O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou que não permitirá que o Estado volte ao que chamou de modelo de “loteamento” político de cargos.
Nunca antes aconteceu isso. Eram seis meses e estourava um escândalo, prisão para cá, para lá. Era só anarquia
Segundo ele, entregar o governo a outro grupo representaria o risco de a administração ser “destroçada” por práticas que atribuiu a gestões anteriores.
“Mauro e eu acabamos com esse modelo de loteamento no Estado. Não vamos entregar o Estado para ser destroçado do jeito que esteve no passado. Nós e o povo não vamos permitir”, afirmou, em entrevista ao MidiaNews, ao citar sua gestão e a do ex-governador Mauro Mendes (União).
Pivetta disse que a escolha de secretários por critérios técnicos contribuiu para a permanência da equipe de primeiro escalão ao longo dos últimos anos. Em contraponto, afirmou que governos anteriores eram marcados por instabilidade administrativa e escândalos envolvendo integrantes da gestão.
“Nossos secretários de primeiro escalão são todos de escolha técnica, com poucas exceções. É por isso que toda a nossa equipe de secretários está até hoje. Quem não saiu para ser candidato está há oito anos no cargo. Nunca antes aconteceu isso. Eram seis meses e estourava um escândalo, prisão para cá, para lá. Era só anarquia”, disse.
Na entrevista, o governador também comentou seu desempenho nas pesquisas eleitorais e a estratégia adotada para ampliar sua exposição junto ao eleitorado.
Ele também respondeu sobre temas que têm marcado a campanha eleitoral, entre eles as acusações relacionadas a um suposto episódio de violência doméstica, a Operação Heritage, da Polícia Federal, e a mudança na composição de sua chapa.
Pivetta ainda falou sobre as acusações feitas por ele contra seu principal adversário na disputa pelo Governo, o senador Wellington Fagundes (PL), envolvendo o suposto uso indevido de emendas parlamentares.
Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):
MidiaNews – O senhor começou em desvantagem nas pesquisas, mas todos os últimos levantamentos recentes (MT Dados, Paraná Pesquisas e Quaest) já colocam o senhor empatado com o principal adversário, Wellington Fagundes (PL), ou em vantagem numérica. Como o senhor analisa o cenário eleitoral neste momento?
Otaviano Pivetta – Com muita cautela, como sempre avaliei e me comportei no setor público. Estou junto com o Mauro, ao lado dele, fazem sete anos e meio, desde 2019, e nessa trajetória toda de mudanças estruturais e melhorias contínuas de Mato Grosso.

Não me arrependo de nada, faria tudo novamente. A campanha serve justamente para isso [se apresentar]
Estive junto com o Mauro no dia a dia. Trabalhamos muito. Eu, como vice-governador, trabalhei muito e apareci muito pouco. Nunca gostei de ir para a mídia, nem fazer alarde ou propaganda das minhas ações, porque me sentia um servidor público. No papel de servidor público, nossa obrigação é servir.
E eu vim para a política para servir. Com 36 anos, fui prefeito pela primeira vez em Lucas do Rio Verde e já tinha minha vida arrumada, tinha o meu pé de meia feito, e vim para a política para servir.
Portanto, vi essa pesquisa com moderação, mas também com otimismo. Otimismo de quem lutou a vida toda para melhorar a vida do nosso povo em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, na região Médio-Norte do Estado e, nos últimos sete anos e meio, aqui junto com o Mauro, do povo de Mato Grosso.
MidiaNews – Sabemos que o peso da máquina pública é um fator que potencializa o seu projeto. Levantamento do Paraná Pesquisas mostrou uma boa aprovação da sua gestão. Acredita que essa aprovação popular facilite a reeleição?
Otaviano Pivetta – Tenho ciência de que represento um modelo de gestão para o Estado, que foi assumido pelo Mauro e por mim em 2019. É mais do que meu nome, é um legado e é um projeto de Estado que estamos desenvolvendo.
