sábado, setembro 26, 2026

Moretti: Wellington não tem perfil de gestor, de Poder Executivo

Moretti: Wellington não tem perfil de gestor, de Poder Executivo

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), subiu o tom contra o candidato de seu próprio partido ao Governo do Estado, o senador Wellington Fagundes, e afirmou que ele “não tem perfil de gestor” para comandar o Executivo.

Eu nunca vi essa visão [de gestor] no Wellington. Ele é mais articulador, é mais Legislativo

 

Em entrevista ao MidiaNews, Moretti afirmou que Wellington tem forte atuação como articulador em Brasília, onde construiu sua trajetória política entre a Câmara Federal e o Senado, mas disse não enxergar nele a “visão” necessária para administrar o Estado. Esse perfil, segundo ela, é encontrado no atual governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos).

 

“Eu vejo que o Wellington não tem perfil de gestor, de Poder Executivo. Em Brasília, ele dá um show, conhece as portas do Senado, é um articulador muito grande. Mas acredito que, como Executivo, para fazer uma gestão no nosso Estado, é só um Otaviano Pivetta mesmo. Eu nunca vi essa visão [de gestor] no Wellington. Ele é mais articulador, é mais Legislativo”, afirmou.

 

A prefeita entrou “para valer” na campanha à reeleição de Pivetta e afirmou que pedirá votos ao republicano nesta reta final. A mudança de lado ocorre em meio ao desgaste de Moretti com o PL. Na entrevista, ela afirmou que a direção estadual do partido está “perdida” e disse ter sido “traída” pela sigla, principalmente pela aproximação de Wellington com seus adversários políticos em Várzea Grande, como o senador Jayme Campos (União), o ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) e o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB).

 

A prefeita também não descartou deixar o PL, falou sobre seus planos para 2028, afirmou ter maioria para eleger um novo presidente da Câmara e fez um balanço das ações para melhorar o abastecimento de água após o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o Governo do Estado em julho.

 

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

 

MidiaNews – Prefeita, em março, a senhora dizia que apoiaria Wellington Fagundes porque era “partidária”. Mas agora a senhora “Pivettou” de vez, né? Nesta quinta-feira, a senhora subiu no palanque durante um ato e pediu votos abertamente para ele. Por que tomou essa decisão?

 

Flávia Moretti – Olha, eu sou partidária. Porém, o partido foi o primeiro a não me consultar sobre as alianças. Eu percebi que o candidato e toda a diretoria do partido estavam caminhando com os meus opositores dentro do meu município.

 

Fui eleita para acabar com a velha política, para não fazer conchavos. E, de repente, vejo o candidato do PL caminhar com Jayme Campos

 

Quem são meus opositores políticos? É o Jayme Campos? É o Kalil Baracat? É o MDB? Sim. Eu tive que lutar contra tudo e contra todos em 2024 e, de repente, o próprio partido se coliga a esse grupo político, apoia esse grupo e caminha por Várzea Grande com ele.

 

Isso, para mim, não tem coerência. Primeiramente, mostra que o partido me traiu, porque eu não fui consultada. Eu não tive voz no partido como prefeita da segunda maior cidade do estado e sequer fui consultada sobre essa coligação.

 

Eles estão “tudo junto e misturado” com os meus opositores políticos. O presidente da Câmara, que é do MDB e está caminhando junto com o candidato do PL em Várzea Grande, é meu opositor. Ele luta contra a minha gestão. Muitas vezes, me impede de fazer a gestão do município, porque eu dependo da Câmara e da votação de leis.

 

Então, eu me vi forçada a procurar outro grupo político. Se aquele grupo não olhou para mim, não viu as situações que enfrento dentro do meu próprio município, eu tive que procurar um grupo que me acolhesse. E o grupo do Otaviano Pivetta me acolheu.

 

Ele e o Mauro Mendes me acolheram, me receberam e falaram: “Não, Flávia, você quer vir?”. Porque, independentemente do que está sendo feito por Várzea Grande, na Aliança pela Água, na infraestrutura, no recapeamento, no microrrevestimento que será feito, nas obras do pronto-socorro e do Mercado Municipal, eles nunca tinham me cobrado apoio.

