar nada disso.
Acredito que cabe aos deputados a manifestação do seu interesse. Se eles têm interesse em ter a maioria na Câmara, em fazer oposição ao Abilio nos dois últimos anos de mandato, para tentar prejudicar o mandato, inviabilizar uma reeleição… Faz parte do jogo.
MidiaNews – O senhor está me dizendo que está apenas reagindo, então?
Abilio Brunini – Nem reação, nem temor. É adaptabilidade. Se a Assembleia tem o interesse de se envolver com o Legislativo de Cuiabá e formar a maioria contra o Abilio, eu me adapto a essa circunstância e vou me modelar ao processo político. Sei como as coisas são.
E se esse enfrentamento com o Legislativo acontecer nos dois últimos anos de mandato, fazer o quê?
MidiaNews – E por que esse interesse? Por que eles querem a Prefeitura de Cuiabá em 2028? Por que o senhor tem uma candidata forte para uma cadeira da Assembleia na eleição deste ano, que é a vereadora Samantha Iris?
Abilio Brunini – As duas coisas. Todas as pesquisas que batem em Cuiabá e em Mato Grosso, a Samantha protagoniza um espaço nas pesquisas. Ela nem começou a pré-campanha dela, não tem uma reunião, nada.
Agora, percebo que essa posição forte da Samantha acaba incomodando, principalmente vereadores que são candidatos. Algum vereador que é candidato pensa: “Poxa, ela vai ganhar e eu não vou”. E começa a ter essas preocupações.
Já a eleição de 2028 também é outro tema. Houve uma organização para que eu não fosse prefeito. Teve muitos vereadores, deputados, que acabaram entrando em um projeto contrário.
Claro que, a partir do momento que se aproxima dos dois últimos anos de mandato, haverá um aquecimento desse processo eleitoral. Imagino que partidos políticos que hoje não têm abertura na Prefeitura de Cuiabá, que não têm secretaria, começam a se movimentar. O Podemos mesmo me pediu uma secretaria. E eu disse: Não dou!

O Podemos mesmo me pediu uma secretaria. E eu disse: Não dou!
Me disseram: “Nós temos a maioria dos vereadores, temos o direito de ter uma secretaria”. Não tem, não! Não é assim. As coisas não são desse jeito.
MidiaNews – E quanto a Samantha?
Abilio Brunini – Eu entendo que, além de tudo, é estratégico se eleger deputada estadual. É uma proteção que a gente precisa ter na Assembleia Legislativa. Pois de lá está vindo um ataque à nossa gestão. Nós precisamos nos precaver.
O nosso principal conflito hoje está na Assembleia Legislativa. E, muitas vezes, o que eles nos criticam, como a Assembleia Legislativa nos critica, não praticam na própria gestão deles.
Se tem uma rodovia no Estado que está com problemas, que nem a MT-170, eu não vi quase nenhum deputado se posicionar sobre esse assunto. Mas, quando o assunto é local, eles se posicionam sobre o assunto local.
MidiaNews – Mas os deputados da Baixada Cuiabana e do PL, como o Faissal Calil, que já estão na Assembleia não fazem essa defesa?
Abilio Brunini – Alguns poucos fazem. Mas a Samantha vai ajudar a gente a ter mais solidez nessa defesa. Tomaram o Morro de Santo Antônio e o Hospital Júlio Muller em uma votação que ninguém nem prestou atenção, naquela estratégia Wilson Santos de ser.
A gente precisa de recursos. Posições ideológicas, das quais a gente defende. Discutir, por exemplo, que o Vale Estudante, o passe estudante, seja gratuito pelo Estado. Somos nós, de Cuiabá, que pagamos a gratuidade do estudante da rede estadual. E isso impacta muito no orçamento do município.
Nós temos que equilibrar esse jogo e eu acredito que a Samanta, na Assembleia Legislativa, vai nos ajudar muito.
MidiaNews – A última polêmica da sua gestão foi o decreto que vedou a aprovação de projetos imobiliários com lotes abaixo de 200 m². Chegou a conversar com o setor imobiliário? O senhor achou que esse setor criticaria com tanta contundência esse projeto?
Abilio Brunini – Eu conversei com muita gente para tomar essa decisão. E não é o setor todo que ficou descontente. É alguns grupos que trabalham com a precarização da habitação, que falam que vai arrancar muito lucro deles. Inclusive, a construção de habitação de interesse social é a construção civil que está dando mais rendimento.
Inclusive, aumentou muito a construção de habitação de interesse social em detrimento da habitação de alto padrão. Em Cuiabá houve enfraquecimento na venda da construção de alto padrão e aumentou significativamente a venda da habitação de interesse social. E o metro quadrado vendido na habitação popular está maior do que muito metro quadrado construído da habitação convencional, não da de alto padrão, mas da convencional.
Eu não tenho nada contra o lucro. Para mim tudo bem, cada um tem seu lucro e eu sou capitalista. Mas a gente tem que preservar a qualidade de vida. Existem alguns critérios que a gente tem que colocar o pé e falar: “Esse aqui é o mínimo que a gente aceita”.
MidiaNews – Ocorre que essa metragem mínima afeta no preço dos terrenos.

O nosso cálculo é muito realista. O custo que se tem para investir em qualidade de vida, se paga
Abilio Brunini – Estamosos falando de 30 anos. Não estamos falando de um carro que você vai comprar nesse ano e daqui a dois anos vai vender. Essas casas são compradas para financiar em 420 meses, para passar uma vida vivendo nela.
O teto do Minha Casa Minha Vida, faixa 1 e faixa 2, é R$ 275 mil. A média dessas casas hoje está em R$ 240 mil. “Ah, mas vai subir R$ 20 mil nessas casas”. Se você pegar R$ 20 mil e divide em 30 anos, a parcela é insignificante em relação ao resultado que você vai ter de qualidade de vida.
Sobe R$ 50 na parcela, mas o cara vai ter 30 metros, 40 metros a mais de lote… O solo não vai ser impermeabilizado. Ele vai ter ventilação cruzada. Ele vai ter qualidade de vida dentro da habitação e vai permitir a sua ampliação.
O nosso cálculo é muito realista. O custo que se tem para investir em qualidade de vida, se paga.
Confira a íntegra da entrevista:
FONTE: MIDIA NEWS