Muita coisa foi feita, mas tem muita coisa para fazer. E estou preparado para fazer cada dia mais e melhor em favor do nosso povo.
MidiaNews – O que, por exemplo, é mais urgente?
Otaviano Pivetta – Na Segurança Pública, estamos investindo pesado. Chamamos, neste ano, 1.500 novos agentes de segurança em todas as polícias e no Corpo de Bombeiros, sendo 923 deles na Polícia Militar.
Estamos investindo permanentemente em tecnologias para a investigação, para que a Polícia Civil seja mais rápida e resolutiva nas investigações. Nunca na história de Mato Grosso — e não falo isso com alegria — prendemos tanto como nesses últimos sete anos. Foram cerca de 7.500 presos. Construímos 10 mil vagas nos presídios. Infelizmente, falo isso com tristeza, mas é necessário.
Cuidamos de uma fronteira de 900 quilômetros do Brasil com a Bolívia, responsabilidade do Gefron e da PM, sem a presença do Governo Federal. Precisamos que o Governo Federal cuide das fronteiras para conter a incidência maior de todo tipo de crime, em função do tráfico, enquanto seguimos combatendo e investindo forte em nossas forças de segurança, mas é preciso que o Governo Federal faça a sua parte.
MidiaNews – Concorrer sentado na cadeira de governador fornece uma vantagem em relação aos adversários. Como fazer para que essa vantagem não seja vista como abuso do uso da máquina pública?
Otaviano Pivetta – Olha, eu cumpro a lei e a lei é muito restritiva. Apesar de estar na cadeira de governador, me comporto na campanha política como se não estivesse. Mato Grosso adotou, sob a nossa liderança, um novo jeito de governar.
Nós devolvemos o Estado de Mato Grosso para o povo mato-grossense e resgatamos a credibilidade do Estado. Trouxemos todos os municípios mato-grossenses para participar do corte desse bolo.
Continuamos aumentando a cada ano o repasse em todas as áreas para que os municípios possam investir e cuidar do nosso povo.
MidiaNews – Em um eventual novo mandato, o que pretende fazer que leve o eleitor a diferenciar um “Governo Pivetta” de um terceiro mandato do mesmo grupo?
Otaviano Pivetta – Pretendo investir na melhoria da qualidade de vida do povo mato-grossense. Esse é o meu principal foco. Aqui em Cuiabá e Várzea Grande, o foco é saneamento, água para todo mundo e uma reforma urbana para atender às aproximadamente 30 mil famílias que moram em situação de extrema pobreza ou vulnerabilidade em locais inapropriados.
Vamos continuar investindo na educação, com ensino técnico em 100% das escolas e salas de aula de ensino médio. Queremos que os nossos jovens saiam do ensino médio com alguma qualificação e emprego garantido, pois Mato Grosso é a terra das oportunidades.
Precisamos preparar os jovens para embarcar nessas oportunidades, melhorar a massa salarial do Estado e aumentar o consumo, gerando um círculo virtuoso bom para todos. Além de continuar crescendo, temos espaço para incorporar áreas no Estado sem desmatar nenhuma árvore, podendo chegar a 180 milhões de toneladas de produção.
Tão importante quanto produzir é verticalizar essa produção, estimulando a agroindústria a agregar valor à matéria-prima, multiplicando seu valor por três. Queremos elevar o nosso PIB dos atuais R$ 300 bilhões para R$ 500 bilhões até o ano de 2030.
MidiaNews – A sua campanha já detectou que o senhor tem um índice de 40% de desconhecimento por parte da população. Qual é a estratégia para superar isso/?
Otaviano Pivetta – A estratégia é conversar com a população através de entrevistas para levar a minha mensagem e me tornar conhecido.
Nesse período no governo, fui muito discreto. Tive uma postura de vice atuante, mas simplesmente vice, e mantenho um ótimo relacionamento com todos os prefeitos, vereadores e lideranças.
