No momento que marca o período de convenções partidárias e fim da época de pré-campanha para as eleições, o professor e analista político Vinicius de Carvalho afirmou que o cenário eleitoral no Estado ainda é incerto, principalmente na disputa pelo Governo do Estado.
Wellington vem perdendo, porque ele estava muito inflado pelo recall […]. A pesquisa espontânea demonstra que está tudo ‘embolado’
Carvalho fez uma análise da conjuntura que se desenha e apontou os pontos positivos e negativos nas principais candidaturas ao Governo e Senado Federal. Na corrida ao Palácio Paiaguás, ele disse ver uma tendência de queda do senador Wellington Fagundes (PL). Para ele, o parlamentar tem liderado com certa folga devido a um ‘recall’ de outros pleitos.
“[O Wellington] pode murchar sim, porque vem caindo. Se olhar a diferença dele para Pivetta mais Natasha [somados], antes era muito grande e hoje eles somados ganham do Wellington. Ele vem perdendo, porque ele estava muito inflado pelo recall, pela memória de outras eleições. A pesquisa espontânea demonstra que está tudo ‘embolado’, essa é uma eleição muito nivelada”, disse em entrevista ao MidiaNews.
O analista também comentou sobre a competitividade do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o peso do apoio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à candidatura de Fagundes, o cenário eleitoral da disputa ao Senado Federal e sobre as chapas à Assembleia Legislativa e Câmara.
Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):
MidiaNews – O governador Otaviano Pivetta chegará na disputa pela reeleição com as realizações de sua gestão junto com Mauro Mendes e no cargo de chefe do Paiaguás. O cenário para ele é mais favorável?
Vinicius de Carvalho – Pela terceira vez consecutiva temos um governador buscando a reeleição, nunca tivemos isso. É inédito. Em 2018, Pedro Taques, 2022 Mauro e 2026 Pivetta. O Pivetta tem muitas fragilidades individuais e políticas, como o perfil dele mais austero, sem carisma, que contraria a cultura política tradicional, porque ele é um político que não promete.
Yasmin Silva/MidiaNews

Vinicius de Carvalho, que citou fragilidades de Pivetta, mas destacou sua competitividade
A maioria dos políticos promete e o povo já olha assim: “Se ele promete 10, vai fazer 3”. Agora o político que nem promete, o que vai fazer?
Mas ele vem na sucessão do Mauro, herda essa boa avaliação do governo Mendes, tem a estrutura do Estado em um momento bom, que está muito melhor, por exemplo, do que era na época do Pedro Taques.
O Taques ficou em terceiro lugar em 2018, com 8 mil votos abaixo do Wellington Fagundes, que foi o segundo, já o Pivetta ficará no mínimo em segundo lugar. Ele não vai ficar em terceiro, porque o Estado está melhor do que era na época do Taques.
Mais entregas, mais resultados, a parte fiscal também está bem melhor. Então, ele é um candidato competitivo. Pela força da máquina do Estado, que é significativa, e pelo agronegócio.
O agronegócio está no seu sexto mandato consecutivo, dois do Blairo, um do Silval, Taques que tinha Carlos Fávaro como vice, e os dois do Mauro, mas eles querem o sétimo mandato com o Pivetta, que é o nome deles. E a força econômica e política deles é muito grande em Mato Grosso, então essa força do grande agronegócio fazem dele um candidato competitivo.
Aí, vai depender muito mais de aspectos qualitativos, o perfil que o eleitor quer, se alguém mais empresarial, empreendedor, ou alguém com perfil mais de político tradicional.
MidiaNews – Existe a possibilidade de a deputada Janaina Riva desistir de disputar o Senado para ser vice de Pivetta. O nome dela agrega à candidatura do governador?
Vinicius de Carvalho – Eu acho pouco provável que a Janaina aceite. Para ela, acho muito ruim, mas para o Pivetta acho bom porque a chapa dele ganharia. Primeiro que tiraria uma candidata que é favorita ao Senado em uma eleição muito parelha, que vai ser [por diferenças] de 0,5% ou 1%. Ela é favorita pela amplitude que tem de alianças.

Aliança de última hora [com Janaina] poderia soar como oportunismo, mas para o Pivetta seria bom. Daria um ganho
Ela dobra um pouquinho com os candidatos à direita, o Antônio Galvan e o próprio José Medeiros, mas também dobra com o Mauro, com o Fávaro e até com o Pedro Taques. Então ela faz dobradinhas com quase todos os candidatos.
