Com os trilhos em direção ao norte de Mato Grosso praticamente consolidados, o deputado federal Nelson Barbudo (Podemos) anunciou que vai encampar o projeto de construção de uma ferrovia ligando Cuiabá a Cáceres e à fronteira com a Bolívia. O parlamentar pretende transformar a proposta em uma das pautas estratégicas do Estado em Brasília. O anúncio foi feito durante visita à região oeste.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
A iniciativa é estudada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que analisa a viabilidade técnica, econômica, ambiental e logística de um ramal ferroviário de aproximadamente 219 quilômetros. A ligação abriria uma nova alternativa logística para o oeste do Estado e fortaleceria a conexão com mercados internacionais.
Para Barbudo, o projeto precisa ultrapassar a fase de discussão técnica e ganhar força política. O deputado pretende defender a ferrovia junto à bancada federal de Mato Grosso e buscar o envolvimento dos governos estadual e federal, do setor produtivo e das lideranças dos municípios diretamente beneficiados.
Segundo o parlamentar, os trilhos podem provocar uma transformação que vai além do transporte de grãos e da redução dos custos logísticos. A ferrovia teria potencial para atrair indústrias, gerar empregos, movimentar o comércio e os serviços, agregar valor à produção agropecuária e criar uma nova dinâmica econômica na região oeste.
“Será um verdadeiro boom para a região e para todo Mato Grosso”, afirmou Barbudo.
A localização de Cáceres torna o projeto ainda mais estratégico. O município reúne três elementos que podem funcionar de forma integrada: a fronteira com a Bolívia, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e a possibilidade de conexão ferroviária. A ZPE de Cáceres é classificada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços como uma das unidades ativas do país.
O estudo da UFMT também relaciona o ramal à integração com corredores internacionais e ao acesso aos mercados do Pacífico. A pesquisa abrange análises de traçado, logística e aspectos socioeconômicos, jurídicos e ambientais, especialmente devido à sensibilidade do Pantanal. Nesta etapa, o objetivo é reunir elementos técnicos para avaliar a viabilidade do empreendimento.
Barbudo avalia que Mato Grosso não pode permitir que a expansão ferroviária avance apenas pelos eixos já consolidados, enquanto o Oeste permanece dependente quase exclusivamente das rodovias.
A ferrovia estadual em implantação prevê a ligação de Rondonópolis a Cuiabá e, no eixo norte, a Nova Mutum e Lucas do Rio Verde. Para o deputado, a discussão deve incluir agora a expansão dos trilhos em direção a Cáceres e à fronteira boliviana.
Na avaliação do parlamentar, a ferrovia também pode reposicionar Cáceres economicamente. A cidade deixaria de ser vista apenas como um ponto de fronteira para assumir a função de polo logístico, industrial e de comércio exterior, com reflexos nos demais municípios da região oeste.
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FONTE: RDNEWS