Fiz a interlocução intragovernamental para o Estado funcionar melhor. Agora chegou a minha vez. Estou governando Mato Grosso para todos os mato-grossenses, tenho minha vida resolvida, sou livre e adentrei na política para servir.
O meu sonho é chegar a ser governador eleito para colocar em prática todas as ideias que já apliquei em Lucas do Rio Verde. Nós temos muitas coisas boas para fazer e poderíamos fazer nos próximos anos, se o povo mato-grossense quiser.
MidiaNews – Se arrepende de ter adotado essa postura mais discreta? Talvez se comandasse alguma Pasta teria tido mais exposição e fosse mais conhecido.
Otaviano Pivetta – Não me arrependo de nada, faria tudo novamente. A campanha serve justamente para isso. A maioria dos candidatos não é amplamente conhecida no início, e o trabalhador mato-grossense costuma prestar atenção [próximo do] momento de tomar decisão.

O povo brasileiro está cansado de afagos em época de campanha e depois sumiço, muitas vezes fazer coisas que a população não aprova
Acredito muito que a sociedade passe a se interessar pelo tema, pois teremos eleições importantíssimas no dia 4 de outubro.
MidiaNews – Incomoda o senhor quando dizem que não tem carisma ou não sabe se comunicar com o eleitor?
Otaviano Pivetta – Não me incomoda. Tive três mandatos de prefeito, fui deputado estadual e duas vezes vice-governador. Trabalhei muito e estou na política para servir.
O que importa para a população são os resultados que a nossa gestão entregou, está entregando e pode entregar. O povo brasileiro está cansado de afagos em época de campanha e depois sumiço, muitas vezes fazer coisas que a população não aprova.
Quero ser conhecido pela verdade, por aquilo que sou, o que já fiz, pela minha história e pelas propostas que tenho para o nosso Estado, que no final do dia é o que interessa para a população.
MidiaNews – As pesquisas mostram um contingente de 65% do eleitorado indeciso. O que a sua campanha vai fazer para convencer esse eleitorado a votar no senhor?
Otaviano Pivetta – Não tem uma receita simples para isso. Recebi o apoio de 133 prefeitos dos 142 municípios do Estado e tem outros prefeitos que ainda vão declarar, além de centenas de vereadores e vereadoras.
Esses agentes públicos vão levar a nossa mensagem e explicar a diferença entre votar no Otaviano Pivetta e nos outros candidatos. Represento um modelo de gestão de resultados, do fazimento, que transforma os recursos do povo mato-grossense em obras de qualidade e serviços públicos de alto valor.
Eu já fiz isso na minha vida, sei como fazer, tenho liberdade e disposição para fazer.
Yasmin Vitoria/MidiaNews

O governador Otaviano Pivetta disse que ainda receberá apoios de mais prefeitos do estado
MidiaNews – Os maiores colégios eleitorais concentram grande parte dos indecisos. Nas três maiores cidades, os gestores sinalizaram apoio ao senhor. Conta com a ajuda deles para convencer essa parcela indecisa?
Otaviano Pivetta – Eles estão me ajudando, na medida do possível. E estou me comunicando melhor e utilizando as mídias sociais para nos aproximar da população e mostrar quem somos e a que viemos.
Tudo tem o seu tempo e dá tempo ainda de acontecer isso [se tornar conhecido], já vimos outras eleições assim. O importante é o povo mato-grossense decidir no dia 4 de outubro se quer continuar com este estado em desenvolvimento e prosperidade ou se quer voltar ao cenário visto entre 2010 e 2018, período que não deixou saudades.
MidiaNews – Do que o senhor fala quando diz sobre o passado?
Otaviano Pivetta – Criticar e falar mal dos adversários não faz parte dos meus planos. Tivemos tempos em que não se pagava o salário dos servidores em dia, atrasava-se até 30 dias, parcelava-se o 13º e não se honravam compromissos com fornecedores e municípios e atrasava o duodécimo dos Poderes.
