O candidato ao Senado Federal, Mauro Mendes (União), afirmou que a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) é a melhor opção para que Mato Grosso “não volte” a um período de corrupção e incompetência.
O problema é que a PF pegou uma denúncia do Pedro Taques, não entrou no mérito dela. Isso beira a armação política
“Eu desejo profundamente que o Estado de Mato Grosso continue sendo bem administrado e que não voltemos ao tempo que tivemos recentemente, de quatro anos de corrupção e de grande incompetência no Estado de Mato Grosso”, disse ele, em entrevista exclusiva ao MidiaNews.
Segundo Mendes, o aliado tem condições de defender as posições do governo do qual participou por mais de sete anos como vice-governador.
“Ele disputa com condições de fazer o bom combate, de defender as posições do governo. […] Do grande legado que deixamos para Mato Grosso, mostrar que estamos no caminho certo e que ele representa a melhor alternativa para Mato Grosso continuar tendo mais quatro anos de prosperidade”, afirmou.
Na entrevista, Mendes ainda defendeu deu detalhes sobre as investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Heritage, que apura um acordo entre o Estado e a empresa Oi de R$ 308 milhões firmado ainda durante sua gestão. Disse ser inocento e alvo de uma “armação política”.
Sobre a disputa ao Senado, disse que antes de decidir entrar na corrida eleitoral, pensou em encerrar o ciclo político. Defendeu a elaboração de um novo Código Penal e disse ter coragem para “fazer muita coisa em Brasília que hoje parece ser impossível”.
Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):
MidiaNews – Como estão os primeiros movimentos de campanha?
Mauro Mendes – Uma campanha de 45 dias é muito rápida e é praticamente impossível percorrer os 142 municípios, porque, nesse período, além de ter o contato direto com a população, tem que gravar programas, participar de debates, de entrevistas, algumas agendas de organização da campanha, e isso torna quase impossível estar presente em todos os lugares que gostaria.
Mas vou fazer um esforço para estar no maior número possível de municípios e ter o maior contato possível com o cidadão.
MidiaNews – Por que escolheu o Senado Federal, quando tinha também outras opções políticas e até pessoais?

Digo com muita honestidade, que pensei muito, muito, muito em encerrar a minha atividade política
Mauro Mendes – Confesso, e digo com muita honestidade, que pensei muito, muito, muito em encerrar a minha atividade política. Eu vim para Mato Grosso com 16 anos, construí minha história, minha vida profissional.
Quando entrei para a política, já tinha 20 anos que trabalhava em Mato Grosso. Construí uma empresa e me tornei o maior fabricante de torres de telefonia celular do Brasil. Conquistei mercados, fiz muita coisa que gostaria de fazer no mundo privado.
Eu, como a maioria dos brasileiros, sempre critiquei muito os políticos. Falava mal, achava que eles falavam muito, trabalhavam pouco, e entregavam pouco resultado. E sempre imaginava, na minha cabeça, que era possível fazer diferente, entregar resultado melhor.
E foi isso que me levou a ser presidente da Federação das Indústrias e acabei aceitando o desafio de ser candidato a prefeito em 2008, quando perdi. Me candidatei a governador em 2010, perdi. Como sempre, fui um cara persistente. Em 2012, me elegi prefeito de Cuiabá. Fui prefeito, fiz acho que um bom mandato, saí com 80% de aprovação na época, mas não quis e não pude ir para a reeleição. E ali achei que estava encerrando a minha carreira política. Mas quis Deus, quis o destino, e quis os meus adversários, que eu me candidatasse.
Porque dizem que você entra na política pelos amigos, mas não sai por causa dos inimigos. E alguns inimigos políticos ficavam me perturbando muito, falando muita abobrinha e acabei aceitando o desafio de ser candidato ao Governo, num momento em que Mato Grosso estava muito ruim. O Estado estava praticamente quebrado.
E aceitei o desafio, ganhamos a eleição em primeiro turno do então candidato à reeleição Pedro Taques e assumimos o governo. Fizemos dois mandatos extremamente transformadores na realidade de Mato Grosso. O que fizemos nesse período, se olhar todos os números, pode colocar numa planilha e comparar, foi o de maior prosperidade de Mato Grosso, em todo sentido.
Se olhar na infraestrutura, dobramos a quantidade de asfalto. Mato Grosso tinha 6.400 quilômetros quando chegamos e, nesses oito anos, estamos fazendo mais de 7.000 quilômetros. Ou seja, fizemos mais do que toda a história de Mato Grosso, de mais de 200 anos.
