PF aponta que conselheiro aposentado recebeu R$ 6,6 milhões

O conselheiro aposentado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Valter Albano da Silva, teria recebido R$ 6,6 milhões em pagamentos investigados pela Polícia Federal, sendo R$ 4,9 milhões por meio de 55 ordens bancárias avulsas. 

 

A informação consta na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a Operação Tomada de Contas, deflagrada na última quinta-feira (29), para investigar suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos a integrantes do TCE-MT. O documento não especifica o período em que ocorreram as transações, mas as investigações abrangem o ano de 2025.

 

A decisão também aponta que, apesar de aposentado, Valter Albano teria sido mantido como titular de uma comissão permanente do Tribunal de Contas. Albano foi substituído em dezembro de 2025 pelo conselheiro Alisson Alencar, também alvo de busca e apreensão da operação.

 

Diante dos indícios apresentados, o ministro determinou o afastamento do conselheiro aposentado de qualquer atividade vinculada ao TCE-MT, remunerada ou não, além de proibir seu acesso às dependências e aos sistemas da instituição.

 

Valter Albano também está proibido de manter contato com outros investigados e servidores do Tribunal, ressalvadas as exceções previstas na decisão, e de deixar o país. A determinação inclui a entrega do passaporte e busca impedir eventual interferência na produção de provas.

 

Ordens bancárias

 

Segundo a investigação, Valter Albano teria recebido R$ 6.617.904,08, dos quais R$ 4.940.191,74 foram pagos por meio de 55 ordens avulsas, distribuídas em sete contas bancárias de cinco instituições financeiras.

 

As transferências ocorreram em blocos de até seis ordens bancárias com valores quase idênticos, emitidas no mesmo dia, conforme os dados apresentados pela Polícia Federal. 

 

Alvo da Ararath

 

Valter Albano também foi um dos cinco conselheiros afastados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, durante a Operação Ararath, que investigou suspeitas de corrupção envolvendo integrantes do Tribunal de Contas e agentes públicos de Mato Grosso.

 

Na ocasião, os conselheiros foram investigados por suspeitas de recebimento de propina para não criar obstáculos à execução de obras do Governo do Estado.

A investigação, entretanto, foi posteriormente arquivada por insuficiência de provas.

 

Na nova decisão, Og Fernandes menciona o episódio para justificar a necessidade de restringir a atuação de Valter Albano no TCE-MT, mesmo após sua aposentadoria.

 

Segundo o ministro, existe o risco de que o ex-conselheiro exerça influência institucional, ainda que indiretamente, após a prisão do presidente Sérgio Ricardo.

 

Valter Albano foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas em 2001, durante o governo Dante de Oliveira. Antes de chegar ao TCE-MT, Albano ocupou cargos de destaque na administração estadual, tendo sido secretário de Estado de Educação e de Fazenda de Mato Grosso.

 

Operação Tomada de Contas

 

Foram presos o presidente da Corte, Sérgio Ricardo; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; o servidor Adriangelo Barros Antunes; a secretária-executiva Roseli Loss; e os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva.

 

Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar também foram alvos da operação e afastados de suas funções por determinação judicial. 

 

A operação da Polícia Federal investiga um suposto esquema de favorecimento de empresas contratadas pelo Tribunal de Contas, pagamentos irregulares a agentes públicos e movimentações financeiras suspeitas.

 

Segundo a investigação, o presidente Sérgio Ricardo teria utilizado a suspensão de contratos administrativos como instrumento de pressão sobre fornecedores. Algumas empresas teriam continuado a receber recursos públicos, enquanto outras tiveram os pagamentos interrompidos.

 

A PF também identificou pagamentos extraordinários a conselheiros e servidores, realizados diretamente pelas contas do TCE-MT, mas fora da folha convencional de remuneração.

 

A análise bancária referente ao período de janeiro a outubro de 2025 identificou R$ 75,8 milhões em movimentações consideradas suspeitas.

 

A operação resultou na prisão preventiva de Sérgio Ricardo e de outros cinco investigados, além do afastamento de conselheiros e servidores.

 

As investigações continuam, e os envolvidos têm direito à presunção de inocência.

 

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FONTE: MIDIA NEWS

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