As pesquisas mostram que no segundo voto, ela ganha e no primeiro voto o Mauro ganha. Então, para ela, acho ruim, mas para o Pivetta é bom. Tiraria uma candidata que é um dos esteios dessas chapas de oposição.
Claro que, como ela fez oposição ao Mauro, seria algo um pouco difícil de explicar, é uma engenharia política complicada. Uma aliança de última hora poderia soar como oportunismo, mas para o Pivetta seria bom. Daria um ganho, porque ele tem esse déficit junto a mulheres, junto aos servidores públicos, que são segmentos que a Janaína bem representa.
MidiaNews – E como isso afetaria a campanha do Wellington Fagundes, como explicar a nora sendo vice do candidato rival?
Vinicius de Carvalho – Isso é mais um complicador, mas eles são pragmáticos. Quem ganha puxa os que perdem. O grupo se divide, até a família, mas o lado que ganha puxa o lado que perde.
Você vê isso com muita clareza no agronegócio, em como o agro está espalhado em todas as chapas: tem Mauro, tem Pivetta, tem Fávaro.
Seria realmente um desconforto, não só por questão familiar, mas Janaina é um grande ponto de apoio dessa chapa de oposição, do Wellington, Jayme e até o Max Russi com o Podemos. Seria muito ruim a perda da Janaina pela força política que ela tem hoje.
MidiaNews – O senhor acredita que a Janaina encontrará mais dificuldades se vir em chapa avulsa?
Vinicius de Carvalho – Pode acontecer com ela e com o União Brasil de ter uma chapa avulsa. Porque o Jayme pode perder a convenção, mas tem Brasília. Ele foi presidente do Conselho de Ética, um zagueiro ali segurando processos de muita gente durante muitos anos. O Davi Alcolumbre, presidente do Senado, deve muito favor ao Jayme.
Então, um dos termos do acordo pode ser isso, do União Brasil ficar avulso também. No caso do MDB, ficaria com um tempo de mídia pequeno, não ficaria dentro de uma coligação. A chapa do MDB está muito fraca, fragilizada, tanto de deputado federal quanto estadual.
Para estadual, deve fazer três garantidos. Agora, a chapa de federal está mais fragilizada. Tem a Rosana Martinelli e o Kalil Baracat e ela saindo avulsa realmente prejudicaria.
Quando o partido tem um candidato majoritário, acaba puxando os proporcionais. Então, ajudaria muito a chapa de estadual, especialmente. O ideal é estar numa coligação formalizada, porque aí você tem aquele apoio formal.
MidiaNews – Hoje, o Wellington Fagundes não tem apoio de alguns prefeitos do próprio PL, mas lidera as pesquisas, embora tenha apresentado tendência de queda. Acha que ele conseguirá manter essa vantagem?
Vinicius de Carvalho – Pode pesar, porque são três prefeitos que já oficializaram apoio ao Pivetta. Já a Flávia acabou ficando em cima do muro, até porque o Pivetta fez bom uso da máquina. Então o Wellington tem essa dificuldade. O próprio Abílio tem uma situação muito ambígua em relação ao Wellington.

Se Jayme mobilizar a base dele, [WF] poderia ganhar no primeiro turno ou ficar bem próximo de uma vitória no segundo
Ele tem essa perda pelo lado direito, isso é fato, mas tem um apelo pelo lado esquerdo, porque o Wellington é mais à esquerda que o Pivetta. Você vê que o Wellington tem uma relação melhor com os servidores públicos, está propondo pagar a RGA [Revisão Geral Anual]. Em um eventual segundo turno entre ele e Pivetta, para onde vão os votos da Natasha? Vão mais para o Wellington.
Então ele tem perdas de um lado e ganhos de outro. Mas pode murchar sim, porque vem caindo. Se olhar a diferença dele para Pivetta mais Natasha [somados] antes era muito grande e hoje Pivetta e Natasha ganham do Wellington
Ele vem perdendo, porque ele estava muito inflado pelo recall, pela memória de outras eleições. Ele vem de três eleições majoritárias: 2014 para senador, quando ganhou, 2018 para governador, quando perdeu para o Mauro, e 2022 para senador, quando ganhou.