Ponte de concreto, fizemos mais do que existia. Escolas, reformamos praticamente mais de 50% com alto padrão de qualidade. Hospitais? Ficamos 20 anos sem construir um hospital em Mato Grosso. Fizemos seis hospitais, abrimos mais um, que é a Santa Casa, que estava fechada. Três desses seis já estão prontos, e os outros todos ficarão prontos este ano. Estamos em um período de muita prosperidade.

Falei: vou tentar mais uma vez dar essa contribuição para melhorar as leis nesse país, porque se elas forem mais inteligentes, mais eficientes, teremos um País melhor
E eu falava para mim mesmo: poxa vida, valeu a pena. Já valeu a pena. Provei para mim mesmo, para Deus, e honrei o compromisso com os mato-grossenses de ter encontrado o Estado de um jeito muito ruim e devolvido de uma forma muito melhor do que eu encontrei.
Eu estava com a minha consciência tranquila, com uma sensação gostosa de dever cumprido. Poxa vida, fizemos tudo? Claro que não, tem muita coisa para fazer. Mas fizemos muito, muito, principalmente considerando a forma que nós pegamos o Estado.
Pensei, refleti, falei: não, tenho que entregar o governo ao Pivetta para dar a ele a oportunidade de se reeleger. Deixei o governo no dia 30 e aí continuei pensando se seguiria, se eu não seguiria. Pensei, conversei com a minha família, com a Virginia, com os meus filhos, e aí acabei tomando a decisão de ser mais uma vez candidato.
Por quê? Pensei assim: como governador, principalmente, critiquei muitas leis nesse país. Sempre falei que as leis eram frouxas, reclamei da burocracia pública, reclamei da ineficiência que o serviço público tem, principalmente pelos marcos que amarram a administração pública. São leis burras, que atrapalham muito o Estado a ser mais ágil, mais eficiente e prestar um serviço custando menos. Falei: vou tentar mais uma vez dar essa contribuição para melhorar as leis nesse país, porque se elas forem mais inteligentes, mais eficientes, teremos um País melhor.
MidiaNews – Mas teve alguma dica do seu amigo Blairo Maggi, que já foi governador e depois senador? Posto que são cargos com atribuições muito diferentes.
Mauro Mendes – O cargo é muito diferente, mas traz, na essência, coisas muito semelhantes. Muito embora eu fosse um governador, não mandava sozinho. Eu tinha que convencer a Assembleia, dialogar com os poderes, tinha que convencer os servidores.
Muitos projetos, não adianta mandar fazer, virar as costas, para que as coisas aconteçam. Tem que saber trabalhar em equipe, saber estimular essas pessoas para trazê-las junto contigo nos seus objetivos.
E isso, fizemos razoavelmente bem em função do resultado que foi entregue. E aí eu falei: vou me desafiar. Eu sei que é um desafio, mas, para ter vida longa, precisa se desafiar o tempo todo, até para você não envelhecer. É mais um desafio. E tenho certeza: se eu usar os mesmos elementos que usei no governo, que foi trabalhar muito, com seriedade, colocar Deus na frente e ter coragem para fazer o que é certo.
Acho que é possível, sim, fazer muita coisa em Brasília que hoje parece ser impossível. Assim como fizemos em Mato Grosso.
Tinha muita coisa em Mato Grosso que parecia ser impossível. Se eu falasse no início do meu governo que ia construir seis grandes hospitais, iam rir da minha cara. Se falasse no começo do governo que ia fazer mais de sete mil quilômetros de asfalto, todos ririam e falariam que era uma promessa eleitoreira impossível de ser cumprida.
MidiaNews – O senhor tem o discurso de que as leis brasileiras precisam ser mais duras, penas mais firmes. Qual punição sugere?
Mauro Mendes – Precisamos reformular completamente, reconstruir, não é remendar. Precisamos construir um novo Código Penal brasileiro, à luz de uma nova realidade que temos hoje no país. As facções criminosas se organizaram, se profissionalizaram, e virou um modelo de negócio, de franquia, que está presente no Brasil inteiro, na maioria das cidades brasileiras.
O Estado precisa acordar para isso e criar novos mecanismos, mais inteligentes, para combater e não deixar o cidadão brasileiro refém desse chamado crime organizado, dessas facções criminosas. Precisamos mudar essa perspectiva, essa realidade que é muito forte no Brasil, de uma sensação de impunidade. As pessoas não acreditam mais na pena, não têm medo da polícia, não têm medo de ser preso.
