A Justiça de Mato Grosso determinou que o policial militar Ricker Maximiano de Moraes, acusado de matar a esposa em maio do ano passado, em Cuiabá, seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Para o Juízo da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, há provas suficientes da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria do réu. A data da sessão ainda não foi definida.
Ricker é acusado de ter matado Gabrieli Daniel de Moraes, de 31 anos, a tiros na tarde de 25 de maio de 2025, dentro da residência da família, no bairro Praeiro, em Cuiabá. O crime aconteceu na frente dos dois filhos do casal. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ofereceu denúncia pelo crime de feminicídio, com causas de aumento de pena e circunstância qualificadora que dificultou a defesa da vítima.
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A decisão da Justiça destaca que a materialidade do crime está comprovada por laudos periciais, entre eles o exame de necropsia, que apontou que a vítima morreu por choque hemorrágico provocado por disparos de arma de fogo que atingiram órgãos vitais. O laudo de confronto balístico também confirmou que os projéteis encontrados foram disparados pela pistola funcional de Ricker.
Durante a instrução processual, testemunhas relataram que o acusado deixou o local após os disparos levando os filhos para a casa dos avós paternos. Em juízo, o próprio réu admitiu ter efetuado os disparos contra a esposa, alegando que passava por forte perturbação emocional e problemas psiquiátricos.
A defesa buscou a absolvição sumária sob o argumento de inimputabilidade por doença mental. No entanto, um laudo psiquiátrico concluiu que o acusado apresentava Transtorno Psicótico Não Especificado (CID-10 F29) e possuía capacidade de entendimento parcialmente preservada, sendo enquadrado na condição de semi-imputável. Diante disso, a Justiça afastou o pedido de absolvição sumária, entendendo que a questão deverá ser apreciada pelo Tribunal do Júri.
Ao pronunciar o réu, a Justiça manteve todas as circunstâncias descritas na denúncia do Ministério Público, incluindo o feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, a condição de a vítima ser mãe de crianças, a suposta prática do crime na presença dos descendentes e o emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima.
Também foi mantida a prisão preventiva do acusado, que está preso desde a conversão do flagrante em prisão preventiva, ocorrida logo após o crime. Com a pronúncia, o processo seguirá para a fase de preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.
Relembre o caso
Gabrieli foi morta a tiros. Seu marido chegou a fugir com os filhos e deixou as crianças na casa de seu pai, assim como o carro utilizado na fuga e a arma de fogo. Ele se apresentou à polícia e teve a prisão convertida em preventiva.
Durante audiência de custódia, realizada no dia seguinte, o policial tratou a morte da esposa como uma “fatalidade” e disse que tudo ocorreu “em um momento de cabeça quente”. Durante o depoimento, ele ainda chorou e afirmou que estava arrependido.
Segundo o delegado de Polícia Civil, Edson Pick, então responsável pelo caso, houve interferência por parte de policiais militares na cena do crime, já que a arma de fogo teria sido retirada do local pelos colegas de farda.
À época, a mãe da vítima, Noemi Daniel, afirmou que a filha teria passado por tortura antes de ser assassinada. Em um áudio enviado por Noemi à então deputada federal Gisela Simona (União), ela chama o ex-genro de “bicho”, argumentando que a tortura pela qual Gabrieli passou não se faz com nem com animais, e detalha as condições em que o corpo da filha estava ao chegar para o velório no Pará, para onde foi transladado a pedido da família.
No áudio, Noemi detalhou que, ao abrir o caixão da filha, se deparou com Gabrieli com a cabeça “toda quebrada”, com o cabelo cortado e perfurações pelo corpo. Segundo ela, a aparência chocou todos os familiares.
Annie Souza/Rdnews

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FONTE: RDNEWS







