A Justiça do Distrito Federal expulsou Vinícius de Oliveira Scucato e João Vitor Mendes Scucato, pai e filho, de 51 e 21 anos, respectivamente, por situações de violência, maus-tratos contra animais, assédio sexual e até ferro-velho irregular mantido dentro do Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF). O condomínio é o mesmo em que Jair Bolsonaro mora – o ex-presidente da República cumpre prisão domiciliar no local.
Sentença proferida na última segunda-feira (31/8) relata histórico de mais de 10 anos de infrações administrativas, cíveis e crimes que inviabilizaram o convívio com os vizinhos. A decisão foi tomada após a assembleia do condomínio entrar com processo contra pai e filho na esfera cível.
O juiz do caso citou que as multas administrativas aplicadas pelo condomínio chegaram ao teto de 10 vezes a taxa mensal e pontuou que as condenações judiciais anteriores não foram suficientes para deter o comportamento agressivo e intimidador dos acusados.
Entre os delitos cometidos por pai e filho, estão agressões com facão e correntes de ferro, asfixia de vizinho, tentativa de atropelamento de funcionários, arremesso de pedras contra trabalhadores e ameaças a moradores – atos que revelam incompatibilidade absoluta com a vida em comunidade. Além disso, Vinícius é acusado de proferir comentário de cunho sexual contra uma menor de idade.
Vinícius inclusive é acusado de operar oficina e ferro-velho clandestino dentro de casa, além de ter sido alvo de operação por manter canil e criação de aves que viviam em condições insalubres.
Lista de delitos
Oficina e ferro-velho clandestinos no condomínio: desde 2010, Vinícius acumulava veículos sucateados, carcaças, peças automotivas e resíduos industriais em suas casas (Quadra 1 e Quadra 2), operando um ferro-velho irregular que gerava sujeira, pragas e insetos;
Canil e criação de aves em condições insalubres: em 2015, uma operação policial resgatou 81 cães desnutridos e doentes mantidos sob maus-tratos em um canil clandestino com exploração comercial de filhotes. Além disso, ele manteve criação irregular de galos, patos e perus na Quadra 2, causando barulho incessante e proliferação de pombos;
Ataque com facão e rodo (2015): após desentendimentos, Vinícius atacou um vizinho no rosto com um facão (a vítima defendeu-se com a mão e ficou com sequelas no dedo) e depois o golpeou com um rodo de madeira no rosto, o que acabou quebrando um dente da vítima;
Agressão e ofensas a carteiro (2020): João Vitor, incitado pelo pai, Vinícius, atirou um pedregulho e um bloco de concreto contra um carteiro em uma motocicleta, atingindo pernas e braços do trabalhador. O carteiro também relatou que o rapaz soltou um cão contra ele e pontuou que foi vítima de ofensas verbais homofóbicas recorrentes por parte de Vinícius ao entregar cartas;
Esnobada e “mata-leão” com corrente de ferro (2024): Vinícius e João Vitor agrediram um vizinho no meio da rua. Enquanto o filho imobilizava a vítima no chão em um golpe “mata-leão”, o pai desferia reiterados golpes na cabeça e no rosto da vítima com uma corrente de ferro pesada, provocando sangramento intenso. A agressão só cessou quando um policial militar armado interveio;
Tentativa de atropelamento de funcionário (2024): Vinícius avançou deliberadamente de carro contra um supervisor do condomínio, passando por cima de cones de sinalização. O funcionário precisou se jogar de lado para não ser atropelado;
Invasão de privacidade e assédio sexual contra menor (2025): Vinícius escalava o muro de sua residência para filmar, xingar e aterrorizar a família de um vizinho confrontante. O morador relatou em juízo que o réu proferiu assédio verbal de cunho sexual contra sua filha adolescente na rua interna do residencial;
Afronta durante o processo (2026): mesmo após receber decisão liminar com multa de R$ 2 mil, Vinícius compareceu à sede da administração do condomínio para filmar ostensivamente, provocar tumultos e constranger os funcionários de atendimento.
Processos criminais
Vinícius responde criminalmente por diversos delitos na vara criminal e possui um grande número de processos contra outras pessoas. Um ex-vizinho de Vinícius, que preferiu não se identificar, informou que era comum os vizinhos criarem tumulto e registrarem boletim de ocorrência contra as vítimas das agressões. “Eles têm um modus operandi de arrumar confusão e em seguida registrar B.O. alegando terem sido ameaçados”, afirmou.
O mesmo vizinho acabou sendo intimidado por Vinícius ao não deixar seus filhos se aproximarem do filho do homem que possuía um histórico ruim. “Ele quis vir tirar satisfação conosco, e chegou a ameaçar chamar o Conselho Tutelar”, relatou o vizinho.
Vinícius de Oliveira Scucato e João Vitor Mendes Scucato perderam o direito de morar e frequentar o condomínio, mas seguem com a posse do imóvel.
Pai e filho têm 30 dias para cumprir as medidas, e, caso não cumpram, a Justiça autorizou o uso de força policial para retirar a dupla do condomínio. O descumprimento da decisão também pode gerar multa diária de R$ 2 mil.
O outro lado
Em resposta ao Metrópoles, a defesa de Vinícius de Oliveira Scucato e João Vitor Mendes Scucato nega que mantenha ferro-velho, canil clandestino ou oficina clandestina no condomínio. “O que existe é uma coleção particular de veículos antigos, mantida ao longo de muitos anos, relacionada a uma atividade pessoal de interesse por automóveis”, explica.
Sobre o suposto canil clandestino, a defesa “nega categoricamente a prática de maus-tratos e a exploração comercial de animais” e que “tais imputações são contestadas”.
Vinícius também nega ter praticado assédio sexual contra adolescente. “A acusação é contestada pelo próprio acusado, não podendo o leitor concluir, pela simples leitura da reportagem, que houve reconhecimento judicial definitivo da prática de crime sexual”.
Por fim, a defesa reitera que Vinícius e João Vitor contestam as imputações apresentadas na reportagem e possuem versão diversa para diversos acontecimentos narrados.
FONTE: Folha Max