Ele é um nome muito mais massificado e conhecido do que a Natasha, que nunca disputou nada, e que o Pivetta, que só disputou vice. Ele pode realmente perder, encolher. A pesquisa espontânea demonstra que está tudo ‘embolado’, essa é uma eleição muito nivelada.
MidiaNews – Talvez, ele possa ter atingido o teto?
Vinicius de Carvalho – De primeiro turno sim, a não ser que haja esse apoio do Jayme. É porque ele pontua nas pesquisas com Jayme menos e sem Jayme mais. Quando o Jayme sai, seu eleitorado se distribui pelos 3. Mas e se o Jayme apoiar explicitamente o Wellington?
Se Jayme mobilizar a base dele, [Fagundes] poderia ganhar no primeiro turno ou ficar bem próximo de uma vitória no segundo turno. É muito difícil ter virada, quem ganha o primeiro, ganha o segundo. Tem viradas? Tem, mas elas são raras.
Então, ainda que não ganhe no primeiro, mas se chegar nessa faixa de 40%, fica muito mais fácil para completar o que faltou dos 50% e ser eleito no segundo turno.
MidiaNews – Desde a redemocratização, nunca tivemos uma disputa de segundo turno ao Governo do Estado. Tem alguma chance de não termos segundo turno?
Vinicius de Carvalho – Claro que todo mundo quer vencer no primeiro turno. Eu até tenho essa hipótese de que as forças políticas de Mato Grosso evitam o segundo turno porque a campanha aqui é muito cara, uma das mais caras do Brasil, porque é um estado muito grande. Imagina, uma viagem de avião daqui até Confresa, até Vila Rica, por exemplo. E segundo turno são mais 21 dias.
Então você tem mais tempo de campanha, mais mobilização, mais programas de TV e tudo isso tem custo. Mas podemos ter um 2º turno] porque a Natasha, difícil ela fazer menos que 20%. O Pivetta não faz menos que 30%.
O Pivetta é governador, vai para reeleição, numa máquina potente, tanque cheio, só aqui já deu 50%. O Rafael Milas, que é um candidato do Missão, está batendo muito no Wellington, está tentando desgastar ele.
A chance de segundo turno é muito grande e só com esse quadro aqui já dá para visualizar isso.
MidiaNews – Por que acha que o Wellington vem pontuando bem nas pesquisas? Se deve só ao bolsonarismo?
Vinicius de Carvalho – Eu acho que é um pouco isso. Mas ele está aí desde 1991. Está há 35 anos no Congresso Nacional, teve três mandatos de deputado e está no segundo de senador, então está em evidência há muito tempo.

Acho pouquíssimo provável a chance de a Natasha passar [2° turno]. Ela está apostando em uma linha leve, sem uma identidade clara
O Wellington tem um grupo político muito sólido, porque atende muito prefeitos e vereadores. Historicamente, ele é o grande operador de emendas parlamentares em Mato Grosso. O grande mediador de Mato Grosso com Brasília.
O Wellington foi para oposição pela primeira vez. Ele foi base de todos os presidentes da República: Fernando Collor, Itamar, Fernando Henrique, todo mundo passou por lá e ele foi base.
Inclusive nos mandatos do PT, que mostram foto dele com a Dilma, pois ele foi condenador da campanha da Dilma aqui. Desgasta pela direita, mas ele tem essa base e essa memória.
E um pouquinho do 22 também, do bolsonarismo. Mas o que explica mais é esse capital acumulado dele de presença política.
MidiaNews – E quanto ao apoio do Flávio Bolsonaro, vai pesar para a campanha do Wellington?
Vinicius de Carvalho – Pesa. Porque aqui em Mato Grosso são ’50 tons de bolsonarismo’. E tem o fato de ser o mesmo número na urna, sendo que o Flávio deve ganhar em Mato Grosso. O Lula vai melhorar a votação dele, da outra vez fez 35% no segundo turno e deve subir para uns 40%.
O Renan Santos vai pontuar bem aqui também, acima da média nacional. Mas o Flávio ganha em Mato Grosso.
O Flávio deu apoio explícito quando esteve em Sinop, no evento Norte Show. Então essa questão da franquia do 22, do PL, vai favorecer mais esse alinhamento.
MidiaNews – A chapa da esquerda tem como candidata a médica Natasha Slhessarenko. Eles têm como objetivo chegar a um segundo turno, acha que há alguma chance?
Vinicius de Carvalho – Chance tem, mas muito pequena. Ela está contra dois competidores fortes.