 

Mas, quando vi esse cenário do Wellington Fagundes andando com meus opositores dentro de Várzea Grande, andando com Jayme Campos, com Kalil e com pessoas que só querem derrubar o meu governo, que só querem dificultar a minha gestão, que foram opositores e que fazem parte dessa velha política responsável pelos problemas estruturais que Várzea Grande vive hoje, eu não podia continuar caminhando com eles. E aí resolvi dar apoio ao Pivetta.

 

MidiaNews – A senhora acha que o PL aqui no estado se perdeu?

 

Flávia Moretti – Se perdeu. Em Várzea Grande, então, está totalmente fora. Está totalmente perdido.

 

MidiaNews – Em Várzea Grande, o partido agora tem um novo presidente, o médico Alencar Farina. Como a senhora viu essa mudança?

 

Flávia Moretti – Um médico que nunca foi político dentro de Várzea Grande é o presidente do partido. E qual força ele fez para me eleger? Fez uma reunião dentro do hospital dele.

 

Agora, eu, como eleita pelo PL, não fui nem consultada para fazer parte do diretório. Então, realmente, o partido me excluiu de qualquer fala ou situação.

 

Mas eu continuo filiada ao PL e vou continuar com a minha filiação até que o PL me expulse por algum ato ou que eu tome a decisão de ir para outro partido.

 

Eu vejo, nos comentários das minhas redes sociais, pessoas do PL, que são de direita, moradores de Várzea Grande e meus eleitores, me dando apoio. E eu estou muito confortável.

 

Fui eleita para acabar com a velha política, para não fazer conchavos. E, de repente, vejo o candidato do PL caminhar com Jayme Campos, uma pessoa que eu sempre disse representar a velha política de Várzea Grande.

 

Então, chega. Eu estou sendo coerente. Quem foi traída primeiro fui eu. O partido não valorizou os votos que eu tive, não valoriza o meu trabalho como gestora do município. Então, quem não me valorizou e quem me traiu primeiro foi o partido.

 

 

MidiaNews – Alguns críticos dizem que a senhora não está retribuindo o apoio que recebeu em 2024, quando surfou na onda do bolsonarismo e do PL e recebeu recursos do Fundo Eleitoral. Como responde a essas críticas?

 

Flávia Moretti – Aí eu te pergunto: será que o partido não surfou na onda de uma nova candidata, de uma mulher, para eleger uma prefeita em Várzea Grande? Quem surfou na onda de quem?

 

“Ah, o partido me ajudou na minha eleição?” Não. Ele me deu metade do meu Fundo Eleitoral

 

Agora eu vejo que o partido me usou, porque não tinha outro nome para ser candidato. Achou um nome novo, uma mulher guerreira, com força e coragem. Porque quem teria coragem de enfrentar os Campos como eu enfrentei?

 

Eles não tinham nenhum homem com força para encarar. Mas eu fui e encarei. Então, na verdade, quem surfou na onda de ter um nome, de ter uma pessoa para ir lá e se candidatar, foi o partido estadual. Foi o presidente do partido que me usou para ganhar as eleições e, agora, fazer esse joguinho de se juntar com quem estava na minha oposição.

 

MidiaNews – Essa aliança de Wellington com seus opositores Wanderley, Kalil e Jayme ocorreu antes ou depois de a senhora declarar apoio a Pivetta?

 

Flávia Moretti – Isso se deu antes.

 

MidiaNews – Então, não foi uma resposta ao apoio da senhora a Pivetta?

 

Flávia Moretti – Não. Isso vem acontecendo desde 2025. Eu venho observando esses movimentos e, por isso, várias vezes relutei.

 

Tentei conversar várias vezes, inclusive com o senador Wellington. Eu dizia: “Não, não aceito, senador. Dentro do meu município não vai dar, vai ficar complicado. Não faça isso”, entendeu?

