O candidato a deputado federal, delegado Frederico Murta (Podemos), afirmou que criminosos ligados a facções devem temê-lo porque, caso seja eleito, pretende manter no Congresso Nacional uma postura de enfrentamento ao crime organizado.
As facções sabem que, se eu entrar, vou continuar lutando contra eles e vou bater muito forte
A declaração foi dada em entrevista ao MidiaNews, ao comentar dificuldades que, segundo ele, vêm sendo enfrentadas por sua equipe durante ações de campanha em bairros de Cuiabá.
Murta relatou que apoiadores teriam sido intimidados ao levar materiais de campanha a determinadas regiões da Capital. Entre as situações narradas estão a proibição de entrada em algumas ruas e bairros e a retirada de adesivos de veículos.
Para o delegado, a resistência ao seu nome não é uma surpresa e estaria relacionada à sua trajetória no combate ao crime organizado. Ele atuou por mais de 15 anos na Segurança Pública.
“A resistência com o nosso nome é natural. Eu trabalho contra o crime organizado há muitos anos. As facções sabem que, se eu entrar, vou continuar lutando contra eles e vou bater muito forte. Eles têm que ter medo mesmo. Eu espero que eles tenham medo”, disse.
“A partir do momento que eles estiverem me recebendo bem e querendo que eu esteja lá, alguma coisa está errada. Se tem uma coisa que eu não vou alisar e com a qual não vou compactuar é comportamento de facção criminosa”, completou.
Diante dos relatos recebidos pela equipe, Murta decidiu ir pessoalmente, na semana passada, a um dos bairros mencionados e divulgou vídeos da visita nas redes sociais. No local, encontrou muros com pichações e demarcações que atribuiu a facções criminosas e, segundo seu relato, percebeu um ambiente de tensão entre os moradores.
O delegado afirmou que situações semelhantes também estariam sendo relatadas por apoiadores em municípios do interior de Mato Grosso. Segundo ele, a campanha avalia visitar algumas dessas localidades durante o período eleitoral, levando em consideração a segurança dos moradores que eventualmente apoiem sua candidatura.
“A maioria das pessoas que vivem ali são trabalhadores, são mães e pais que se preocupam com seus filhos e que estão sendo ameaçados”, afirmou.
“[…] Eu já sabia que ia ter esse tipo de dificuldade. Isso, para nós, não é novidade, mas nem por isso a gente vai deixar de se posicionar. Vou onde der para ir”, completou.
“Todos os criminosos sabem quem eu sou”

todos os criminosos de MT sabem quem eu sou, e eles sabem o que vai acontecer se alguém fizer alguma coisa comigo
Segundo Murta, o número de denúncias aumenta após a divulgação de conteúdos relacionados ao tema. Ele afirmou que sua equipe analisa os relatos individualmente e, quando necessário, os encaminha às forças de segurança para formalização.
Questionado se sente medo diante desse cenário, Murta reconheceu que existe preocupação, mas ressaltou seu histórico como delegado da Polícia Civil.
“Alguns cidadãos não me conhecem, mas todos os criminosos de Mato Grosso sabem quem eu sou, e eles sabem muito bem o que vai acontecer se alguém fizer alguma coisa comigo”, disse.
Segundo o candidato, as visitas são realizadas com cautela, mas sem transformar as ações de campanha em espetáculo.
“Eu cheguei a pensar em ir de colete à prova de balas. Mas eu vejo muita gente fazendo isso para chamar atenção, e não era o meu objetivo. Eu poderia colocar um colete balístico e o vídeo ia dar muito mais like, ia chamar muito mais atenção, mas e a pessoa que estava ali? O meu objetivo era falar com o morador”, disse.
“Eu fui como uma pessoa comum. Você concorda comigo que, se eu chego lá de colete para conversar com o morador, não ia ser muito mais difícil a minha aproximação com o morador? Chega um delegado de polícia, de colete balístico, quem vai vir conversar comigo para ouvir as minhas ideias?”, completou.
Veja o vídeo:
FONTE: MIDIA NEWS