Victor Ostetti/MidiaNews

“O Estado precisa acordar e criar novos mecanismos para combater e não deixar o brasileiro refém do crime organizado”, disse Mendes
Tem bandido que é preso três, quatro, cinco vezes. Tem casos absurdos que em um ano, uma pessoa ser presa e solta, ter audiência de custódia seis, sete, oito vezes.
MidiaNews – E essa tragédia da violência no Estado de Mato Grosso e no Brasil, tem uma solução efetiva? É possível diminuir a influência desse Estado paralelo?
Mauro Mendes – Tudo é possível, mas tem que ter coragem para tomar decisões corretas.
MidiaNews – Com quais soluções?
Mauro Mendes – Precisamos restabelecer no país um modelo de penalização que volte a fazer com que o bandido e até mesmo o cidadão de bem tenham medo de fazer coisas erradas. Hoje, ninguém acredita que vai dar em alguma coisa se fizer qualquer coisa errada. Existe uma sensação generalizada de impunidade.
Se você coloca leis muito duras e penas muito pesadas, as pessoas pensam dez vezes antes de cometer algum tipo de crime.
MidiaNews – A sociedade brasileira concorda com esse discurso de leis mais duras, mais fortes, e de bandidos na cadeia, mas qual é a dificuldade em implementar isso? O que esse jogo político tem que não consegue implementar essa política no Brasil?
Mauro Mendes – É porque a maioria dos políticos lá fala muito, mas faz pouco. A Margareth Buzetti propôs uma lei para aumentar o feminicídio para 40 anos. Só que vai ficar só 22 anos presos. Essa é a hipocrisia que tem que parar de existir no Brasil. Imagina, tem uma pena de 40 anos e o cara fica 22.
Hoje, na média, você cumpre um sexto da pena. Você mata um cidadão, tira a vida de uma pessoa, destrói uma família, esse cara nunca mais vai sair do cemitério e o bandido, três anos depois, está na rua. Se for condenado, se for preso. Essa sensação de impunidade generalizou a violência no país. Nós temos que restabelecer isso.
MidiaNews – Qual é a dificuldade, em sua opinião, de endurecer o jogo contra a bandidagem no país?
Mauro Mendes – Covardia, incapacidade e falta de vontade, porque é muito simples e é isso que deseja hoje a sociedade brasileira. Ninguém quer ficar nesse país refém de bandido e com medo de andar na rua. Uma vez eu estava na China, perguntei para um chinês assim: não sente falta da liberdade aqui no seu país de escolher os seus representantes?

O brasileiro está cansando. É o tempo todo sendo assaltado por motoqueiros… Precisamos mudar essa realidade
Ai o cara falou: aqui na China, o senhor pode pegar um saco de plástico encher de dinheiro, colocar na sua cabeça e sair andando na rua, em qualquer cidade, em qualquer bairro, ninguém vai encostar a mão no senhor e nem no seu saco de dinheiro. No seu país, você pode andar com o celular na mão? Então, pergunto ao senhor: quem tem mais liberdade, aqui na China ou vocês no Brasil? Nós começamos a rir, falando: “Toma, um tapa na cara”.
O brasileiro está cansando. Em São Paulo, em muitos lugares do Brasil, você não pode andar com o celular na mão. É o tempo todo sendo assaltado por motoqueiros, por pessoas acontecendo esse tipo de atrocidade. Precisamos mudar essa realidade.
MidiaNews – O senhor deixou o Governo em abril deste ano e desde então o Estado está sob o comando de Otaviano Pivetta, que era seu vIce. Qual análise faz desses primeiros meses da atual gestão?
Mauro Mendes – Ao assumir o governo, é normal que as pessoas sintam alguma diferença. Eu não sou igual ao Pivetta, o Pivetta não é igual a mim e ninguém é igual a ninguém. Cada um tem um jeito diferente. Algumas coisas podem ser melhores, algumas coisas podem ser iguais, outras podem ser até um pouco piores.
Mas ele foi o vice-governador, tem experiência, tem capacidade, tem competência para exercer esse cargo de governador e vai ser um candidato que acredito que, ao final, vai ganhar as eleições e vai dar continuidade a um bom trabalho. Com algumas diferenças, é claro, e elas são naturais. E eu tenho, por prática e hábito, não ficar analisando os meus antecessores.