 

Falei várias vezes isso com o senador. Também falamos com o Ananias, mas ele não aceitou. Tanto é que, quando teve a eleição da Mesa Diretora, que foi anulada em maio, estavam lá Janaina Riva, Wanderley Cerqueira, Kalil e Tião [da Zaeli]. Então, havia um movimento desde maio para não deixar as coisas andarem.

 

Desde que eu ganhei a eleição, existe essa junção de forças para dificultar a minha gestão. “Ela vai ser prefeita de uma gestão só”.  Não importa se eu for prefeita de uma gestão só, mas eu quero fazer gestão, eu quero trabalhar. Agora, eu não quero que, toda vez, tentem puxar a minha perna, colocar uma pedra na minha frente para eu tropeçar.

 

MidiaNews – A senhora acha que até Wellington Fagundes está tentando “puxar o seu tapete”?

 

Flávia Moretti – Eu não vou citar o senador, mas o partido, sim.

 

MidiaNews – A direção estadual do partido?

 

Flávia Moretti – A direção estadual, sim, que não facilitou nada para mim.

 

“Ah, o partido me ajudou na minha eleição?” Não. Ele me deu metade do meu Fundo Eleitoral.

 

O próprio senador Wellington, às vésperas das eleições, falou para mim: “Você vai ser uma boa candidata a deputada federal. Você não vai ganhar a Prefeitura, Flávia”. Ele falou isso para mim por telefone. Ele e o [José] Medeiros falaram.  A surpresa deles é que eu ganhei. E aí, o que eles iam fazer?

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Flávia Moretti

Flávia Moretti: “Eu não vou me juntar aos meus opositores”

 

MidiaNews – A campanha de Pivetta chegou a usar os apoios da senhora e do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira,  em uma propaganda que dizia: “Quem conhece Wellington não vota em Wellington”. A senhora concorda com essa frase? Por quê?

 

Flávia Moretti – Olha, é uma frase forte. Eu não tenho contato com o Wellington a ponto de conhecê-lo na questão da amizade, apenas como correligionária, como senador.

 

MidiaNews – E como a senhora avalia Wellington como político e como administrador?

 

Flávia Moretti – Eu vejo que o Wellington não tem perfil de gestor, de Poder Executivo.

 

O Wellington, em Brasília, dá um show. Ele conhece as portas do Senado, da Câmara, do Congresso. É um grande articulador em Brasília. Mas acredito que, para o Executivo, para fazer a gestão do nosso Estado, é Otaviano Pivetta mesmo.

 

Ele é gestor, ele decide, ele toma decisões. Eu vi isso desde o princípio. Mostrei para ele a realidade do Pronto-Socorro de Várzea Grande, por fotos e vídeos, e, quando cheguei à gestão, ele já fez de tudo para destinar recursos para a reforma.

 

Ele tem uma visão de atender o serviço, de atender a população, que é diferente. Eu nunca vi essa visão no Wellington. Ele é mais articulador, é mais Legislativo. Existe essa diferença entre os políticos.

 

MidiaNews – Então, na sua avaliação, quem conhece Wellington não vota nele para um cargo no Executivo?

 

Flávia Moretti – No Executivo, eu acho que sim.

 

 

MidiaNews – Esse movimento de apoio ao governador Otaviano Pivetta também passa por uma estratégia pensando na sua reeleição em 2028?

 

Flávia Moretti – Também, porque, se o PL fez o que fez em uma eleição estadual, eu tenho que ter um grupo político forte para me apoiar em uma reeleição, né?

 

Eu não vou me juntar aos meus opositores, porque ali eu não vou ter espaço. Eu não posso ser despretensiosa e falar que não. Esse foi um ponto.

 

Mas o principal ponto que me fez apoiar o Pivetta foi a forma como ele estendeu a mão para Várzea Grande, com ajuda real. Então, como eu não vou apoiar um homem desse para o Governo? Não tem como.

O meu voto é no Otaviano Pivetta e vou pedir votos para ele nesta reta final.

 

MidiaNews – A senhora acha que ainda há chance de ele vencer no primeiro turno?