O Pivetta fica em primeiro ou segundo no primeiro turno, é inconcebível que o Pivetta seja terceiro ou quarto. O Wellington teria que cair para terceiro ou quarto. Acho pouquíssimo provável a chance de a Natasha passar.
Ela está apostando em uma linha leve, sem uma identidade clara, uma candidata buscando o eleitorado lulista e o independente também. Porque só com os lulistas em Mato Grosso ela não leva, não tem jeito. Acho pouquíssimo provável. Se ela passar de 20% já será uma vitória grande. Ela tem dificuldades de adesão, porque é empresária.
Alguém como a Rosa Neide, por exemplo, teria mais aderência com o Lula e com a esquerda, teria mais força pela bagagem que tem, pela história, pela identidade. A Natasha tem essa dificuldade. Ela passar para o segundo turno é realmente pouquíssimo provável.
MidiaNews – Pesa negativamente para ela essa ligação com o presidente Lula?
Vinicius de Carvalho – Pesa. Na pesquisa da Real Time, ela está em segundo na rejeição. Que rejeição é essa a ela se ela é pouco conhecida? Lula.
Uma parcela do eleitorado já a associa ao Lula e o presidente é muito rejeitado em Mato Grosso. Em nível nacional, ele fica na casa de 40 e tantos porcento, em Mato Grosso é nos 60% de rejeição.
Isso a prejudica. Tanto que ela está tentando manter esse eleitorado lulista e buscar um independente para tentar romper essa fronteira, mas carrega esse desgaste. É o ônus e bônus.
MidiaNews – A disputa ao Senado está acirrada. São duas vagas, mas temos candidatos fortes: Mauro Mendes, Janaina Riva, José Medeiros, Antônio Galvan, Carlos Fávaro e Pedro Taques. Como será essa disputa na sua visão?
Vinicius de Carvalho – Uma curiosidade é que temos dois ex-governadores disputando, Mauro Mendes e Pedro Taques, e quase seriam três se o Jayme fosse ao Senado. Seria a primeira vez na história. Mas é uma eleição de Senado bastante incerta, porque são duas vagas, que fica mais incerta por conta das dobradinhas.

O grupo do Mauro e Pivetta se abriu pouco para o Podemos, para o tamanho que o Podemos tem. Acho que a tendência maior realmente é que apoiem o Wellington
Se as dobradinhas ocorressem dentro da chapa, tudo bem, só que não é assim, especialmente da forma como está desorganizado. Os partidos estão todos desestruturados. O PL tem racha, o União Brasil tem racha, o MDB está rachado, não tem ninguém inteiro, está todo mundo muito rachado.
O Mauro deve ser o mais votado no primeiro voto, fazer uns 30%, e dobrar com o Fávaro pelo eleitorado dele de esquerda e Medeiros pelo eleitorado dele de direita, que são chapas diferentes da dele, mas são as principais dobradinhas que ele tem.
Fávaro vai dobrar com o Mauro pelo eleitorado dele de direita, com o Taques pela esquerda. Com essas dobradinhas fica uma eleição muito incerta.
Eu vejo a Janaína com um pouquinho de vantagem por conta da amplitude dela, a conjuntura favorece muito. Por isso acho que o melhor para ela é ser candidata agora, imagina a próxima com duas vagas é só lá em 2034.
Oito anos em política é uma vida. Só olhar oito anos atrás, a Selma Arruda, o Nelson Barbudo como um grande fenômeno.. Mas para ela, é o momento por conta da pauta dos feminicídios, da pauta das mulheres, isso a favorece muito.
Eu vejo a Janaína com um grau de favoritismo mais alto. Muita gente fala: ‘Ela está perdendo a esquerda, andou um pouco para direita nesses últimos tempos e perdeu um pouco do voto mais progressista’, é verdade. Mas ainda assim, ainda a vejo com favoritismo.
E ali embaixo, Mauro, Fávaro e Medeiros embolados pela segunda vaga. Para o Mauro é muito perigoso, porque ele pode ficar espremido pela esquerda pelo lulismo com apoio ao Fávaro e pela direita o bolsonarismo.
E o Mauro tem um grupo político muito pesado, tem treze candidatos. Ele deve ser o governador que vai disputar a eleição com mais candidatos do seu grupo. São treze candidatos. Se você for contando, tem ele, tem Pivetta, Virgínia Mendes, Fábio Garcia, vários ex-secretários como Alan Porto, Alan Kardec, Coronel Roveri, Beto Dois a Um, Gilberto Figueiredo, Cidinho, todos ligados a ele.