Eu tive a minha oportunidade de fazer. Fiz tudo o que podia, tudo o que consegui fazer, fizemos muita coisa, então não me cabe agora ficar analisando, dizendo se está certo ou se está errado. Não serei comentarista de ex-governador.
Victor Ostetti/MidiaNews

Antecessor de Pivetta, Mendes disse que aliado tem “condições de fazer o bom combate e de defender as posições do governo”
MidiaNews – E qual sua análise sobre os primeiros movimentos eleitorais que o Pivetta tem feito? Ele mudou um pouco a postura, tem se colocado mais na imprensa, tem enfrentado os adversários à altura. Como tem visto esse movimento?
Mauro Mendes – Tudo na vida é um aprendizado. Ele aprendeu, está aprendendo, está desenvolvendo muito bem e rápido. Claro que talvez eu, por estar há sete anos e três meses, cheguei num estágio que acredito que rapidamente ele vai chegar.
Com condições de fazer o bom combate, de defender as posições do governo que ele participou durante mais de sete anos como vice-governador tomou, do grande legado que deixamos para Mato Grosso e mostrar que estamos no caminho certo e que ele representa a melhor alternativa para Mato Grosso continuar tendo mais quatro anos de prosperidade.
MidiaNews – O governador admitiu que é pouco conhecido dos mato-grossenses. Isso é um problema ou é uma oportunidade eleitoral?
Mauro Mendes – Muito mais uma oportunidade do que um problema. Hoje, com as mídias e principalmente com as redes sociais, rapidamente as pessoas conhecem, se conectam ou não. Tem pessoa que é muito conhecida, mas é mal conhecida.
É preferível ser desconhecido e, ao ser conhecido, ser bem conhecido. E ele tem uma boa história. Foi três vezes prefeito de Lucas do Rio Verde, ajudou a construir uma das melhores cidades de Mato Grosso e do Brasil. Está há sete anos com o governo que entregou muito, como nunca antes na história de Mato Grosso.
MidiaNews – A sua gestão é avaliada positivamente pelo eleitorado. Acredita numa eleição plebiscitária neste pleito?
Yasmin Silva/MidiaNews

O ex-governador Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, durante convenção no início deste mês
Mauro Mendes – Quando você tem candidato ao Executivo, o prefeito, o governador, o presidente, numa reeleição, antes de mais nada é, sim, um plebiscito. Está bom, continua. Não está bom, vou mudar.
Nesse caso, não sou eu que estou indo para a reeleição. É Otaviano Pivetta, mas ele representa um pouco esse governo que entregou muito resultado. Mas ele não é Mauro, o Mauro não é Pivetta. Ele tem características próprias, identidade própria, e isso também vai ser levado em consideração.
Entretanto, quando se contrata um governador, não está se contratando um amigo de infância, alguém para tomar cerveja ou lhe contar piadas. Está contratando um executivo para cuidar do dinheiro público e administrar bem o Estado. E tenho certeza de que, nesse critério, ele é muito melhor do que os outros adversários.
MidiaNews – Acha que ele consegue convencer o eleitorado e terminar essa eleição no primeiro turno, como aconteceu com o senhor?
Mauro Mendes – Esse é o desafio que a campanha terá: mostrar as qualidades do nosso candidato Pivetta, mostrar o quanto ele tem preparo e ele se vender também. Porque, muito mais do que ser, você tem que comunicar adequadamente aquilo que você é. Esse é o desafio do marketing da campanha e dele próprio.
MidiaNews – E se fosse para o senhor apostar em um eventual segundo turno: apostaria em Pivetta e a esquerda ou Pivetta e Wellington Fagundes?

Pivetta não é Mauro, o Mauro não é Pivetta. Ele tem características próprias, identidade própria, e isso também vai ser levado em consideração
Mauro Mendes – Eu não sou um homem de aposta. Sou um homem de planejamento e de resultado. Eu desejo profundamente que o Estado de Mato Grosso continue sendo bem administrado e que não voltemos ao tempo que tivemos recentemente, de quatro anos de corrupção e de grande incompetência no Estado de Mato Grosso.
MidiaNews – Acredita, por exemplo, que o Pivetta pode ganhar no primeiro turno?
Mauro Mendes – É cedo para fazer esse prognóstico. O importante é ganhar.
MidiaNews – Caso ele seja eleito, deve ter um plano de prioridade. Existem algumas ações que ele precisa fazer que o senhor, por um motivo ou outro, não conseguiu fazer?