 

Flávia Moretti – Ah, eu espero. Pode ser por uma margem pequena, mas eu tenho esperança, sim.

 

Se as pessoas não me querem lá, se o PL não me quer, por que eu vou insistir?

 

MidiaNews – Em 2028, a senhora poderá disputar a reeleição. Hoje, se vê concorrendo novamente pelo PL?

 

Flávia Moretti – Não tenho como confirmar isso agora.

 

MidiaNews – A senhora recebeu convites de outros partidos, inclusive do Republicanos. Como avalia esses convites?

 

Flávia Moretti – Sim, inclusive do Republicanos, do próprio governador. Então, não tenho como confirmar para vocês se estarei no PL.

 

Mas deixo bem claro aos meus eleitores, que acreditaram na mudança, na Flávia como gestora, naquela Flávia de direita, cristã, que uma eventual mudança de partido não muda a ideologia da prefeita nem a essência da pessoa.

 

Uma gestão dura quatro anos. Eu até brinco com os meus secretários: “Meu tempo está correndo, minha data de validade vai vencer”.

 

MidiaNews – Então, hoje, a senhora não consegue afirmar que disputará a reeleição pelo PL?

 

Flávia Moretti – Não, não consigo ter essa certeza. Até porque, se o PL não me quiser, se eu for expulsa, não vou poder estar no partido.

 

MidiaNews – Caso seja expulsa, pretende apresentar alguma defesa ou vai aceitar a decisão?

 

Flávia Moretti – Eu acho que não.

 

MidiaNews – Então, simplesmente aceitaria a decisão?

 

Flávia Moretti – Aceitaria a decisão. Eu até falei uma vez: “Ah, eu vou me defender”. Mas, se as pessoas não me querem lá, se o PL não me quer, por que eu vou insistir?

 

MidiaNews – A senhora está há um ano e nove meses à frente da Prefeitura e, naturalmente, a gestão acumula desgastes. Fazendo uma autocrítica, o que não deu certo até aqui e o que funcionou? E como avalia hoje a sua governabilidade?

 

Flávia Moretti – A minha governabilidade está bem sólida com a minha base. O secretário Silvio Fidelis, na Secretaria de Governo, conseguiu construir uma relação com os vereadores com quem eu não conseguia conversar.

 

A minha dificuldade é com a presidência da Câmara, com o Wanderley Cerqueira. Ele é um ditador na Câmara

 

Hoje eu converso com os vereadores, a gente tem um bom relacionamento. É uma construção que o Tião não conseguiu fazer. O Silvio quebrou paradigmas com os vereadores, que colocavam uma “tarja” em mim e me enxergavam daquela forma.

 

O Silvio tirou isso, desmistificou a Flávia. Hoje, a Flávia liga para os vereadores, conversa com eles e a gente tem um bom relacionamento. Até os vereadores de oposição me ligam, tentam conversar comigo, alinhar algumas coisas. É um diálogo tranquilo.

 

A minha dificuldade é com a presidência da Câmara, com o Wanderley Cerqueira.

 

Ele é um ditador na Câmara. Ele tem tanto poder que faz quando quer, na hora que quer e do jeito que quer. Tanto é que eu tive que entrar com mandado de segurança para conseguir dar andamento às ações.

 

Ele acabou de retirar a pauta. Ele não coloca projetos do Executivo em pauta. Então, assim, poxa, tem coisa que é urgente e precisa ser votada. E isso vai atrasando o município.

 

A gente construiu uma base para eleger o Lucas do Chapéu do Sol como presidente. Ele está trabalhando bem.

 

 

MidiaNews – Hoje, o Lucas teria maioria para vencer a eleição?

 

Flávia Moretti – Hoje, o Lucas teria maioria e ganharia a eleição. Agora, quantos votos, eu não tenho esse número.

 

MidiaNews – Na sua avaliação, esse é um dos motivos para Wanderley não marcar uma nova data para a eleição?

 

Flávia Moretti – Também é um dos motivos. Porque, se marcar hoje, ele não ganha.