Mauro Carvalho é o mais confortável. Se o Wellington ganha, ele vira senador e se o Pivetta ganha, continua no grupo do Pivetta.
MidiaNews – E o Galvan, acha que ele tem alguma chance?
Vinicius de Carvalho – O Galvan é muito imprevisível. Na outra ele foi o segundo mais votado, se fossem duas vagas seria eleito junto com o Wellington.
O Wellington com essa resistência à direita que tem, o Galvan ocupou esse espaço e teve aquele atropelo todo da candidatura do Neri Geller. Mas o Galvan fez 337 mil votos, tem sua força, os votos dele aparecem quase que do nada. Acho pouco provável, mas não descarto a possibilidade de uma eventual vitória do Galvan. Tem que ver as dobradinhas dele, acho que ele dobra mais com o próprio Medeiros, mas vai rachar o eleitorado bolsonarista.
Pouco provável uma vitória do Galvan, mas pode acontecer.
MidiaNews – O presidente da ALMT, deputado Max Russi, é outra força política que desponta. Presidente do Podemos, ele planeja eleger 6 estaduais e 1 federal, e ainda mira indicar um vice ou suplência nas majoritárias. Acha que são metas ambiciosas?
Vinicius de Carvalho – Eu acho que é isso mesmo. Tem entrevistas mais recentes que ele está falando até em sete. O Max está animado e quer animar a base.
Porque a chapa são 25 candidatos, então tem que manter um: ‘Vai eleger sete, todo mundo vai ser deputado’. Mas o que acho mais viável? Cinco garantidos e talvez seis. Porque eles têm uma chapa muito boa, tem banco de reservas, estão falando em fazer 420 mil votos.
Mas depois das convenções, muita coisa pode acontecer ainda. Se sair alguém da chapa, eles têm banco de reserva e com candidatos fortes. Eles têm o próprio Max, que se fala em 90-95 mil votos para ele, mas pelo menos 80 mil faz, pois teve 70 mil da outra vez quando não era presidente.
Em segundo lugar, o Beto Dois a Um que vem muito forte, e em terceiro vem aparecendo a Alessandra [Ferreira], primeira-dama de Rondonópolis. Ai com chances tem o Ulisses Moraes, o Allan Kardec, o Mauro Savi e o Fábio Tardin. Temos aqui sete, os eleitos devem ficar entre esses. Para federal a chapa ficou meio desconjuntada, montada de última hora.
O União Brasil está projetando 330 mil votos e vai fazer dois, bem provável. Mas o Podemos garantido é só um federal, porque lá tem o Neri Geller, o Nelson Barbudo, o Coronel Roveri e o Pastor Marcos Ritela. O mais forte é o Neri e todos eles disputam uma vaga só.
MidiaNews – O Podemos realizará a convenção no dia 4 e ainda não ‘bateu o martelo’ sobre com quem se aliará. Qual deve ser a tendência do partido para apoio?
Vinicius de Carvalho – Acho que a tendência maior é para o Wellington mesmo. Porque o grupo do Wellington já cogitou até entregar a vice para o Podemos.
Então acho que a tendência maior é que acompanhe o Wellington mesmo. As propostas melhores têm sido desse lado. O Pivetta chegou a oferecer a vice para a Kalynka [Meirelles], mas pouca coisa, né? O grupo do Mauro e Pivetta se abriu pouco para o Podemos, para o tamanho que o Podemos tem.
Acho que a tendência maior realmente é que apoiem o Wellington. E tem um detalhe, o Podemos será base de qualquer governador. Porque o Max terá 5 ou 6 só no Podemos, mas ele tem aliados no Republicanos. Vai chegar já com os 13 ou 14 [deputados aliados].
Ele vai chegar com a Mesa ganha para continuar presidente ou eventualmente alternar com alguém ficando como primeiro secretário. O Podemos estará na base do futuro governador qualquer que seja ele ou ela.
Yasmin Silva/MidiaNews

Carvalho: “A chapa mais mortal [para AL] chama-se Republicanos”
MidiaNews – Qual dos partidos até o momento tem uma chapa que o senhor considera mais difícil para a Assembleia, com muitos nomes fortes disputando? Há alguma ‘chapa da morte’?