O Estado chegou quase à insolvência. Nós mudamos isso, com o apoio da Assembleia Legislativa. O estado foi recolocado nas mãos do povo e passou a servir o povo mato-grossense em todas as áreas. Não teve uma área só do serviço público que não tenha recebido investimentos de alto volume.
Tivemos também um tempo marcado por negócios escusos, da corrupção, do VLT, da roubalheira que ganhou as manchetes do Brasil todo. Mato Grosso perdeu a credibilidade.
Nosso modelo de gestão vai contra esse sistema, priorizando o controle sobre as contas públicas, a responsabilidade fiscal e a destinação de recursos para os municípios para suas necessidades é o que de melhor um governante pode fazer.
E eu sei fazer isso, como nenhum dos outros que se coloca à disposição sabe.
MidiaNews – O foco nisso é para mostrar ao eleitor: “Se está indo bem para que arriscar?”?
Otaviano Pivetta – O que fizemos é patrimônio público. Precisamos falar sobre o que vamos fazer a partir de agora e apresentar esperança para a população.

O que aconteceu foi um fato desagradável, mas confio na inocência dos meus amigos, tanto do Mauro quanto do Fábio
Nossa educação vai continuar evoluindo, inserindo o ensino técnico profissionalizante no ensino médio. Na saúde de alta complexidade, o programa Fila Zero e a Tabela SUS Mato Grosso estão em pleno funcionamento.
Estamos construindo a melhor infraestrutura de saúde pública do Brasil, e assim vamos fazendo um estado melhor para todo o povo mato-grossense viver.
MidiaNews – Além do seu crescimento, as pesquisas mostram também um aumento da sua rejeição. Diria que isso pode ter sido influência da Operação Heritage, da Polícia Federal, que atingiu aliados do senhor e culminou na troca do seu vice, o deputado Fábio Garcia?
Otaviano Pivetta – O que aconteceu foi um fato desagradável, mas confio na inocência dos meus amigos, tanto do Mauro quanto do Fábio Garcia e Mauro Carvalho.
Em 2014, o Mauro foi vítima de uma operação semelhante e, dois anos depois, foi totalmente inocentado. Infelizmente, isso aconteceu em um período completamente surpreendente.
A estrutura do Estado avaliou [o acordo que originou] a operação em questão. A PGE avaliou e demonstrou que houve economicidade na negociação, com pareceres favoráveis do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público de Contas, homologados judicialmente.
Eu, como vice-governador na época, em 2024, dentro do Estado, o assunto está liquidado. Fora do Estado, cada um terá a oportunidade de provar sua inocência.
MidiaNews – Mas essa operação interferiu diretamente no aumento da sua rejeição?
Otaviano Pivetta – Sinceramente, não li as pesquisas e não sinto isso no dia a dia quando ando estado à fora.
Sou muito bem recebido por onde passo. O povo reconhece as conquistas dos últimos sete anos e meio e demonstra que não quer perder os avanços de um Estado que está no rumo certo.
MidiaNews – A operação culminou na troca do seu candidato a vice, o deputado federal Fábio Garcia, por Gisela Simona. A escolha da Gisela foi exclusivamente do senhor ou houve pressões internas?
Otaviano Pivetta – Foi uma troca voluntária, pois o Fábio pediu para sair. Eu já tinha o desejo de convidar a Gisela para compor a chapa como vice-governadora. O santo bateu entre eu e ela, a gente sempre se deu muito bem.

o Fábio pediu para sair. Eu já tinha o desejo de convidar a Gisela para compor a chapa como vice-governadora. O santo bateu
A presença dela cria uma dupla ideal para governar Mato Grosso, pois ela é servidora pública de carreira há 25 anos e conhece o sentimento do servidor e eu conheço o sentimento dos empreendedores, dos trabalhadores [da iniciativa privada].