 

MidiaNews – O que ainda não está dando certo em sua gestão?

 

Flávia Moretti – É a falta de recursos financeiros para investir na infraestrutura do município.

 

A minha dificuldade é financeira, principalmente para investimentos em infraestrutura. Eu realmente precisaria de mais recursos via transferências ou que os governos estadual ou federal assumissem esses investimentos.

 

MidiaNews – Em julho, a senhora decretou calamidade financeira na Prefeitura e no DAE, citando dificuldades de caixa e um bloqueio judicial de R$ 19,7 milhões. Dois meses depois, qual é a situação real das contas? O município conseguiu sair da fase mais crítica?

 

Flávia Moretti – Já conseguimos quitar esse bloqueio e estamos em uma outra fase de negociação com o TCE-MT para terminar o ano de 2026 e fazer os pagamentos dos precatórios que precisam ser feitos.

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Flávia Moretti

Flávia: “A minha dificuldade é financeira para realizar investimentos”

 

Essa calamidade foi decretada por causa da questão dos precatórios. Em relação ao custeio da Saúde, recebemos emendas e vamos conseguir regularizar os pagamentos. Conseguiremos colocar a Saúde em ordem, mas eu não tenho recursos para investimentos, como falei, porque não consegui financiamento.

 

Quanto à folha de pagamento, estamos garantindo os recursos até o final do ano. Temos feito toda uma matemática financeira com os prestadores de serviços para conseguir colocar as contas em dia, mas são dificuldades de gestão. Eu não me apavoro com isso.

 

No ano que vem, teremos mais recursos e vamos conseguir melhorar o índice de investimento.

 

MidiaNews – A assinatura do TAC ‘Aliança pela Água’ com o Governo do Estado para a reestruturação do DAE previu um aporte de investimentos que pode chegar a R$ 60 milhões. Passados quase dois meses da assinatura do termo, a população já conseguiu sentir alguma melhora?

 

Flávia Moretti – Sim. Agora, já estamos com uma equipe no Cristo Rei e outra no Paiaguás para abastecer toda aquela região do Canelas para baixo por gravidade. Estamos atacando as regiões.

 

Em outubro, vamos atacar a região do São Simão. Temos um levantamento do TAC: foram 13 poços, entre reativações, perfurações e execuções. Isso representa um total de 101,5 mil pessoas com atendimento direto. São 221 mil litros de água por hora sendo distribuídos. E estou falando de poços, não estou falando de adutora.

 

Tudo isso é uma caminhada que está sendo positiva. Acho que esse valor de R$ 60 milhões ainda será superado. O Estado vai ter que aditivar o TAC.

 

MidiaNews – Se as eleições fossem hoje, a senhora acredita que teria prestígio popular suficiente para conseguir a reeleição?

 

Flávia Moretti – Olha, eu seria muito pretensiosa se falasse isso, porque eu digo que, em uma reeleição, você tem que mostrar entregas. Mostrei que tenho força de vontade para resolver e estou mostrando que estou trabalhando e fazendo acontecer.

 

Muita coisa já aconteceu. Os PCCSs dos servidores já estão na Câmara. Temos obras como o Centro Pop e os CAPS sendo construídos, o que nunca tivemos, além do CRAS do Cristo Rei. O desenvolvimento econômico do município está pujante, com o Parque Tecnológico, o Porto Seco e indústrias migrando para Várzea Grande.

 

Se a eleição fosse hoje, eu estaria reeleita? Aí vai depender de eu pedir votos e ir para a rua. Mas tenho certeza de que a população de Várzea Grande está muito confiante de que nós vamos conseguir, porque estamos conseguindo fazer a diferença na gestão.

 

 

MidiaNews – Um servidor do município foi designado pela gestão para fiscalizar um contrato de manutenção e implantação de redes de dados e voz. No entanto, ele já foi alvo das operações Atena e Iterum, da Polícia Civil e da Polícia Federal, respectivamente, por suspeitas de irregularidades em contratos de informática na gestão do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB). Isso não pega mal para o município?