Vinicius de Carvalho – A chapa mais mortal chama-se Republicanos, que é o partido do governador e essa é uma característica do sistema político. O partido do governador incha.
Republicanos está com 5 deputados e todos candidatos. Tem Nininho, Dr. Eugênio, Moretto, Paulo Araújo e Diego Guimarães. Todos candidatos e competitivos.
E nós temos mais 3 que não tem mandato, mas tem sua força: Allan Porto, Gilberto Figueiredo e Ari Lafin, ex-prefeito de Sorriso. Desses 8 aqui, 4 ou 5 devem ganhar.
Então essa aqui é a chapa mais mortal. Porque aqui podemos ter gente com 35 mil votos e ficar sem mandato. O Gilberto Figueiredo, da última vez, teve 28 mil e ficou suplente, sem mandato.
Dessa vez a régua vai subir: o menos votado em 2018 teve 11 mil, que foi o João Batista. Em 2022 o menos votado teve 20 mil, que foi o Juca do Guaraná. E nesta o menos votado deve ficar com 25 a 27 mil, a régua está subindo.
Essa chapa aqui está bem complicada, porque é a chapa mais mortal, mas o MDB também são 5 para 3 ou 4 vagas, é uma chapa mais delicada. O União Brasil/PP também faz Dilmar [Dal Bosco] e Júlio Campos. O Sebastião Rezende está ali disputando com o Júlio a segunda e a terceira vaga, mas eles fazem dois garantidos.
Eu acredito em uma renovação assim de um 6 a 7 nomes. Entre os mais votados, se você pegar a lista dos 24 mais votados, nós teremos aí uns 18 já deputados, pelo menos, talvez até 20 deputados, mas como depende da questão dos partidos, porque é voto proporcional, então daí que vai vir a renovação.
E tem gente sem mandato que está vindo forte. Você tem Rafaela Fávaro, Alan Porto, Samantha Iris. Samantha é praticamente eleita, a dúvida é se ela fica em segundo ou terceiro no PL.
MidiaNews – E para a Câmara Federal?
Vinicius de Carvalho – A Câmara Federal é o contrário, lá tem vários partidos com dificuldade de alcançar o quociente. A chapa mais perigosa é do PSD, que deve fazer um, ou Emanuelzinho ou Irajá Lacerda, é um ou outro. E os dois estão na mesma faixa, de 60 a 70 mil votos.
Emanuelzinho vai cair, Irajá deve subir, então eles vão se encontrar ali. O quociente para federal deve ficar em 225 a 240 [mil votos]. Então, alcançando 80% disso, já participa das sobras.
O PSD consegue apertadinho, o PT consegue apertadinho, acho que a Rosa Neide dessa vez vai, é muito difícil ela perder de novo. O Podemos também está com dificuldade, mas deve fazer um também.
Republicanos também está apertadinho, mas deve fazer o Juarez Costa. Esses são os partidos que devem fazer um.
Aí o União Brasil/PP deve fazer dois e o PL, no mínimo um, talvez dois com o Coronel Assis e a Coronel Fernanda disputando. A chapa do Partido Novo a gente não pode descartar, porque tem muitos candidatos imprevisíveis lá. Então, o Novo talvez consiga uma vaga no 80-20, mas o desenho é esse aqui e não vai fugir disso aqui que eu estou te passando.
A gente tem uma chance boa de renovação, porque quem pode ser reeleito: Fábio Garcia, Emanuelzinho tem boa chance, Assis e Fernanda. Nelson Barbudo periga perder, é quase certo. O Rodrigo da Zaeli também é quase certo que perca.
José Medeiros não vem pra reeleição, então nós temos uma chance grande de renovação na Câmara.
MidiaNews – O maior derrotado será o PL, que vai sair de quatro deputados para dois?
Vinicius de Carvalho – Aquele PL de 2022 foi pelo erro dos outros, que não conseguiram alcançar nem 80% do quociente eleitoral. Se fosse na regra de hoje, o PL tinha eleito só dois, tinha ficado de fora Amália Barros e a Coronel Fernanda.
E o Coronel Assis também ficava de fora. Teria vindo o Irajá, a Neuma lá de Rondonópolis e a Rosa Neide.
Então, assim, é muito difícil eles ou qualquer um fazer três. O União Brasil/PP deve fazer dois e o PL talvez faça dois.
Veja a íntegra da entrevista:
FONTE: MIDIA NEWS