Então, a junção vai me trazer muitas coisas que eu não teria a capacidade de perceber. Ela está vindo com essa finalidade de complementar, trazer qualidades que eu não tenho. A presença da mulher servidora, madura e testada.
Uma pessoa de alto valor em todos os aspectos e me deixa muito orgulhoso de ter ela participando da minha chapa.
MidiaNews – Após a saída de Fábio, o ex-governador Mauro Mendes chegou a afirmar que a troca foi um equívoco. Essa mudança desagradou parte dos seus aliados? O Mauro ficou insatisfeito?
Otaviano Pivetta – O Mauro sempre me deu total liberdade para escolher o vice. Temos uma relação de lealdade muito forte.
Ele sempre falou: ‘Como eu escolhi você, você aceitou ser meu vice duas vezes, terá a liberdade de escolher teu vice’. E foi isso que aconteceu.
Ele compreendeu, foi o primeiro que compreendeu, aceitou e bola para frente. Não tem nada fora de sintonia entre eu e ele. Absolutamente nada.
MidiaNews – Nota-se que há algum tempo vocês não cumprem agendas públicas juntos. Houve algum estremecimento pelo fato de o ex-governador não ter tido a palavra final? Ele ficou chateado?
Otaviano Pivetta – Estivemos juntos na semana passada na Casa 10, quando recebemos o apoio dos prefeitos. E nos encontramos frequentemente.
São dois candidatos na majoritária: ele concorre ao Senado e eu ao Governo. É natural que tenhamos agendas distintas, mas sempre que possível estaremos juntos.
MidiaNews – Não há nenhum estremecimento entre vocês?
Otaviano Pivetta – Absolutamente nada.
MidiaNews – Esse início de campanha já teve muitos ataques, principalmente entre o senhor e o senador Wellington. Acha que essa campanha vai ter um nível mais “sangrento”? O eleitor não pode achar isso ruim?
Otaviano Pivetta – Da minha parte, tenho procurado me dirigir à população falando sobre realizações e propostas. Às vezes, a gente recebe uma pedrada, devolve com flores, mas devolve.
Não levo desaforo para casa, minha mãe não gostaria que eu levasse, nem meu pai. Então, pela honra do meu pai e da minha mãe, vou continuar andando de cabeça erguida, livre, já dei demonstrações claras disso em todos os aspectos e vou continuar marchando livre em defesa dos interesses da população mato-grossense.

Você contrataria alguém desqualificado para cuidar da sua empresa? As pessoas têm que fazer esse exercício
MidiaNews – Se o tom da campanha subir no debate público, vai responder à altura?
Otaviano Pivetta – Não vamos deixar de falar a verdade. Tem muitas verdades que precisam ser faladas.
MidiaNews – Que tipo de verdade?
Otaviano Pivetta – Vamos esperar. A população já está percebendo. Dá a impressão de que não precisamos falar muito; basta ver a trajetória, a vida, as obras e o currículo de cada um.
Você contrataria alguém desqualificado para cuidar da sua empresa? As pessoas têm que fazer esse exercício [de reflexão] em algum momento.
MidiaNews – Quando o senhor faz acusações a adversários, o senhor fala com muita convicção. Por quê?
Otaviano Pivetta – Porque a gente acompanhou e ouço inúmeros gestores municipais de Mato Grosso que falam a mesma coisa. Ele [Wellington] tem esse conceito subliminar no estado, isso é uma fama que está estadualizada. Não é eu que estou falando, longe de mim querer formar opinião.
É uma história que vem dos governos Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2 e Temer. Quem comandava o DNIT? Quem nomeava o superintendente do órgão aqui em Mato Grosso?
Esse mesmo cara que comandava foi quem impediu que duplicássemos a BR-163 e não permitiu, até hoje, que a BR-158 fosse construída para desenvolver o Norte Araguaia. Estamos criando um eixo alternativo com a MT-110 e a MT-109, a partir de Canarana e Querência, passando por Espigão do Leste.