Mauro Mendes – Nunca se consegue fazer tudo. Nem eu consegui e jamais alguém conseguirá, porque as demandas se modificam. Uma cidade que não tem asfalto para chegar até essa cidade, a grande prioridade deles é esse asfalto. A partir do momento que você faz o asfalto, eles lembram outras prioridades e assim a humanidade evolui.
Por isso que é impossível fazer tudo. Você faz um belíssimo hospital, passa a ter outras demandas, e assim que você consegue construir um processo de melhoria contínua.
Mas ninguém melhor que o Pivetta poderá falar. Eu declino de responder isso, porque ele é que tem que dizer quais serão as novas estratégias ou novas prioridades que irá elencar.

Me sinto razoavelmente preparado para fazer uma campanha propositiva ou responder à altura qualquer tipo de inconveniência feita pelos adversários
MidiaNews – Essa semana tivemos o primeiro debate eleitoral ao Governo e vimos ataques, acusações e uma guerra jurídica entre os principais candidatos. A tendência é que a campanha tanto ao governo quanto ao Senado seja uma campanha “sangrenta”?
Mauro Mendes – Eu lamento se assim o for, mas, particularmente, me sinto razoavelmente preparado para fazer uma campanha propositiva ou responder à altura a qualquer tipo de inconveniência feita pelos adversários.
MidiaNews – Preparado como? Psicologicamente, tecnicamente, com equipe?
Mauro Mendes – Todos os “mentes” que você falou. Tecnicamente, tenho um governo que conheço bastante. Sabemos tudo o que fizemos, temos muita clareza e tenho condições de debater também o próximo passo, que é o papel de um senador e a importância que ele tem para Mato Grosso e para o Brasil.
MidiaNews – O senhor já defendeu o impeachment de ministros do STF, como outros candidatos da direita. Acha que deveria ser algo mais debatido diante dos supostos abusos dos ministros?
Mauro Mendes – Temas polêmicos você não fala de maneira subjetiva. Tem gente que fala sobre isso de maneira muito subjetiva, mas depois tenho dúvidas se vão ter capacidade e coragem de fazer. O que posso dizer com muita clareza, é que, em toda a minha história, mas principalmente como governador, demonstrei muita coragem para fazer aquilo que precisava ser feito.
Precisava enfrentar os produtores rurais, enfrentei! Tomei vaia como talvez nunca nenhum governador tomou nesse Estado e continuei enfrentando. Enfrentei servidores, enfrentei o comércio e a indústria… Tomava vaia e continuava enfrentando, porque tinha muita convicção de que o que estávamos fazendo era o correto.
É igual um pai educar o filho. O filho chora, se joga no chão, faz birra… O pai e a mãe que têm convicção de que aquilo é o melhor para educar continuam. Eu não sou pai nem mãe de Mato Grosso, mas tinha convicção de que precisávamos consertar o Estado, fazer uma melhoria do processo de arrecadação e de despesa para fazer tudo isso que nós fizemos.
Passou-se o tempo, hoje praticamente até os adversários, e muitos que não gostam de mim, imagino que, lá no íntimo deles, reconhecem o quanto Mato Grosso evoluiu nos últimos anos.
MidiaNews – No início de agosto, a Polícia Federal deflagrou a Operação Heritage. Qual a análise que o senhor faz desse fato?
Mauro Mendes – Essa operação é muito simples. Aqui em Mato Grosso foi feita uma denúncia sobre um acordo que a Procuradoria-Geral do Estado fez e começou lá em 2009, quando o Estado bloqueou o dinheiro da empresa Oi, brigou com ela na Justiça durante 10 anos e perdeu a ação.

Qualquer estagiário de Direito saberia entender que tudo o que Taques falou é um absurdo, é uma aberração juridicamente falando
Oras bolas! Se o Estado entra na sua conta, pega seu dinheiro, bloqueia, usa esse dinheiro e perde a ação, o que o Estado tem que fazer? Devolver o dinheiro. O Pedro Taques – maldosamente e malandramente – deu uma conotação como se isso fosse tudo ilegal. Ele usa de subterfúgios e qualquer estagiário de Direito saberia entender que tudo o que ele falou é um absurdo, é uma aberração, juridicamente falando.
Isso quem está dizendo não é o Mauro Mendes. O Ministério Público de Contas disse que o que a Procuradoria do Estado fez está correto. O Tribunal de Contas analisou a vantajosidade. O valor corrigido chegava a R$ 580 milhões.