 

Flávia Moretti – Pega. Tanto é que eu mandei substituí-lo na fiscalização do contrato.

 

MidiaNews – Essa decisão já foi tomada?

 

Flávia Moretti – Foi. Eu encaminhei para a secretária fazer a mudança no contrato. Inclusive, pedi que ela me enviasse a lista de servidores que poderiam assumir a função, porque quero saber o histórico do servidor para não tomar uma decisão errada.

 

Eu confiei na secretária para fazer essa indicação, porque é uma autonomia da secretária de Administração indicar o fiscal do contrato. Eu não fico sabendo dessas indicações. Nunca imaginei que esse servidor tivesse passado por isso. Eu nem sabia que era ele o servidor. Fiquei sabendo pela imprensa e, imediatamente, determinei a substituição.

 

Também determinei que fizessem uma lista dos servidores que podem assumir a função, porque é uma área muito técnica. O que eu vi muito em Várzea Grande foram fiscais de contratos que não tinham nem capacidade técnica para fiscalizar aquele contrato. Agora, eu quero o currículo do servidor para saber se ele entende ou não da área.

 

MidiaNews – Recentemente, uma secretária da sua gestão virou manchete ao aparecer em um evento usando um boné do PT. Isso não causa desgaste para a gestão, considerando que a senhora é de direita e tem no primeiro escalão alguém que apoia o PT e a esquerda?

 

Flávia Moretti – Não. Eu sempre soube que a Maria Fernanda tem a ideologia dela. Ela é petista, é professora da rede, e eu sou muito democrata. Ela veio para ser secretária por questões técnicas, porque tem um grande conhecimento da rede de Educação e da Secretaria.

 

Houve críticas à minha pessoa por eu ter colocado uma secretária que é de esquerda, mas eu sempre falei, em todos os momentos, que o meu secretariado era técnico. Maria Fernanda é técnica e tem total liberdade para apoiar a candidatura que quiser.

 

Lógico que eles são convidados a conhecer os candidatos que apoiaram a minha gestão, com encaminhamento de emendas. Eles são livres, mas não são obrigados a apoiá-los. Isso é democracia.

 

MidiaNews – Alguns vereadores diziam que, logo após assumir a Prefeitura, a senhora estava “de salto alto” e “deslumbrada” com a gestão. Foi isso mesmo?

 

Flávia Moretti – Não. Essa visão foi um rótulo criado por pessoas que estavam próximas de mim, mas que, na verdade, não estavam do meu lado e não queriam que eu me desse bem com os vereadores.

 

O caos em Várzea Grande beneficia alguns. Um caos político entre o Executivo e os vereadores é benéfico para quem não quer ver a gestão avançar. Isso é claro.

 

Criaram esse rótulo. O Silvio Fidelis veio para a gestão para acabar com isso e começou a quebrar essas amarras entre mim e os vereadores.

 

Eu sou uma pessoa muito tranquila para lidar com os vereadores. Como eu não seria? Eu preciso deles e tenho humildade para reconhecer isso. Inclusive, quero ajudá-los.

 

Quero ajudar cada vez mais, porque eu não me reelejo se não tiver os vereadores, entendeu? Criaram uma imagem para que eles nem chegassem perto de mim. Essa imagem já acabou. Minha porta está aberta e eles podem ir à Prefeitura a hora que quiserem.

 

MidiaNews – O que será prioridade no terceiro ano de sua gestão?

 

Flávia Moretti – Água. 100% por cento água.

 

Todos os dias eu falo com o presidente do DAE. A gente faz reunião on-line, faz videochamada. Eu vou até os locais para ver as obras e, nos finais de semana, dou prioridade para visitar os pontos onde estão fazendo intervenções.

 

Então, daqui até o final do meu mandato, a prioridade é estabilizar o abastecimento de água. A infraestrutura é uma consequência. Minha prioridade hoje é água. Estou focada nisso e vou continuar até conseguir dar estabilidade ao sistema.

 

Confira a íntegra:

 

FONTE: MIDIA NEWS

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