O Estado vem assumindo o que era papel do Governo Federal, porque, até então, só tínhamos desgraça e mortes nessa rodovia. A região de influência da BR-163 impacta cerca de 70% da vida do povo.
Durante todo esse tempo, eram apenas promessas e acidentes. Quando assumimos o Governo e organizamos as contas, fomos lá e pegamos a concessão da rodovia. Hoje, o povo de Mato Grosso é dono da Nova Rota do Oeste, todos são sócios disso, graças a uma ação de governo minha e do Mauro.
Era obrigação do Estado? Claro que não, o Estado já tinha mil obrigações, mas esse era o lugar onde o povo mais sofria. Aportamos os recursos necessários e vamos terminar as obras até o final do ano que vem. Hoje, a BR-163 é a maior obra de infraestrutura rodoviária do Brasil.
MidiaNews – O senhor quer dizer que além de não fazer, na época em que ele esteve à frente do DNIT, Wellington também atrapalhou?
Otaviano Pivetta – É difícil afirmar isso, mas basta refletir um pouco. Qual é o interesse de um parlamentar em ser dono de [cargos] executivos no governo? Mauro e eu acabamos com esse modelo de loteamento no Estado.
Em Mato Grosso, nossos secretários de primeiro escalão são todos de escolha técnica, com poucas exceções. É por isso que toda a nossa equipe de secretários está até hoje, quem não saiu para ser candidato está há oito anos no cargo, nunca antes aconteceu isso.
Eram seis meses e estourava um escândalo, prisão para cá, para lá. Era só anarquia. Acabamos com isso, governar é escolher bem a equipe e sustentá-la sem interferência política.
Agora, o governo que começa a ceder secretaria A para deputado tal, secretaria B para senador tal, não vai dar certo. Como esse nosso Brasil não dá certo.
Sabe quantos quilômetros de rodovia o Governo Federal fez em Mato Grosso nos últimos dois anos? Apenas nove quilômetros, enquanto nós fizemos dois mil quilômetros.
Nós inauguramos um tempo em que Mato Grosso é respeitado, tem crédito, todo mundo quer vender para nós, paga em dia. Isso é cuidar do dinheiro público. Não vamos entregar o Estado para ser destroçado do jeito que esteve no passado. Nós e o povo não vamos permitir.
MidiaNews – O senhor já se declarou abertamente contra esse sistema atual de liberação de emendas, que na Assembleia são R$ 27,5 milhões para cada deputado. Porque segundo o senhor, esses recursos não chegam na base. Caso seja reeleito, pretende mudar esse sistema? Como?
Otaviano Pivetta – Caso eleito, vou sentar com a bancada dos deputados estaduais para repactuarmos a maneira de aplicar recursos públicos em Mato Grosso.

Eu não gostaria de receber votos do crime organizado. Crime organizado que não vote em mim
Não posso determinar isso sozinho, mas vou me empenhar para que a gente faça um cardápio de políticas públicas em que os deputados possam canalizar as suas emendas parlamentares.
MidiaNews – Não vai ser muito difícil conseguir isso?
Otaviano Pivetta – Não tem nada fácil no setor público, tudo é complexo, com diálogo e com construção.
A democracia é assim, já fui deputado, estou no Executivo agora e tenho conhecimento, experiência e liberdade para propor mudanças importantes que precisam acontecer na canalização de emendas.
MidiaNews – Mas por que o senhor quer essas mudanças? Avalia que o dinheiro não está sendo bem aplicado ou não chega à população?
Otaviano Pivetta – Quero propor mudanças para estabelecer, junto com os gestores municipais, deputados e deputadas, uma nova relação entre os municípios e o Estado.
Queremos transferir recursos diretamente aos fundos municipais de forma simplificada, sob a fiscalização do TCE, das Câmaras, da Assembleia, do Ministério Público e da Controladoria-Geral do Estado.