O acordo foi feito com um valor muito menor, gerando economia ao Estado. O Ministério Público Estadual, um dos seus procuradores mais conhecidos, amplamente respeitado, assinou dizendo que o acordo seguiu todos os princípios de legalidade.
Você acha que o Ministério Público, num caso polêmico como esse, ia escrever que era legal algo que não fosse legal? Aí aparece, de repente, a Polícia Federal começa a investigar e faz uma operação.
Uma operação que era cantada em versos e prosas pelos adversários há meses, anunciando que iria acontecer. Como que esses adversários sabiam dessa operação se ela estava sigilosa lá no Supremo? Porque eles estavam lá dentro, trabalhando para isso! Isso que é lamentável, isso que tira, às vezes, a credibilidade de alguns órgãos e instituições desse país.
Falhas podem acontecer. Eu acredito muito na Polícia Federal, mas dentro dela tem pessoas, seres humanos, que podem errar, falhar ou serem induzidos ao erro, ou até mesmo fazer coisas que não deviam fazer, atendendo a alguns interesses ou pedidos.
Victor Ostetti/MidiaNews

O ex-governador Mauro Mendes defendeu a legalidade do acordo entre o Estado e a empresa Oi
MidiaNews – E, na sua defesa, o senhor pretende apontar isso, esse possível vazamento de informações ou algo nesse sentido?
Mauro Mendes – Mais do que mostrar isso, que diria que é até secundário, é mostrar a absoluta legalidade daquilo que o Estado fez. E eu nunca tive dúvida e continuo não tendo a menor dúvida de que 100% do que o Estado fez está muito correto e legal e assim todo esse blá-blá-blá morre.
O problema é que a Polícia Federal pegou uma denúncia do Pedro Taques, não entrou no mérito dela, partiu do pressuposto de que aquilo era verdade e aí saiu fazendo um rastreamento de tudo quanto é lugar dizendo que estava todo mundo envolvido. Isso beira uma armação política, foi isso que eu já disse.
MidiaNews – O senhor se defendeu no mesmo dia em que foi deflagrada a operação, citou perseguição política, mas há críticos que dizem que essa resposta não foi suficiente com alguns pontos ainda sem explicação e a questão do precatório foi uma delas. Por que esse acordo com a Oi não entrou na fila dos precatórios?
Mauro Mendes – Não entrou porque existem decisões do Superior Tribunal de Justiça, que dizem claramente o seguinte: se o Estado entra na conta do contribuinte, toma um dinheiro dele, coloca na conta judicial, usa este dinheiro antes do trânsito em julgado — foi o que aconteceu aqui quando não poderia, usa esse dinheiro e perde a ação, significa que o Estado estava errado.
O que o Estado tem que fazer? Devolver o dinheiro corrigido da mesma forma que ele cobra do contribuinte. Corrigido esse dinheiro dava R$ 580 milhões. O Estado não pode pegar essa devolução e fazer via precatório, porque você está penalizando duas vezes quem está correto. Se o Estado perdeu a ação, é porque ele estava errado e a empresa correta.
O entendimento não é como o senhor Pedro Taques ou qualquer um acha que deveria ser, não deveria ser. É de acordo com a lei, de acordo com o entendimento do Judiciário.
MidiaNews – E sobre essa questão dos fundos, que também é uma questão um pouco complexa para ser entendida pelo cidadão médio, mas sintetizando teriam sido feitas tantas transferências com o pagamento do acordo, que em determinado momento teria parado em um fundo da sua família. Esse dinheiro não foi parar na mão do senhor?

Nenhum dinheiro foi parar na mão de ninguém da nossa família. Primeiro é preciso deixar muito claro: o que o Estado fez é correto
Mauro Mendes – Nenhum dinheiro foi parar na mão de ninguém da nossa família. Primeiro é preciso deixar muito claro: o que o Estado fez é correto ou não é? Se o Estado fez algo ilegal, por onde passou esse dinheiro, sai deixando um rastro de merda e de problemas. Se o Estado fez algo absolutamente correto, pode acontecer o que quiser aqui fora.
Se o MidiaNews trabalha para o Estado, presta um serviço de comunicação, recebe um dinheiro do Estado, se o dono desse veículo fizer um negócio com a empresa A, depois essa empresa A fizer um outro negócio com a empresa B e essa empresa B fizer um negócio com a empresa C, qual o problema?
