O MDB entra na disputa pela Assembleia Legislativa com três cadeiras como piso e força para brigar pela quarta, mas já parte para a eleição com uma certeza incômoda: pelo menos um dos principais nomes da chapa ficará fora. Hoje, cinco candidatos aparecem no primeiro bloco da disputa interna: Eduardo Botelho, Dr. João, Thiago Silva, Léo Bortolin e Jéssica Riva. Se o partido fizer três vagas, dois deles ficam de fora. Se chegar à quarta, ainda assim pelo menos um medalhão terminará a eleição sem cadeira.
A projeção coloca o MDB entre 260 mil e 300 mil votos. Com quociente eleitoral estimado em 77 mil, uma votação de 260 mil já garantiria três cadeiras diretamente. A quarta entraria na disputa das sobras com média de 65 mil. Com 280 mil votos, essa média sobe para 70 mil. Com 300 mil, chega a 75 mil.
É por isso que três cadeiras aparecem como piso e a quarta como objetivo provável, dependendo do desempenho coletivo e das médias das demais chapas.
Dr. João e Thiago crescem
Dr João entra na campanha ocupando a primeira-secretaria da Assembleia, um dos cargos mais influentes da Mesa Diretora, com peso político e administrativo dentro do Legislativo e forte interlocução com o Governo do Estado. Em 2022, recebeu 24.957 votos. Agora chega com uma estrutura significativamente maior.
Thiago Silva também entra fortalecido. Ele teve 30.506 votos para deputado estadual em 2022 e, depois, disputou a Prefeitura de Rondonópolis. Apesar da derrota, consolidou posição como oposição ao atual prefeito e ampliou sua projeção regional.
Ao mesmo tempo, passou a ocupar espaço cada vez maior entre lideranças políticas ligadas ao segmento evangélico, especialmente à Assembleia de Deus, ampliando uma base que já possuía antes da disputa municipal.
A combinação faz com que Dr. João e Thiago cheguem a 2026 em posição mais forte do que na eleição passada.
Botelho chega no MDB
Eduardo Botelho chega no MDB como um dos principais nomes para as eleições, mas entra em 2026 em situação diferente da eleição passada.
Em 2022, ele disputou a reeleição como presidente da Assembleia Legislativa e recebeu 51.998 votos. Dois anos depois, foi candidato a prefeito de Cuiabá, chegou à eleição tratado como um dos favoritos a avançar ao segundo turno, mas terminou em terceiro lugar e ficou fora da etapa decisiva. Agora, também está fora da Mesa Diretora da Assembleia.
A mudança pesa na estrutura política. Parte de lideranças e operadores eleitorais que atuavam ao lado de Botelho em eleições anteriores passou a ocupar espaços de comando ligados a outros deputados.
Contudo, continua sendo um nome com força para estar entre os mais votados da Assembleia Legislativa, com forte recall em toda Baixada Cuiabana e com vontade de consolidar votação que o cacife novamente para Mesa Diretora.
Léo abre frente nos municípios
Léo Bortolin entra na chapa com uma estrutura que ainda não havia sido testada numa eleição estadual. Depois de comandar Primavera do Leste, chegou à presidência da Associação Mato-grossense dos Municípios e construiu relações políticas em praticamente todas as regiões onde a AMM mantém presença. Essa rede municipalista é hoje um dos principais ativos de sua candidatura.
Léo também conta com apoio direto de Janaina Riva na disputa estadual e tende a herdar parte da base política construída pela candidata ao Senado. Isso não significa transferência automática de votos, mas coloca o ex-presidente da AMM dentro do primeiro bloco de candidatos do MDB.
Jéssica e a família Riva
Jéssica Riva entra na eleição com uma estratégia própria. A candidatura é coordenada pelo pai José Geraldo Riva, que reorganiza em torno da filha parte da rede política que construiu durante décadas na Assembleia.
A lógica não é transferir para Jéssica todas as lideranças ligadas hoje a Janaina Riva. Janaina mantém o grupo político e eleitoral construído ao longo dos próprios mandatos, enquanto Jéssica trabalha especialmente com lideranças historicamente ligadas ao pai.
A candidatura, portanto, tenta concentrar parte do espólio político da família Riva sem necessariamente reproduzir a mesma base eleitoral de Janaina.
Silvano
Silvano Amaral permanece como outro nome com histórico estadual.
Ele recebeu 19.805 votos para deputado estadual em 2022 e já exerceu mandato na Assembleia. Mantém trânsito no agro e base no Nortão, o que lhe dá um eleitorado diferente dos principais candidatos concentrados em Cuiabá, Rondonópolis e Médio-Norte.
Outros nomes engrossam a conta
O MDB ainda reúne candidatos que não devem ser ignorados na projeção coletiva.
Sargento Vidal já disputou eleições em Cuiabá e possui atuação ligada à causa animal. Delegada Jannira adiciona outro perfil ligado à segurança pública. Túlio Fontes deve ajudar a chapa com votação na grande Cáceres.
A chapa também conta com Dr. Arnaldo, Dra. Ismaili Donassan, Dra. Vânia Viana, Zé Neto da Fato, Fabiano Bombeiro, Nataniel de Jesus, Dra. Wania Dantas, Marcinho Lacerda, Márcia Amaral, Elizeu Boa Vista, Primo Brindes, Edleusa Mesquita, Fábio de Oliveira e Zé Gota.
Esse bloco importa porque a quarta cadeira não depende apenas dos principais puxadores. São justamente os votos de candidatos com base municipal, categorias profissionais, segurança pública, igrejas, associações e redes locais que podem empurrar o MDB da faixa dos 260 mil para perto dos 300 mil.
Quarta vaga depende da soma
A matemática coloca três cadeiras como piso. Se o MDB chegar aos 260 mil votos, a média para a quarta será de 65 mil. Com 280 mil, sobe para 70 mil. Com 300 mil, chega a 75 mil, patamar que tornaria a quarta cadeira muito difícil de ser perdida dentro do cenário projetado.
A grande diferença em relação a 2022 está na distribuição interna dessa votação.
Botelho chega com menos estrutura na Baixada Cuiabana; Dr. João e Thiago Silva chegam maiores em relação a eleições anteriores; Léo Bortolin abre uma frente municipalista; Jéssica mantém espólio político dos Riva; Silvano; e os demais candidatos ajudam a engrossar a votação complementar.
O MDB, portanto, não depende mais de um único puxador. A quarta cadeira será decidida pela capacidade de transformar essa diversidade de estruturas em voto coletivo. Se a chapa se aproximar dos 300 mil, quatro deputados passam a ser o cenário palpável.
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FONTE: ARAGUAIA IN FOCO