Vamos simplificar a destinação de recursos para os municípios, fundo a fundo, para com isso evitar as viagens desnecessárias dos gestores municipais e evitar a burocracia também, diminuir o custo. E com esse conceito, mais município, menos Estado.
MidiaNews – Dentre os ataques que o senhor vem sofrendo dos adversários nas redes está sobre o suposto caso de violência doméstica envolvendo sua ex-esposa. O senhor afirma que o caso já foi arquivado pela Justiça. Como reage a esses ataques? Pode explicar o que aconteceu e qual foi essa decisão judicial?
Otaviano Pivetta – Lembro desse caso com muita tristeza, pois me fez sofrer muito e certamente fez a outra parte sofrer também.
Em respeito à família e a ela, não tenho o que falar sobre o assunto, até porque fui inocentado pela Justiça de Santa Catarina e de Mato Grosso.
Esse assunto é página virada. Lamento que os adversários usem esse assunto para tentar me desmoralizar, mas confio na lucidez do nosso povo.
MidiaNews – Não teme que isso desgaste a sua campanha, principalmente junto ao eleitorado feminino?
Otaviano Pivetta – Eu não temo, não tenho por que temer. Tenho 35 anos de vida conjugal, seis filhos e quatro netos, e nunca cometi violência contra mulher nenhuma.
Se eu tivesse motivo para temer eu não seria candidato.
MidiaNews – Mato Grosso registra altos índices de feminicídio. Caso reeleito, o que pretende fazer para combater a violência contra a mulher?
Otaviano Pivetta – Nós já estamos agindo. Criamos 80 patrulhas Maria da Penha este ano e chegaremos a 142 até o final do ano. Abrimos quatro Delegacias da Mulher, sendo uma 24 horas em Várzea Grande e três no interior. Temos cerca de 10 mil mulheres com medida protetiva no Estado, e os casos que evoluem para feminicídio entre elas são raríssimos.
Nós estamos em terceiro, tem estado pior que nós. É horrível fazer classificação para um tema como esse, que nos deixa realmente estarrecidos, mas todas as medidas possíveis [que podemos tomar] por parte do estado, nós estamos tomando.
Infelizmente, nesse caso, a gente chega sempre depois. Nós temos que fazer políticas públicas para a mudança da cultura das nossas futuras gerações.
MidiaNews – Como o senhor viu a declaração de apoio do senador Jayme Campos à candidatura de Wellington? Desistiu de dialogar com ele e buscar apoio?
Otaviano Pivetta – Com tranquilidade. Tenho uma boa relação com o senador Jayme e respeito a posição política dele.
Ele escolheu um caminho, vamos seguir o nosso e lá na frente a gente se encontra. Tenho certeza de que ele quer o bem de Mato Grosso.
MidiaNews – As pesquisas indicam a possibilidade de um segundo turno entre o senhor e o senador Wellington. Se isso se confirmar, pretende buscar os eleitores da Dra. Natasha, que é uma candidata de esquerda?
Otaviano Pivetta – Havendo segundo turno, vou fazer campanha para ser o mais votado e buscar todos os votos possíveis.
Vou pedir o apoio demonstrando que sou uma alternativa de direita de resultados. Eu provei na minha vida toda que servi o meu povo de alguma maneira.
MidiaNews – Existe algum apoio político que o senhor não aceitaria mesmo que fosse decisivo para vencer a eleição? Onde está o limite das alianças de Pivetta?
Otaviano Pivetta – Eu não gostaria de receber votos do crime organizado. Crime organizado que não vote em mim, porque vamos pra cima.
Nós vamos acabar com isso em Mato Grosso
MidiaNews – Acha que existem políticos que vão receber votos do crime organizado?
Otaviano Pivetta – As pessoas dizem que sim, mas não tenho conhecimento.
Assista a íntegra da entrevista:
FONTE: MIDIA NEWS