O dinheiro que o MidiaNews ganhou, dinheiro correto, é legal. Se o Estado paga corretamente a empreiteira que ganhou uma obra, prestou um serviço, entregou, mediu certinho, essa empreiteira faz com o dinheiro o que bem quiser. Então, isso tem que ficar bem claro primeiro.
Houve ilegalidade ou não? Se houve legalidade em tudo, está tudo certo. Se está ilegal, aí está tudo errado. E dinheiro, quando sai do Estado, não é carimbado.
Segundo ponto que precisa ser entendido é: quando você faz um negócio com uma empresa, que faz negócio com outra empresa, que faz negócio com outra empresa, e lá na terceira, quarta geração dessa cadeia, alguém faz uma operação de mercado.
O que aconteceu foi isso. Uma operação de mercado, de debêntures, que foi feita em 2024 e liquidada em 2025, isso não tem absolutamente nada de errado. Então, por isso que eu posso dizer: não parou nenhum real dessa operação em fundos ligados à minha família.
MidiaNews – O senhor teme que essa investigação possa impactar negativamente a sua campanha? Aliás, se seus rivais aparecerem explorando esse tema, o senhor tem uma resposta?
Mauro Mendes – A resposta é um pouco longa, porque é um pouco complexo, mas estou muito tranquilo com relação a isso, porque, acima de tudo, tenho convicção de que o Governo do Estado não fez nada de errado.
Não sou empresário de agora. Eu entrei mais rico na política e eu, Mauro, estou mais pobre. Pode olhar minha declaração do Imposto de Renda. Eu tinha um patrimônio em 2012, hoje o meu patrimônio pessoal, é menor. Problemas que eu tive, um RJ (recuperação judicial) em 2014, etc. e tal.
Especificamente, em 2014, fui acusado por essa mesma Polícia Federal. Três anos depois a investigação foi arquivada. Estou muito tranquilo com relação a isso. Hoje as pessoas estão vacinadas com relação a esse tipo de atitude, que, ao meu ver, foi uma armação eleitoral. E os adversários falavam isso aqui o tempo todo. Eles falavam isso.
Eles anunciaram, durante três meses, essa operação. Pedro Taques anunciava, Jayme Campos anunciou, a irmã do Jayme Campos gravou áudio sugerindo o dia da operação. Se era sigiloso, por que os adversários políticos estavam sabendo disso? Isso coloca uma mancha muito grande que tem que ser explicada pela Polícia Federal e por que eu deveria explicar.
MidiaNews – E o senhor não pensou em se vacinar contra isso?
Mauro Mendes – Não tem remédio contra sacanagem. Você está sujeito a sacanagem política, estando no mundo político. Mas nada resiste à verdade e ao tempo. Eu estava no Governo de Mato Grosso e agora que eles inventaram essa história.
Posso dizer de cabeça erguida: nunca ninguém ouviu falar que Mauro Mendes fez alguma coisa de errada aqui no Estado. Chegando no final do governo, vêm essas histórias, e aí eles fizeram um monte de confusões, criaram uma narrativa, mas mentira não vai destruir uma história de legado, de coisas boas que nós fizemos por Mato Grosso, pela maioria dos mato-grossenses.
Victor Ostetti/MidiaNews

O candidato ao Senado disse que operação da PF não deve refletir na sua campanha eleitoral
MidiaNews – Essa operação teve consequências políticas imediatas, e a principal delas foi essa saída do Fábio Garcia da vice do Otaviano Pivetta.
Mauro Mendes – Ele saiu porque tem uma proibição que todas as pessoas que estão arroladas nessa investigação não podem ter contato entre si. Eu não posso me encontrar com o Fabio. Criaria algumas dificuldades.
Seria mais lógico trocar, até porque eu já encontrei muitas vezes com o Pivetta e com a Gisela, juntos, e a manutenção do Fábio criaria uma dificuldade operacional e esse foi o principal motivo.
Na prática, a pesquisa que temos, não mostrou nenhuma oscilação nesses últimos 15 dias.
MidiaNews – O grupo teve que agir em conjunto e fazer a escolha pela Gisela Simona. O senhor avalizou esse nome? Acha que foi uma decisão correta?
Mauro Mendes – Os partidos reunidos abriram mão de fazer escolhas e indicação. Nós delegamos e autorizamos o governador Pivetta a fazer uma escolha de acordo com a sua vontade.
MidiaNews – Falando de cenário nacional, hoje o principal problema do país são os juros altíssimos. No governo Lula, ainda se tem a máquina inchada. Quais cortes precisam ser feitos para dar uma arrumada ou não tem solução mais?
