O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) não admitiu uma representação que pedia investigação sobre o patrimônio do ex-secretário-adjunto executivo da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e também ex-secretário de Educação de Cuiabá, Amauri Monge Fernandes, mas determinou o encaminhamento do caso ao Ministério Público (MPE) para avaliação de possíveis providências. A denúncia foi apresentada pelo professor da rede estadual e candidato a deputado estadual Henrique Lopes (PT), após reportagem feita pelo site VG Notícias que levantou questionamentos sobre a relação de Amauri com a Fazenda Quilombinho 2, em Chapada dos Guimarães.
A área foi negociada em 2022 por R$ 12,04 milhões, tendo como compradores Eduardo Scutti Garbugio e a empresa BGA Serviços ME, representada pelo filho de Amauri, Bruno Frezzarin Andrade Monge Fernandes. A representação do petista também apontou que o nome de Amauri passou a constar no Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade e citou um suposto contrato de participação e cessão de lucros firmado em 2025 entre o ex-secretário e o ex-servidor da Seduc Ronald Kemmp Santin Borges.
Amauri negou ter comprado a fazenda e afirmou ao TCE que apenas a empresa de seu filho adquiriu uma fração de 20% da propriedade. Segundo ele, sua presença no CAR decorre da condição de comodatário da área, sem efeito de propriedade.
Ele também negou ter firmado contrato de participação e cessão de lucros com Ronald. Na decisão, o conselheiro Alisson Alencar entendeu que o autor da representação não preenchia os requisitos para apresentar uma RNE e que também não foram apresentados indícios concretos de irregularidades envolvendo recursos ou patrimônio público.
O relator destacou ainda que o TCE não possui competência genérica para investigar a evolução patrimonial de agentes públicos sem a indicação de um ato específico relacionado à gestão de recursos públicos. Apesar de rejeitar a representação, o Tribunal decidiu enviar cópia dos autos ao MPE, que poderá analisar os fatos dentro de suas atribuições.
Amauri também foi secretário municipal de Educação em Cuiabá. Ele foi acusado pelo prefeito Abilio Brunini (PL) de deixar um rombo de R$ 80 milhões na pasta.
FONTE: Folha Max





