Vereador preso combinou álibi após carro ser ligado a homicídio, aponta PJC | Rdnews

Mensagens divulgadas nesta segunda-feira (17) indicam que o vereador Túlio César (Republicanos) e uma pessoa conhecida como “Denga” ou “Dengo” teriam combinado um álibi após o carro do parlamentar ser identificado como o veículo usado na fuga do suspeito de matar Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho. O crime ocorreu em 10 de maio, em Poxoréu (a 254 km de Cuiabá). O vereador está preso preventivamente desde 10 de agosto.

Reprodução/Montagem RDNews

De acordo com o relatório policial, Denga é apontado como dono do imóvel onde a vítima e uma amiga participavam de uma festa momentos antes do crime. Ao deixarem o local, as duas ligaram para ele pedindo que as acompanhasse até uma distribuidora, onde todos entraram juntos pouco antes de a jovem ser morta a tiros. 

Conforme já publicado pelo , o vereador já havia sido apontado por suposto auxílio na fuga do atirador. A novidade reside no cruzamento técnico realizado pela Polícia Civil, que confrontou gravações de câmeras de segurança da noite do homicídio com publicações feitas pelo próprio político em redes sociais, e nas mensagens suspeitas, reforçando os indícios de sua ligação com o crime.

Após os disparos, o atirador fugiu em uma motocicleta Honda XRE 300 preta, sem placa visível, e abandonou o veículo pouco depois em uma área conhecida como “lixão”. Na sequência, ele deu continuidade à fuga em um Hyundai HB20S cinza.

O automóvel foi flagrado por câmeras de segurança, o que permitiu a identificação da placa e a confirmação de que o veículo pertence ao parlamentar. O carro traz inclusive um adesivo de campanha de Túlio referente ao pleito de 2024. Além disso, fotografias publicadas em redes sociais mostram o automóvel, com a placa visível, no mesmo local em que o político aparece.

Na agenda de Denga, o contato do parlamentar aparece salvo como “Tulio Pox”. No primeiro registro, Túlio envia um ponto de interrogação em referência a um diálogo anterior não exibido na imagem. Em seguida, o homem responde: “Bom dia. Estou sim”. O vereador então pontua: “Preciso falar com você”, ao que Denga rebate: “Tô aki na casa da mãe da Joana”. A constatação de que os dois suspeitos teriam combinado um álibi após esta conversa foi feita pela Polícia Civil.

No segundo registro, também extraído do aparelho de Denga, o vereador questiona: “E ontem deu tudo certo lá”, sem inserir pontuação ao final. Na sequência, o interlocutor envia uma mensagem de áudio de nove segundos, e Túlio comenta: “Vixi. Esse problema Pedro não tem limite não. [risada] Será que foi embora?”. Após uma resposta com risos e outro áudio de dez segundos por parte de Denga, o parlamentar finaliza: “Ave Maria [risos]”.

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A captura de Túlio no dia 10 deste mês foi a segunda realizada desde o início das investigações, e aconteceu no âmbito da terceira fase da Operação Véu de Ísis, deflagrada para elucidar o assassinato de Lavínia. Ele já havia sido preso temporariamente em 14 de julho durante a Operação Elo Oculto, que também apura o crime.

Na ocasião, além da prisão do parlamentar, a polícia cumpriu outros quatro mandados judiciais, três de busca e apreensão e um de prisão preventiva. As medidas foram executadas simultaneamente em Poxoréu (duas), Rondonópolis (duas) e Cuiabá (uma).

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O crime

Conforme já publicado pelo , o crime aconteceu por volta das 2h, em um distribuidora da cidade. Segundo a Polícia Civil, a jovem chegou ao local e, logo depois, o suspeito se aproximou por trás, tirou uma arma da cintura e atirou contra a cabeça da vítima. Após Lavinia já estar caída, o criminoso atirou mais uma vez contra a cabeça dela.

A perícia identificou ao menos cinco tiros disparados a curta distância. Quatro atingiram a vítima em regiões vitais.

Segundo as apurações, o executor deixou o local em uma motocicleta Honda XRE 300 preta, sem placa aparente, abandonada posteriormente em uma região conhecida como “lixão”, em Poxoréu.

Horas depois, o veículo foi localizado pela polícia. O suspeito teria continuado a fuga em um Hyundai HB20S cinza, que passou a ser procurado.

A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste, apontou que o vereador teria ajudado o executor na fuga. Ele seria o responsável por retirar o executor do local após o crime. Dados extraídos de um celular apreendido indicaram, segundo a investigação, que a participação dele teria começado antes do homicídio.

As mensagens analisadas mostraram que o investigado recebeu informações sobre a movimentação da vítima e sobre o local para onde ela seguiria. Ele também teria recebido orientações sobre onde aguardar o executor e questionado qual motocicleta seria utilizada na fuga.

Após o homicídio, foram identificadas comunicações sobre a eliminação de vestígios digitais, incluindo orientações para formatar um aparelho, excluir o WhatsApp e utilizar outro número de telefone.

A investigação

Horas antes do homicídio, Lavínia estava acompanhada de uma adolescente, e as duas participaram de uma confraternização antes de seguirem para a casa noturna.

A análise de celulares de pessoas próximas à vítima indicou que a adolescente que a acompanhava no dia do crime tinha conhecimento prévio do plano. A menor teria recebido uma chamada de vídeo de uma pessoa que estava presa e permaneceu ao lado da vítima para não levantar suspeitas.

Motivação

As investigações apontaram que a vítima mantinha contato com integrantes das forças de segurança e auxiliava a mãe, que prestava serviços no quartel da Polícia Militar.

Integrantes de uma facção criminosa suspeitavam que a jovem repassava informações sobre o tráfico de drogas em Poxoréu.

Segundo a investigação, o homicídio teria sido motivado pela suspeita de que a jovem fornecia informações às forças de segurança sobre a atuação da organização criminosa.

Indiciamento

Com base nos elementos reunidos ao longo da investigação, a Polícia Civil concluiu que o homicídio foi planejado e teria ocorrido no contexto da atuação de uma facção criminosa.

Segundo o inquérito, houve divisão de tarefas entre pessoas responsáveis por acompanhar a vítima, indicar sua localização, executar o crime, providenciar a fuga e determinar a morte.

Também foi identificada a existência de um grupo criminoso estruturado. Diante disso, dois adultos, que já foram identificados, foram indiciados por homicídio qualificado, por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima, e por organização criminosa.

Um dos indiciados é o homem apontado como responsável por dar apoio na fuga do executor e o outro como liderança do crime e responsável por coordenar a ação.

Os elementos acerca da adolescente identificada durante as investigações serão submetidos ao tratamento jurídico próprio previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. 

As investigações continuam para identificar o autor dos disparos e a possível participação de outras pessoas no crime. (Com informações da assessoria).

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FONTE: RDNEWS

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