Mauro Mendes – Nós estamos caminhando para soluções cada vez mais doloridas. Quanto mais você demora para dar uma solução para o problema, mais o problema se agrava. Se você descobre que está com câncer e entra rapidamente com o tratamento, faz uma quimioterapia, uma radioterapia, a possibilidade de você se salvar e ter sequelas menores, é muito grande.
Se você sabe que está com câncer e vai postergando, começa a tomar chazinho, tomar remedinho para dor, você provavelmente vai deixar aquele problema ganhar uma dimensão tão grande que pode até lhe custar a própria vida. Se você vai com câncer, e vale para esse câncer chamado dívida pública brasileira.

A dívida pública é o maior problema desse país. O déficit da Previdência é um problema gigante. Vai chegar um momento que não vai ter dinheiro para pagar os aposentados. É uma bomba-relógio
O governo federal deve muito e por isso paga muitos juros. O governo federal pede dinheiro emprestado para pagar juros. O superávit primário, que é receita menos despesa, não sobra dinheiro para pagar o juro da dívida. Nós estamos tomando dinheiro emprestado para pagar juros.
A dívida pública é o maior problema desse país. O déficit da Previdência é um problema gigante. Vai chegar um momento que não vai ter dinheiro para pagar os aposentados. É uma bomba-relógio e tem momento para começar a explodir.
E não adianta fingir que o problema não existe, porque ele existe, é real e vai acontecer. Por isso que o juro é caro, porque o governo federal brasileiro é um tomador de dinheiro do mercado.
É um tomador que tem risco alto e, quanto maior o seu risco, maior os bancos, as instituições cobram o juro de você. E o dia que ele quebrar, ele vai levar junto fundos de pensões, muitos sistemas privados e públicos que têm dinheiro emprestado para o governo, isso vai colapsar uma boa parte da economia brasileira. Pode acontecer no Brasil o mesmo que aconteceu na Argentina.
MidiaNews – E quem vai ser o candidato a presidente do Mauro Mendes?
Mauro Mendes – Estou observando.
MidiaNews – O União Brasil deixou livre para vocês, mas o senhor tem ex-colegas disputando o Planalto.
Mauro Mendes – Gosto muito do Ronaldo Caiado, gosto muito do Romeu Zema, gosto do Flávio Bolsonaro. Acho que tem bons candidatos aí, mas, assim, tem um desafio muito grande, mas muito grande. Ele é tão grande que poucas pessoas nesse país conseguem compreender o tamanho do problema e o tamanho do desafio.
Muito provavelmente, a maioria de quem está no mundo político – não falo nem do cidadão comum que está cuidando da sua vida – não entende absolutamente nada da trajetória que está acontecendo no país e do caos em que nós estamos na iminência de entrar.
E, Deus queira, que eu esteja errado. Gostaria muito de voltar daqui cinco anos e dizer: “governador, o senhor estava errado”. E vou dizer: “graças a Deus, eu estava errado”. Mas, infelizmente, não estou.
MidiaNews – Para a gente fechar, por que o senhor dever ser escolhido para uma das duas vagas do Senado de Mato Grosso?
Mauro Mendes – É uma decisão que cada mato-grossense vai tomar. Espero que, na hora de tomar essa decisão, vocês levem em consideração aquilo que fizemos para Mato Grosso. São cargos diferentes, mas, aplicando as mesmas características que apliquei, que é coragem, que é trabalhar muito, que é determinação, foco, conseguimos fazer em Mato Grosso coisas que pareciam impossíveis.
Lá em Brasília, tem muita coisa que parece impossível. É impossível fazer uma Constituinte, é impossível mudar esse Código Penal, é impossível enfrentar a bandidagem… Tudo parece impossível em Brasília. Eu acredito que é possível!
Tem que trabalhar, tem que ter seriedade, tem que se dedicar, tem que ter foco. E, assim como nós fizemos coisas que pareciam impossíveis , eu acredito que seremos capazes, não sozinho, como eu também não fiz nada sozinho em Mato Grosso, é possível fazer essas grandes mudanças e colocar o Brasil num outro rumo, principalmente num rumo que seja melhor para a grande maioria dos brasileiros em Mato Grosso.
Por isso que eu peço seu voto e seu apoio no 444.
Assista a íntegra da entrevista:
FONTE: MIDIA NEWS





