quarta-feira, setembro 9, 2026

Medeiros: “O STF é um ninho de compadres tentando se salvar”

Medeiros: "O STF é um ninho de compadres tentando se

O candidato ao Senado José Medeiros (PL) afirmou nesta quarta-feira (9) que o Supremo Tribunal Federal (STF) “acabou” como instituição e classificou a Corte como um “ninho de compadres tentando se salvar”.

 

Só tem como a gente resgatar com a prisão de alguns e com a retirada deles dali da casa

Em entrevista à imprensa, Medeiros criticou a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, no embate envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Segundo o parlamentar, Fachin perdeu a oportunidade de deixar um legado e “resgatar o STF”.

 

Medeiros foi além e acusou integrantes da Corte de agirem para preservar os próprios interesses. “Hoje nós temos ali um ninho de compadres tentando se salvar. E que foram pegos com a boca na botija”, afirmou.

 

“O Fachin teve a grande oportunidade de deixar um legado, de resgatar o STF. Pelo visto, optou por essa decisão”, acrescentou Medeiros, durante o evento “Diálogo com os Candidatos”, promovido pelas federações empresariais.

 

O candidato também defendeu que a única forma de “resgatar” a instituição seria retirar ministros de seus cargos e promover prisões. Ele, no entanto, não especificou quais integrantes da Corte deveriam ser presos.

 

“Só tem como a gente resgatar com a prisão de alguns e com a retirada deles dali da casa. Virou casa da mãe Joana”, disse.

 

As declarações ocorrem em meio ao agravamento da crise interna no STF, marcada por decisões conflitantes entre ministros em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.

 

Fachin suspendeu investigações envolvendo ministros da Corte, anulou decisões de André Mendonça e Flávio Dino relacionadas ao comando da Polícia Federal e retirou Alexandre de Moraes do comando do inquérito das fake news.

 

Na decisão, o presidente do STF suspendeu todo e qualquer procedimento que trate de potencial investigação contra integrantes da Corte. A medida alcança, inclusive, apurações sobre supostas ligações entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro que tramitavam sob a relatoria de Mendonça.

 

Fachin também anulou decisões de Mendonça e Dino relacionadas ao comando da Polícia Federal. Na prática, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, permanece no cargo.

 

Segundo Fachin, Moraes e Mendonça estavam deliberando sobre questões correlatas e com base em provas comuns, o que evidenciaria “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”.

 

Confronto público

 

Nesta quarta-feira, Flávio Dino havia revogado a decisão de André Mendonça que afastava o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

 

Na avaliação de Medeiros, a decisão de Fachin contribuiu para aumentar o desgaste de Mendonça dentro da Corte.

 

A grande verdade é que o STF, como casa, como poder que a Constituição diz ser, ele acabou

O candidato afirmou enxergar uma manobra para afastar André Mendonça das investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e suas supostas relações com Alexandre de Moraes. As informações teriam surgido a partir de dados obtidos pela área de inteligência da Polícia Federal durante a perícia em telefones do ex-controlador do Banco Master.

 

“Não tem equivalência entre os dois ministros. Mas eles realmente, tudo o que querem é se livrar do Mendonça naquela relatoria”, disse.

 

O deputado relacionou sua avaliação aos primeiros vazamentos de informações sobre o caso. Segundo ele, quando os dados começaram a vir a público, Moraes teria afirmado que determinado telefone não lhe pertencia.

 

A partir disso, conforme Medeiros, Mendonça teria solicitado à Polícia Federal um relatório sobre o aparelho. Posteriormente, ainda segundo o candidato, Moraes teria passado a afirmar que estava sendo investigado.

 

“Se o telefone não era dele. Então, assim, a grande verdade é que o STF, como casa, como poder que a Constituição diz ser, ele acabou”, declarou.

 

Estratégia de campanha

 

A crise no Supremo também passou a fazer parte da estratégia eleitoral de Medeiros. Conforme reportagem publicada pelo MidiaNews nesta quarta-feira, o candidato pretende articular um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, desta vez em conjunto com outros candidatos ao Senado apoiados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em diferentes Estados.

 

“Estamos montando um pedido de impeachment com todos os candidatos em todos os Estados, para mostrar ao eleitor. Eu já tinha feito um pedido individual”, afirmou Medeiros.

 

A estratégia coloca a atuação do STF e o impeachment de ministros da Corte no centro da campanha de Medeiros ao Senado. O candidato aposta no desgaste do Supremo para mobilizar o eleitorado de direita e defende que o Congresso assuma um papel mais ativo diante das decisões da Corte.

 

Veja vídeo:

 

 

 

 

FONTE: MIDIA NEWS

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